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Nenhures

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Coates não jogará na próxima jornada, por suspensão devida ao seu quinto amarelo no campeonato - não é muito, para um defesa-central após vinte e tal desafios. Julgo que o seu substituto, porventura Neto, cumprirá a preceito o papel diante do Vitória de Guimarães, o jogo mais importante do ano, pois todos o são neste tão salutar ideário do "jogo a jogo".

Recordo o que várias vezes aqui botei, em postais próprios ou em comentários a alheios. Durante as últimas épocas abominei Coates. Tanto que o considerei maldição, avatar de Anderson Polga, o quase eterno central titular que me causou pesadelos infindos, stress traumático, destrambelhamentos para a vida. Julguei-o, a Coates, uma verdadeira reencarnação, enviada pelos demónios manipulados pelos hediondos xamãs das Antas em conúbio com os pérfidos imãs de Carnide.

Agora, ao ver este Coates-21, capitaneando com excelência a caravana do jogo a jogo, carregando-a em momentos mais tempestuosos, alentando-a diante de maus ventos, tenho que me retractar, injusto, e retratar, ignóbil. Por isso - e não pela primeira vez - aqui anuncio que como o meu chapéu, em versão invernal, para me punir pelas palavras que em tempos proferi contra o nosso para sempre Seba.

mw-860.jpg"O Conselho Económico e Social, num país que sofre a maior queda do PIB de que há memória e regista a quarta maior contracção económica entre os 27 Estados da União Europeia, anda agora preocupado com a "linguagem inclusiva", visando a "neutralidade de género". Como se não lhe faltassem prioridades para emitir sinal de vida." (Pedro Correia, no Delito de Opinião).

Ao que noticia o Expresso os membros do Conselho adiaram a proposta, devido ao momento pandémico - "parece mal" avançar agora, percebe-se-lhes a preocupação. Apesar da insistência do seu nº 1 (Francisco Assis, que alguns insistem em ver como "o PS bom" - tal como também o dizem de Sousa Pinto, o então jovenzinho inventor dos "temas fracturantes" - como isso não seja um oxímoro: o PS é um curral de bodes, cabras e cabritos, não há ali qualquer virtude).

Esta campanha da "purificação" da língua é tão intelectualmente indigente que é abjecta. Moralmente abjecta, pois é imoral as pessoas serem tão militantemente estúpidas. E nisso seguindo convictas. E tem requebros pungentes. Esta tralha que o Conselho Económico e Social apresenta é apenas chicoteável. Em nome de uma "linguagem inclusiva" que apague as discriminações de género, a qual dizem necessária para combater desigualdades e essencialismos desvalorizadores, estes cabritistas propõem-se substituir termos no masculino genérico (ex: os sportinguistas) por termos compostos no feminino genérico (ex: a população sportinguista ou as pessoas sportinguistas).

Estes cabritos são remunerados pelo Estado. E influenciam a sociedade. E é isto que produzem, pois é isto que pensam. E é isto que desconhecem. 

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Amiga envia-me ligação para programa radiofónico: o vice-presidente da Associação de Professores de Português e um antigo secretário de Estado da Cultura, antigo director de jornal e reconhecido romancista dialogam sobre o "racismo no "Os Maias" de Eça de Queirós", contestando as recentes acusações de uma doutoranda estrangeira pertencente à universidade norte-americana classificada em 217º lugar no rol universitário daquele país. Esta gente tem a cabeça onde? 

Amigo-FB envia-me ligação para um artigo de investigadora anglo-portuguesa, denunciando o silêncio português sobre a história nacional e a manutenção daquilo que considera ser a visão imperialista emanada do fascismo - implicitando a inexistência de historiografia posterior e da sua difusão pública e pedagógica durante os últimos 30-40 anos, e denunciando mesmo que há um centro comercial "Vasco da Gama" - e clamando sobre a necessidade de dar visibilidade ao comércio de escravos. O texto é publicado num canal público do Catar. Esta gente não tem pingo de vergonha. 

(Em cima, retrato de D. Afonso Henriques - figura a ser "desconstruída" e "intervencionada" - em quadro de Eduardo Malta - pintor a ser vituperado -, feito para a Exposição de 1940 - acontecimento a ser denunciado)

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Estes são dados do Observatório da Emigração. Aproveito para recordar um postal - "O Milagre das Rosas" - de 2010, no qual ecoei um artigo do Libération (o qual deixou de estar disponível). Portugal fora na década então finda o 3º país mundial com menor crescimento económico e tinha 350 mil emigrantes naquele quinquénio. E para não deixar resumir isto da estrutural emigração portuguesa a dichotes advindos das querelas partidárias, recomendo este artigo de 2019, "Portuguese emigration today", do sociólogo Rui Pena Pires. O qual será insuspeito de simpatias pela "direita".

