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Nenhures

Nenhures

30
Nov21

Comboio de Sal e Açúcar

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Fui abalroado por uma doença antiga, desprovida de prestígio, a qual nada induz a comovida solidariedade alheia nesta era do Covidoceno. E assim desde há alguns dias que estou apenas só - quem acorre à constipação alheia?!, que paciência para outros tem o fungão constipado? -, retido cerca do Trancão, a tiritar embrulhado em mantas. Folheio livros já lidos, sem paciência para novidades. Olho, melancólico, o Tejo (em particular para os amigos moçambicanos deste grupo: entre a "lisboa doutora" fica sempre "bem" dizer que se tem "vista para o rio"). E, num canal de tvcabo, vejo westerns, daqueles como deve ser (aqueles com o Widmark, Coburn, Marvin, Wayne, Stewart, Van Cleef), uma fartura deles. 

E é neste entretanto distraído que encontro no canal HBO o "Comboio de Sal e Açúcar" de Licínio de Azevedo (filme de 2016 que adapta um livro que o realizador publicara). Mais do que o recomendo a quem nunca o viu - narra uma viagem de comboio durante a guerra civil moçambicana, entre Nampula e Cuamba em 1988, a arriscadíssma circulação entre o litoral do sal e o interior do açúcar. Está muito bem conseguido, mesmo. 

Para mim só prescindiria daquele duelo final, muito a la Hollywood anos 1950s. Mas, de facto, não estou eu aqui a gabar os meus adorados westerns dessa época? 

Ide ver (se quiserdes, que o imperativo é só gramatical).
 

28
Nov21

B SAD - Benfica

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Ontem, na mesma semana em que Leonardo Jardim ganhou a Liga dos Campeões asiáticos, Abel Ferreira bisou o triunfo na Taça dos Libertadores. Momento glorioso do futebol nacional, a comprovar a excelência da "escola portuguesa" de técnicos, acoplada à da plêiade de jogadores que vêm brilhando nos clubes mundiais, secundados por inúmeros outros, menos celebrizados, que abundam no futebol internacional. Algo que deverá ser associado aos bons percursos das selecções jovens, bem como às prestigiantes posições do país nos "rankings" de selecções seniores e de clubes.

Neste âmbito, em que o futebol português mostra uma competência profissional bem acima do que a economia e a demografia poderiam determinar, continua a vigorar uma mazela grave, o seu dirigismo. A rábula de ontem, o jogo B SAD-Benfica, é demonstrativo dessa incompetência. A questão não se restringe às direcções dos dois clubes (seja lá o que for o tal B SAD). As equipas foram a jogo, como lhes competia. A direcção da tal empresa que joga no Jamor talvez pudesse ter sido mais previdente, a do Benfica mandou a equipa entrar em campo, como lhe era mandatório.

 

 

27
Nov21

Vacina com hora marcada

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Uma prima minha - que sendo mais enérgica do que eu segue já octogenária, factor que é relevante para este assunto - foi hoje receber a terceira dose da vacina contra a Covid-19, ali na zona fina junto ao Tejo. Com hora marcada. Dona que é de um lendário humor corrosivo vem fazendo no seu mural a reportagem do processo: duas horas de atraso, "ao vento e à chuva", situação que vem conduzindo ao aglutinar dos assim vacinantes, gelidamente esquecidos da consagrada "distância social" - como mostra uma das fotos com que ela vem testemunhando esta manhã absurda. Como é prima (direita da minha mãe) de que muito gosto nem vou aproveitar isto para outro tipo de deambulações sobre a administração disto tudo e a torpe propaganda que "os lá de cima" e seus avençados vêm fazendo ao longo do Covidoceno. Fico-me com um beijo e votos de saúde. E com a promessa de ir aí aos Olivais-Norte bebericar uma bebida reconfortante

 

25
Nov21

Fui ao Sporting-Borussia

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Devido a um inesperado impedimento do consagrado espectador titular - felizmente pouco gravoso pois, e para descanso do nosso "mister", isso não o afastará do próximo episódio desta bela senda de "jogo a jogo" - fui convocado à última hora para assistir ao decisivo embate com os teutões de Dortmund. Para o efeito tive de tratar, in extremis, dos trâmites burocráticos necessários à compita, um verdadeiro "frisson" ao imaginar-me qual Adrien barrado por minutos. Mas que muito me foi matizado pela simpaticíssima ajuda telefónica que obtive da funcionária da Federação Portuguesa de Espectadores que, paciente e eficientemente, me ajudou a obter um "Certificado de Vacinação Digital", documento que até à data me fora desnecessário para as competições regionais em Nenhures.

