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Nenhures

Nenhures

12
Jul21

Carlos Moedas

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A inveja é uma coisa muito feia, e brotou-se-me, em catadupas. Mas, horas passadas, concedo: há números que têm de ser feitos. E em assim sendo esteve muito bem o Carlos Moedas. Mais que não seja porque deixou um punhado de velhas esquerdalhas (cisgénero, transgénero, bigénero, etcgénero) aos guinchos de rancor.

(E sobre este "número" político, bem conseguido repito, lembro este meu postal).

12
Jul21

Reservado o Direito de Admissão

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Quem me conhece (ou tem paciência para as minhas bloguices) sabe que não sou o que vem sendo dito, estuporadamente, um "negacionista". Nem no que peroro nem na minha vida pessoal. Mas isto é totalmente inaceitável! O Estado perdeu a cabeça, as pessoas perderam os critérios.

Insisto, repito-me: vivemos um caos intelectual no poder (histriónico no PR e no Presidente da AR, mais soturno no esquivo PM, patético nos menores). Uma população angustiada e - de facto - alienada. Há cerca de um mês o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros (o ministro dos negócios estrangeiros, friso!!!!) ameaçava o governo do Reino Unido com retaliações, insultava-o de incompetente seguimento a "irrelevâncias estatísticas", desde então um número de prostitutos das letras a louvarem o extraordinário trabalho do PS/governo (o deputado Pinotes no seu part-time de comentadeiro da bola a clamar há quinze dias "está tudo a correr bem" é um exemplo inqualificável...), o país convocando os turistas da bola e das praias. E agora isto?! À revelia de lei e de ética e de bom-senso? Como é que é possível que se aceite isto? Isto não é loucura, é estupor.

09
Jul21

Para Salvar o António Cabrita

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O António Cabrita - poeta, prosador, guionista, crítico, conferencista na boa versão palestrante, professor, e sei lá mais que talentos vem distribuindo, para além de homem encantador, e esta até é a sua melhor faceta, "não desfazendo" nenhuma outra, raisparta - emigrou há anos para Maputo.
 
Foi lá agora re-hospitalizado, a enfrentar o maldito Covid-19. Mas o seguro de saúde acabou. E a sua condição exigirá mais quinze dias nos cuidados intensivos. A 1000 euros diários.
 
O Cabrita é um tipo porreiro (um homem magnífico, se mantendo o tom) e tem imensos objectivos e talentos. Mas nenhum deles o conduziu a acumular "redes" e dinheiro. Assim a questão é simples: ou o ajudamos ou o homem morre.
 
Eu vou dar o que não tenho. Peço-vos, conheçam-lhe a obra ou não, por favor botem algo para o safar. E de modo urgente. Senão o homem morre-se(-me).
 
 
ADENDA: a Teresa Noronha, mulher do António Cabrita, acaba de avisar que as contribuições obtidas na sequência de vários apelos no último dia e meio já somam a quantia necessária. E agradece a todos a solidariedade.
 
[Por isso apagarei deste postal os números das contas bancárias].

08
Jul21

A normalidade de sempre

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Este cartoon - identificado como "Volta ao Normal" de Gerhard Haderer - é o que mais relevante vi/li nos últimos longos tempos. Bateu-me, bem! Encontrei-o no mural de Alberto Ribeiro Lyra, um brasileiro com o qual tenho ligação desde os primórdios do FB por razões que já não lembro (conexão moçambicana?, bloguismo?), e que tem um mural magnífico, com constantes pérolas iconográficas, uma inteligência visual rejubilante. (Daqueles casos que me levam a praguejar quando ouço os patetas encartados a resmungarem contra as "redes sociais". Pois nestas, e assumo a arrogância, cada um vê/lê/encontra o que é. E quem só encontra mediocridades é porque é um medíocre, passivo).

Avante, este cartoon bateu-me bem! Porque diz o necessário nesta fase da maldita era covidocena. E, muito mais, nesta minha fase pessoal, aguentem lá este meu quase-porno intimista. O almoço foi singelo e saboroso, endógenos alguns dos comestíveis, verde o vinho, à mesa queridos familiares consanguíneos e espirituais, o dia está soalheiro. Agora vou dar um mergulho. Depois, secar-me-ei e afixarei este arame. A enfrentar o que aí vem. Tenham cuidado comigo! (cuspo, a la Clint).

Obrigado, Lyra. Deste vida ao zombie.

