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Nenhures

Nenhures

17
Nov20

Luís Macedo

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(Luís Macedo; Fotografia de Steven Governo / Global Imagens, retirada daqui)

Em Maputo pouco privei com Luís Macedo, oficial de Abril e antigo membro do Conselho da Revolução, que ali (mais exactamente na Matola, se não estou em erro) viveu as suas últimas décadas. Algum esparso convívio, intermediado por amigo comum, que com ele comungava a condição de ex-aluno do Colégio Militar, algo que a esses sempre cria uma simpática e peculiar solidariedade. Mas ainda tivemos o privilégio de o recebermos, e à mulher, em nossa casa.

Uma relação distante, não posso dizer que o conheci. Mas era notório o homem confortável em Moçambique. E contido, clarividente, de arguto, com um humor suave (ou pelo menos assim em ambiente algo cerimonioso, pois não íntimo). E, acima de tudo, um Senhor. Daqueles que escasseiam, e que alumiam quando surgem. Entenda-se que alumiam os recantos, pois não adeptos do estardalhaço dos neons.

Na semana passada um amigo telefonara-me, preocupado, informando-me que o Coronel Luís Macedo estava internado, padecendo deste malfadado Covid-19. Morreu em Maputo no fim-de-semana, aos 73 anos. Que se orgulhem os seus do homem que ele foi.

16
Nov20

Vai para a tua terra!

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(Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo, "Ljubomir Stanisic", manifestação na Baixa de Lisboa, 14.11.2020)

O meu amigo Miguel Valle de Figueiredo continua, paulatinamente, a fotografar esta época do Covidoceno lisboeta - e lembro que já publicou o livro "Cidade Suspensa: Lisboa em Estado de Emergência". Anteontem foi à Baixa fotografar a manifestação de trabalhadores do sector da restauração que ali decorreu. Não conheço o pormenor das reclamações apresentadas nem sei quais os "orgânicos" organizadores. Enviaram-me um filme telefónico com um discurso, algo tétrico, um orador numa torrente de imprecações e insultos a tudo e todos. Boçal. Mas uma boçalidade tão desesperada que pungente, até cativando piedade - talvez o menos solidário dos sentimentos ...

Uma das imagens que o mvf trouxe foi esta, um (ao que me dizem) conhecido cozinheiro e dono de restaurante, Ljubomir Stanisic, que é figura relevante deste movimento profissional, e que tem tido discursos críticos ao poder político - nunca o ouvi, dizem-me que assim é. Trata-se de um cidadão português, antigo imigrante proveniente da Bósnia-Herzegovina.

Entretanto o que leio nas redes sociais?, para o que me chamam a atenção? Um deputado socialista alude ao financiamento bancário que o homem tem, como se isso possa minorar os seus direitos de cidadania - numa óbvia, ainda que subjacente, ameaçadora alusão ao seu estatuto de ex-imigrante, qual cidadão deficitário [e não substituirão o deputado, ainda por cima conhecido por se furtar a uma pena devido a condução inebriada, através de influências políticas, algo vergonhoso ... Pois pecar todos pecamos mas se assim é penar também é para todos]. E leio inúmeras pessoas invectivando que o homem volte para a terra dele. Assim mesmo, sem mais. Que isto de um "estrangeiro" criticar o governo é inaceitável. Esteja ou não naturalizado, pouco importa ... Esta mole humana socialista pensa - e alguns deles falam e escrevem - exactamente como a rapaziada do Chega. Já se vira aquando da eleição do Bolsonaro, quando no Expresso, no DN, na junta de Arroios e por tantas socialistas casas e teclados, se escreveu (e "laicou") que fossem os imigrantes brasileiros expulsos pois maioritariamente eleitores do novo presidente (esse uma peça irrecomendável, mas isso é assunto deles).

Amigo cruel chama-me a atenção para que um deputado (e plumitivo) socratista aproveita a onda e alude pejorativamente à "macholice" deste homem. Uns gritam a este português que vá para a terra dele porque criticou este governo (e mesmo que fosse imigrante isso seria curial, mas a tanto já não se pode imaginar que esta gente chegue ...). E este socratista chama-lhe "machola", como se diminuindo-o.

