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Nenhures

Nenhures

O jornal A Bola e o Benfica

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Desde a sua fundação o jornal "A Bola" seguiu relativamente ligado ao Benfica. É pacífico dizer isso. Mas a tendência benfiquista, tanto por clubismo da maioria dos seus quadros como por opção comercial, em busca de maior aceitação popular, nem sempre foi de radical seguidismo à direcção daquele clube. Mas este seguidismo veio em crescendo nas últimas década. Hoje em dia é pungente. E ultrapassa a temática do clubismo, recai mesmo nas questões da democracia, seja a associativa desportiva seja mesmo a consideração do exercício democrático como molde do exercício da comunicação social. 

O caso das ênfases noticiosas expressas no jornal de hoje é exemplar do estado a que chegou aquele jornal. Álvaro Cordeiro Dâmaso, presidente da mesa da Assembleia-Geral da SAD do clube, apresentou a sua demissão. Isto apenas três meses depois de Luís Nazaré, o presidente da mesa da Assembleia-Geral do clube, se ter demitido em ruptura com o presidente do clube. Para além desta sequência de demissões poderem indiciar algumas cisões no núcleo dirigente das instâncias do clube, uma tão importante demissão na SAD em momento coincidente com o anúncio de enormes investimentos no plantel futebolístico acontecidos em plena crise económica. Para mais, em breve acontecerão eleições no Benfica e já se alinham várias candidaturas.

Diante de tudo isto qual o relevo que o jornal "A Bola", lido maioritariamente por benfiquistas, dá a esta demissão no quadro da SAD? É ver esta primeira página de hoje, uma quase invisível nota no canto inferior esquerdo, numa capa dominada por meros rumores sobre contratações futebolísticas. Isto já nem é pungente, é mesmo a negação do jornalismo.

Jorge Jesus no Benfica

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(Postal no És a Nossa Fé)

Como com quase todos acontecerá, sigo com vários familiares e amigos, além de inúmeros conhecidos, que são adeptos do Benfica. Têm eles agora, no âmbito destas nossas paixões clubísticas, toda a minha solidariedade e carinho. Bem lembro a raiva com que vituperaram o treinador de futebol, sentindo-o e sabendo-o desonrado traidor dos seus elevados sentimentos, no desprezo pelo Benfica que adoram, mas também como incompetente, incapaz de valorizar os recursos do clube, decerto também porque até homem e profissional de comportamentos desviantes, bem como imoral agente  ... Bem lembro a ânsia, ao que me diziam totalmente justificada, de ver o tribunal fazê-lo pagar bem caro as aleivosias que praticara contra o popular clube do qual são adeptos.

E agora, passado nem tanto tempo assim, encontram tal homem a regressar ao clube que é deles, a que tanto se dedicam e amam. E regressa pela "porta grande", como que se em triunfo. O futebol é assunto de rivalidades mas não pode ser estufa de inimizades. Por isso neste estranho e injusto momento os benfiquistas, meus amigos reais, meus familiares, meus conhecidos, e todos os outros, têm a minha sentida, profunda, humanitária, solidariedade ...

Sporting 2021

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(Postal para o És a Nossa Fé)

Resmunguei qualquer coisa no postal do Pedro Correia, no qual ele profetiza os desenhos e desígnios do futuro da bola sportinguista. E o camarada coordenador "propôs" (uma proposta superior é uma ordem, como é consabido nas organizações democráticas) que eu evoluísse o comentário/resmungo para postal próprio. Então, e como sou muito bem mandado, esventro as minhas aves e pronuncio os meus augúrios.  Que são mesmo oriundos dos dizeres daquelas entranhas, pois de bola pouco percebo e, ainda por cima, não tenho tido paciência (nem assinatura televisiva) para ver os jogos. Talvez por isso mesmo sejam mais significativos, verdadeiros dizeres do Além-da-bola.

1. O melhor reforço será o calibrar dos objectivos e expectativas. O Sporting não ganha há 20 anos e depois das últimas demenciais épocas o fundamental será contratar o genial "jogo a jogo". Pois objectivos exarcebados para a próxima época serão algo exagerados, e não só pelos traumas e défices herdados. Para além dessa canga teremos que enfrentar um poderoso F. C. Porto campeão, o qual manterá a sua até lendária "estrutura", comandada pelo excelente treinador Sérgio Conceição, e no qual pontificam excepcionais jogadores como Marega, Uribe e o eterno jovem Pepe. E o clube, ainda que espartilhado pelas regras do fair-play financeiro (uma delícia semântica) e uma dívida de alguma monta, verá o seu orçamento reforçado pelos ganhos advindos do título nacional, ao que dizem os jornais. Portanto reforçar-se-á com o habitual olhar clínico, quase sempre certeiro, que o caracteriza desde há décadas. E quaisquer sonhos de campeonice terão também de enfrentar o Benfica, alentado pela renovação do contrato com o play-maker Proença e, ainda mais, pelo regresso do Grande Jorge Jesus, desde há muito esperado pela enorme massa adepta sebastianista, a qual sempre, e sem excepção, nele reconheceu grande competência técnica e vínculo moral exaltador do clube. Regresso que será também acompanhado de gigantesco investimento para reforçar o plantel, mais de 100 milhões de euros, garantem as notícias, num magnífico esforço para afirmar que dura lex, sed lex, sob tutela da agremiação nossa vizinha.