07
Jul21

A candidatura de Fernando Medina

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Em meados de Abril de 2021 Fernando Medina descobriu que terá havido algo de errado no exercício político de José Sócrates. Por razões que nunca se poderão compreender - dado que eram consabidas as práticas pessoais do antigo primeiro-ministro, bem como públicas as suas concepções sobre o exercício do poder, em especial nas formas de articulação do Estado com os sectores económicos e de pressão sobre a comunicação social -, Medina nunca demonstrou incómodo com o modo político de José Sócrates enquanto foi secretário de Estado dos dois governos que aquele chefiou. Bem pelo contrário, foi um veemente apoiante do "animal feroz", um arreigado agente do pior momento da democracia portuguesa.

Poder-se-á assim dizer-se-lhe "tarde piaste!". De facto, muito tarde piou. E apenas "para inglês ver", pois é notória a dimensão de camuflagem deste seu hiper-tardio afastamento a Sócrates.

Ainda assim, apesar desta demonstração do carácter político de Fernando Medina, há quem o apoie. E desvalorize o verdadeiro escândalo - que deveria inibir a continuidade da sua carreira política - das dezenas (ou talvez mesmo centenas) de denúncias de activistas, nacionais e estrangeiros, às embaixadas estrangeiras. Entre as quais saliento as de activistas pró-palestianos à Israel de Benjamin Netanyahu, as quais, até surpreendentemente, não têm provocado grande alarido nos seus opositores eleitorais BE e PCP, tradicionalmente afectos à causa palestiniana.  Tal como desvalorizam esta outra manobra de camuflagem que vem fazendo, a de tentar resolver esta suas continuadas inconstitucionalidades através da imolação de um funcionário expiatório.

Para esses munícipes menos atreitos à vigência da democracia, e que por isso este escândalo desvalorizam, também pouco importam as anteriores promessas eleitorais que Medina fez e não cumpriu: 13 centros de saúde, milhares de lugares de estacionamento automóvel, centenas de camas hospitalares, 6 mil fogos de habitação social. 

Muitos se encantam - deixam-se encantar pela mole de "Miguel Sousa Tavares" disponibilizada - por estar a cidade "ajardinada", qual alindada. Como se de jardins públicos, seus bustos apostos, e cemitérios fosse a cidade feita. E descuram olhar de frente para o tipo de pessoa que é o actual presidente da câmara, para a sua concepção de exercício político, bem patente na forma como digere (e quer camuflar) o seu arrepiante percurso político. E tanto se encantam esses munícipes que aceitam o desplante de Medina, que agora se recandidata juntando mais um item ao rol de promessas eleitorais incumpridas: creches municipais gratuitas. É, e neste caso de forma literal, uma total infantilização do eleitorado.

Será que este cresce, de uma vez por todas, que nos decidimos a amadurecer? Caramba, há várias alternativas. Afastemos, nós lisboetas, este homem. E encaremos depois, criticamente, aqueles que forem eleitos. Mas este, francamente, é demasiado demenos.

06
Jul21

Os atrasos na vacinação

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"Selfie" (6.7.21, alvorada). Já nem velho vou, mas mesmo ancião. E como todos nós, que a este assim chegámos, convoco o "no meu tempo" nele encontrando uma robustez moral bem superior à dissoluta anomia deste mísero hoje em dia.
 
E nisso recordo que nesse "no meu tempo", no dia em que tratei de me candidatar à universidade fui jantar com magote de amigos. E depois arrancámos - com um saco de cervejas e uns bolsos com outros consumíveis - para perto da 5 de Outubro lisboeta. Por lá aportámos cerca da meia-noite, fazendo fila já em lugares bastante recuados para a inscrição... matinal. E lembro o dia gasto, em transportes e longas esperas, na inspecção militar em Setúbal. Ou, já agora, chegar mancebo quase de madrugada aos claustros do Calhau de Mafra para ali entrar, assim tornado instruendo, ao fim da tarde. Ou as horas passadas, jovenzinho, nas inscrições escolares. Ou, já mais crescido, em filas administrativas, para impostos, certificados, e tralhas similares. E, mais do que tudo, as horas passadas esperando consultas, desde a pediatria à geriatria actual, tanto na medicina pública, como na corporativa e privada, folheando aquelas resmas de revistas usadas que tão típicas eram antes deste telefonismo de agora. Nesse "meu tempo" acontecia isso, sabíamos esperar. Um pouco demais, até.
 
