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Nenhures

Nenhures

Canas ao Tribunal Constitucional

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A indicação de Vitalino Canas para o Tribunal Constitucional é algo extremamente gravoso e que só seria surpreendente se ainda vigorasse qualquer dúvida sobre o carácter de António Costa e da elite socialista sua apaniguada. Enviar um homem da actividade empresarial, e muitíssimo próximo de José Sócrates, para o Tribunal Constitucional é a total impudicícia. Sufragada ou acolhida com silêncio pela massa de apoiantes.

Em 2006 este Canas equiparou os terroristas fundamentalistas islâmicos aos caricaturistas dinamarqueses [notai bem, o PS propõe para juiz do Tribunal Constitucional alguém que considera ""estão bem uns para os outros, os caricaturistas irresponsáveis e os fundamentalistas violentos". Basta ser amigo de Sócrates ... E os colunistas e académicos ditos de "esquerda" (tantos, directa e indirectamente, avençados pelo poder) que gastam páginas elaborando sobre as características ideológicas dos nomeados para o Supremo Tribunal dos EUA nada dizem agora].

Então, há já 14 anos, bloguei a minha memória de quando Canas, então Secretário de Estado, foi a Maputo. Garanto-vos, foi o político mais estúpido, intelectualmente incapaz, porventura até deficiente, que cruzei. Em bom português, uma besta.

É esta besta, pois amiga de Sócrates, que Costa coloca no Tribunal Constitucional. E nós, os "intelectualmente preguiçosos" segundo os académicos prostituídos que propagandeiam nos "jornais de referência", assistimos ...

Vasco Pulido Valente: Fátima e a I Guerra Mundial

 

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(Vasco Pulido Valente, desconheço o autor do retrato)

No velho ma-schamba de quando em vez citei Vasco Pulido Valente. Agora, na sua morte, recupero duas dessas citações, a mostrarem quão iconoclasta ele foi. Para nosso bem:

 

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"Perante a óbvia fraqueza do Partido Democrático e, ao mesmo tempo, a sua intolerável violência a Igreja tomava, sem vacilar, a cabeça da oposição política. Os republicanos moderados estavam desfeitos e, aparentemente resignados. O movimento monárquico oficial tinha recebido ordem de Londres para se abster enquanto a guerra durasse. A Igreja católica ocupou o vazio.

Cem anos antes, em 1822, a causa realista fora reanimada por um milagre. A Virgem aparecera a duas pastorinhas em Carnide, para lhes dizer que Portugal sobreviveria à impiedade maçónica. Sob o patrocínio de D. Carlota Joaquina, grandes peregrinações se fizeram aos locais sagrados, em que Deus garantira a dízima, os bens dos conventos e a perenidade das classes dominantes. Povo e nobreza associaram-se nessa devoção, destinada a exorcizar a "pestilenta cáfila dos pedreiros" e a promover o ódio às Cortes, onde eles "campeavam". Quanto a insurreição armada começou uns meses depois, trazia já consigo uma sobrenatural legitimidade.

Em 1915 e 1916 os pastorinhos Lúcia ... Jacinta e Francisco ..., viram oito vezes, em vários sítios da freguesia de Fátima, um anjo, que declarou ser o anjo de Portugal. Ao princípio, o anjo não era muito nítido e não dizia nada. Pouco a pouco, porém, foi-se definindo e explicando. De acordo com a ortodoxia, estas visitas preparavam os acontecimentos de mais consequências que se seguiram. (...) Entre Maio e Outubro de 1917 a Virgem apareceu quatro vezes (...) Alegadamente, a Virgem comunicou que a Segunda Guerra Mundial seria "horrível", uma ideia muito compreensível quando a primeira mostrava diariamente o seu horror, e preveniu também que a Rússia revolucionária se preparava para subverter o mundo, coisa que os jornais de Lisboa publicavam na primeira página, dia sim, dia não, desde Fevereiro. As profecias (...) resumiam as preocupações e a angústia do conservadorismo português da época. (...) reflectiam perfeitamente as opiniões e os sentimentos do padre médio, esmagado pelo triunfo terreno do mal, tremendo com a perspectiva de novas catástrofes e sonhando com a eventual conversão dos pecadores. Que Deus partilhasse as aflições dos inimigos da República era uma coisa insusceptível de espantar o clero português de 1917." (pp. 115-117)

e

"O PRP tinha transformado a causa da guerra na causa da República. ( ...) O problema dele [Afonso Costa] estava só na circunstância despicienda de que nem os Portugueses, em geral, nem os militares, em especial, queriam a guerra. Tratava-se, portanto, de os coagir, tarefa em que sempre brilhavam a experiência e o zelo dos democráticos. Poderá pensar-se que os perigos excediam o razoável. Mas não se deve ignorar que a violência era o modo de vida habitual do PRP e que o fim da operação consistia em conseguir a paz interna através da guerra externa. Como Chagas notava finamente em Paris, quem se atreveria a levantar a mão contra uma República vitoriosa?