Assim sendo, entre velhas mazelas e a extrema grandeza dos nossos rivais que poderemos ambicionar? O tal "jogo a jogo". Para quem não saiba o que isso  significa, e fugindo à sempre cansativa configuração conceptual, ilustro essa estratégia de comando, qual Maquiavel actual: há anos o Sporting teve um fugaz treinador que propalou esse modelo táctico. As coisas iram correndo muito bem. Um dia o seu trinco que muita influência tinha, Carvalho, teve o seu 4º cartão amarelo. Dois jogos depois o clube iria jogar a Carnide, cujo Sport local ombreava connosco na classificação. A lógica da campeonice mandava que o tal Carvalho fosse "poupado" no jogo intermédio, para não ser admoestado com o cartão que o impediria de jogar com o tal rival. Mas o referido treinador, fiel aos objectivos e desígnios, não o poupou, fê-lo jogar, o homem foi punido e, claro, impedido de jogar no "clássico" alfacinha. "Esse é o espírito" ..." (como se diz na língua inglesa). Precisamos mesmo disto. Esta é a única forma de um clube macerado como o Sporting vir a crescer na área do futebol. A única.

2. É importante que o clube melhore a política de empréstimos e de rescisões. Fazendo-a com todo o respeito pelos indivíduos em causa, pelas suas expectativas futuras, pelo desenvolvimento das suas carreiras e, acima de tudo, pela sua maturação como Homens (no sentido de Pessoas, independentemente do género/sexo). É neste âmbito que tenho que referir os vários sportinguistas que vêm propondo a cedência da maioria da SAD futebolística a investidores privados. Em questões de paixão clubística não vale mentir. Temos que reconhecer que todos nós, sportinguistas, contestamos/detestamos/criticamos grupos de mariolas que nos rodeiam: os energúmenos brunistas, os malvados croquettes (com dois "t"s), os jogadores da bola, os das claques, os da bancada central, os jornalistas (em especial os da Cofina mas também os da "Travessa da Queimada" [ai, que saudades, ai, ai]), muito mais do que tudo os árbitros, o pérfido Pinto da Costa e seus sequazes, o Dura Lex Vieira e a malta da Outra Banda. Mas também outros, alheios ao mundo do futebol, os brancos (ex)colonialistas, os ciganos (em especial o Quaresma, que é do Porto), alguns negros (mas não os nossos bons jogadores), os do cavaco, os socialistas, que são todos o mesmo, os da descentralização, os da centralização, os banqueiros e bancários, os polícias, os ladrõeszecos, os mafiosos, os pedófilos, os comunistas (que são do Benfica), os do Chega (que também são do Benfica), as mulheres (raisparta que já não ficam nos carros a fazer tricot ou crochet), os maricas (que agora até há na bola), os "tóxicos" que só querem é gajas, os velhos que têm reformas, os putos que não querem sair de casa, os da meia-idade que só têm é direitos, os franceses que compram casas, os chineses que compram tudo, os bangladeshes que são bangladeshes, pior do que tudo os espanhóis, e nisto só se safam (ou safavam) as boas das suecas, que são boa gente ...

Ora se a gente não gosta nada destes mariolas todos ou de quase todos, vamos querer entregar o nosso amado Sporting a uns filhosdamãe mafiosos comerciantes tailandeses, cafres chineses, yankees refinadíssimos saídos dos filmes, russos "oligarcas", árabes pretos de petróleo, mariolas de carteira bojuda? Ou seja, quando ouvirmos ou lermos - como vamos sofrendo - alguns doutores sportinguistas no choradinho de que para ter sucesso é preciso entregar a SAD a "investidores" convém a gente reclamar a cada um deles "desnasce, pá!". E para quem  não perceba esta figura jurídica (entre o empréstimo e a rescisão) explicito que é dizer-lhes, a cada um e com a veemência do mais radical vernáculo, que devem regressar aos orgãos genitais dos respectivos progenitores. 

Estabelecido este modelo de jogo, o nosso tiki-taka ou lá como se diz, avanço para as minudências da constituição do plantel: 

3. Ou o puto Max chega ou não chega, nisto não há meias medidas. Ou, de outra forma, ou é a la Patrício ou nunca o será. Seja lá como for contratar um Conhé não me parece adequado. Ou vem o Beto como "mestre" ou então um guarda-redes titular, estrangeiro, que se imponha e ensine. O Porto resolveu muito bem o caso, na última época. É verdade, não vale a pena resmungar, os andrades acertaram.

4. À direita é a crise, tal como no país. Rosier é um flop anunciado - mas a quem é que lhe passou na cabeça contratá-lo por aquele dinheiro todo?, até eu logo percebi a asneira. Ristovski é esforçado e  chega como ... suplente. E por mais apreço que haja no seminário ainda não vi ninguém que gabasse Camacho como ... suficiente. Alguns propõem o resgate de Esgaio. Será um absurdo, o Braga do empresário Salvador receberá sempre um preço excessivo, que o homem, justiça lhe seja feita, não é parvo lisboeta nenhum. Mas urge um bom lateral-direito. Não é preciso um artista, basta um tipo que saiba defender e que tenha fôlego para ir lá à frente passar a bola. Se conseguir cruzar com alguma ponderação será melhor, mas isso custa dinheiro.