Agora o Estado vacina-nos. Uma vacinação universal mas não obrigatória. Em emergência, urgente. A campanha começou mal, pejada dos aldrabismos típicos do nepotismo. Mas arrepiou caminho, convocado que foi o saber de gestão logística militar - ainda assim o Almirante-em-chefe já é criticado pelos plumitivos PS por não papaguear o relambório retórico do Público/DN/activistas-académicos, pois é preciso que não fique ele com muitos créditos dado que, afinal de contas, o lema é "o PS é que fez, o PS é que faz", adaptado do slogan do Frelimo.
 
E que leio eu agora? Acelerado que foi o processo de vacinação - pois no afã dos Reis Magos turistas o país reinfectou-se [oops "o PS é que fez, o PS é que faz"] e o governo desaustinado sequestrou a constituição - em alguns locais vão acontecendo algumas demoras. As pessoas são obrigadas a esperar pela vacina. Uma hora, até duas, por vezes mesmo um pouco mais. "O Horror, o Horror"! E vêm clamar para as redes sociais, umas queixando-se do acontecido. Outras anunciando que nunca aceitarão por isso passar. "Jamais!". Preferem até não se vacinar.
 
Ora quem eu vejo botar isto é gente da minha geração. Essa mesmo do "meu tempo". Gente que esperou ao longo da vida, ainda que cada vez esperando menos. Mas que envelheceram assim. Num pateta individualismo que nada tem a ver com a defesa do livre-arbítrio (eu a sair de casa para fumar um cigarro à meia-noite sem ser detido ilegalmente, por exemplo). Mas apenas um "individualismo" do burguesote imbecil que se acha "indivíduo muito importante". Que tem o "direito adquirido" de ser atendido à hora certa, de não esperar um momento que seja. Gente cheia de si-mesma, patetas repletos do vácuo que são.
 
E não se pode exterminá-los(?).

 

05
Jul21

Ainda Cabrita?

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O ministro da Segurança Rodoviária - que tem acumulado dislates políticos - atropela um trabalhador na auto-estrada quando vogaria a cerca de 200 à hora numa zona de trabalhos sinalizados. Na sequência os seus serviços emitem declarações falsas, tentando imputar responsabilidades ao patrão do falecido. 3 semanas depois nada mais se sabe - para além de uma grotesca história sobre a propriedade do carro oficial -, uma delonga que apouca a estabilidade política no sector tutelado.
 
Entretanto, e ainda que atarefados com múltiplas tarefas (o governo está a violar a Constituição, o que não é normal em democracia, e fá-lo de "modo intempestivo" devido a uma "irrelevância estatística", após ter celebrado a rentrée dos Reis Magos turistas), os habituais publicistas da "situação" desunham-se nas teclas, invectivando de "oportunistas" os condoídos com o "estado da arte", e um deles, Marques Lopes, segue a via socratista e clama que o problema são as "perguntas do Correio da Manhã". Um antigo ministro socialista enche o peito e proclama que todos os governantes violam os limites das velocidades rodoviárias, nisso querendo ilibar politicamente o prócere Cabrita - mas "esquece-se" de referir que este é, e repito, o ministro da segurança rodoviária e que os seus serviços já mentiram à república sobre esta matéria. Matéria essa que implicou uma morte. Pormaiores que seriam letais se houvesse um minimo de... decência.
 
Enfim, lembro que a semana passada o ministro da Saúde inglês se demitiu, apesar da intensa demonstração de apoio que recebeu da sua rainha (basta ver o pequeno filme para tal perceber). Pois foi filmado a beijar uma amiga de longa data e, malvado tóxico que é, também a acariciá-la abaixo das costas. Entenda-se que não caiu devido a moralistas invectivas dada aquela infidelidade conjugal. Mas porque sendo ministro da saúde violou as regras de "distância social" naquela beijoquice com a amiga. Ou seja, e ainda que a patética argumentação demonstre como o puritanismo correctista se multiplicou neste Covidoceno, Hanckock caiu porque violou os ditames impostos pelo Estado no âmbito da sua tutela.
 
Percebe-se que os publicistas avençados nem queiram saber disto, pois as respectivas tenças têm como termos de referência (ToRs) o ecoar da cartilha semanal. Mas que um gajo que foi ministro não queira perceber isto? Isto é o descalabro do PS. E cada vez mais cheira a fim de festa. Mal, mesmo, já fedor.

03
Jul21

O Secretário de Estado Galamba

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"Jovem segura sombrinha para que o Secretário de Estado Galamba não apanhe sol na moleirinha.", ironiza Rui Rocha.