Há muito a reflectir e mais ainda a fazer para obstar a este constante (e histórico) drenar. Mas há algo mais imediato que poderia ser feito, para melhorar essa necessária actuação. Há um mês aqui deixei nota sobre a execrável afirmação televisiva de Ana Drago, no afã de salvaguardar o actual governo: a disseminação do Covid-19 após o Natal deveu-se às visitas dos emigrantes em Inglaterra, fluxo acontecido devido ao governo de Passos Coelho. Os números, consabidos, mostram bem a indecência da formulação. Drago nem sequer é (por enquanto) militante do PS, a vil patacoada não foi uma fidelidade conjugal mas apenas um episódio de prostituição política. 

A questão é a da expressão pública televisiva e sua influência. Já nem falo desta pantomina de haver políticos no activo a fazerem de comentadores, em contextos que lhes encenam poses algo "neutrais", como se autónomos dos seus partidos - o caso mais risível é o da secretária-geral adjunta Mendes, ali ombreando com os aparentes "senadores flanantes" Pacheco Pereira e Lobo Xavier. Ou este Medina, que nos cabe como presidente de Lisboa, também "comentador" a tempo parcial, como se não estivesse a "full-time" em campanha. Mas a questão é para além disso, que pelo menos esses os espectadores reconhecem de imediato como "a voz do partido". A questão é a da pertinência das televisões se encherem destes Drago, simulando "olhares distanciados", analíticos e mesmo críticos. E que nada mais são do que "vozes de dono", cartilheiros.

E este caso, constante, da utilização da emigração portuguesa como invectiva a um governo - que geriu, mal ou bem, uma situação herdada - é um exemplo típico do aldrabismo de gente que é paga para nos "fazer a cabeça". Para baixar a emigração será melhor começar por melhorar a locução. Expugar-nos de cartilheiros, venham de onde vierem. E depois fazer o resto...

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Considero que aos 56 anos chegou o momento de me libertar, de me assumir tal qual sou, de finalmente ter a coragem de "sair do armário". Até hoje sempre proclamei, em público mas também, e quantas vezes, apenas para mim próprio, face ao ecrã feito espelho, que quando o F. C. Porto joga sempre torço para que perca. Seja contra qualquer clube, nacional ou estrangeiro. Excepto, claro, se o seu adversário for o inominável SLB. Minha posição oficial, minha página de missal, minha pessoa e "persona" para todos, para mim mesmo. Sempre negando quem isso pusesse em dúvida, sempre ripostando ferino a quem me criticasse a postura. 

Ontem mais uma vez isso vivi. Contra a bela "velha Senhora", do nosso amado Cristiano Ronaldo, surgiu o tétrico Porto, sob uma presidência que há 40 anos manipula o futebol nacional - e com tantos danos para o Sporting mas também com custos para a cultura nacional, na perversão desse culto do "vale tudo". Com um arrogante e ríspido treinador, irritante de soberba azeda. Com um feixe de jogadores medianos e de irascível comportamento, como o patético filho-família dos escarros, ou  o ressabiado Sérgio Oliveira do tão recente mau fígado naquilo da invectiva ao "empate com sabor a Champions" aos nossos jogadores. Que fossem eliminados, e que levassem 5 ou  6 se possível, foi o meu sincero desejo e prognóstico. Com um tricórnio do nosso CR7, para ser ainda mais saboroso.

E depois, neste camarote sofá, lá me encontrei a exclamar, veemente, "penálti!!!" quando o nosso desperdício Demiral abalroou aquele qualquer sempre-aldrabão avançado andrade. E cuspindo impropérios ao árbitro e sua ascendência, holandeses claro (dessa gente sempre ressentida após a Batalha de Nuremberga), quando expulsou o tipo do Irão, "que nunca o faria se fosse um Chiesa ou outro assim". Para culminar no esganiçado e bem audível "Gooooolo!!!!" aquando daquilo do chuto do Sérgio Oliveira - sim, esse mesmo, o pateta do "empate com saber a Champions". E, já em pé, para a frente e para trás, cigarro trémulo, nos  últimos segundos, clamando "gatuno, está na hora", diante do olhar espantado da companhia teleespectadora, ouvindo resmungos "f...-se, saíste-nos um nacionalista...". "Não, é por causa dos pontos do ranking de clubes", ainda me tentei justificar, manter a pose. Mas não, tenho que me assumir tal qual vou sendo.

Enfim, ainda que esta Juventus não seja áurea, grande jogo, grande Porto o de ontem. E, já agora, e porque em momento de difíceis confissões: fabuloso Pepe, aos 38 anos ainda por cima. Se já fora o melhor jogador do (nosso) campeonato europeu de 2016, se tem sido a base das excelentes campanhas da selecção, agora ainda mais brilha neste seu nada ocaso. É o melhor central da história do futebol português. Mesmo melhor do que ... Humberto Coelho.

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