4. Sem Mathieu, mandar embora Ilori - mas quem se lembrou de ir buscar o rapaz? E logo quando finalmente tinha encontrado um sítio onde jogava, foi mesmo crueldade, uma vingança de clube ressentido pela malandragem que ele tinha feito ao forçar a saída. Não sei se Neto será suficiente como titular (veio com "planta" de tal). Eu continuo a pensar que Coates é insuficiente para uma equipa com aspirações grandes (ver ponto 1), para mim ele é o novo Polga, com o qual ainda tenho pesadelos. Para se perceber melhor, se Polga é meu inverso de Damas, Coates é o meu inverso de Jordão. Se àqueles amo a estes mais recentes ... (não digo porque o governo anda a perseguir a linguagem menor curial na internet). Ou seja, ou jogaremos sossegados a evoluir, e seja o que Deus Nosso Senhor quiser, e Coates fica ou queremos saltar para um patamar mais aprazível e será preciso trazer dois centrais de gabarito. E desejar felicidades ao estimável central na sua carreira na leste europeu ou na Ásia.

4. Borja já mostrou que não chega. Pode ser bom jogador, até. Mas não há história de um maduro que tenha sido suplente durante duas épocas e que depois tenha vindo a adquirir qualquer relevância. Assim, se Acuña sair (o que não seria mau), serão preciso dois jogadores para a ala esquerda que saibam defender. Caso Acuña fique (o que não seria mau) bastará um para concorrer com o puto Mendes.

5. Doumbia perdeu crédito. É uma pena, pareceu que iria crescer. Palhinha deve ficar, até porque o Covid lixou a artimanha do empresário Salvador que contratualizou que a venda de Palhinha até Setembro lhe iria dar benesses - mas quem é que assinou aquilo? Aliás, no próximo Europeu será o suplente de Ruben Neves se o engenheiro Santos se deixar de tradicionalismos - já agora, o engenheiro do Penta e do Euro deveria ser obrigado a assinar um contrato com o país, comprometendo-se a não entregar a titularidade de trinco ao jogador Danilo ou ao jogador Carvalho. Li aqui entendidos da bola bramirem que Battaglia deve sair. Um absurdo. Bom jogador, bom profissional, polivalente e generoso.

6. Adrien de novo? Mesmo que baixe o ordenado chegaria para pagar dois bons jogadores. Adrien é uma boa memória (mas, já agora, passou anos a tentar sair, não devemos ir em choradinhos sentimentais). Deve seguir para a Turquia ou mais a Oriente. E muito espero que aforre o suficiente para ter uma bela vida, que me parece ser um tipo decente. 

7. Geraldes e Pedro Mendes não são jogadores para o Sporting. É uma pena, mas é a realidade. Geraldes parece óbvio, ainda que me pareça um tipo interessante. Pedro Mendes nem vi jogar, para além de fugazes aparições, sprints de quem vem do banco de suplentes. Disse-me quem sabe muito de bola e acompanha o clube, profissionalmente: "grande atleta, grande profissional, um puto porreiro. Mas não chega para o Sporting". Deve o Sporting, em respeito pela sua Academia, vender o seu passe desportivo a um clube onde possa singrar. E quanto a Geraldes deve deixá-lo seguir uma boa carreira, consciente do que o prejudicou nos últimos anos de gestão apatetada do plantel.

8. André Martins, simpático e talentoso jogador que vestiu alguns anos a nossa camisola, acaba de se sagrar campeão polaco. Está a ter uma bela carreira, recompensada desportivamente. Espero que com acompanhada com felicidade e desafogo financeiro. O Sporting deve cuidar, sem prejuízo próprio mas também sem ganância, que jogadores como Miguel Luís tenham o mesmo rumo. 

9. Nem Sporar nem o rapaz brasileiro de nome estranho são pontas de lança para um equipa de topo. Vai ser caro mas terá que se contratar alguém para o lugar. Nunca Slimani, o passado não se revive. E pagar milhões por um Taremi ou lá como se chama? Deixá-lo ir para o banco do Porto. Dala seria bom, mas muito duvido que venha a pegar no clube. Insisto, não há história de jogadores que tenham chegado, depois passado anos de Herodes para Pilatos, e depois regressado para vingar. 

Enfim, um guarda-redes, dois laterais, dois centrais, um médio de ataque (com Palhinha de regresso) e pelo menos um avançado centro capaz. Muito dinheiro, muito dinheiro. Dinheiro limpo. Dinheiro limpo.

10. Uma contratação grátis seria a de melhores adeptos. Entenda-se, menos ansiosos. A ver se a Academia os consegue produzir.

A selecção nacional (III República)

Alguns dos que têm conta no facebook já terão reparado na simpática corrente que ali decorre, com os utentes convidando os seus amigos para apresentarem os 10 (ou 15, depende) jogadores que influenciaram o seu gosto pelo futebol. Durante o confinamento, antes da festa do 25 de Abril e do festival do 1º de Maio em Lisboa, eu respondera a esse desafio. Agora fui de novo convidado para apresentar esse rol. Mas estando ele feito lembrei-me de um velho postal que aqui havia deixado em 2012 (o tempo voa, dizem os velhos quando já não batem as asas). E por  isso repito o postal, pois estes jogadores nacionais muito marcaram o meu gosto pelo futebol (a corrente no FB serve para inserir os jogadores estrangeiros, e isso é outra conversa). Ao rever isto acho piada ao extremo saudosismo que comandou a minha selecção: há 8 anos, tinha ele 27 anos, ainda eu metia o monumento Cristiano Ronaldo no banco ... Favorecendo, sem qualquer pudor, os que vira jogar quando eu  mais novo, mais apaixonável

