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Nenhures

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Fui abalroado por uma doença antiga, desprovida de prestígio, a qual nada induz a comovida solidariedade alheia nesta era do Covidoceno. E assim desde há alguns dias que estou apenas só - quem acorre à constipação alheia?!, que paciência para outros tem o fungão constipado? -, retido cerca do Trancão, a tiritar embrulhado em mantas. Folheio livros já lidos, sem paciência para novidades. Olho, melancólico, o Tejo (em particular para os amigos moçambicanos deste grupo: entre a "lisboa doutora" fica sempre "bem" dizer que se tem "vista para o rio"). E, num canal de tvcabo, vejo westerns, daqueles como deve ser (aqueles com o Widmark, Coburn, Marvin, Wayne, Stewart, Van Cleef), uma fartura deles. 

E é neste entretanto distraído que encontro no canal HBO o "Comboio de Sal e Açúcar" de Licínio de Azevedo (filme de 2016 que adapta um livro que o realizador publicara). Mais do que o recomendo a quem nunca o viu - narra uma viagem de comboio durante a guerra civil moçambicana, entre Nampula e Cuamba em 1988, a arriscadíssma circulação entre o litoral do sal e o interior do açúcar. Está muito bem conseguido, mesmo. 

Para mim só prescindiria daquele duelo final, muito a la Hollywood anos 1950s. Mas, de facto, não estou eu aqui a gabar os meus adorados westerns dessa época? 

Ide ver (se quiserdes, que o imperativo é só gramatical).
 

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Ontem, na mesma semana em que Leonardo Jardim ganhou a Liga dos Campeões asiáticos, Abel Ferreira bisou o triunfo na Taça dos Libertadores. Momento glorioso do futebol nacional, a comprovar a excelência da "escola portuguesa" de técnicos, acoplada à da plêiade de jogadores que vêm brilhando nos clubes mundiais, secundados por inúmeros outros, menos celebrizados, que abundam no futebol internacional. Algo que deverá ser associado aos bons percursos das selecções jovens, bem como às prestigiantes posições do país nos "rankings" de selecções seniores e de clubes.

Neste âmbito, em que o futebol português mostra uma competência profissional bem acima do que a economia e a demografia poderiam determinar, continua a vigorar uma mazela grave, o seu dirigismo. A rábula de ontem, o jogo B SAD-Benfica, é demonstrativo dessa incompetência. A questão não se restringe às direcções dos dois clubes (seja lá o que for o tal B SAD). As equipas foram a jogo, como lhes competia. A direcção da tal empresa que joga no Jamor talvez pudesse ter sido mais previdente, a do Benfica mandou a equipa entrar em campo, como lhe era mandatório.

 

 

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Uma prima minha - que sendo mais enérgica do que eu segue já octogenária, factor que é relevante para este assunto - foi hoje receber a terceira dose da vacina contra a Covid-19, ali na zona fina junto ao Tejo. Com hora marcada. Dona que é de um lendário humor corrosivo vem fazendo no seu mural a reportagem do processo: duas horas de atraso, "ao vento e à chuva", situação que vem conduzindo ao aglutinar dos assim vacinantes, gelidamente esquecidos da consagrada "distância social" - como mostra uma das fotos com que ela vem testemunhando esta manhã absurda. Como é prima (direita da minha mãe) de que muito gosto nem vou aproveitar isto para outro tipo de deambulações sobre a administração disto tudo e a torpe propaganda que "os lá de cima" e seus avençados vêm fazendo ao longo do Covidoceno. Fico-me com um beijo e votos de saúde. E com a promessa de ir aí aos Olivais-Norte bebericar uma bebida reconfortante

 

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Devido a um inesperado impedimento do consagrado espectador titular - felizmente pouco gravoso pois, e para descanso do nosso "mister", isso não o afastará do próximo episódio desta bela senda de "jogo a jogo" - fui convocado à última hora para assistir ao decisivo embate com os teutões de Dortmund. Para o efeito tive de tratar, in extremis, dos trâmites burocráticos necessários à compita, um verdadeiro "frisson" ao imaginar-me qual Adrien barrado por minutos. Mas que muito me foi matizado pela simpaticíssima ajuda telefónica que obtive da funcionária da Federação Portuguesa de Espectadores que, paciente e eficientemente, me ajudou a obter um "Certificado de Vacinação Digital", documento que até à data me fora desnecessário para as competições regionais em Nenhures.

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Logo, e ainda alvoraçado, mergulhei no metropolitano na rota do Sacro Recinto, já pejada de adeptos em trânsito, entre os quais era notória a extrema concentração competitiva, discernível no silêncio nada ululante que reinava nas carruagens e estações. Exultante de "ir a jogo" disso dei notícia por via telefónica, mostrando-me nestes preparos, à panóplia de familiares e amigos mais futeboleiros. Disso recebi ecuménicas saudações e votos de alento para o embate. A surpresa era geral, sabendo-se que este veterano há muito pendurara as almofadas de bancada. E antes do Campo Grande já dois grandes amigos, viscerais sportinguistas - desses do lugar cativo no velho e para sempre "o" nosso José de Alvalade, adquirido depois das nossas juvenis pelejas no peão, da ascensão às superiores e da comoção com o fecho de estádio - me questionavam "porra, estás com guito para isso?", num óbvio "estás a tirar do rancho para ir à bola!?". Questão assisada que só à nós surgirá, aos encanecidos naúfragos desta tormenta que é a crise vivida em idade avançada, ainda para mais decorrida sob desajustados rumos profissionais, tudo isso que neste Outubro da vida nos tornou proibitivo o que nos fora um mais que acessível jovem hábito prazeroso. Lá me legitimei, expressando o convite de que fora alvo, e logo acolhendo um duplo sms similar: "ainda há gente caridosa!". E há. Chamar-se-á agora "solidariedade (social)". Ou, melhor dizendo, gajos porreiros...

 

 

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Rúben Amorim tem vindo a fazer um trabalho superlativo. E a sua pertinência técnica é acompanhada - de modo que entendo até glorioso - pela total perspicácia das suas declarações. Algo tão notório após a grande vitória de ontem - ainda mais preciosa pois seguindo-se a anos tão convulsos no clube -, com a sua extraordinária, de rara e exemplar, conferência de imprensa final (já aqui colocada).

Se Gouveia e Melo - com o seu rigor, competência, ponderação e elevação - marcou este acabrunhado país durante 2021, este rumo magnífico de inteligente do nosso treinador torna-o o "nosso" Vice-Almirante. 

Devemos fruir e apoiar o seu trabalho, claro. Mas também por ele ser algo influenciados, coligir e fazer actuar as "lições aprendidas" que o nosso Vice-Almirante nos vem dando. Pelo menos nesta vertente de desdramatizar e de não "embandeirar em arco", pólos opostos tão comuns na mentalidade colectiva - e, em particular, no Universo Sporting.

 

 

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