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Nenhures

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Apesar de na véspera ter sido vacinado (produto Pfizer, adianto devido ao interesse geral na matéria) e de estar na situação pela qual ao pressionar o local onde fora injectado ser acometido de uma impressão, dita dor, e de estar então também na iminência de ser acometido por síndrome febril (febre, como se dizia no meu tempo), estive neste último domingo num agradabilíssimo convívio na Arrábida. Nesse Parque Natural, e para além da extrema simpatia e elegância dos convivas, pude conhecer este belo exemplar da simbiose entre Arte e Natureza. Coisas que só nos são proporcionadas pela Arte Viária (aka street art).

 

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Na passada semana, e com a prestimosa presença das autoridades locais, foi inaugurada uma loja do Lidl nos Olivais. Assim, num terreno delimitado pelas ruas Cidade de Bolama e Cidade de Bissau - exactamente onde cresci e agora envelheço -, terminou um período de obras constantes que durou... 28 anos! Repito, 28 anos de obras.
 
Não só o projecto inicial foi algo alargado - tenho em casa um folheto camarário de 1990, assinado pelo autarca Jorge Sampaio que o demonstra. Mas é também um projecto notoriamente sobredimensionado. Em volume e em adequação às necessidades, da freguesia e da cidade. Prova disto? Estes 28 anos.
 
Nisto na zona aconteceu a tercearização das lojas dos prédios - e o definhar do pequeno comércio que nelas se havia instalado desde o início do bairro, esmagado pelo centro comercial instalado (estuporadamente dito xóping). E também o aumento de escritórios e de habitação. A construção de uma escola C+S. Uma estação do metro. O trânsito muito cresceu. E foi mal regulado, pois de modo contra-intuitivo. O estacionamento desta zona habitacional tornou-se escasso. Entretanto, no bairro surgiu uma outra estação de metro. E brotou o vizinho Parque das Nações. Quanto à ideia de um novo aeroporto, já naquele in illo tempore dito urgente, definhou na querela entre os socialistas neo-terratenentes dos arrabaldes da Ota e os sociais-democratas financeiros a quem coube o legado do Rio Frio. Ou seja, a continuada extensão dos serviços do aeroporto da vizinha Portela teve efeitos pressionantes na mobilidade na Encarnação, nos Olivais-Norte e nos Olivais-Sul.
 
31 anos depois do anúncio das obras, 28 depois do seu início, várias presidências camarárias decorridas, duas nesta freguesia, no bairro não foi construído nem um parque de estacionamento público nem um silo de automóveis. Nada foi pensado, e ainda menos executado. Três décadas: Sampaio, Soares, Santana, Carmona, Costa, Medina. Na freguesia: Egipto, a actual inefável Lima. Na câmara? Moles de arquitectos e engenheiros e decerto que alguns sociólogos. E nada.
 
O que nos resta, aos fregueses? A punção da EMEL, pensada como ordenadora. Apesar da extensão do bairro, da sua acidentada orografia. E do envelhecimento, empobrecimento e isolamento da sua população. Pois nada foi pensado, nada foi planeado. Numa administração que espelha políticos e funcionários públicos: sobredimensionar projectos na volúpia do apego à "indústria" da construção civil. E taxar os cidadãos. De modo vigoroso e punitivo - pois tanto as modalidades do parqueamento como as quantias exigidas pela EMEL são, de facto, uma extorsão.
 
A mim, vá lá, resta-me isto de ter o Lidl na minha rua. Pois agora basta-me atravessá-la para comprar uma garrafa do apreciável Queen Margot, suficiente uísque a menos de 7 euros. E bebo um copo generoso, com gelo, durante este escapismo das redes sociais. Lendo tantos "cidadãos", tão convictos deles-mesmos, a protestar com a (falsa) marquise do Cristiano Ronaldo. E depois bebo outro. Sem problemas. Pois, apesar do que acima digo, não tenho carro.

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Viva CR7!

Em Lisboa, e não só, os "parvenus" ("arrivistas" se em português arcaico, "parolos" se sob a bigotry do sociólogo Augusto Santos Silva, a qual segue ainda imune às denúncias dos "movimentos sociais") sentem-se muito lesados com a sala de treino que o CR7 instalou no invisível terraço da sua casa. O generalizado clamor ofendido seria suficiente para a declaração de um "estado de emergência cultural", tamanha a calamidade que demonstra. E a apressada promessa municipal de uma vistoria punitiva é mais do que suficiente para uma ampla razia defenestradora.
 

