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Nenhures

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Finalmente começaram a ser retirados de circulação os exemplares da colecção "As Aventuras dos Cinco", literatura infanto-juvenil de Enid Blyton, agora - tão tardiamente - considerada inapropriada.
 
Apesar da popularidade das obras e da tendência de se valorizar aquilo que aproxima a juventude da leitura, não deixo de me congratular com este cancelamento de "Os Cinco". Pois trata-se de um insidioso proselitismo do modo de estar lesbiano, subrepticiamente inculcado às petizas através daquela Zé, dita "maria-rapaz", ainda para mais em despropositadas derivas inter-raciais, por via das intervenções da sua peculiar amiga "ciganita", tão a ela similar, sósia mesmo...

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(Rui Nabeiro, fotografia que presumo ser de Ricardo Palma Veiga)

Há pouco tempo passei um ano em Bruxelas. Na vizinhança arranjei dois poisos refúgios da intempérie solidão que me acometera: em Etterbeeck o "Etcetera", um barzito de bairro algo "bobo" (como se dizia, não sei se ainda) - ufano do Depardieu por lá ter passado - e com uma simpática clientela, imensamente acolhedora deste excêntrico português, pois cinquentão nem eurocrata nem nas "obras" e que, talvez mesmo mais por isso, sabia bastante de banda desenhada. E em Schaerbeek o "Ponto de Encontro", reduto português mas aberto a quem viesse por bem - lá decorriam encontros do campeonato nacional de dardos, por exemplo -, um simpatícissimo casal proprietário e um gentil núcleo de fregueses. Entre os quais também eu era excêntrico, notado pois não só o único homem que não trabalhava nas "obras" como, gabavam-me, era o único sportinguista que aparecia após as (então) habituais derrotas. Para me encaixarem foi decidido que eu era "jornalista" - coisa que não levei a mal pois percebi ser a forma de não me resumirem ao naúfrago que ali estava. E pareceria.
 
 
 

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(Gouveia e Melo, fotografado por Miguel Valle de Figueiredo)

O país estava exausto pelos efeitos do Covid-19, atrapalhado pelos normais constrangimentos e hesitações governamentais face àquele enorme desafio, tudo incrementado por alguns ziguezagues desnecessários. Após um ano de pressão pandémica o alívio da esperada vacinação começou embrulhado em confusão executiva e manchado por alguns casos de nepotismo, na apropriação de vacinas por membros da elite socialista, algo exasperante e incrementando dúvidas sobre a capacidade de uma competente vacinação universal. Neste caso não é necessário fazer o rescaldo das práticas então seguidas pelo Ministério da Saúde, e restante governo, pois nisso logo se dividem as opiniões devido a critérios advindos do viés partidário. Mas é pacífico constatar que após Gouveia e Melo ter sido colocado no topo da sua estrutura organizacional  - e de ter lhe reforçado a participação militar  - o processo nacional de vacinação foi um sucesso, até inesperado. Para tal contribuiu a credibilização dos serviços: explicitando a confiança nacional nos ditâmes dos agentes da Saúde (remetendo os "negacionistas" das vacinas a um minoria histriónica). Mas também na racionalidade e na rectidão dos processos, pois logo minguaram as atrapalhações executivas e, mais, desapareceram as notícias sobre autarcas e deputados a reservarem alguns lotes de vacinas para si, familiares, amigos e vizinhos. E contribuiu também, não o esquecer, a constante e ponderada disponibilidade comunicacional do coordenador-geral Gouveia e Melo, sossegando e mobilizando as hostes nacionais.

 

 

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Há cerca de uma década suicidou-se Mohamed Bouazizi, vendedor ambulante tunisino desesperado com o saque que os fiscais estatais lhe faziam. Foi um inesperado rastilho de um gigantesco movimento internacional, encetado por uma ampla movimentação das juventudes e que conduziu à queda na África do Norte de uma série de regimes ditatoriais, alguns com décadas de vigência. Foi a dita "Primavera Árabe" tantas vezes dita "Revolução de Jasmim".

Em Moçambique alguns auguravam que esses movimentos populares irradiariam para Sul. Visão que eu, avesso a revoluções populares - lobas europeias e leoas africanas que devoram as suas crias -, rilhava como algo escatológica e que resumia, glosando o célebre ditado africano, como anseio de uma "Revolução do Capim", este sempre esmagado quando lutam os elefantes.

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Acima de tudo, muito mais do que paixão o futebol  - nisso entenda-se o quotidiano Sporting e, ocasional e secundariamente, a selecção nacional - é-me um placebo. Ou seja, aos desaires trato com um lesto e dialogante monólogo interior feito de viscosos palavrões e vigorosas invectivas às Entidades desavindas, ou mesmo através de resmungos partilhados com a escassa vizinhança, e logo me dedico a outras temáticas, decerto que não mais relevantes. E nos triunfos significativos - não tão habituais assim, dada a minha amada "condição" sportinguista - emerge-me um frenesim exultante que recobre, dissolve até, todas as agruras e desconchavos da (minha) vida, reacção alquímica que leva, felizmente, alguns dias a fenecer.

A vitória londrina de ontem, com o Sporting a arrumar o este ano fortíssimo Arsenal - meu clube inglês desde petiz -, e após um primeiro jogo em que  havia sido basto prejudicado por uma arbitragem reverente ao poder mediático, foi um desses momentos de felicidade (a qual nunca é espúria, seja lá qual for a sua causa) para mais tarde recordar - e a fazer-me lembrar uma outra vitória épica, quando há uma década se eliminou o Manchester City, jogo que vi em Maputo entre queridos amigos sportinguistas, alguns dos quais já cá não estão, numa noite terminada, alguns de nós numa euforia já algo inebriada, a pagar luxuosas rodadas generalizadas nos restaurantes da Julius Nyerere e a ofertar rosas a todas as mulheres - para gaúdio de um noctívago vendedor ambulante... Despesa que quase teria custeado a minha ida a Manchester....

 

 

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