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Nenhures

Nenhures

31
Mar21

Terrorismo em África e Cabo Delgado

jpt

No sábado passado participei num debate sobre a expansão do terrorismo em África, com particular enfoque na situação moçambicana - algo ainda mais sublinhado pelo ataque a Palma. Foi uma conversa entre Cátia Moreira de Carvalho, Paulo Baptista Ramos, eu jpt, Luís Bernardino e moderada por Miguel Ferreira da Silva, numa organização da Africa Sessions. Aqui deixo a gravação da sessão, para quem tiver alguma curiosidade sobre o fenómeno no continente e, em especial, em Moçambique.

31
Mar21

Palma

jpt

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De Palma chegam imagens do rescaldo em curso. Evito mostrar as mais duras. Fica esta, como ilustração do que vem acontecendo. Entretanto o meu amigo José Paulo Pinto Lobo exaspera-se, cá longe, com o que decorre lá na sua terra. E envia-me este brado:
 
"Desculpe Sr. Presidente, / Não estamos atrapalhados / Estamos decapitados
Desculpe Sr. Presidente, / Não estamos atrapalhados / Estamos esventrados
Desculpe Sr. Presidente, / Não estamos atrapalhados / Fomos metralhados
Desculpe Sr. Presidente, / Não estamos atrapalhados / Fomos raptados
Desculpe Sr. Presidente, / Não estamos atrapalhados / Estamos deslocados
Desculpe Sr. Presidente, / Não estamos atrapalhados / Estamos esfomeados
Desculpe Sr. Presidente, / Não estamos atrapalhados / Estamos refugiados
Desculpe Sr. Presidente, / Não estamos atrapalhados / Estamos indignados!
E sim Sr. Presidente, / Os nossos mortos gostaríamos de chorar abraçados/ No terreno sagrado de nossos antepassados assim homenageados
Mas ao menos Sr. Presidente, / Dos ataques entretanto desvalorizados / Veremos os biliões que esperava embolsados / Em negras nuvens de pólvora esfumados..."
 

 

30
Mar21

Uma poção: Moedas, Bellucci, o machismo e o Facebook

jpt

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"É preciso aparecer!" é um mau mandamento para os políticos. Devido ao qual Moedas foi ao mau programa de Araújo Pereira, a entrar naquele humor mole que tanto agrada aos espectadores. "Se vão todos!..." terá pensado, e lá foi afivelando o que todos afivelam, o registo "lite", qual humorístico, em busca de empatia com as audiências como se estas fossem o eleitorado (não são, é outra coisa... ).
 
Na chachada que lhe é habitual Araújo Pereira falou das "estrelas" que vieram para Lisboa: Madonna, Bellucci, Fassbender, Vikander. Moedas disse que elas são antigas, dos "anos 80" - um erro cronológico, pois apenas Madonna o é. Logo o piadismo de RAP aludiu ao "caixote do lixo" do candidato, devido a este ter chamado "antiga" à belíssima Bellucci, e ele responde-lhe que a senhora tem "alguma idade". Frisando o irrelevante de ter celebridades em alojamento local, mais ou menos perene, na cidade. E que o necessário é usar a cidade para potenciar novas "estrelas", portuguesas, referindo uma empresária que vem com grande sucesso nos EUA (recuperar "cérebros", captar investimento, criar trabalho, enfim...).
 
Na manhã seguinte fui ao Facebook e encontrei duas reacções: um dos melhores (ex)bloguistas portugueses desvaloriza Moedas por confundir Fassbender com Fassbinder. Talvez tenha sido pronúncia, talvez não. Eu tive "o meu Fassbinder" - já o Fassbender só identifiquei há meses quando Cristina Torrão o colocou na lista de homens belos no Delito De Opinião. Talvez Moedas não tenha seguido a carreira do cineasta morto quando ele tinha 12 anos, e que teve relevância de público em Portugal em finais de 1970s e 1980s, marcando a minha geração. Ou seja, talvez não seja cinéfilo. Mas estas críticas a défices culturais alheios implicam sempre uma hierarquização do que é requerido que os homens públicos saibam, uma hierarquização do que é "cultura" que não passa de uma pobre versão do "humanismo" (algo que não é "humanitarismo", como tantos confundem). Um dia, quando Cavaco se recandidatou a PR lá regressaram as críticas e os dichotes pois ele havia confundido More com Mann. Eu nunca nele votara, nunca nele votei: mas bloguei o resmungo, se um tipo confunde a escala de Richter com a de Mercalli ninguém apupa, mas se confunde More com Mann não serve... Um pouco como os detractores de Costa que se lhe atiraram quando ele algo confundiu bactérias com vírus, coisa en passant perfeitamente normal de acontecer para um homem de letras. E bem menos relevante é esta de dizer Fassbinder em vez de Fassbender. Mas, enfim, "bocas" são "bocas".
 