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Logo, e ainda alvoraçado, mergulhei no metropolitano na rota do Sacro Recinto, já pejada de adeptos em trânsito, entre os quais era notória a extrema concentração competitiva, discernível no silêncio nada ululante que reinava nas carruagens e estações. Exultante de "ir a jogo" disso dei notícia por via telefónica, mostrando-me nestes preparos, à panóplia de familiares e amigos mais futeboleiros. Disso recebi ecuménicas saudações e votos de alento para o embate. A surpresa era geral, sabendo-se que este veterano há muito pendurara as almofadas de bancada. E antes do Campo Grande já dois grandes amigos, viscerais sportinguistas - desses do lugar cativo no velho e para sempre "o" nosso José de Alvalade, adquirido depois das nossas juvenis pelejas no peão, da ascensão às superiores e da comoção com o fecho de estádio - me questionavam "porra, estás com guito para isso?", num óbvio "estás a tirar do rancho para ir à bola!?". Questão assisada que só à nós surgirá, aos encanecidos naúfragos desta tormenta que é a crise vivida em idade avançada, ainda para mais decorrida sob desajustados rumos profissionais, tudo isso que neste Outubro da vida nos tornou proibitivo o que nos fora um mais que acessível jovem hábito prazeroso. Lá me legitimei, expressando o convite de que fora alvo, e logo acolhendo um duplo sms similar: "ainda há gente caridosa!". E há. Chamar-se-á agora "solidariedade (social)". Ou, melhor dizendo, gajos porreiros...

 

 

25
Nov21

O Nosso Vice-Almirante

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Rúben Amorim tem vindo a fazer um trabalho superlativo. E a sua pertinência técnica é acompanhada - de modo que entendo até glorioso - pela total perspicácia das suas declarações. Algo tão notório após a grande vitória de ontem - ainda mais preciosa pois seguindo-se a anos tão convulsos no clube -, com a sua extraordinária, de rara e exemplar, conferência de imprensa final (já aqui colocada).

Se Gouveia e Melo - com o seu rigor, competência, ponderação e elevação - marcou este acabrunhado país durante 2021, este rumo magnífico de inteligente do nosso treinador torna-o o "nosso" Vice-Almirante. 

Devemos fruir e apoiar o seu trabalho, claro. Mas também por ele ser algo influenciados, coligir e fazer actuar as "lições aprendidas" que o nosso Vice-Almirante nos vem dando. Pelo menos nesta vertente de desdramatizar e de não "embandeirar em arco", pólos opostos tão comuns na mentalidade colectiva - e, em particular, no Universo Sporting.

 

 

23
Nov21

Sol na eira e chuva no nabal

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Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal: pois isto de um tipo se acantonar perto de Nenhures e nisso se desligar até pode ter ganhos morais mas também é redutor. Pois acabo agora de ler que Coetzee (e também DeLillo e Auster, mas a estes não tenho tanta devoção) andou em Lisboa na semana passada, em várias sessões públicas.

E eu não fazia a mínima ideia. Tivesse sabido e ter-me-ia aproximado do Trancão...

21
Nov21

Olivais & Loures

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Nos últimos tempos fui botando sobre os Olivais - onde resido - e a sua peculiar Junta de Freguesia. Referi (aqui e aqui) o seu inaceitável e desavergonhado comportamento durante o dia de eleições, com o pessoal contratado pela Junta para acompanhar as votações a envergar vestes propagandísticas da lista do PS. Pouco antes antes aludira (por exemplo aqui e aqui -  para além de textos bem anteriores) a essa mediocridade caciquista dos elementos PS que ali dominam desde há décadas. E depois das eleições sublinhei como as perdas de votação do PS naquela freguesia - e que muito se deveram às manigâncias e arrogâncias da sua presidente face aos interesses da população - foram, por si só, suficientes para a derrota da candidatura de Medina à câmara (aqui, aqui, aqui).

Tal insistência minha poderá parecer demasiada a quem não conheça o "bairro" e não possa assim perceber a intensidade do baixo nível daqueles eleitos para a Junta, a indigência intelectual da abrasiva demagogia, o exercício pessoalizado do poder autárquico - histriónico no caso da presidente da junta. E, acima de tudo, o efectivo desrespeito pelos fregueses, patente na forma altaneira e paternalista de exercício de funções. De facto, uma atitude anacrónica, já excêntrica pois situada no centro da capital. E a qual foi, repito, bastante punida nas últimas eleições, ainda que a lista do PS tenha mantido a Junta apesar dessas grandes perdas de votos - insisto, faltou aos restantes partidos a tempestiva apresentação de candidaturas informadas e preparadas para este exercício.

 

 

21
Nov21

Rio Strikes Again

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Ontem almocei uma magnífico cozido à portuguesa, emanado das mãos de mago de um grande amigo. Éramos seis à mesa. Acoplados à prolongada e cuidada mastigação vários assuntos vieram à baila, alguns deles relevantes para todos nós, alguns outros nem tanto. Apesar da máscula companhia não foram abordadas "questões de saias", de negócios ou de futebóis. Mas apesar da vigência desses implícitos critérios  convivenciais aflorou-se um pouco a outra questão sempre aziaga, isso da coisa pública, tendo sido abordada a actual necrose da geringonça e os paliativos que urgem. E nesse âmbito, ainda que à mesa inexistissem militantes ou até meros eleitores do PSD, urdiram-se argumentos sobre a actual contenda social-democrata e proferiram-se preferências sobre os assuntos internos daquela agremiação.

