Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nenhures

Nenhures

09
Dez24

A indeterminação em Moçambique

jpt

barricadas.jpg

Em Moçambique reina a indeterminação. A inacção governamental - e as eleições ocorreram há já dois meses - enquanto as manifestações se sucedem, por todo o país. E continua a violência policial - entretanto as forças armadas mantêm-se calmas, numa espécie de "neutralidade activa". E também surgem, cada vez mais, respostas violentas das populações, investindo contra instalações públicas, privadas e empresariais. Nas grandes cidades e nos entroncamentos viários levantam-se barricadas, impedindo o trânsito - e acabo de ler que "brigadas" manifestantes irrompem pelas centrais eléctricas exigindo a interrupção da produção. Nisto já há centenas de feridos e cerca de noventa mortos. Grassa o temor de uma hecatombe, fervilham os rumores e as teorias conspiratórias. Cá longe recebo catadupas de mensagens, filmes, imagens. Telefonemas, preocupados. Opiniões diversas. Mas unânimes no anseio da paz, da "resolução do conflito" emergente. 

De quando em vez chega um sinal de que a vida continua, assim esperançoso. Ontem recebi esta mensagem, reencaminhada, uma crónica das barricadas de Maputo (da qual desconheço a autoria). Será apócrifa? Talvez não o seja ("cheiro-a" verdadeira). Mas si non è vero é ben trovato:

Permitam-me partilhar convosco algo inusitado que aconteceu-me esta manhã!

Na manhã de hoje, decidi ir à Matola Gare visitar um velho amigo. Na zona de Baião, encontrei uma barricada dos manifestantes a "cobrar portagem", eu com a minha camisa do Sporting CP pus-me a negociar com eles para atravessar, e um deles diz: "grande sportinguista..." e eu com um tom de orgulho, respondi: - SIM! e somos campeões, somos Spoooorting, e um dos manifestantes na barricadas, diz: passa lá boss, vocês do Sporting estão a sofrer maningue.

 

 

07
Dez24

Com a minha mãe

jpt

madeira.jpg

Em 1981, tinha eu 17 anos, a minha mãe levou-me a conhecer a Madeira, então um sítio "exótico". A seguir o meu pai emoldurou esta fotografia, decerto por nos reconhecer ali felizes.
 
Depois isto escoou. O meu pai António morreu há (já) quase treze anos. E a minha mãe Marília (já) faz hoje quatro anos.
 
Enfim...

06
Dez24

O Sporting actual

jpt

Tal como Nero diria, se fosse hoje, clamarei um dia "Que Comentador morre comigo!".

Rúben Amorim violou um excelente contrato que livremente decidira firmar. Logo depois o Sporting é violentado pelo Arsenal de Londres (1-5). Dias depois joga mal e perde em casa com o Arsenal dos Açores: a primeira derrota em Alvalade após 31 jogos, e o primeiro jogo sem marcar golos em 53 jogos.

Antes o presidente Varandas contratara dois treinadores (Keizer e Silas), que foram rotundos falhanços. E dois interinos (Fernandes e Pontes) que idem... Uma sucessão de erros!. E depois este ciclo. Que começou com uma serendipidade (ir buscar, caríssimo, um treinador jovem que... deu certo).

Uma situação presente e futura que eu anunciei/enunciei aqui, há dias, num programa em que não se discutia futebol. Mas sim a vida, tão mais importante. Ou seja, repito: "Que comentador morrerá comigo". Confirme/a ouvindo, sff:

(Portanto, siga-se para a próxima etapa)

06
Dez24

Moçambique: o apear das estátuas

jpt

chipanden.jpg

Aquando dos estertores dos regimes autocráticos são recorrentes estes momentos de derrube popular - e, depois, de "remoção" estatal - das estátuas dos seus dignitários, sempre erigidas em tentativas de os "imortalizar" e aos regimes "perpetuar".
 