Enquanto não termino esse manifesto sanguinário deixo este meu velho texto, um "Viva o CR7!". Que muito "bate bem", ao invés desta chusma compatriota.

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À saída de Nelspruit não paro nos semáforos desligados, que quando assim funcionam como sinal de "stop", pois nenhum carro se avistava no cruzamento. E logo dois policias saltam à estrada, mandando-me parar. "Estou tramado!", resmungo, antevendo os rands da multa e o atraso na viagem. Desculpo-me, explico-me, eles impávidos. Claro que viram a matrícula moçambicana, e tão habituados estão ao tráfego inter-fronteira, mas perguntam-me para onde vamos ("Maputo", respondo), de onde somos ("portugueses", digo-lhes), se viemos às compras. Que não, esmiúço, em busca de hipotética solidariedade, que ali vim para trazer a miúda ao (orto)dentista, a Carolina a comprová-lo no banco traseiro, com o aparelho dentário tão brilhante, acabado de calibrar na visita mensal. Um deles (suazi? tsonga? sotho?, não lhes consigo destrinçar a origem), inclina-se sobre a minha janela, quase enfiando a cabeça no carro e pergunta "how are you, sissi (maninha)?" e assim percebo que não pagarei multa. Depois diz-me "se você é português vou-lhe fazer uma pergunta" e eu logo que sim, dando-lhe um sorriso prestável, antevendo uma qualquer dúvida sobre ares ou gentes de Moçambique. Mas afinal "Qual é o melhor, Ronaldo ou Messi?". Eu rio-me, num "Ah, meu amigo, são ambos excepcionais, diferentes mas excepcionais", enfatizo, mas ele insiste, "mas qual é o melhor?". "Ok", e enceno-me, olhando à volta, "só vocês é que me ouvem, assim posso falar, sou português mas o maior é Messi", e estou a idolatrar o jongleur, o driblador dono da bola, alegria do povo, nós-todos miúdos de rua. "Não, você está errado" riposta ele (ndebele? zulu? khosa?, não lhe consigo destrinçar a origem), "Ronaldo é o melhor. Messi nasceu assim, Ronaldo é trabalho, muito trabalho!". Ri-se, riem-se, rimo-nos, e conclui num "podem ir". Avanço pela N4 e sorrio a este afinal meu espelho, apatetado europeu (armado em) intelectual com prosápias desenvolvimentistas, a levar uma lição de ética de trabalho de uma pequena autoridade (formal) africana.

 
(Fica a historieta para os que acham mal resmungar com os patrícios que, sistematicamente, apoucam o labor do maior atleta em actividade. Talvez nisso ombreando com Federer, mas muito mais célebre).

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Com todos aqueles que se irão vacinar contra o Covid-19 partilho esta informação. Várias portugueses (ou seja, com experiência prévia similar à minha nesta matéria vacinal) já me tinham avisado sobre as dores, até violentas, sofridas no braço inoculado.

Venho confirmar isso. Passaram já 24 horas após a minha vacina (com o produto da marca Pfizer, digo-o aos especialistas no assunto, sempre interessados). E se palpando a parte superior do braço comprovo, por sensação, que ali fui injectado. Chama-se a essa sensação dor ("dolor" em latim). Adquiri entretanto produtos químicos antidepressivos, Ben-U-Ron e Paracetamol (genérico), que promovem a felicidade e até euforia, pois avessos à tal dor e mesmo ao desconforto. Ainda não os usei. Mas é provável que deles ainda virei a necessitar. Pois ao carregar com veemência no local da injecção a sensação (a tal "dolor") é ainda maior.

Enfim, voltarei a informar-vos sobre este processo braçal. E deixo ainda, caso não saibam, a informação de que fui vacinado com o produto da marca Pfizer. Que me afiançam ser de confiança. Apesar desta dor...

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Acabo de ser inoculado e assim cumpri o meu dever cívico - e agora, no dito recobro, lembro os maluquinhos anti-covid que ensaiaram um "anti-vacinas"... E continuam a clamar conta a "censura". Enfim, para arrogância egocêntrica não há vacina.

Quanto às vacinas: tudo rápido e bem, excepto a irritante cor de algum mobiliário. A lembrar a "Super-Marta" e seus esbirros.

Como anda tudo maluquinho a assumir clubismos quimicos antes que me perguntem adianto que fui consagrado, hoje cerca do CDUL, por um soro da marca do Viagra. 

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