Fosse este homem oriundo de outro qualquer recanto onde tivesse havido guerra fraticida, tivesse este homem outra cor de pele, e estes pantomineiros gritariam pelo seu direito à livre expressão - para dizer as patacoadas que entender, o que muito provavelmente é o caso. E se fosse um invertido histriónico, uma "bicha louca", também o defenderiam com dentadas e unhadas, ao seu direito para que se exprimisse em liberdade consoante a sua "natureza". Mas não neste caso. Pois, pior do que tudo, crítico do PS. Por isso estrangeiro, devedor, atrevido, até ingrato. "Machola".

Esta gente - locutora, laicadora, e os tantos habituais das "boas causas" agora tão inertes nos clics (des)laicadores e nos irados "indignismos" - é o "Chega". Imunda.

15
Nov20

Sobre o professor Ventura

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(Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo; cerca dos Restauradores, Lisboa, manifestação da "restauração" contra políticas governamentais de combate ao Covid-19, 14.11.2020)

Neste fim-de-semana surgem três interessantes textos sobre o professor Ventura, deputado e candidato presidencial.

Em "Basta de Chega" António Barreto insurge-se contra a excessiva atenção, e concomitante eco propagandístico, que imprensa e opinião pública têm dado à, afinal, unideputação do partido Chega. Como muito bem diz "nada justifica tanto barulho. Nada, a não ser os defeitos dos democratas registados e dos políticos consagrados." E, se bem o entendo, deixa entender que esta abrasiva visibilidade do último deputado eleito para a legislatura vigente se deve a uma incompetência geral. Mas à sempre avisada opinião de Barreto falta-lhe - se é que me é permitido adendar algo a um intelectual deste gabarito - um factor decisivo para tamanha visibilidade. É que desde a hora exacta da sua eleição in extremis o professor Ventura foi utilizado pelo(s) movimento(s) comunitarista(s), tanto pelo também neófito (ex-)Livre como pelo já veterano BE, como factor auto-justificativo, mesmo legitimador. Pois desde as 20 e picos do dia das últimas eleições que a, inopinada para o vulgar cidadão, "luta contra o fascismo" surgiu na boca de eleitos e seus correligionários, no anunciado frenesim da luta contra aqueles 60 000 votos no comentador benfiquista, hasteada como estandarte. Depois foi só a imprensa do regime geringôncico e seus colunistas académicos sublinharem o assunto ... Na crença que "é barato e dá milhões"! Ora, e para mal dos ideológicos pecados dessa mole, por um lado (Livre) a peculiar - para não dizer mais .. - personalidade da unideputada comunitarista desbaratou os efeitos, os tais "milhões" da simpatia geringôncica; e por outro lado (BE) a crise covidocena desbaratou esses almejados "milhões", dados os custos tidos com o conúbio com o cada vez mais trôpego governo.

Em "Injectar líxiva na política", José Pacheco Pereira não deixa de ter razão. De facto, para se justificar a inclusão do nada patusco Chega no acordo parlamentar multipartidário no arquipélago adjacente, muitos propalam os imaginários ideológicos hiper-ditatoriais dos partidos comunistas portugueses, por ora conjugados com António Costa. Jpp tem razão quando diz que PCP e BE têm agora "programas activos" bem longínquos dos anseios comunistas do século passado e dos concomitantes rumos genocidas. O PCP tem uma retórica e uma alma colectiva brejnevista mas tornou-se (Lenine que lhe perdoe) um partido sindicalista, algemado aos bens distribuídos pelo capital internacional através da UE e seus agentes em São Bento. Recusando-os, aos itens do bodo, ao "modelo social europeu", veria as diluídas (e idosas, e idosas ...) "massas" fugirem para outro coito. E não podemos continuar a chamar "esquerda caviar" ao BE - eu entendo-o muito mais como "esquerda Tartex", muito mais adequado ao património sociocultural daqueles militantes - e depois considerarmos que o guevarismo retórico indicia qualquer objectivo polpotista ou enverhoxista da rapaziada. Ou seja, nenhum académico ou quadro médio-baixo militante comunitário anseia por sair do tal "modelo social europeu", quer apenas um quinhão mais para o seu sector. Ou para a sua "minoria". Sim, o conselheiro de Estado Louçã pode vir chamar "salteadora" a Merkel e afirmar que a Alemanha gosta desta pandemia pelos ganhos que perspectiva com esta desgraça toda, para minar o "espírito europeu" dos "camaradas". Mas isso será recebido pelas suas hostes tal e qual a atoarda do já moribundo Aboim Inglez a chamar "teocrata reaccionário" ao "sr. Kenzin Gyatso", quando o parlamento português se encolheu na recepção ao líder anti-colonialista Dalai Lama. Pois esses resmungos são-lhes já um folclore, uma pirraça, e vistos como tal, balbuceios de tios gerontes nos almoços de Natal antes do Covid ... Enfim, estou certo de que se deixarmos uma vara na mão comunista conheceremos o vilão. Mas de facto vão eles, comunistas mais-ou-menos comunitaristas, exasperantes que sejam, mui mansos. Coisas do euro ...  E diz bem jpp, apartando-os deste Chega. Pois o grunhismo ideológico destes agora ainda recém-chegados aos "passos perdidos" e ao quotidiano da imprensa diária é muito mais abrasivo. E terá muito mais efeitos junto da gente desaustinada. Companhias de mau porte, por assim dizer.