*****

Estava ao sol na praia e lembrei-me disto - uma inutilidade bem digna da inutilidade veraneante -, como se o tempo fosse homogéneo. Não é uma declaração política. Mas o primeiro jogo que vi ao vivo foi em 1975, o meu pai levou-me à central de "Alvalade" e ainda nos estávamos a sentar e já era "golo!!" e ainda me lembro do sorriso dele (afutebolístico que é) com a minha alegria, foi um glorioso Sporting-Olhanense (7-0), marcava muito o Chirola. E a primeira equipa de que me lembro é a que foi campeã em 1973-1974 [ainda a sei de cor: Damas, Manaca, Bastos, Alhinho, Carlos Pereira, Vagner, Nelson, Baltazar, Marinho, Yazalde, Dinis]. E o primeiro Mundial de que lembro é o de 1974 [vi a final, lembro-me do golo a seco, logo no início, da Alemanha; e lembro-me do sururu provocado por Luís Pereira, defesa do Brasil expulso num jogo anterior]. Daí que a minha selecção nacional só pode mesmo ser a da III República, pós-1974. Aqui ficam os 23, seleccionados para o campeonato do mundo do apocalipse. À antiga, os números das camisolas indicam a titularidade, claro, que é como deve ser.

A grande questão continua a ser a mesma, problemática que não angustiará os mais-novos, ainda imberbes nas coisas do futebol: o Oliveira e o Alves cabem na mesma equipa? Na minha opinião, de treinador de sofá, tenho que meter o Sousa para segurar aquilo. 

1.

Vítor Damas (guardião)

2.

Artur Correia (lateral-direito)

3.

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Humberto Coelho (defesa-central)

4.

Ricardo Carvalho (defesa-central)

5.

Fábio Coentrão (lateral-esquerdo)

6.

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Paulo Sousa (trinco)

7.

Luís Figo (médio direito)

8.

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António Oliveira (médio ofensivo)

9.

Rui Manuel Trindade Jordão (ponta-de-lança)

10.

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António Sousa (médio central)

11.

Paulo Futre (extremo-esquerdo)

12.

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Vítor Baía (guarda-redes)

13.

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António Veloso (lateral-direito)

14.

Jorge Andrade (defesa-central)

15.

Fernando Couto (defesa-central)

16.

Alberto (defesa-esquerdo)

17.

Sheu Han (trinco)

18.

Rui Costa (médio ofensivo)

19.

Cristiano Ronaldo (extremo-direito)

20.

João Alves (médio ofensivo)

21.

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Fernando Gomes (ponta-de-lança)

22.

Fernando Chalana (extremo-esquerdo)

23.

Jaime Pacheco (médio central)

+1

Manuel Fernandes (avançado)

Treinador

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Eriksson (treinador)

Adepto

Arquétipo

À bolina

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(Postal que publiquei no És a Nossa Fé, antes da azáfama no Sporting acontecida esta semana, sobre a qual publiquei outros cinco postais que aqui não replico pois muito mais específicos das "coisas da bola", mas para os quais deixo ligações: The Next Big Thing, All In, Obviamente, Demite-se, Sem Ponta por Onde se lhe Pegue, e o mais jogoso Força, Rúben Amorim. A este replico-o, porque de âmbito mais geral do que as aventuras e desventuras da contratação pelo clube de um novo treinador. E, acima de tudo, porque me diverti a escrevê-lo.)

Jogar à bolina é uma verdadeira arte. Não será para todas as equipas, pois o célebre "triângulo latino" é uma  táctica  - uma espécie de 5x3x2 muito plástico - que exige uma grande disponibilidade física. E, sempre, um bom timoneiro, um 10 quase "box-to-box" arguto e eficaz, daqueles "à antiga". Mas em havendo isso pode-se jogar olhos nos olhos, e em qualquer campo, contra ventos e até marés. Dias, grande jogador que injustamente nunca ganhou a "Bola de Ouro", foi nisso perito, e como poucos. O  que o levou a ter sido o primeiro a apurar-se para o Cabo. Razão pela qual depois, já veterano, fez a campanha de apuramento na selecção de 98, com Gama. E ainda foi fundamental no campeonato seguinte,  com Cabral, durante o qual se lesionou gravemente, tendo ali terminado a carreira sem jogar a final. Para os mais novos, que não o viram jogar, Dias foi uma espécie do que será Ruben Neves (se o Grande Engenheiro abrir os olhos e se deixe de Adamastores ...) nas armadas de João Félix e Diogo Jota, almirantadas pelo Cristão Ronaldo.

Lembro agora esse grande capitão de equipa, figura até lendária do nosso clube, por causa do que aconteceu nas meias-finais de 88, o célebre jogo de Port Elizabeth (no estádio que hoje leva o belo nome "Nelson Mandela", então chamado "Lagoa"). Como se sabe a campanha estava a ser um sucesso mas o plantel, já exausto devido ao terrível calendário, pois a selecção caíra num verdadeiro "grupo da morte", exigiu mudanças. E Dias, um grande líder, percebeu a situação, soube recuar, mudou a táctica e os objectivos mas mantendo os princípios de jogo, assim salvaguardando a equipa num necessário "que se lixe a taça". E uma década depois o clube foi campeão. E voltou a sê-lo pouco depois, numa senda de sucessos até Queirós e Santos. Sempre, repito, com esta filosofia de jogo, neste ideal da bolina.

