Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nenhures

uisque (2).jpg

Amiga lamenta que siga eu desatento às temáticas económicas, relapso em reflexões sobre a matéria, falho em leituras dedicadas àquela produção, sua circulação e posterior consumo. Apoda-me até de "liberal", como se assim desapegado aos males do mundo e concomitantes panaceias. Nisto aqui quero provar-lhe que não estará ela totalmente certa, pois mesmo se seguindo leigo algo me debruço sobre tais fluxos. Pois são eles que me convocam para este breve "Whisky", pequeno bric-a-brac de bolso publicado há já duas décadas e que algum acaso viajante transportou até a estas estantes. Com oportunas e pequenas invocações literárias nele se resume a história do "licor divino", como com total acerto cantou Stevenson esta vera água da vida, aqui apresentada em encoberta epígrafe sob o paradoxal "O amor faz girar o mundo? Nem pensar! / O whisky fá-lo girar duas vezes mais depressa." Aos incautos, e até abstémios, explica a diferença entre os uísques de malte e de misturas de cereais, e partilha algumas informações sobre o modus faciendi de todo este caldear. Oferece ainda um breve e colorido roteiro das zonas de produção e um rol de destilarias históricas, algumas celebérrimas outras que ressoarão apenas aos deveras "conhecedores", óbvia sobrevivência dos tempos idos em que livros serviam de guias de viagens, sucessores dos velhos pisteiros. 

E depois tem um parco tratado, algo analisável pelo que passei anos a ensinar, se bem se mal não serei eu a ajuizar - apesar deste meu auto-barómetro sempre impiedoso -, aquilo da "antropologia da economia", o aquilatar o peso das mundivisões nas formas dos tais fluxos ditos económicos e nas perorações que sobre eles os doutos vão fazendo. Reza assim o "tractatus economicus" sobre o uísque: "O whiksy é a mais nobre invenção desta ilha, a única impossível de ser imitada no Japão, misteriosamente única, ao mesmo tempo sedosa e explosiva, leal e traiçoeira, revigorante e entorpecedora, uma espécie de soro demoníaco perfumado pela urze dos campos que desafia os climas e os fusos horários" (Alan Brien, no Sunday Times, citado na p. 35).

Sorrio, diante de mais esta mitografia economicista. É ainda manhã mas violo os mandamentos e sirvo-me de um uísque, infelizmente não japonês, que a massa monetária disponível tal não me permite. E vou ler os jornais desportivos ...

principe real.png

Com duas amigas de Maputo cruzo um fim de tarde, excêntrico para mim, pois poisando naquelas desinteressantes esplanadas intra-prédios, que em tempos associei ao sonoro nicho "bobo" pós-alfacinha. Falamos das memórias do que lá se fez, e ainda faz, as coisas do "desenvolvimento" que aqui tão longínquas parecem, país tropeçado de abundantes "boas causas", o tal pensamento "bobo" tão ufano, tão de ademanes, como se tudo isto não passe daquele Príncipe Real, ralo de turistas, artistas e pederastas.

Nisso, como é norma quando se juntam (ex-)(actuais) operários do tal "desenvolvimento", soa o ícone "empoderamento". Como sempre resmungo contra o anglicismo, tão desnecessário num país língua que carrega o "potenciar", pois feito de horrível fonética e mais do que tudo carregado de ideologia paternalista, conservador-obscurantista como quase nenhum outro, verdadeiro símbolo deste vazio das boas-causas de papagueares feitas. Entre risos - pois conhecem-me os tiques - as amigas defendem o termo, até sarcásticas. Levantamo-nos, que faz frio, e avançamos a tasca ao Largo da Misericórdia, umas boas pataniscas com arroz de feijão a preço mais do que acessível. Para trás fica o tal "empoderamento" mais as apatetadas "boas causas" e respectivos maneirismos, e fala-se da vida ...

Depois, já regressado a casa, lembro-me desta (já velha) citação: "Todas as palavras em voga tendem a partilhar um destino semelhante: quantas mais experiências pretendem tornar transparentes, mais se tornam elas próprias opacas. Quanto mais numerosas são as verdades dogmáticas que afrontam e suplantam, mais depressa se transformam em cânones inquestionáveis".