O exército (...), resignado a uma pequena presença em África, não queria a intervenção na Flandres. A propaganda belicista tentou mais tarde atribuir esta atitude à mera cobardia da oficialidade. "Heróicos" deputados e jornalistas do PRP, para não falar em médicos e merceeiros, voluntariavam com adequado alarido para o que se denominava sentimentalmente a lama das trincheiras, onde, de resto, raros chegavam. Em contraste, os oficiais, cuja vocação consistia em morrer pela Pátria, se não pela República, recusavam-se a marchar ou marchavam contrariadamente para França. A alegação de cobardia não tem sentido. Em matéria militar, os bravos civis democráticos eram irresponsáveis e portavam-se como os irresponsáveis que eram. Os militares sabiam que o exército português não estava preparado, ou podia ser preparado em tempo útil, para uma campanha na Europa. (...)

Quando no fim de 1917 o desastre se aproximava, alguns dirigentes democráticos e companheiros de caminho, que não estavam ainda completamente cegos, queixaram-se de que o governo não "explicara" a guerra ao país. O que faltava, como de costume, era boa propaganda. (...) Isto presumia, é claro, que a guerra da Flandres podia ser explicada. Mas não podia, porque a sua verdadeira razão, a necessidade de consolidar a República Democrática, embora notória nos círculos informados, tinha de se esconder aos Portugueses e, sobretudo, aos combantentes." (pp. 91-94)

[Vasco Pulido Valente, A República Velha (1910-1917) , Gradiva, 1997]

João Moura

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No mesmo dia, algo histórico, que se aprova a lei da eutanásia, e todos seguem alardeando os valores que enquadram a decadência humana, irreversível e universal nas suas tão diversas e dolorosas formas, e sobre a qual se convocaram tão belos sentimentos, nesse mesmo dia os mesmos pios abutres mergulham sobre um homem evidentemente devastado pela vida [Nota: julguei-o ainda mais velho, mas tem apenas 59 anos]. Destratar cavalos e cães é horroroso. Mas não tanto como estes omnívoros moralistas. Fica a minha vénia ao grande cavaleiro João Moura. Neste momento em que é notório o quanto quebrou.

O Sábado e Tó-Zé Martinho

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Morreu o simpático e popular homem de tv To-Zé Martinho, que a minha geração conheceu no histórico "Visita da Cornelia". A revista Sábado dedica-lhe um afável memorial. E lembra que ele "namorou" (depois no texto confunde-se e fala em casamento) com "a filha de uma rainha de uma tribo africana" lá em Mocambique, aquando da guerra. Não será particularmente relevante . Mas, ainda assim, e diante de tamanho dislate, , não seria de exigir mais cultura ao jornalista? E ao seu chefe de redacção?

Vasco Pulido Valente

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Ler os livros de Vasco Pulido Valente muitas vezes me indispôs. Mas nem sempre. Lembro-me do espanto com que li, há décadas, o seu "Estudos sobre a Crise Nacional" - textos escritos entre 1965 e 1970, mais ou menos, da sua juventude, sobre António Sérgio, António Vieira, etc.. "Caramba, que intelecto!", pensei, face àquela juventude já assim. Mas lembro-me também (e escrevo de cor) do incómodo com que li vários dos outros seus livros (falo dos mais literalmente historiográficos, não das crónicas sobre o agora): todos aqueles agentes portugueses, individuais e colectivos, me apareciam como dotados de uma ... incompetência, inabilidade. Excepto, claro está, o próprio historiador. Talvez esteja errado, seja apenas uma memória minha. Mas é a que ficou. Desse desagrado.

Com uma enorme e fabulosa excepção, este "Glória" que só li em 2014 (julgo que será para aí de 2000 ou perto), quando regressei de Moçambique. A biografia de Vieira de Castro, o político do terceiro quartel de XIX, líder estudantil de Coimbra, publicista, grande orador demagogo, deputado, criminoso, que morreu, já degredado, em Angola (correspondente de Camilo, e só depois de o ler isto descobri/reparei cá em casa o livro de bisavô das cartas que Castelo Branco lhe enviou).

