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Nenhures

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Já que fui botando sobre a minha freguesia Olivais, e sobre estas eleições (recentemente aqui; ontem, muito irritado, aqui), e também porque vejo agora mesmo na televisão Carlos Moedas a almoçar nos Olivais, venho deixar os resultados finais na freguesia:

PS: 34,7% [53,52% em 2017]
PSD+CDS et al: 24,9% [12,6 % + 7,8%]
CDU: 13,8% [10,5%]
BE: 8% [6,4%]
CHEGA: 6,8%
PAN: 4,5% [3,8%]
IL: 3,4%
 
O PS - mesmo sendo reforçado pela associação com o importante movimento do colunista do boletim Público -, encabeçado pela inenarrável Rute Lima (também ela colunista do dito boletim), apesar de toda a insídia caciquista perdeu 3300 votos (de 8400 desceu para 5100). E ganhou a Junta por 1400 votos.
 
Não se pode ter tudo. Mas, caramba, mais um bocado, com uma oposição local mais efectiva e uma candidatura mais preparada... e a Margarida Martins cá do sítio teria sido apeada. Enfim, ficará a lição, essa de que os partidos não devem aparecer nas freguesias só de 4 em 4 anos.

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(Postal ontem no Delito de Opinião)
 
As eleições nos Olivais, Lisboa, lá vão decorrendo. À porta da escola, que é a minha assembleia de voto, dois voluntários (são remunerados mas voluntarizaram-se para esta tarefa cívica) indicam aos eleitores onde são as mesas de voto respectivas. Vestem t-shirts que lhes foram dadas pela Junta de Freguesia. As quais ostentam "Viver MAIS Olivais Junta de Freguesia" - uma evidentíssima alusão à coligação PS/LIVRE, a "Mais Lisboa". A uma funcionária escolar, simpaticíssima, pergunto-lhe se não haverá por ali o número da CNE para que possa eu protestar o assunto, esta descarada propaganda política feita pelos intervenientes do processo eleitoral no interior dos sítios de voto. Mas ela não tem (nem lhe cumpre ter, diga-se) essa informação. Telefono à polícia para perguntar o que fazer. Mas simpaticamente reenviam-me para uma central telefónica e a chamada depois cai. Desisto, venho para casa.
 
Uma vizinha, tão canhota como eu sou destro, avisa-me. Noutra escola da freguesia, com apenas duas mesas de voto, durante a manhã estava um dos candidatos cimeiros do PS/LIVRE, a tal "MAIS Lisboa" local, em afáveis cumprimentos aos eleitores e a indicar-lhes as mesas de voto.
 
Isto é o centro de Lisboa, 32 mil eleitores, 2021. Querem algo mais denotativo do abjecto caciquismo que aqui prevalece? Repito: centro de Lisboa, 2021.

jpp.jpg

Todos, e mesmo se militantes de um partido, somos livres de apoiar as candidaturas políticas que entendemos. E se essa liberdade deve ser defendida em geral, mais ainda é pertinente - no caso dos militantes - aquando das eleições autárquicas, onde mais abrangentes e até sistémicas concepções da sociedade não estão (tanto) em jogo. Ainda assim espera-se (não se obriga, espera-se...) alguma contenção nessas deambulações naqueles que optaram por ter uma carreira política activa e que usufruem desse estatuto. 

É disso muito elucidativa esta imagem do encontro de anteontem entre José Pacheco Pereira e Fernando Medina, numa acção de campanha deste último. Alguém dirá que foi "fortuito" mas é óbvio que não se trata de um acaso que tenha surpreendido o comentador político. O homem está no seu direito de ter estas demonstrações públicas. E o seu apreço por esta "esquerda" é consabido - alguns esquecem o encontro na Aula Magna em 2013, uma espécie de réplica dos "Estados Gerais" de Guterres, no qual se congregaram o centro-esquerda, a esquerda e as esquerdas comunistas. Durante o qual Pacheco Pereira surgiu saudando "amigos, companheiros e camaradas", aventando o que veio a ser conhecido como "geringonça", da qual assim se poderá reclamar se não ideólogo pelo menos profeta. Algo que se lhe impunha - como ficou patente ao invocar, em registo de analogia, o Manuel Alegre da Rádio "Voz da Liberdade" na Argélia - como uma luta contra um verdadeiro fascismo que assombra(ria) o país, mesmo se dito mera "direita radical". 

E é relevante que Pacheco Pereira continue opinando contra a "direita radical" que quer usurpar o seu PSD. E nisso defendendo - "por dentro", enquanto militante - a sua presidência partidária actual. A qual acolheu e lançou a actual candidatura municipal de Carlos Moedas. Ainda assim Pacheco Pereira entende necessário o "fortuito" apoio público à candidatura rival. Por puro silogismo depreendo que para o consagrado comentador Moedas pertencerá à tal "direita radical", contra a qual urge levantar a "Voz da Liberdade". É uma posição legítima, ainda que possa parecer algo contraditória, pois a cada cabeça sua sentença.