É certo que este modelo de jogo, ziguezagueante, por vezes até soluçante, é menos popular. As "molduras humanas" preferem o raçudo "armada invencível" castelhano, o rendilhado da táctica flamenga do tiqui-taca, o coriáceo "quadrado oco" transalpino (dito catenaccio). Ou mesmo o "sem quartel", a imperial razia do pontapé-e-correria britânica. As hostes animam-se vendo os jogos dessas equipas, dizem-nos "jogatanas". E nem pensam nos custos milionários das esquadras que os praticam, impraticáveis na nossa mareação. Por isso assomam aos promontórios, às Superiores e Centrais, ancoram nos areais, quais o Alcochete que não o de Caminha, e imprecam o bolinar, aos plantéis votam escorbutos e sífilis. E até lhes acenam sudários brancos, augurando-lhes a morte. Por vezes acorrem aos cais para os apedrejar, se e quando aportados sem troféus de saques. E aos capitães anseiam chicoteá-los, e apenas isso porque agora proibidas as fogueiras, por sábia e pia determinação da Santa Federação.

Lembro este bolinar por dois acontecimentos destes dias. Idos agora a terras do Mafoma, a dois minutos do final da peleja os nossos marcaram o golo necessário à glória. Nessa mesma noite logo os louvámos, em concorrida procissão entre o Cais da Portela e a Sé do Lumiar, tantos dos mais populares flagelando-se em agradecimentos. A Silas, vero general, outorgámos o devido cognome, Senhor da Selva. E içámos-lhe triunfo, pela boa táctica com que conduziu o combate, sobrevivendo até a erros dos nossos mais novos. Pela argúcia de ter colocado o núbio Doumbia para trancar o castelo de popa, pela coragem de ter resguardado o caboclo Plata, lançando-o aquando os infiéis já exaustos e assim tornando-o tão decisivo. E pela confiança que vem transmitindo à nossa grei, visível nestes recentes triunfos, sucessivos e esclarecedores de que algo vai melhorando, fruto também das nossas preces. 

(Hum, o Diabo desviou a bola para a barra? É tudo tão diferente ... Silas é afinal só selvagem, nem cristão-novo, pagão mesmo. O resto é miserável, gente pecaminosa assim desprovida de favores divinos.)

E consta também que não há dinheiro. Que os banqueiros da Flandres, e os venezianos e genoveses, e, piores do que todos, os malditos judeus, querem que se lhes pague os empréstimos, todo esse ouro e prata com que se armaram as equipagens dos anos anteriores, tantas delas naufragadas, outras regressadas com contas bem esconsas daquelas andanças pelas índias. "Aqui d'El-Rei!", grita-se, urra-se, e até aqui neste rossio blogal. Que se acorra ao paço, que se defenestre Varanda fora, clamam. Pois que venha mais ouro, que se largue a prata. Que se gaste! Que se gaste! Que se ganhe! Que se ganhe!

E aquilo da bolina? Do à bolina? Como, se nem para as galés esta gente serviria?

O mito da "União"

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(Postal para  o És a Nossa Fé)

(Há leitores [demasiado] apaixonados pelo tema [e desabituados de ler sobre outras coisas, o que se nota na forma como desinterpretam, invectivam, "julgam"]. São esses que, em não concordando com um texto, logo reagem apenas em função do "sei bem o que é que este gajo quer...". Por isso insisto em convocar o que fui escrevendo ao longo dos anos sobre o SCP. Não é que não mude de ideias, mas é na continuidade do que fui botando que devo ser discordado, desprezado, insultado e não em função desse miserável e corrente "sei bem o que é que este croquette filhodaputa quer ...":

Em 8.6.18 disse-me avesso a Varandas; em 9.7.18 insisti que Varandas não era o homem adequado. Em 4.2.19 apontei a sua falta de ponderação ... que causara "este naufrágio, este descalabro anunciado". Em 29.9.19 insisti que o presidente falhava e que as eleições antecipadas iriam acontecer, mais tarde ou mais cedo. Antes, neste blog, terei sido dos últimos (eu julgo que fui o penúltimo) a apoiar Bruno de Carvalho, ainda que com alguma ironia já desencantada, descrente que ele se reequilibrasse: 10.4.18 #JeSuisBruno. O qual vinha elogiando, como em 5.6.15 por tentar fugir à pérfida economia do futebol. E o qual dissera a personalidade portuguesa do ano em 2013.

Bem antes,  vivendo muito longe, fui vendo como o Sporting ia decaindo num rosário de presidências algo estranhas: a 28.4.06 questionei como podia Soares Franco queixar-se da herança de ... Sousa Cintra. Em 14.3.08. irei-me sobre a rábula do "Projecto Roquette", algo encetado então há quase 15 anos, e que devastou o clube (ainda há pouco li a notícia sobre o início do projecto imobiliário nos terrenos do antigo estádio, coisa que não será pacífica). A 6.11.09 notava a total inaptidão de Bettencourt. Etc.)

