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Nenhures

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08
Dez18

40 anos após Brel

jpt

brel.jpg

(9.10.18)

Há 40 anos, passam hoje, morreu Brel e como o homem nasceu aqui na vizinhança, nem dez minutos andando, é só subir a patriotes, virar na plasky e ir até à praça, essa mesmo, seguir na diamant e foi aí no 138, um prédio inócuo sem nada que o faça falar, que já lá estivera, há semanas quando aportei desarvorado, a pedir licença para aqui estar, a benção diriam os crentes, a benção digo eu também, e volto pois é o dia, enfim, e porque não?, e recolher-me-ei mesmo sem saber entoar a bourgeois ou trautear aquela do só nos resta o amor, caramba essa sempre a tocar fundo, e muito menos tendo fôlego para me lembrar da marieke ou de tantas daquelas outras, e hei-de ficar um pouco defronte, fumarei um cigarro e esperarei, espera de esperança, com os olhos na cerveja, aqueles marinheiros do norte, de amsterdão ou assim, ali chegados, vindos hoje pois é o dia, a beberem e a rebeberem e eu rirei, direi arrivei e sentar-me-ei à mesa deles, reclamando-me também marinheiro, de águas-terra porque o fui, mas dizendo ainda o ser, tant pis si je suis menteur, e beberemos às putas de amsterdão ou de hamburgo ou lá de onde vieram estas, com eles mesmo ou então aqui da comuna, atraídas pelo barulho, e chegados ao daqui a umas horas, sempre nisto do amigo enche-me o copo, cantando e felizes, e poderei dizer nesta língua um assim ils pissent comme je pleure sur les femmes infidèles, mas chego lá e só há isto, a rua toda composta,  pintadinha e sossegada, o maldito silêncio desta cidade, e o prédio, inócuo já o disse, a placa descorada, tanto que nem se lê isso do “aqui nasceu Brel” e logo abaixo, até debruando-a, uma outra de fulano de tal, notário, anuncia-se o flamengo, e todos os sacos e saquinhos de lixo, tão arrumadinhos e cuidados, cada um da sua cor, própria a cada dejecto seleccionado, será o dia da recolha decerto, e nada mais, o silêncio, já disse, esse que fere, nem um marinheiro holandês, nem uma puta de hamburgo ou isso, nem mesmo o só espaço para o grito, suave e até timorato, de os burgueses, nós, c’est comme les cochons, como posso? se tudo tão decente, e organizado, e curial, e higiénico, sacos de cada cor e tudo, insisto, e nem uma puta infiel, nem um marinheiro rebebido, e nem um amigo para remplis mon verre …

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