Absolutamente profético, esse livro. Ou por outra forma, uma maneira absolutamente iluminada de usar a História para falar da actualidade. Para a esta dissecar. Como viemos, alguns de nós, a perceber. Outros não, continuam assim. Como ele tanto os desprezou.

Grande, enorme, Vasco Pulido Valente.

O caso Marega

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Muitos falam sobre o "caso Marega". Quem melhor falou foi o seu treinador, Sérgio Conceição, ao exclamar "isto é uma vergonha, c....!". Quem também escreveu bem foi o meu amigo (e ex-bloguista no ma-schamba) Miguel Valle de Figueiredo no seu mural de Facebook: "Ena! Descobriu-se ontem que há selvagens nas claques de futebol!!!" - e disserta, infelizmente em publicação apenas acessível para as suas ligações, sobre a extensa rede de cumplicidades com este fenómeno de "claquismo", esse lumpen congregado e excitado pelos interesses mancomunados em torno do futebol. Interesses económicos, políticos e da corporação jornalística.

Como estou no blog sportinguista És a Nossa Fé tenho escrito sobre claques - por exemplo, alguns meses antes do "caso Alcochete" botei este "O governo está a dormir" (E continua a dormir), sobre a inactividade governamental face a este fenómeno induzido das claques futebolísticas, e sobre o que disto se pode esperar. E mesmo na última semana tornei a abordar a matéria, premente no Sporting Clube de Portugal. Quem não lê esse blog não compreende a intensidade do que digo: o ambiente dessa gente, e que chega à internet, é abrasivo, de uma violência verbal, intelectual, insuportável. Cada vez que escrevo sobre claques (ou algum dos co-bloguistas o faz) o fel alheio respinga, irracional, odioso, chega-nos em doses até dolorosas. É incomparável com outras áreas temáticas no país. Garanto, é quase inacreditável o conteúdo e o tom dos comentários que recebo quando abordo a necessidade de extirpar isto da organização dos espectáculos desportivos.

Entenda-se muito bem, esta escumalha, sita em várias terras e inúmeros clubes (esta de Guimarães tem fama de ser a mais aguerrida, mas em Braga pedem-lhe meças. A do Porto é horrível, a benfiquista cultua o assassinato de adeptos de outros clubes, a do Sporting é asquerosa e bem sabida a sua tendência para os atentados contra atletas, etc.) está aí, activada. E à mão de semear.

Alguns escrevem mal: o mariola Ventura desvalorizou o caso. E umas horas depois, ao ver os ventos levarem a bola para o outro campo, titubeou um pouco. Ventura é um problema que temos, todos. Ou quase todos, pois há um punhado que o apoia. A nossa vantagem é exactamente esta, ele titubeia, é fraca gente. Viu-se quando, como ele próprio disse, não soube o que fazer diante da saudação fascista do seu apoiante. Vê-se agora no recuo tuiterístico diante da indignação geral. E temos um problema colectivo, nas nossas diferenças, porque o que Ventura e estes amorais que o apoiam - alguns deles tão activos nas redes sociais, outros apenas no blaseísmo lisboeta de apoucarem os opositores desse tralha - querem é este claquismo disseminado na opinião pública, e instalado nos poderes. Talvez mesmo, num dia mais distante, tendo o poder.

E está também muito mal a igreja católica. Quando o padre José Antunes, presidente da AG do vitória de guimarães (em minúsculas, claro), diz que o jogador tem que ir para o psiquiatra, seria importante que a hierarquia da igreja dissesse algo, se demarcasse desse seu membro energúmeno. Mas as horas passam e, fiel à lentidão eclesiástica, o clero mantém-se mudo. Talvez, creio, daqui a umas décadas algum sucessor do cardeal Manuel Clemente, o ilustre Prémio Pessoa crente no exorcismo, se pronuncie. Mas, então, ainda que venha pio tarde piará.

A eutanásia

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Como deveria ser sabido a eutanásia foi uma prática corrente. A estatização da sociedade reduziu-a, tal como aumentou de forma espantosa os serviços médicos (das maternidades aos paliativos, passando pelas vacinas). E espalhou a química. Vivemos melhor, com menos dores (físicas e morais), e muito mais tempo. Com tudo isto muito regulamentado (por legislação, por protocolos médicos).

Dito isto, a eutanásia a ser praticada será sempre nessas condições: muito especiais, previstas e controladas. Não haverá comités populares para acabar com os velhinhos, doutores neoliberais a poupar dinheiro ao SNS, enfermeiras demoníacas a terminar espécies determinadas de pacientes (genderizados, racializados, classificados) ...