Encimo este postal com a fotografia do convívio da Juventude Leonina (que agora, para minha vergonha, um co-bloguista chama em retórica ilusionista "grupo organizado de adeptos"), ocorrido em Fafe, cerca de dois meses após o ataque a Alcochete. Não é necessário grande elaboração. Apenas repetir o óbvio. A crise futebolística e económica que o clube sofre é, em grande percentagem, devida ao indigno e inaceitável ataque que o tal "grupo organizado de adeptos" fez às instalações do clube. Nem discuto se o então presidente teve responsabilidades, directas ou indirectas, nem se os jogadores se aplicavam ou não o suficiente, nem se tinham ou não direito moral e jurídico para rescindir. Digo que o mais antigo e conhecido "grupo organizado de adeptos" do clube, com as suas lideranças participantes, atacou as instalações do clube, agrediu funcionários e causou enormes prejuízos, económicos e morais, ao clube. Digo que meses depois, em confraternização, os outros "adeptos" "organizados" em "grupos" demontraram solidariedade com os agentes dessa acção. E digo que desde então não houve qualquer demonstração de repúdio dessa acção por parte dos "adeptos" que se "organizam" nesse "grupo": nem cisões dentro do "grupo", nem abandonos em massa por parte desses "adeptos", nem eleições internas sob o signo da ruptura. Mais ainda, digo que as suas atitudes nos estádios e pavilhões não têm demonstrando nem repúdio por este passado, nem inflexões comportamentais, nada disso.

Mais, como nos lembrou Paulo Bento, esta pressão agressiva destes "grupos organizados de adeptos" sobre as direcções do clube tem sido constante ao longo já de décadas, com efeitos morais lamentáveis e económicos e desportivos gravosos.

A questão actual fundamental não é se Frederico Varandas é ou não um bom presidente, se é competente ou não na gestão do futebol. Para avaliar se o presidente deve ficar ou se é fundamental realizar eleições antecipadas, convirá saber como estão as finanças e a economia do clube. E se a gestão actual é dolosa. Ou se nessa área tem conseguido, dentro dos constrangimentos conhecidos, conduzir o clube num sentido positivo ("sentido positivo" quer dizer "um bocado melhor do que antes"). Quanto às outras actividades julgo que nada de gravoso se passa. Resta o futebol sénior: onde o panorama é ... algo habitual. Um pouco mais cinzento do que em anos transactos, mas não pior do que em alguns deles. Tudo o resto - como dizer que isto é o pior de que há memória, - não é uma democrática divergência de opiniões, é pura demagogia. Pois não tem base em dados factuais, apenas numa ileitura do passado recente. E do real actual. 

Ontem houve uma manifestação contra a direcção. Faz parte. Há notícias que houve agressões a membros da direcção e a uma familiar. As reacções são tétricas, e mostram o tipo de gente com quem se partilha a paixão clubística: a) alguns dizem que como não há imagens, não será verdade. Ou seja, na cabeça de alguns destes meus concidadãos o que não está filmado não é crível. O que significa isto? Que tenho em meu torno abjectos cidadãos que querem tudo filmado. Isto não é exagero meu. É apenas a reacção ao fedor da bronquidão circundante, de "adeptos organizados" e de "adeptos atomizados"; b) outros exclamam que se é a direcção que o afirma então é uma falsidade. Ou seja, desconfia-se não dos "grupos organizados de adeptos" que têm este historial de violência, intra e extra-muros, mas sim de cidadãos normais que, por paixão, se dedicaram à administração do clube (com alguma falta de jeito para tal, penso eu, mas isso é outra coisa).

Há muita gente, e neste blog também, que continua a defender que é necessário "unir" os sportinguistas, quem ataque os "divisionistas", aqueles a quem repugna a co-pertença desta gente. Só me pergunto, que género de comunhão é possível com este tipo de cidadãos? Que objectivos comuns se têm (ganhar a "taça"?)? Que racionalidade comum se tem? Aqueles que pugnam pela necessidade da união com a malta das catacumbas, dos insultos, das agressões, pugnam por terem os mesmos valores, de algo comungarem com essa turba? Alguns dirão que o valor é o "Sporting" mas seria interessante que explicitassem isso, sem debitarem o lema "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória", pois isso é o lema, não são valores. Que comunhão há com esta gente? Gritar ao mesmo tempo quando uma bola entra entre postes? É importante que o explicitem. Um clube é uma associação desportiva, "é-se" de um clube por "associação" voluntária com outros. Que associação tendes com estes holigões, que associação quereis ter com estes holigões, que ideias e práticas comungais com estes holigões? São importantes porque fazem barulho no estádio? "Animam"? Não vedes o resultado, moral, económico, securitário, desportivo, desse "barulho", dessa "animação"?

Finalmente: um blog é um espaço de diálogo. Mas até que ponto é que é aceitável produzir textos, promover o debate entre gente que partilha a paixão do clube, ou a paixão de clubes (temos aí um pequeno núcleo de comentadores benfiquistas, que nos vem cutucar), e ao longo de anos acoitar, e nisso até promover, vozes insanas, adeptas da violência, do desrespeito cívico, da apropriação do património moral e da dissipação do património económico do clube? Qual é a lógica de continuar a aceitar a boçalidade, a agressividade, o insulto, a perfídia caluniosa, e até a ameaça, a aleivosia constante, que alguns continuam a deixar, continuamente, nos comentários deste blog? Democracia não é aceitar isso. Democracia é aceitar que estas gentes, na sua hediondez, têm direito a ter blogs, a neles escreverem. E aí dizerem as baboseiras que os caracterizam, e a pugnarem pelas desideias que os comandam. Ou seja, qual a razão de continuarmos, nós, co-bloguistas, a aceitar este lixo internético neste espaço gratuito, sem agenda interesseira? Porque damos nós palco a isto? Chega.