[Zigmunt Bauman, 1998, Globalization - The Human Consequences, Columbia University Press, 1998, 1)

IMG_2294.jpg

(Postal no És a Nossa Fé!, no qual alguns bloguistas e leitores se opõem à proposta da direcção do Sporting em utilizar antigos jogadores do clube para nomear os campos de treinos de futebol)

Com a maldita abrilada não só se abandonaram as colónias àqueles pretos que por lá viviam, primitivos. Veio também este vício do divórcio, a avivar o imoral nas mulheres, delas visceral. E o do esbanjo, naquilo do salário mínimo, demasiada esmola aos preguiçosos, sempre avessos aos deveres e desde então ainda mais, armados de votos, como se isso percebessem, e mesmo no desaforo de sindicatos e partidos. E tantos outros defeitos, uns mesmo de cá, telúricos, do Minho ao Caldeirão, outros importados, desse malvado mundo de repente portas adentro já sem quem, sábio certeiro, cerceasse os desvarios noticiados, assim propagandeados. O pior dos quais, talvez ou mesmo decerto, esse do desprezo pela Santa Madre Igreja, o afastamento aos ditames do Livro - e que aluno saberá hoje soletrar, ou apenas invocar, Lucas 15: 11-32? nenhum decerto, embrenhados que estão nas cidadanias e desenvolvimentos, drogas, paneleirices, fufices e tabletes ... Nisso coisa menor terá sido aquilo no futebol, mas também importante pois sinal dos desatinados tempos, quando os comunistas de Moscovo acabaram com a lei da opção, desde então tornando qualquer jogador da bola, analfabeto quase sempre, gente mal medrada nos Barreiros, Rabos de Peixe ou Famalicões, importada das Lundas Bijagós Nampulas, moles de filhos de rupestres alcoólicos, brutos ratinhos, grotescos galegos, escória alfacinha, até ciganos só isso, putas de estrada, pastores bosquímanos, netos de canibais e quejanda gente silvestre,  povoléu ingrato por natureza, livre de decidir onde trabalhar, negociar contratos e até mudar de patrão, procurar quem melhor o trate e mais lhe pague, qual escarrando no equipamento, vero Sudário, Santo, que nós doutores ou apenas Senhores lhes vestíamos como se deles fosse ... E assim tornados rebanhos sem valores, sem valia, frutos de apetites mercenários e de outros mercadorias, desabridos desrespeitosos,

mas ainda assim nestes tempos, infaustos, continuámos a nossa obra, Obra mesmo, pois fiéis, certeiros e certos, e preservámos os símbolos e castos ideais, sabendo que esta era penosa decerto terminará no em breve que vingarmos, e para isso arroteámos e lavrámos, extirpámos o daninho do futuro, calafetámos os viveiros dos vindouros, entre os quais faremos vingar a bondade, no desapego por si-próprios, na dádiva à nossa fé, no amor ao nosso prazer, e, oleiros, aos benditos fornos dessas porcelanas baptizaremos segundo os Justos, os Exemplos, mas nunca pelos dos germinados nestes entretantos do até agora, esses apenas incapazes de suspenderem a sua vida dedicando-se à nossa sonhada glória, vagueando na incúria moral desses Figos e Futres, Cristianos Quaresmas, Dani Moutinhos, e tantos outros, infiéis desobedientes, tão ávidos no demandar o mundo que nos seus tempos viçosos nos abandonaram, indo calcorrear os ímpios rumos da glória e prazer alhures, 

e por tudo isto ao nomear estas nossas novas estufas do devir exaltaremos a Virtude, desta aspergindo os petizes nosso barro que nelas iremos moldar, convocando-os ao labor e à pertença, e assim serão sagrados os bons pastores, Mestres do rumo, Luzes nestas trevas que queremos findar, pois a cada campo será atribuído o nome de um dos bloguistas do És a Nossa Fé!, louvado seja o Sporting!

ilheus.jpg

É hoje inaugurada a exposição "Ilhéus", em Évora. São fotografias recentes de Moira Forjaz feitas na Ilha de Moçambique - a fotógrafa é autora do sempre lembrado livro "Muipiti, Ilha de Moçambique", publicado no início dos 1980s. Consta que a exposição será apresentada por Paola Rolletta e Alexandre Pomar. Coisa para os privilegiados que percorrerão o Alentejo, amanhã e nas semanas subsequentes ...

Pág. 1/5

Gerente

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Contador

Em destaque no SAPO Blogs
pub