O terceiro texto sobre o Chega é verdadeiramente fundamental. Trata-se desta fotografia do meu querido amigo Miguel Valle de Figueiredo (ex-bloguista, primeiro no O Restaurador Olex e depois também comigo no velho ma-schamba, homem insuspeito de abismos esquerdistas ou derivas centristas). Tudo o que haverá para dizer sobre o professor Ventura e o movimento político que capitaneia está concentrado nesta imagem. Que tem tudo, mesmo tudo, para se tornar icónica.

15
Nov20

Mercantilismo ou Livre-Câmbio?

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Desloquei-me de casa própria, regressando a Nenhures. Apesar do bucólico aconchegante em que aqui sempre mergulho, tanto que permite imaginar-me um qual Daudet no seu imaginário moinho, senti a falta de alguns confortos aos quais me fui habituando nas últimas destas minhas já quase seis décadas, esses que por ora tomaram o nome de gájetes. Por isso deles me fui abastecer ao armazém oriental da vila próxima, consabidos os aprazíveis preços ali praticados, pois no poupar é que está o ganho ...  

Ontem decidi estreá-los. E ao enfrentar uma cenoura maturada alcei do virginal descascador, encontrando-o inábil para o desiderato. Troquei de raiz, optando por uma mais viçosa, para findar com a mesma desilusão. Cuidadosamente coloquei o objecto proveniente da Celeste República Popular no saco do lixo adequado, fiel à responsabilidade ecológica, enquanto tartamudeei - na liberdade da solidão inescrutável - elogios ao vigor sempre demonstrado pelo em breve ex-presidente gringo, Donald Trump.

Por aqui tantas e tão frondosas são as nogueiras que até por elas se nomeiam os lugarejos. E assim sigo rodeado de cabazes de nozes. Hoje, domingo, acoplei-as ao matabicho - como antes se chamava ao branche - acompanhando um suculento naco de marmelada avoenga. Até temeroso trouxe à mesa o novo quebra-nozes, ainda intacto de mácula. Mas sosseguei, pois estreei-o com sucesso. À primeira noz comi-a com volúpia. E logo passei à segunda. Diante da qual logo se partiu uma haste do artefacto ... Não me preocupei, confesso que até já esperava, por temido, o acontecido. Busquei o martelo e fui abrindo nozes, acompanhando as marteladas com loas à pertinência do professor Ventura, naquilo do Portugal para os portugueses, contra esses mariolas estrangeiros que para cá vêm viver e vender rebotalho. 

 

12
Nov20

A ler sobre Moçambique

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Carta de Amor a Moçambique. Um belo, sentido e acertado texto de Paulo Sande sobre a guerra no Cabo Delgado. É bom que alguém com visibilidade pública assim se exprima pois são ainda escassos os pronunciamentos em Portugal sobre algo já tão longo - as agressões armadas decorrem há já três anos! Urge o apoio.

(Fossem as agressões, mesmo que bem menos gravosas, sobre uma qualquer "minoria" consignada como minoria e decerto que a indignação e o falatório luso seriam imensos.)