Galamba está no poder - e numa posição importante - devido aos seus intensos serviços de propaganda socratista, muitos deles cumpridos no blog colectivo Jugular, constituído por radicais socratistas e do qual emanou (foi a Professora Palmira Silva que o instruiu) um blog anónimo remunerado de contra-informação e de disseminação do que agora se chama "fake news", o Câmara Corporativa, sempre pelos "jugulares" louvado e defendido. Se se pode torcer o nariz a estes antecedentes galambianos também se pode conceder que são adequados ao vigente socratismo sem Sócrates.
 
Enfim, a historieta deste "pequeno mal" do pacote de jornalistas, activistas e académicos que serviram com denodo a corrupção socratista e que continuam em funções, no governo, na política activa e na imprensa (até escandalosamente no "serviço público" da RTP, como Vale de Almeida), está mais do que sabida e redita. Mas tem alguma pertinência lembrá-la nesta semana. Durante a qual um dos mais afamados membros desse grupo e, in illo tempore, sabida promotora deste Galamba, câncio, provocou debate sobre a pérfida objectivação das mulheres por causa de um vestido atrevido (há quem lhe chame combinação) de uma assistente do inenarrável programa "Preço Certo" - como se o problema não fosse o programa, por si mesmo inaceitável numa televisão pública.
 
Mas a tal propagandista do socratismo (com ou sem o "animal feroz"), seus inúmeros "partilhadores" e concordantes, calam-se diante desta imensa objectivação das mulheres, deste rebaixar do "pessoal menor", nisto de em 2021 uma merdita de secretário de estado - e de um partido que se diz "socialista" - aceitar que uma mulher lhe seja apenas haste de guarda-sol.
 
Isto é o Portugal de hoje. Esta escumalha imunda Jugular a colher aplausos. "Anunciada na tv". E a chegar ao governo, para gerir os interesses nas minas. E parte, substancial, do povo pronta para lhes segurar seja o que for...
 
Como eu prefiro eu uma quarentona voluptuosa em vestes generosas! Antes o "Preço Certo" que estes "jugulares".

02
Jul21

Jane Flood

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Leio que a Jane Flood morreu agora, nos seus 63 anos, em Zanzibar. Na sua peculiaridade a Jane também correspondia um pouco à imagem de um certo tipo (até literário) de senhora "british", na sua informalidade mesclada de generosa "flamboyance", de riso solto e genuína empatia pelo que a rodeava. Algo que alguns entendem como candura mas que é, de facto, a inteligência da curiosidade despreconceituosa. Nunca fomos íntimos mas tinha por ela grande simpatia. Algumas vezes nos sentámos juntos, bebendo um copo de vinho branco - com ela eu suspendia a rude cerveja e o agressivo uísque - em conversas soltas, num pidgin em que mesclávamos o seu mau português e o meu atrapalhado inglês.
 
Nessas conversas, e nas tantas vezes que nos cruzávamos, era notório o verdadeiro encanto que a Jane tinha por Maputo, pelo património herdado - arquitectónico, urbanístico, artístico - e pelo pulsar actual, as exposições, os ateliers, os bairros bem para lá do "cimento" burguês, a música. Aquela senhora amou mesmo Maputo e quem lá está. E isso era-me muito agradável de assistir e de fruir, ainda que a minha paixão estivesse alhures, pois pelo país afora.
 
Nisso a Jane acabou por criar a Maputo a Pe Tours, passeios pela cidade muito bem organizados. Eu fiz alguns, aproveitando para conhecer o roteiro da arquitectura de Pancho Guedes - grosso modo, um pouco após o espantoso trabalho de divulgação que a então cônsul portuguesa Graça Gonçalves Pereira realizou.
 
Enfim, nos últimos tempos a morte tem acontecido a muitos dos meus queridos e simpáticos. Isso acabrunha. E hoje fico mesmo triste com a morte da Jane (nesta foto ela é a mulher branca, a terceira a partir da esquerda, entre a equipa da "Maputo a Pé", indo para a Macaneta em 2016). Amanhã ela será cremada em Zanzibar às 9 horas. Uma amiga publicou que ela nos convidou para "ok, chorarmos um pouco mas não muito". E para que vistamos roupas coloridas (claro) e bebamos um copo de vinho.
 
Eu não sou muito desses rituais. Mas amanhã a essa hora certa, matinal, estarei neste meu aqui de verde garrido e beberei dois copos de vinho. Um pela memória da simpatia da Jane e um outro pela da sua risada, única. Aliás, beberei ainda um terceiro: lembrando o amor dela por Maputo.

 

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