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Nenhures

Nenhures

03
Set23

Salif Keita

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Viver é ver morrer os nossos, os queridos e os ídolos, um contínuo desmate afectivo. Morreu agora Keita (o Keitá! dos locutores radiofónicos de então, Salif Keita Traoré), o enorme jogador maliano, uma estrela daquela época - e hoje seria uma macro-estrela global... - que o Eterno Presidente, Senhor João Rocha, teve artes de trazer para o Sporting.

Na época o divino Vítor Damas partira para a malvada Espanha, de onde nada de bom vinha, o herói Agostinho andava pelas Franças aos (gloriosos) terceiros lugares, e o nosso Hermes Carlos Lopes fora ultrapassado pelo finlandês Viren. E Yazalde transferira-se - pela fortuna de 12 500 contos (60 mil euros) - para Marselha, bem antes do malandrete Tapie lá mandar. O nosso panteão estava um bocado desertificado, enquanto os atrevidos lampiões controlavam o Portugal do PREC como o haviam feito no ocaso do Estado Novo, e a diabólica parelha Pedroto-Pinto da Costa começava as suas tétricas manigâncias, que ainda hoje perduram.

Mas no José de Alvalade ascendeu uma Trindade, em avatar de "tridente" (como então não se dizia), a preencher-nos o culto. Eram o sempre nosso "Manel" (Fernandes), o fabuloso Rui Manuel Trindade (lá está) Jordão - o que teria este avançado hoje em dia, um génio do futebol! E Keita! Chegado já trintão, veterano de inúmeras pelejas, fugido de Espanha - tal como Jordão - por razões de maus-tratos rácicos na imprensa (os tempos de então eram bem piores do que os de hoje). Classe pura, distribuindo júbilo pelas bancadas - ainda me lembro, ele, mesmo já o tal veterano, a meter a bola por um lado do defesa e a ir buscá-la pelo outro, que jogador é que faz isso hoje, todos amarrados às tácticas, à "posse de bola" e às "coberturas"?... Era o Maior!

30
Ago23

O Beijo Espanhol (2)

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Mais um capítulo na polémica! Vídeo mostra Jenni Hermoso a rir-se do beijo de Rubiales

A plataforma SAPO publica um curto vídeo (que não é integrável em blog - e não compreendo como uma plataforma que acolhe blogs não inclui uma opção "incorporar" nos vídeos noticiosos que publica, como fazem várias outras plataformas) em que se vê a futebolista Jenni Hermoso e as suas colegas, recém-campeãs, a rirem-se, com humor e sem preocupações ou mágoas, da beijoca entre o presidente da Federação de Futebol e essa futebolista durante a cerimónia final do Campeonato de Mundo de futebol. É evidente o júbilo, brotado da vitória história, mas ressaltado para as brincadeiras entre várias jogadoras que, em coro, referem o brevíssimo episódio. O filme, que decerto muito em breve estará em plataformas que permitem a sua captação para blogs, está aqui.

Como é sabido, passados dias, após a estratégica intervenção de ministras socialistas espanholas - decerto que influenciadas pelo confronto com os peculiares discursos sobre este tipo de temáticas emanados do partido rival VOX, e isto sublinhado por se estar em pleno processo de formação de governo  coligado no país - a jogadora apareceu a lamentar-se do caso. Depois secundada pelas colegas. E por todo o lado - desde a patética intervenção do porta-voz da ONU até ao próprio Delito de Opinião, passando pelo primeiro-ministro espanhol até aos patetas televisivos nacionais do costume - cai o "Carmo e a Trindade", denunciando o caso de "assalto", "assédio sexual", de machismo empedernido que teria conduzido a tamanha violência. A própria SAPO destaca hoje um postal lacrimejante sobre o assunto, que remete - dando-lhe estatuto de prova - para um texto de jornalista espanhola que afirma haver machismo e falta de educação entre os membros da federação espanhola de futebol. Nem duvido que haja, mas a questão é outra: o que aconteceu ali, durante a cerimónia?

aqui botei sobre o assunto: o que o homem fez - ainda por cima sendo ele não um "doutor" tutelando a bola nacional, mas um antigo jogador -, é mesmo o inverso, tratou a jogadora "como um homem", replicando um gesto tantas vezes feito pelos praticantes quando em júbilo. Para não me repetir sumarizo: é um gesto assexuado (no sentido de desprovido de erotismo). Basta ver. Voltei ao assunto aqui, diante da histriónica incapacidade analítica de propalados intelectuais. Esse tipo de gente para quem é porreiro surfar as vagas em voga, e botar umas coisas na imprensa...