As imensas imagens que tenho recebido de Moçambique - e que me recuso a partilhar - mostram que a violência campeia. Há várias que são tétricas (agora mesmo a desgraça acontecida no hospital de Chibuto), outras preocupantes (a queima de instalações empresariais, partidárias, até estatais), a indiciarem o descambar generalizado. Outras comoventes - o chefe de polícia (de Morrumbala?) a tentar refugiar-se em casa, sendo apedrejado já no seu quintal, diante do desespero da sua mulher...
 
Urge repetir que nada legitima esta repressão policial - é uma "violência estatal" não legítima, pois, mais que não seja, é serôdia. E nada justifica a "justiça popular" (expressão revolucionária, tão do agrado das correntes ideológicas em tempos viçosas, que nunca significou mais do que revanchismo).
 
Desse feixe de situações retiro, até espantado, uma noção: são agora várias as ocorrências acontecidas na província de Gaza, desde sempre "feudo" do FRELIMO, berço até de tantos dos seus líderes históricos. Até ali, no interior rural, a população voltou costas ao seu velho partido. Será que as elites políticas e as intelectuais (estas sempre tão menos relevantes do que se julgam) ainda não perceberam isso? Que anamalala!
 
E disso o símbolo mais gritante - e para mim mais surpreendente -, felizmente pacífico, encontro-o hoje, nesta imagem (que tirei de filme). Em Pemba a população apeando a estátua do general Chipande, proclamado herói da "guerra de libertação nacional" pois dito autor do seu "primeiro tiro". E que era o quarto na sempre murmurada como estipulada "dinastia" presidencial, os 4 grandes do partido: Machel, Chissano, Guebuza, Chipande. E que, chegada a sua era, delegou - porventura devido à sua idade, pois então já septuagenário -, indicando o actual presidente Nyusi.
 
Ou seja, o derrube (que já aconteceu, pelo menos numa escola) da estátua de Nyusi é apenas a afronta a um epifenómeno, uma personagem secundária, removível, por isso ainda passível de purificação. Mas o derrube da estátua de Chipande é o arrastar pelo chão da "legitimidade histórica". É mesmo um anamalala.
 
(Anamalala é a "palavra de ordem" em voga no país, termo macua que significa - mais ou menos - "basta"/"acabou")

06
Dez24

O Jardim "Zé Pedro" nos Olivais

jpt

zepedro.jpg

Os Xutos fizeram os hinos da nossa geração, "Remar, Remar", "1º de Agosto", "O Homem do Leme", mais um punhado. Tiveram a postura da rebeldia da juventude, o enfrentar daqueles rústicos aldeões dos anos 70s portugueses, os mais-velhos de então, tão convictos de si-mesmos estavam, e eles a cantarem a recusa dos que "tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé...". Depois, sucesso afora e vida percorrida, da postura fizerem pose, coisa mais do que legítima, artistas que são. Ou seja, o "X" não, o "X" que-se-lixe, o quase "no future" do punk, amansou, tornado mero requebro de fim-de-semana, intervalando a nossa vida de pais-de-família. Qual o problema disso? Até porque - justiça seja feita aos Xutos - nunca se armaram em paladinos de "anti-sistema", foram muito mais, estavam fora disso, assistémicos, se se quiser, nisto da clarividência máxima, do "a vida é sempre a perder"...
 
Um dia com eles pasmei. Num "assim tanto também não!", até irado, praguejando. Foi ao sabê-los ali em Chelas, onde foi o Cambodja, a partilharem o palco com um trio de presidentes (Marcelo, Ferro, Medina), estes a fazerem o "X". Percebi-os, os compromissos da velhice, mas virei costas. Sim, quando o Zé Pedro morreu ainda saí de casa e fui ali ao cemitério dos Olivais acenar uma vénia, de "X" armado diante do seu féretro. Teve de ser... Mas mais nada, desde aquele dia, servil, a banda é-me apenas uma cada vez mais vaga memória.
 