Bem pior é uma bloguista e jornalista que lança o libelo - logo secundado por enérgico laiquismo dos seus "amigos-FB" - de que Moedas é machista estrutural porque aventou ser a Bellucci alguém de "alguma idade". Clamando ela, e tantos com ela, que a sexualidade das mulheres não depende da idade. Coisa que o candidato metido em tarefas televisivas não terá negado. E algo com o qual concordo, ainda para mais vetusto cinquentão ainda apaixonado pela Sarandon e, infidelidades, pela Bassett.
 
Ali reagi (comentei), até por conhecer pessoalmente a facebuquista ofendida. Afirmando que se dizer que a Bellucci tem "alguma idade" significa que o homem é machista estrutural, negacionista da perenidade da sexualidade feminina, que fazer quando ele diz "antigo" um Fassbender, aos 44 anos? Ou quando diz que Vikander é "antiga": tem 32 anos. Que é um libertino imoral, ou pior, neste último caso? Lembrei que quem ele referiu como exemplo a captar para a cidade não foi uma qualquer estrela h/bollyowoodesca mas sim uma empresária portuguesa. É isso machismo? E, já agora, para que não pensassem que surgia eu ali flanante, botei que votarei Moedas.
 
Resposta da senhora, que sempre se apresenta como de "direita" ainda que "moderna": "Blablablabla. Você é um machista estrutural. Acho que tenho que lhe pedir licença para criticar Moedas?". Minha resposta? "Blablabla? Não tem que me pedir licença para nada, nem mesmo para me mandar à merda como acabou de o fazer. Assim seja!". E saí dali, desagradado e por isso logo cortei a ligação-FB (aquele curioso termo "desamigar").
 
"Desamigar" é um mero corte de ligação. Mas bloquear alguém no FB, como sabem todos os profissionais de comunicação e os amadores (bloguistas), é avisar o sistema de que alguém tem más práticas. É contribuir por acumulação para uma penalização: suspensão, encerramento de conta. Até mesmo para um processo, em casos extremos. É macular o cadastro, informático, de alguém. Nunca eu tive quaisquer más práticas com esta Senhora, não assediei, não insultei, não ameacei, não caluniei, nem fui desabrido com ela ou seus convivas informáticos. Apenas discordei, talvez errado, com a sua visão de feminista de direita "moderna", sobre a entrevista do candidato Moedas. Julgo exagerado o seu argumento. E considero que dizer-me que boto "blablabla" (o que muito me acontece) antes de me dizer "V. é um machista estrutural" é uma forma de me "mandar à merda" (atroz termo que até a Senhora minha mãe usava, ainda que com enorme parcimónia).
 
Isto foi suficiente para que a jornalista, bloguista, comentadora televisiva da "direita" "moderna" me denunciasse ao sistema-FB como homem que tem más práticas. Ou seja, que me bloqueasse. Este é um exemplo do que é a "direita" "moderna" e mais justificada porque "feminista". Enfim, esta deriva já vai longa, e serve para pedir que se alguém encontrar a jornalista Helena Ferro de Gouveia diga-lhe, sff, que o Zé Teixeira lhe deseja muitas realizações. E, acima de tudo, muita saúde para ela e para os seus. E aduza que o sacana do jpt é tão machista que, mesmo sabendo-a delatora falsária, não a manda à merda.