Parabéns CR7

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(Postal para o És a Nossa Fé)

35 anos, é hoje o aniversário deste quase-velhote. E continua ... imparável. O nosso maior de sempre. Grande Sportinguista!

Campeão europeu de selecções; Vencedor da Liga das Nações; 5 Ligas dos Campeões; 4 campeonatos mundiais de clubes; 2 Supertaças europeias; 6 campeonatos nacionais (Inglaterra, Itália e Espanha); 3 taças nacionais (Espanha, Inglaterra); 2 taças da liga; 5 supertaças nacionais (Inglaterra, Espanha, Itália, Portugal). Mais de 700 golos de carreira, maior goleador da liga dos campeões; 2º melhor goleador nas selecções nacionais, 4º melhor marcador da história do futebol; mais internacional de sempre por Portugal (154)., Inúmeros troféus de melhor marcador, nacional e internacional. 5 vezes eleito melhor jogador do mundo.

O que é necessário para o futuro

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(Postal para o És a Nossa Fé)

(Antes que os leitores disparem:)

1. Quando no imediato pós-Alcochete, Frederico Varandas avançou para a candidatura logo aqui resmunguei, várias vezes, que não era o homem certo. Nada me movia contra o arreigado sportinguista. Mas aquela insistência no "capitão do Afeganistão" que crê que "a cadeia de comando é sagrada" soou-me a vácuo.

2. Em 29.9.19 aqui escrevi: "E é notório que Varandas não se percebe a si próprio, devido às suas características. ... trata-se de alguém basto auto-convencido -. o que não é defeito, é característica. E que gere segundo intuições, crê na sua intuição, e em demasia. Isso dá azo a imprudências, e a opção Keizer disso foi exemplo. Letal. A ponderação, a prudência, apesar do tom repousado da sua expressão pública, é-lhe estranha. Varandas será um belo profissional da medicina. É com toda a certeza um grande sportinguista, dadivoso. A sua disponibilidade para liderar o clube após o descalabro do anterior presidente é mais do que elogiável. Tudo aponta para que seja um homem probo. Mas torna-se óbvio, e ontem a televisão mais uma vez o demonstrou, que não tem as capacidades intelectuais necessárias para administrar um clube como o Sporting. 

Como tal, mais do que discursos louvando a "estabilidade" ou sacralizando regulamentares prazos de mandatos, é importante que se perceba que vai haver eleições a curto ou médio prazo no clube. Pois após apenas um ano a direcção Varandas está esgotada, na trapalhada da gestão do futebol, nos tiques autoritários (o caso da elisão do campeão mundial de judo é totalmente inaceitável), na incapacidade de apreensão do real, na demagogia (o financista Salgado Zenha especulando sobre futebol), na desastrada comunicação com os associados e a massa adepta. Etc. Ou seja, estes corpos sociais ofertaram-se, generosamente, ao clube. E falharam. Urge compor  nova opção, e o quanto antes para evitar maiores maleitas."

(E agora o postal para hoje)

3. O Sporting é um enorme clube, carregado de títulos e de atletas magníficos. Mas não ganha no futebol sénior. Nos meus 55 anos só me lembro de 5 campeonatos nacionais ganhos. O clube está numa crise monumental: identitária, pois moral; organizativa, pois aos constantes solavancos; financeira, e porventura económica.

O que o clube precisa é de prudência, de ponderação prudente. O pior que pode acontecer não é Varandas continuar, é ser substituído por alguém que venha prometer títulos no imediato - vendendo a SAD, pressionando árbitros, batendo no peito, reclamando pergaminhos bancários, augurando investidores "chineses", toda essa demagogia avulsa. Comum.

O clube precisa de recomeçar. O futebol de se reorganizar. Só precisa disso. Há alguns dias aqui escrevi - com alguma ironia pois não devemos levar a bola demasiado a sério -, que "o futuro é radioso". E sê-lo-á se for ponderado. Sem gulodices. Preparando ano após ano um ressurgimento de grande clube de futebol.

Por isso ilustro este postal com a imagem de José Peseiro. Não que esteja a propor o seu regresso. Pois creio que o seu tempo no Sporting passou definitivamente. E porque não acredito - até por tudo o que disse acima - em "Salvadores do Clube". Mas porque me parece óbvio que, independentemente dos méritos e deméritos de José Peseiro, se Varandas tivesse tido a prudência de o manter na época transacta, num ano sem grandes expectativas, alguns frutos teriam surgido. Talvez não duas taças (que aqui já disse terem sido "vitórias de Pirro"). Mas estabilidade. E depois, com tempo, poderia até ter mudado de treinador, se assim o entendesse. 

Foi a imprudência, a gulodice, a "fezada", que conduziu Varandas a este angustiante e apressado final da sua presidência. Depois de tudo o que de irracional houve na presidência anterior, o que ainda torna mais imperdoável esta sua metodologia, esta administração por repentes.