Agora soube que aqui nos Olivais, ali às Finanças - onde ele viveu em miúdo - se apresentou a estátua do Zé Pedro no jardim que passa a levar o seu nome, coisa de que se ouve falar há anos. Aqui nos Olivais, 32 000 eleitores no centro de Lisboa, onde a biblioteca está encerrada há cerca de quatro anos - sem justificação que não seja a incúria. Onde as gerações de gente algo pública ou menos conhecida, já partida, são deslembradas, sem "arte" ou "engenho" para animar uma "memória" social, nisso animar as vidas.. Onde a indução cultural se pensa como "animações gastronómicas" e festividades de Setembro... E onde a Junta é o que é, e desde há tanto tempo que o é, uma vergonha caciquista.
 
E olho este friso de "X". E Moedas, assim, a sufragar isto. "E uma vontade de rir nasce do fundo do ser..."
 
***
 
Adenda: junto o que respondi a um comentário no meu mural de Facebook sobre a publicação deste texto:
 
Não me choca, até simpatizo com "Jardim Zé Pedro". E não o entendo como uma qualquer "violação" de um qualquer "espírito" dos Xutos. Mas levanta algumas questões:
 
1) há uma decisão camarária, emanada devido a uma petição pública que propunha esta homenagem, e que foi adjudicada à Junta de Freguesia . Foi estipulada uma tarefa de reformulação de um jardim. A obra não está pronta. Mas já foi inaugurada, em estratégia propagandística aqui na freguesia. (Abaixo deixo reprodução da deliberação camarária e planta do jardim a reformular, que me foi enviada por um leitor do blog).
 
2) sei que os proponentes da iniciativa, cidadãos desprovidos de quaisquer ambições de visibilidade, apenas olivalenses (e não só) "fans" dos Xutos, foram esparvoadamente destratados pelas gentes da Junta, estas sequiosas da tal "visibilidade";
 
3) esta Junta, PS desde 1980, é um exemplo patético de caciquismo ignorante. E de práticas de um nepotismo tão rasteiro, miserabililista já descritas pela imprensa (isto chega ao ponto das sopas escolares servirem para alimentar pelo menos a familia de uma das integrantes das eleitas da Junta). Situação que desaconselharia qualquer associação do presidente Moedas com esta gente (ainda por cima nem são do mesmo partido, mas mesmo que fossem...);
 
4) e mais importante: os Olivais, um enorme bairro construído nos anos 60s, compôs-se de imensa gente que teve alguma visibilidade pública, da geração fundadora e dos seus descendentes, para além dos que terão vindo depois. Ou seja, há um vasto manancial de "Zés Pedros", de várias áreas de actividade. Já que estamos nos 50 Anos de Abril dou este exemplo: só no mesmo "quarteirão" (para facilitar), perto de minha casa, viveram até às respectivas mortes Aventino Teixeira, Álvaro Cunhal e Soares Carneiro. O "sector cultural" da Junta aproveitou isso para qualquer animação social, cultural ou mesmo política? O que se passa neste bairro, em termos actividades sobre as "memórias" a "não esquecer" é paupérrimo, tal como o é em termos de construção de novas "memórias" e isto aqui tornou-se, agora sim, um dormitório.
 
5) há uma biblioteca, a antiga BDteca, sob responsabilidade da Junta que está fechada há cerca de 4 anos. Sem obras estruturais, nem isso. Apenas incúria. E espetam uma estátua de um músico (Zé Pedro que seja) e acorre a imprensa a louvar isto?
 

jardim.jpg

face à Deliberação nº 143/CM/2024 a obra não estará concluída, dado que o Jardim agora construído não se resume aquele espaço mas sim a toda a zona ajardinada até á Escola Primária.

06
Dez24

Moçambique: assim se vê a força do PC

jpt

Pág. 3/3

Bloguista

Livro Torna-Viagem

O meu livro Torna-Viagem - uma colecção de uma centena de crónicas escritas nas últimas duas décadas - é uma publicação na plataforma editorial bookmundo, sendo vendido por encomenda. Para o comprar basta aceder por via desta ligação: Torna-viagem

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Contador

Em destaque no SAPO Blogs
pub