Mas este "fortuito" apoio público lembra-me outras intervenções de Pacheco Pereira. Por vezes tem aludido a que os locutores da tal "direita" se acoitam em órgãos de comunicação social - presumo que se trate, fundamentalmente, do "Observador" -, os quais invectiva por serem alheios à procura de viabilidade financeira e por pertencerem a grupos económicos. Alusões que são uma evidente desvalorização moral (e intelectual) desses opinadores, produtores de opinião pública. Que assim quer fazer parecer quais mercenários, ao serviço de interesses (económicos) esconsos. E ainda que eu pense essa análise algo redutora, mecanicista por assim dizer, ela é legítima pois é a opinião do analista.

E é nessa linha de raciocínio que olho para esta atitude "fortuita" - e também da continuada - do "social-democrata" Pacheco Pereira. Nisso, e de certa forma, eu sou-lhe um "co-idealista", acredito (matizadamente) nas potencialidades de uma tutela estatal indutora da redistribuição o mais equitativa possível, e assim reprodutiva, dos recursos societais. Aquilo a que a gente da minha geração e da minha profissão chamou - porventura com alguma candura - "desenvolvimentismo". Acontece que 75 anos depois da explosão da crença desenvolvimentista sabemos bem, por evidência mundo afora, que o nepotismo desbragado, o clientelismo sedimentado, isso do (neo)patrimonialismo, são inibidores do desenvolvimento. E da (social-)democracia. E face a isto não há qualquer erudição bibliófila nem "escavação" arquivística local que possa servir de contraditório. Ou seja, o apoio a esta situação actual do país nada é "social-democrata", é apenas situacionista. E anti-desenvolvimentista.

Porque segue Pacheco Pereira nesta via? Eu posso elaborar sobre o percurso do meu antigo (e excepcional) professor, de quem muitos livros e artigos li. Posso especular sobre um enquistamento intelectual proveniente no mergulho arquivístico na épica anti-fascista e pós-Abril. Que o fará pensar a actualidade através de pobres analogias com esse passado. Mas, de facto, o que devo seguir é o seu método de análise dos actos locutores. E perceber que estes seus apoios a forças inibidoras do desenvolvimentismo social-democrata e, até mesmo, anti-democráticas, são devidos ao financimento estatal que recebe e ao apoio estatal ao seu trabalho em órgãos de comunicação social sem intuitos lucrativos, pertencentes a grupos económicos.

Ou seja, nada há de "fortuito" no apoio de Pacheco Pereira ao PS e a Medina. É apenas reflexo das declarações (e pressões) do  primeiro-ministro António Costa: "A democracia não pode prescindir da Quadratura do Círculo" (Janeiro de 2019). E nesse trabalho (remunerado) recuperado o comentador se prestar à pantomina de ombrear com uma secretária-geral adjunta em exercício do PS enquanto ela se finge "comentadora" - esta pérfida idiossincracia portuguesa, isto de mascarar políticos no activo de "comentadores" televisivos. Nem há algo de "fortuito" nesse apoio quando o presidente apoiado financia o projecto pessoal do comentador político: Acordo entre Câmara Municipal de Lisboa e Associação Ephemera. (2021, Abril). E do que dele li ao longo dos anos só posso concluir isto: a sua arrogância intelectual é tanta que nem perceberá até onde chegou. Até onde desceu.

Enfim, o que nos cumpre, cidadãos democratas, em particular os lisboetas, é votar consoante o nosso viés democrático. Mas contra esta hidra municipal, inculta, patrimonialista. Que anda para aí à chinchada... Sabendo que nada é "fortuito". Muito menos as arengas dos "comentadores" remunerados.

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Esta cena do Estado nos tratar como criancinhas estúpidas, proibindo que falemos publicamente de política na véspera das eleições, tem que acabar. Mesmo.
 
Para quem se possa interessar: amanhã, domingo, para a CML votarei na lista encabeçada por Carlos Moedas. Faço-o resmungando. Pois votar num tipo que trata Medina pelo primeiro nome dá-me uma enorme azia - pois a proximidade a Medina só descredibiliza, polui. E, também, porque não tenho paciência para estes gajos que me tratam por "tu". Nem andámos juntos na escola nem fizemos a tropa ao mesmo tempo. Para falar comigo que usem a terceira pessoa, porra. No singular, com apelido. No plural, respeitando quem os elege. Alguém que diga isso a Moedas, se voltar a ir a votos. E aos outros patetas que montaram a campanha.
 
Para a minha Junta de Freguesia dos Olivais - onde manda uma inenarrável presidente socialista, que será secundada por Vanda Stuart e Ágata? Que se lixe, votarei no PCP.

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No Padrinho 2 a ascensão de Corleone (De Niro) é soberbamente retratada. E culmina com a cena na banca de fruta: o recente "padrinho" deixa de pagar, os produtos passaram a ser-lhe ofertados. Em 2021, em Lisboa, reporta a "Sábado", a gula de uma socialista (claro) presidente da Junta de Freguesia de Arroios é tamanha que também cruza os mercados locais cobrando ofertas de comestíveis.
 
Tipos como Sócrates há em todos os partidos e todos os regimes. Lacaios desses tipos (os Jugulares e afins) também. Mas isto, políticos a sacar a fruta do mercado? É um nojo. Mas é também algo extremo, até radical. O sinal claro do estado a que o PS chegou. É o grau zero. E a partir daqui nada mais haverá, pois não há espaço para queda nem redenção possível.
 
E há pessoas que votam nesta escumalha.

 

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