Vamos ultrapassar este ciclo. Pensando ponderadamente, escolhendo ponderadamente. Seguindo prudentemente. Ou então continuaremos assim, mergulhados na internet a pedir cabeças cortadas após cada derrota. O que é uma grande seca, diga-se.

O politicamente correcto

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A aparente "esquerda" actual, o identitarismo escolar, vem convicta da sua superioridade moral. E quer ser pedagogicamente moralista. Isso crisp/ma-se no politicamente correcto. A correcção dos pequenos actos e, acima de tudo, do verbo é a garantia da justeza ideológica, da adesão às boas causas. Os exemplos são constantes, e fastidiosos. E alguns perniciosos. Mas é claro que este policiamento implica a sua negação. Para esses correctistas referir a existência de uma prática e de uma  mundivisão "politicamente correcta" é uma afirmação espúria, falsa. Coisa de "direita", ou seja, no linguajar de décadas, falar do "politicamente correcto" é coisa de "fascista". Para eles não há nada disso. E resmungam, até abespinhados, "o que é que não se pode dizer?".

O politicamente correcto não é apenas um policiamento verbal. É uma pantomina moralistóide, uma coerção sobre acções sociais, tantas delas desprovidas de efeitos prejudiciais ou de sentidos depreciativos. Apenas alheias ao rame-rame da agit-prop militante. O politicamente correcto é uma mundivisão, muito  new age, ainda que laica, na sua aparente placidez, irenismo. De facto, é uma "filosofia" (com aspas) totalitária, que tudo quer controlar.

O exemplo mais sonante dessa patética mundivisão aconteceu ontem, num campo de futebol: o futebolista Neymar fez uma estrondosa finta a um adversário. O árbitro acorreu e puniu-o com uma repreensão (cartão amarelo). Pois tamanho drible, tamanha demonstração de talento, lhe surge como uma humilhação do adversário.

É diante desta triste gente que estamos.

 

O anti-clímax: o fora-de-jogo pós-VAR

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(Postal para o És a Nossa Fé)

A propósito das discussões sobre o VAR lembro-me de dois postais que escrevi há alguns meses sobre o tema. E por isso parcialmente os repito na crença de que, apesar do ditado, esta voz chegue ao céu. Pois a matéria me é causa.

1. (No Delito de Opinião) Alerto para o anti-clímax que está a ser o vídeo-árbitro. Tecnologia que é preciosa, para reduzir erros e para combater a mariolagem arbitral. Mas cuja utilização trouxe uma vertente "tecnocrática", uma mania de "justiça" que de tão maximalista, pois milimétrica, não é ... justa. Eu gostaria de lhe chamar um justicialismo mas a palavra está usurpada por um outro sentido, histórico (o peronismo), do qual bem que podia ser libertada pois faz falta para coisas de hoje - até porque dizer (neste caso, condenar) um apotropismo, uma crença apotropaicista, não convenceria ninguém, mais que não seja devido à fonética. 

Feito intelectual da bola, julgo que para manter o entusiasmo do jogo e para preservar a boa tecnologia são precisas duas mudanças: uma alteração legislativa e uma diferente jurisprudência.

(No És a Nossa Fé) O VAR foi influente no jogo (Manchester City-Tottenham). O 5-3 nos descontos finais, a suprema reviravolta, é a festa do futebol, o apogeu da ideia de clímax na bola. E depois anulado pelo VAR, o cume do anti-clímax. Ora isso está a acontecer imensas vezes, e é óbvio que vem retirando brilho, paixão, ao jogo. O VAR é fundamental, é óbvio que reduz os erros dos árbitros e que é um grande instrumento contra a protecção aos grandes clubes e contra a corrupção - promovida pelos clubes e por essa relativa novidade das apostas desportivas privadas e avulsas. Mas ao quebrar o predomínio da paixão e da festa arrisca a tornar o jogo mais cinzento e, nisso, a ilegitimar-se. Assim as suas imensas capacidades tecnológicas de observação desumanizam o jogo. Ontem foi exemplo disso. Para que o VAR seja protegido dever-se-á pensar a aplicação das regras, refrear a tendência legalista que ele trouxe, uma verdadeira ditadura milimétrica promovida pela tecnologia. Urge regressar, e reforçá-las, a tradições na jurisprudência futebolística, pois humanizadoras, cuja relevância ontem foi demonstrada:

No fora-de-jogo há que recuperar o ideal da protecção do avançado em caso de dúvida na aplicação desta lei, de uma (muito) relativa indeterminação. Anda tudo a aplicar ilegalidades ínfimas, se o calcanhar de um está adiante ou não, se o nariz do avançado pencudo está à frente das narinas achatadas do defesa. Veja-se a imagem do tal 5-3, que beneficiaria o City: Aguero está em linha, de costas para a baliza tem apenas o rabo gordo à frente do defesa. Que interessa isso para o fluir do jogo? Urge recuperar essa ideia do "em linha", e permitir que o avançado esteja "ligeirissimamente" à frente do defesa: se confluem, relativamente, numa linha horizontal ... siga o jogo. Claro que depois se discutirá se o calcanhar dele estava ou não em linha com a biqueira do defesa. Mas serão muito menos as discussões. E haverá mais golos. E, acima de tudo, menos anulações diferidas. Donde haverá mais festa, mais alegria exultante. É esse o caminho para a defesa da tecnologia. E da paixão. Julgo eu, doutoral aqui no meu sofá.

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