A reacção negativa à eutanásia é muito primitiva. Lembra-me aquilo do aborto (perdão, ivg): seguir-se-ia um aumento gigantesco de malvadas mulheres a esventrarem-se, cultuando fetos devastados. Mas ... reduziram os abortos (perdão, as ivgs).

Vivemos melhor? Óptimo. Deixai-nos lá morrer melhor. Em liberdade. Naquilo do livre-arbítrio. Ou, dizendo de outra forma, tende (bom) juízo.

Um texto sobre antropologia em Moçambique

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Se alguém quiser utilizar um olhar póscolonial sobre esta fotografia terá um manancial para "análise crítica": o "investigador" manifestamente branco, notoriamente burguês (atentai no ventre rotundo) e, pior do que tudo, presumivelmente - julgo eu - heterossexual. Um vero agente tóxico. Ainda por cima, vede, aqui captado ao centro da fotografia, assim individualizado ("agenciado"?) defronte a uma mole de africanos pós-colonizados, captados em amálgama despersonalizadora e exotizadora, qual paisagem assim desumanizada.

Dito isto, acabei agora de escrever uma memória de quando tinha aquele ventre rotundo. Um texto, longo e escolástico, sobre antropologia em Moçambique. Pode ser que interesse a alguém. Ou até, minha presunção e água benta, ser útil a esse alguém. Bastará clicar e gravar neste título: "Rumos da Antropologia em Moçambique"

O mito da "União"

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(Postal para  o És a Nossa Fé)

(Há leitores [demasiado] apaixonados pelo tema [e desabituados de ler sobre outras coisas, o que se nota na forma como desinterpretam, invectivam, "julgam"]. São esses que, em não concordando com um texto, logo reagem apenas em função do "sei bem o que é que este gajo quer...". Por isso insisto em convocar o que fui escrevendo ao longo dos anos sobre o SCP. Não é que não mude de ideias, mas é na continuidade do que fui botando que devo ser discordado, desprezado, insultado e não em função desse miserável e corrente "sei bem o que é que este croquette filhodaputa quer ...":

Em 8.6.18 disse-me avesso a Varandas; em 9.7.18 insisti que Varandas não era o homem adequado. Em 4.2.19 apontei a sua falta de ponderação ... que causara "este naufrágio, este descalabro anunciado". Em 29.9.19 insisti que o presidente falhava e que as eleições antecipadas iriam acontecer, mais tarde ou mais cedo. Antes, neste blog, terei sido dos últimos (eu julgo que fui o penúltimo) a apoiar Bruno de Carvalho, ainda que com alguma ironia já desencantada, descrente que ele se reequilibrasse: 10.4.18 #JeSuisBruno. O qual vinha elogiando, como em 5.6.15 por tentar fugir à pérfida economia do futebol. E o qual dissera a personalidade portuguesa do ano em 2013.

Bem antes,  vivendo muito longe, fui vendo como o Sporting ia decaindo num rosário de presidências algo estranhas: a 28.4.06 questionei como podia Soares Franco queixar-se da herança de ... Sousa Cintra. Em 14.3.08. irei-me sobre a rábula do "Projecto Roquette", algo encetado então há quase 15 anos, e que devastou o clube (ainda há pouco li a notícia sobre o início do projecto imobiliário nos terrenos do antigo estádio, coisa que não será pacífica). A 6.11.09 notava a total inaptidão de Bettencourt. Etc.)

Encimo este postal com a fotografia do convívio da Juventude Leonina (que agora, para minha vergonha, um co-bloguista chama em retórica ilusionista "grupo organizado de adeptos"), ocorrido em Fafe, cerca de dois meses após o ataque a Alcochete. Não é necessário grande elaboração. Apenas repetir o óbvio. A crise futebolística e económica que o clube sofre é, em grande percentagem, devida ao indigno e inaceitável ataque que o tal "grupo organizado de adeptos" fez às instalações do clube. Nem discuto se o então presidente teve responsabilidades, directas ou indirectas, nem se os jogadores se aplicavam ou não o suficiente, nem se tinham ou não direito moral e jurídico para rescindir. Digo que o mais antigo e conhecido "grupo organizado de adeptos" do clube, com as suas lideranças participantes, atacou as instalações do clube, agrediu funcionários e causou enormes prejuízos, económicos e morais, ao clube. Digo que meses depois, em confraternização, os outros "adeptos" "organizados" em "grupos" demontraram solidariedade com os agentes dessa acção. E digo que desde então não houve qualquer demonstração de repúdio dessa acção por parte dos "adeptos" que se "organizam" nesse "grupo": nem cisões dentro do "grupo", nem abandonos em massa por parte desses "adeptos", nem eleições internas sob o signo da ruptura. Mais ainda, digo que as suas atitudes nos estádios e pavilhões não têm demonstrando nem repúdio por este passado, nem inflexões comportamentais, nada disso.