E nisso ouvi algumas vozes, nada esquerdistas, defendendo, ainda que com pouco ênfase, a preferência pela continuidade de Rio. Pois homem sério e decidido, e com o património pessoal de ter presidido à câmara do Porto com sucesso. Sobre a matéria nada ajuizei, não só porque me sinto excêntrico ao debate mas, acima de tudo, devido à já referida excelência do repasto, que muito monopolizava a minha atenção - acompanhado de um adequado tinto "Cara a Cara", robusto o q.b. para este tipo de comezaina e suave o necessário no seu custo.

 

 

20
Nov21

Onde estará a tenista?

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A "L' Equipe" de hoje tem esta primeira página, associando-se à preocupação global - muito catapultada pelas declarações alarmadas de várias das suas colegas - sobre o paradeiro da conhecida tenista chinesa Peng Shuai, desaparecida há cerca de vinte dias após a sua denúncia de ter sido violada por um ex-vice-primeiro-ministro chinês.

Mais do que tirar conclusões sobre o nosso ambiente discursivo e as hierarquias das preocupações que nele vigoram - por exemplo, imagine-se o que iria por esta imprensa nacional e pelas nossas redes sociais se uma tenista negra tivesse sido alvo num "court" de uma "boca" ordinária de um qualquer caucasiano, ou se uma tenista "transgenderada" tivesse visto posta em causa a sua condição atlética feminina -, ou grandes elaborações sobre o sistema político chinês, o que será de desejar é que a campeã chinesa logo se anuncie de boa saúde, saída de um qualquer retiro, destinado a fortalecimento psicológico, recuperação de qualquer lesão, ou treino físico peculiar. Ou de meras férias em recanto exótico. Esperemos isso. Ainda que o costume chinês de fazer desaparecer figuras gradas por razões do seu desalinhamento com a o "Bom Senso" governamental faça temer que não se trata apenas disso.

*****

 

 

15
Nov21

Ocaso Boreal

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(cerca de Matola-Rio, 2000, reprodução de fotografia de Luís Abélard)

Ocaso Boreal - 38 postais de blog, escritos entre 2014 e 2019 (basta clicar no título para aceder e gravar).

Os textos de blog são de ocasião. Mesmo assim vou seleccionando alguns aos quais ainda encontro sentido. Para uma memória do que fui pensando e vivendo. E que colijo, acima de tudo para que a minha filha um dia os possa “folhear” (em scroll down, claro) para saber o que o velho pai ia resmungando. Mas se em alguns destes textos outrem neles ainda encontrar motivos de interesse isso será um prazer para mim.

Aos meus 50 anos, e após duas décadas em Moçambique, inesperadas razões pessoais fizeram-me regressar a Portugal. Por um lado, quase nem notei que havia estado ausente, pois logo fui abarcado com veemência pelo velho núcleo de amigos. Mas, por outro lado menos pessoal, após os primeiros tempos de estada - e apesar de sempre ter mantido o contacto com o país - fui ficando espantado com o ambiente geral, com a discussão pública, numa sensação de irrealidade. Levei algum tempo a recentrar-me, a olhar para o que os outros olham, essa que é a melhor forma do mortal comum viver em algum sítio. Nesse período de aclimatação fui blogando. Juntei agora um conjunto de 38 postais a recordar essa quase reaprendizagem do país, e chamei-lhe o meu "Ocaso Boreal" - quem tiver paciência e interesse bastar-lhe-á "clicar" no título e gravar o pdf. Na capa coloquei-lhe esta fotografia, feita pelo meu amigo Luís Abélard, de quem tenho saudades.

(E para quem tiver curiosidade sobre outras colecções que já fiz sobre o que venho perorando em blogs desde 2003, elas estão arroladas aqui.)

 

*****

Para quem se possa interessar, e tenha paciência, aqui deixo o rol das minhas outras colecções de textos (basta "clicar" nos títulos e gravar).

1) Portugal às Avessas  (textos sobre Portugal);

2) Ao Balcão da Cantina  (crónicas sobre vivências e viagens em Moçambique);

3) A Oeste do Canal (textos sobre temas culturais moçambicanos);

4) Torna-Viagem (memórias autobiográficas);

5) Um Imigrante Português em Moçambique (sobre as experiências daquele quotidiano);

6) Leituras Sem Consequências (sobre livros e artistas, na sua maioria moçambicanos).

7) O Meu Sporting” (textos sobre futebol e sobre o Sporting).

Pág. 1/3

Bloguista

Livro Torna-Viagem

O meu livro Torna-Viagem - uma colecção de uma centena de crónicas escritas nas últimas duas décadas - é uma publicação na plataforma editorial bookmundo, sendo vendido por encomenda. Para o comprar basta aceder por via desta ligação: Torna-viagem

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