28
Mar21

A braçadeira do capitão

jpt

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Nesta ilustrativa ilustração patenteia-se o cérebro e o cerebelo daqueles - sportinguistas, portistas, benfiquistas, e outros istas - que discutem, ofendidos, a reacção de Cristiano Ronaldo após lhe ter sido espoliado um golo. Tremem irados esses "istas" como se o CR7, ao atirar a braçadeira que o identificava como representante da equipa dentro de campo, tivesse ofendido as placentas que, infelizmente, lhes permitiram aceder a este mundo. 

 

26
Mar21

Patrícia Mamona

jpt

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Um tipo não precisa de ser fundamentalista anti-marialvismo e purista dos bons costumes para se irritar, e de que maneira, com a onda ("viral", dizia-se antes do Covid) de mensagens alarves com a deturpação ordinária desta fotografia.

Abandalhar os nomes das pessoas é sempre foleiro. Ajavardar com grandes atletas só porque são mulheres é sinal, como dizia o meu saudoso amigo Aventino, de "preguiça fálica". Ide à farmácia comprar a pílula correcta (e consultai o médico, não vos vá dar o badagaio quando estiverem sozinhos enfrentando o resultado dos medicamentos, como será típico dos que distribuem a alarvidade a que aludo).

Por fim, a sportinguista Patrícia Mamona é uma enorme campeã. Ao pé coxinho vale mais do que os engraçadistas todos que por aqui andam rastejando.

22
Mar21

Maçonaria?

jpt

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Em Portugal de vez em quando fala-se de maçonaria. Depois passa. Há uma década houve um alarido. Agora volta o assunto... Devido ao que a gente muito bem sabe. Pois se há mariolas por todo o lado, na maçonaria eles agregam-se com arreganho e mariquices de invisibilidade. 
 
Então botei esta reportagem - aludindo até a uma instituição pública pejadinha de símbolos maçónicos. Local de trabalho de imensos "revolucionários", "bem-pensantes" das "boas-causas", que quando falam da "maçonaria" intra-muros baixam, subrepticiamente, a voz (como recordei, bem mais recentemente). Não vá o "Grande Arquitecto tecê-las"...
 

22
Mar21

Apartheid português

jpt

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Cruzei o concelho, vim a Lisboa. Cidade Grande, Capital cosmopolita: no domingo agitaram-se os "antifas", clamando contra o verdadeiro apartheid que é Portugal (Vale de Almeida dixit). No sábado haviam sido estes "antimas", clamando contra o verdadeiro apartheid que é Portugal (vox populi dixit): as fotos mostram cartazes carregados de erros ortográficos, um que chama nazis ao PM e ao PR, gente orando de braços cruzados no peito, como se isso seja curativo. Segunda-feira é para cruzar o rio, via down south. Pois não há paciência.

21
Mar21

O sucesso da Academia de Alcochete

jpt

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Julgo saber que nas últimas temporadas, com esta direcção, houve uma contracção dos gastos com as "modalidades", mas a qual tem convivido com uma continuidade de sucessos desportivos. Presumo também que seja acompanhada pelo esforço na formação desportiva nessas disciplinas - mera presunção minha, pois isso é algo não mensurável apenas pela leitura da imprensa.

Mas o futebol sénior (masculino, agora já é preciso especificá-lo) é a grande mola, moral e económica, do clube. E sobre este todos conhecemos, e sofremos, o que veio acontecendo. O desabar da anterior presidência trouxe o caos. Algo minorado por uma comissão de gestão. E a ascensão da nova direcção, que logo iniciou um trajecto deslustrado, apesar de duas taças conquistadas. Não surpreendeu, pois a situação era péssima. E as declarações, em particular do novo presidente (logo que apenas candidato), não auguravam nada de consistente. O primeiro ano da sua vigência correu muito mal, com decisões improvisadas em cima do legado da comissão de gestão. E o ano seguinte, já com planificação sob responsabilidade de Varandas, assentou em más opções quanto a plantel, equipa técnica, tudo com aspecto de improvisos, infantilidades até. A situação financeira, afiançavam os especialistas, era proto-catastrófica. E os resultados surgiram muito maus. A comunicação da direcção com o "Universo Sporting" seguiu péssima. E tudo culminou com a decisão, arriscadíssima, de contratar Amorim - jovem inexperiente, sem verdadeiras provas. E tornado o terceiro treinador mais caro do mundo, estando o Sporting economicamente de rastos e nas vésperas da crise pandémica. Foi um all in, que a mim - e a tantos - causou estupor e indignação. Pois todo o trajecto da direcção de Varandas não tinha "ponta por onde se lhe pegue". É certo que isso não afrouxou o fervor clubístico, a eterna esperança, os votos de "Força, Rúben Amorim". Mas alimentou descrença, desconfiança. E a percepção de um amadorismo infantil ao leme sob ventos dignos de marinheiros de barba rija.