Adendas: Provável apoio iraniano à guerrilha islamita; dezenas de aldeões decapitados nos últimos dias.

11
Nov20

Americanices

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Nas últimas horas vários amigos (e amigas ...) têm-me enviado notícias com este teor - que anunciam o iminente divórcio do presidente americano -, decerto que impulsionados por um postal em que elogiei a Senhora de Donald Trump [já agora, a latere, e principalmente para @s mais feminist@s, não notais o imundo machismo d@s lus@s muito americanizad@s que falam da Melania e da Kamala mas de Trump e de Biden?]. Nessas risonhas (ou não ...) mensagens surgem mesmo implícitos (e até explícitos) incentivos a que aproveite eu a situação e tome alguma iniciativa de cariz romântico ...

Longe de mim tal ideia, e não apenas pela modesta vetustez em que atasco. Mas porque, ainda que não sacralize o vínculo conjugal, não considero cavalheiresco promover, e muito menos aproveitar, a ruptura dos elos afectivos alheios. Sempre a lamento. E espero, sinceramente, que estes hipotéticos desaguisados matrimoniais - porventura potenciados pela pressão das funções presidenciais -, sejam ultrapassados pelo casal.

Entretanto, aqui e no blog várias pessoas (em especial senhoras) me criticaram o texto elogioso da Sra. Trump, pois considerando aquele casal assente numa relação económica, segundo o consabido padrão do homem idoso abonado e da mulher jovem materialista. Modelo que consideram imoral. E até gente das ciências sociais me veio com essa ladainha (murmuro aqui, mesmo envergonhado, até antropólog@s ecoaram essa invectiva apatetada, imagine-se o desgraçado estado em que isto segue ....).

Ou seja, esta gente pensa que o casamento como vínculo deve assentar apenas num tipo de relação moral, nem tanto a da paixão assolapada do dramalhão (proto)romântico Paul et Virginie mas muito mais a da sequela Lagoa Azul, da qual agora decalcam os seus paupérrimos ideais e ainda piores concepções da existência. E vêm-me chatear com isto, sem qualquer vergonha pela ignara visão que têm da vida.

Já agora, e a modos que adenda: apesar de no bucólico sossego de Nenhures, não deixo de me irritar com a parvoíce d@s luso-entusiasmad@s com a eleição de uma mulher para a honorífica vice-presidência americana (e tant@s del@s no restos dos dias tão sensíveis ao anti-americanismo "abissal"). É que, apesar de tudo, a gente é europeia ("nordestina", no tal linguajar "abissal"). Na história, nos valores e até no chamado "modelo social europeu". Contexto no qual temos a presidente von der Leyden (não "a" Ursula, claro). E no qual desde há muito que a estadista mais importante é a chanceler Merkel (não "a" Angela, claro). E no qual é relevante o esquivo Boris Johnson, epígono de Thatcher (que nunca "a" Margaret, claro). Esta americanização dest@s ufan@s, esta afinal sua tesão pelo "noroeste", é mesmo muito parola.

08
Nov20

Acerca da dita "primeira-dama"

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Abaixo botei um postal sobre Melania Trump, e provocou algum acinte nos comentários. Regresso ao tema: nada me move contra a senhora, que é, para meu gosto, muito bem apessoada, razão mais do que suficiente para o meu apreço. Apenas usei o assunto para sarcasmo. Pois muito me irrita isto das pessoas se verem como muito progressistas, atentas às boas causas - à antigamente dita "condição feminina", termo entretanto substituído por "género" , em particular - e que assaltam (ou louvam) a personalidade das esposas dos políticos de que gostam ou que repudiam. E, pior ainda, andam por aí - e quantos e quantas dizendo-se "feministas" - avaliando o desempenho das "primeiras-damas" (mulheres de presidentes da república e mesmo de presidentes de tantas outras coisas ...)

Enfim, a este propósito, e porque é fim-de-semana, aqui coloco um velho postal meu, de 13 de Abril de 2004. É sobre esse tipo de "progressistas", que seguem ufanos - tantos deles agorta muito críticos da mulher de Trump.

