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Nenhures

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Cada vez mais estupefacto com a "pátria amada": descubro aqui que a Câmara Municipal de Lisboa (Costa, Medina & Salgado) vai construir um templo (e gastará 3 milhões de euros no complexo que a integrará). É uma afronta. Isto raia o insuportável, esta amálgama cúmplice de decisores e de corporações do funcionalismo público - e, sim, neste caso pior que tudo é o eixo "trabalhadores intelectuais-multiculturalistas", que em troca do sonho de um "Mercedes Benz" (empregozito, projecto, subsídio, assessoria, comentarismo avulso, venha lá o que vier) tudo apoia. Só me ocorre o título daquele primeiro livro assinado como Vernon Sullivan. Espero viver o suficiente para isso.

Não quero confundir nem que confundam a minha total aversão a quem pensa, decide, projecta, executa e, mais do que tudo, permite uma coisa destas com qualquer aversão a imigrantes - fui imigrante durante 18 anos, e ainda para mais num país onde os meus antepassados foram colonizadores, raisparta, como posso eu ser anti-imigrantes?, só se fosse (ainda mais) parvo). Nem contra qualquer religião em particular, neste caso o islão.

Os muçulmanos que residem naquela área querem uma mesquita? Ok, que a construam, que se dê apoio (administrativo, urbanístico, contribuições se necessárias). Agora o estado a construir? E o problema da oposição a este populismo "multiculturalista" é que aparenta (e às vezes até se encontra no meio do) racismo, intolerância, xenofobia. Mas não se trata disso, pura e simplesmente trata-se de que na minha terra, nesta sociedade, eu não quero o estado a apoiar a religião.

E podem-se ter outras considerações: o financiamento por vários países árabes da construção de mesquitas insere-se num eixo de coranização que tem uma dimensão política fundamental - sempre a teve, e nesta contemporaneidade ainda mais gritante isso é. E tem-na tal como a evangelização a teve e tem - e daí os rancores, em modo de ofensa, que o mundo cristão votou e vota à sua proibição em vários lugares ou, como na China, ao seu encapsulamento pelo poder político. E a disseminação de mesquitas tem essa vertente, na Europa e em África (e presumo que na Ásia mas não conheço essa realidade), não só de expansão da influência política (e cultural e religiosa) do Islão como também de compita entre as suas várias linhas. E a construção estatal de mesquitas tem também modalidades de controlo do predomínio de "islões" anti-poderes - exemplo tão nosso próximo é a grande mesquita que o rei de Marrocos mandou fazer há poucos anos, modo de centralizar o culto urbano e tornear os oradores corânicos menos atreitos ao poder. Nisso tudo até se pode considerar que em Portugal seja pensado pelo estado um "cautela e caldos de galinha" político, uma associação benfazeja com o cultuar muçulmano para obstar à disseminação de mesquitas "populares", putativamente radicalizáveis nos tempos que correm.

Em suma: a questão é se devemos tornear a laicidade do Estado (que é uma conquista histórica, fruto de lutas políticas, e está inacabada), ou seja, se devemos regredir civilizacionalmente, nos nossos termos de "civilização", em nome de um cuidado com as vagas migratórias. E eu acho que não. Que há outras formas de integrar (não no sentido de des-identificar, mas no sentido de atribuir as mesmas possibilidades de exercer os direitos de cidadania - tal como os entendemos - aos imigrantes, de os inserir). Obstar à proliferação dos esconsos radicais, sim. Apoiar a possibilidade cultual, sim. Apoiar a construção de templos, no âmbito dos nossos planos urbanísticos, sim. Construir templos, quebrar a distinção religião/estado? Nunca

E não esqueço que este bloco que está no poder andou há uns anos (google-se e encontra-se o prestigiado Louçã e afins) a invectivar a existência de crucifixos nalgumas pequenas escolas primárias no que resta da ruralidade portuguesa. Onde está o Wally, agora?

(Colocado no "Courelas")

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