Mais, como nos lembrou Paulo Bento, esta pressão agressiva destes "grupos organizados de adeptos" sobre as direcções do clube tem sido constante ao longo já de décadas, com efeitos morais lamentáveis e económicos e desportivos gravosos.

A questão actual fundamental não é se Frederico Varandas é ou não um bom presidente, se é competente ou não na gestão do futebol. Para avaliar se o presidente deve ficar ou se é fundamental realizar eleições antecipadas, convirá saber como estão as finanças e a economia do clube. E se a gestão actual é dolosa. Ou se nessa área tem conseguido, dentro dos constrangimentos conhecidos, conduzir o clube num sentido positivo ("sentido positivo" quer dizer "um bocado melhor do que antes"). Quanto às outras actividades julgo que nada de gravoso se passa. Resta o futebol sénior: onde o panorama é ... algo habitual. Um pouco mais cinzento do que em anos transactos, mas não pior do que em alguns deles. Tudo o resto - como dizer que isto é o pior de que há memória, - não é uma democrática divergência de opiniões, é pura demagogia. Pois não tem base em dados factuais, apenas numa ileitura do passado recente. E do real actual. 

Ontem houve uma manifestação contra a direcção. Faz parte. Há notícias que houve agressões a membros da direcção e a uma familiar. As reacções são tétricas, e mostram o tipo de gente com quem se partilha a paixão clubística: a) alguns dizem que como não há imagens, não será verdade. Ou seja, na cabeça de alguns destes meus concidadãos o que não está filmado não é crível. O que significa isto? Que tenho em meu torno abjectos cidadãos que querem tudo filmado. Isto não é exagero meu. É apenas a reacção ao fedor da bronquidão circundante, de "adeptos organizados" e de "adeptos atomizados"; b) outros exclamam que se é a direcção que o afirma então é uma falsidade. Ou seja, desconfia-se não dos "grupos organizados de adeptos" que têm este historial de violência, intra e extra-muros, mas sim de cidadãos normais que, por paixão, se dedicaram à administração do clube (com alguma falta de jeito para tal, penso eu, mas isso é outra coisa).

Há muita gente, e neste blog também, que continua a defender que é necessário "unir" os sportinguistas, quem ataque os "divisionistas", aqueles a quem repugna a co-pertença desta gente. Só me pergunto, que género de comunhão é possível com este tipo de cidadãos? Que objectivos comuns se têm (ganhar a "taça"?)? Que racionalidade comum se tem? Aqueles que pugnam pela necessidade da união com a malta das catacumbas, dos insultos, das agressões, pugnam por terem os mesmos valores, de algo comungarem com essa turba? Alguns dirão que o valor é o "Sporting" mas seria interessante que explicitassem isso, sem debitarem o lema "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória", pois isso é o lema, não são valores. Que comunhão há com esta gente? Gritar ao mesmo tempo quando uma bola entra entre postes? É importante que o explicitem. Um clube é uma associação desportiva, "é-se" de um clube por "associação" voluntária com outros. Que associação tendes com estes holigões, que associação quereis ter com estes holigões, que ideias e práticas comungais com estes holigões? São importantes porque fazem barulho no estádio? "Animam"? Não vedes o resultado, moral, económico, securitário, desportivo, desse "barulho", dessa "animação"?

Finalmente: um blog é um espaço de diálogo. Mas até que ponto é que é aceitável produzir textos, promover o debate entre gente que partilha a paixão do clube, ou a paixão de clubes (temos aí um pequeno núcleo de comentadores benfiquistas, que nos vem cutucar), e ao longo de anos acoitar, e nisso até promover, vozes insanas, adeptas da violência, do desrespeito cívico, da apropriação do património moral e da dissipação do património económico do clube? Qual é a lógica de continuar a aceitar a boçalidade, a agressividade, o insulto, a perfídia caluniosa, e até a ameaça, a aleivosia constante, que alguns continuam a deixar, continuamente, nos comentários deste blog? Democracia não é aceitar isso. Democracia é aceitar que estas gentes, na sua hediondez, têm direito a ter blogs, a neles escreverem. E aí dizerem as baboseiras que os caracterizam, e a pugnarem pelas desideias que os comandam. Ou seja, qual a razão de continuarmos, nós, co-bloguistas, a aceitar este lixo internético neste espaço gratuito, sem agenda interesseira? Porque damos nós palco a isto? Chega.

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