Cônjuges presidenciais

Quero chamar a atenção para um aspecto anti-democrático no exercício do sistema político (...)  que trai a República, provável que inconstitucional, decerto que imoral: a existência de uma chamada "primeira-dama", com direito a gabinete e a colaboradores, e de quem se espera e aceita uma actividade pública enquanto tal. Deslize monárquico, mas não sobrevivência - gostaria de ver alguém conhecedor escrever sobre as "primeiras-damas" da I República para poder sedimentar esta ideia de uma posterior, e muito contemporânea, reconstrução subreptícia de um ideal de "família presidencial". Ou seja, não se trata de uma mera continuidade da imagem do casal real, é um recurso "monarquizante" devido, muito provavelmente, às pressões do marketing político e a influências externas (First Lady americana como paradigma?).

Nunca nada me moveu contra as Senhoras cônjuges dos Presidentes da República. Mas não lhes posso aceitar nenhum papel público enquanto tal. Como cidadãs sim. Mas nunca como mulheres de (Senhoras de ...). 

Dir-se-á que têm obrigações de representação. Não é nada de natural, é uma opção política. Mas até a aceito. E também que se gaste muito e bom dinheiro com a sua representação.* Mas nada mais. Nenhum outro papel se lhes poderá aceitar. Na República vota-se num cidadão para exercer funções. Apenas isso - e é um enorme, respeitadissimo e, lembre-se em alturas de efemérides políticas, conquistado "Apenas"! Tudo o resto são desvios, graves, à lógica, à moral, à ideologia republicana.

Ainda mais me espanta a cega aceitação de que as Senhoras cônjuges dos Presidentes tenham particular atenção e acção pública em áreas determinadas: a saúde materno-infantil, os desvalidos, a segurança social, o apoio aos idosos, as catástrofes, a educação básica e, aggiornamento óbvio, as minorias étnicas. E, claro, as modas e bordados, perdão, a moda. Mas na sua (ilegítima, repito) acção nunca surgem elas ligadas à investigação científica, aos mineiros, à questão das pescas, ao desporto de alta competição, à indústria, à reforma da administração pública e eníssimos etcs.

Ou seja, no seu (ilegítimo, birrepito) papel as Senhoras cônjuges dos Presidentes nada mais fazem do que repetir a velha divisão sexual de trabalho, as dicotomias de género da família burguesa de XIX-XX: o doméstico, a socialização das crianças, os desvalidos, os doentes e idosos.

Esta é já uma dimensão sobrevivência que uma sociedade em franca transformação das relações de género assiste complacente. E nenhum(a) paladina dos fervores feministas surge reclamando contra este vero folclore. O que me não me espanta. Mas diverte, pois atento ao folclorismo maximalista dessa mole tonitruante.

Para os trinta anos de exercício democrático da República bem que se poderia romper com este atavismo de género. Mas mais do que tudo romper com esta traição ao ideal republicano.

* Li algures que é costume os costureiros portugueses emprestarem vestidos às cônjuges dos presidentes (ou pelo menos deste último: o qual muito prezo, e de quem sou eleitor, para que não se pense que há aqui qualquer ataque pessoal). Que tal acontece principalmente aquando de visitas ao estrangeiro, para divulgação da moda portuguesa. Não sei se isto é verdade. Li e espero que não seja. Porque seria semelhante ao Presidente andar a pedir roupa emprestada nos alfaiates. Ou usar t-shirts da Sumol ou Super-Bock para defesa da indústria portuguesa.

Portanto decido-me, dogmático. O que li é mentira! Se não for, pague-se, pague-se o que for preciso para que a representação do casal presidencial seja o melhor possível. Mas não os usem, nunca, para publicidade empresarial. Qualquer que seja ela.

06
Nov20

A primeira-dama

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Cada vez mais parece possível que o actual presidente americano perca estas eleições. Deixo aqui o meu elogio à Senhora de Donald Trump, actual Primeira Dama: pela sua beleza e impecável elegância. E porque sempre incansável no zelo pelos desvalidos - doentes, empobrecidos -, pelos idosos, pelas crianças, no âmbito da nobre missão que lhe coube abraçar. Foi, é, e decerto continuará a ser um símbolo da feminilidade. Uma verdadeira "european queen". Fará falta!

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