Um ano passado é óbvio que a opção correu bem. Boas opções em termos de plantel - e sob o modelo que tanto ansiamos, sportinguistas sempre ciosos do clube de formação e não qual placa giratória empresarial, que havia sido nos últimos anos. Bons, como se sabe, em resultados desportivos. Excelente em termos de comunicação (ligação) com o "Universo Sporting" e com a sociedade - Amorim é muito bom nisso, não há membros da direcção a perorar sobre futebol e Varandas amainou a sua verve. E tornou-se verdadeiramente presidente ao pôr no sítio o velho mandante Pinto da Costa, dia em que Varandas assumiu o estatuto de "capitão" que antes tantas vezes invocara a despropósito.

Enfim, aconteça o que acontecer no final deste entusiasmante "jogo a jogo" 20-21, há uma conclusão que se pode já tirar. A da excelência, bem sucedida, da Academia de Alcochete: que lançou ainda imaturos os júniores Varandas, Viana & Companhia, os segurou durante as derrotas, ainda que impiedosamente apupadas pela sempre exigente "moldura humana". E os vê agora, amadurecidos, a entrarem como titulares na selecção de todos nós, sportinguistas.

(Para que não fiquem dúvidas: as ligações incluídas no postal são a textos meus de 2020, 3 deles a zurzir nesta direcção)

20
Mar21

A gata Flávia

jpt

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(15.3) A Flávia terá cerca de 6 meses e não será silvestre, pois é nada arisca, mas chegou aqui algo errante. No 13.3, aniversário do meu confinamento. E logo se aboletou. Vai ter que partir pois na vizinhança há sete monstros com consabidas tendências felicidas. 
 
Velho céptico que vou não quero ser brejeiro, mas já há muito que não acordava com alguém aninhado em mim, até ronronando (se é que alguma vez...). Não é uma paixão - que a minha idade já não é para essas coisas. Mas está a ser um belo flirt de inverno tardio. Espero que encontre um bom lar, com uma boa biblioteca e gente jovem e de boas maneiras.
 
(19.3) Chegou e insinuou-se, a Flávia, dengosa ronronante, uma toda semana abandonando-se horas a fio, credora dos seus mimos, até olhos nos olhos como se almas gémeas, enfim sós, mascarando-se qual light of my live, fire of my loins, e durante isso, distraído estive, pavoneou-se naquele Tinder FB,
 
e logo, nem dias depois, surgiram vizinhos, insinuantes, como só solidários, amáveis, uma bela moça, mesmo muito notei-o, que logo lhe sussurrou, "deixou-te com parasitas", como se fossem esses importantes neste nós que ia sendo mas ela escutou-a e às promessas de vida boa que isso trazia, e mais ainda ao pérfido "estás doentita, cuidaremos de ti", e por isso logo ronronando saltou para o colo dele, Quilty melífluo, óbvio kittenizer, repetindo, só para ele, requebros e trinados que antes me oferecera,
 
veio depois até mim, como se mostrando piedade, e nem miou, apenas melíflua, fica-te por este tugúrio, húmido e escasso, e logo seguiu, oferecida. Velhaca ainda se virou, "depois telefono-te a dar notícias" e eu que nem nada disso, que fosse ela à vida, que me interessa agora. É só uma gata, foi só uma gata.
 
Um mau vodka, este, que nem arde no gorgomilo.

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