O assédio sexual (laboral e não só), a violência sexual, o mais abrangente machismo, são temas fundamentais. A combater, pela lei, pelas instituições, pela opinião pública, pela sensibilização. Profissionalmente cruzei casos tétricos disto. Até incríveis, de inacreditáveis, passe a aparente redundância. Mas quando uma mulher feita e realizada, trintona bem sucedida, campeã mundial, se ri a bandeiras despregadas, quando um conjunto de mulheres feitas e realizadas, profissionais campeãs mundiais, se riem a bandeiras despregadas, isso a propósito de um gesto que bem entendem desprovido de qualquer violência ou ameaça, não  podem depois invocar terem estado sob "assalto", "assédio", "violência". Nem há argumentos convocando contextos "infalsificáveis" (a la Popper) que justifiquem estas inflexões interpretativas. Ou seja, entenda-se, como prevalece um machismo violento e desrespeitador aquele gesto é violento e desrespeitador. Isso é um acto falsário, um silogismo aldrabão. E contestar essa evidência, em nome de uma qualquer "boa causa", é apenas desvalorizar, apagar, superficializar, as abissais realidades do "assédio", da "violência sexual", do "machismo", mundo afora. É uma pantomina abjecta. Matéria-prima por excelência para políticos demagogos e para os "activistas" de agora. Mas uma vergonha para quem se veste (ou traveste, melhor dizendo) de intelectual, de militante. Ou, pior do que tudo, de professor. Uma vergonha intelectual. E uma vergonha moral.

E isto tudo independe de Rubiales.

28
Ago23

A genitália espanhola

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Na actualidade há um grande alarido, um pessimismo político constante, que vem de todos os sectores. Não vigoram grandes utopias (aleluia!!), nem mesmo distopias, é mesmo só "isto está uma desgraça" à mesa do café. Se calhar o pessimismo sempre aconteceu (por cá, em tempos terá dado gás a um "sebastianismo" a que já ninguém acorre...), e o alarido também. Mas agora é mais tonitruante - um estardalhaço decerto que proveniente do impacto da revolução digital na imprensa, essa miríade de canais radiotelevisivos concorrenciais e demais "órgãos de comunicação social". E na emergência das "redes sociais".
 
Mas esse alarido escatológico cria uma percepção de crise política, degerenerescência democrática, que é errada. Pois, de facto, as democracias liberais estão muito mais viçosas do que antes. Nas décadas precedentes - quando até eu era novo - a rapaziada mais rústica, dada à nostalgia por uma velha "Ordem Nova", sorria, melíflua, num "antes Suharto do que Sukarno" ou "apesar de tudo vá lá Pinochet, pois aquele Allende...".  E os "progressistas", os nossos próprios e os dos vizinhos, na expectativa de "amanhãs canoros" tinham como sonhos e causas erguer Berias, Hoeneckers, Hoxhas, louvavam Neto, a família Castro e - até - um Sung do pensamento Juche. Ou, vá lá, se mais calmos, suspiravam por Boumédiènes. E nisso sorriam, os que não exultavam - feitos "revolucionários" -, com os ideais de matar Mountbattens, funcionários espanhóis, alemães se ocidentais, Moros. E, já agora, dar um tiro no malandro da Santa Sé. E nisso, à nossa pequena escala, até mesmo "terminar" alguns anónimos portugueses, em nome do Herói Otelo, esse tão homenageado ainda agora por (proto)aposentados da função pública. Enfim, era o sonho de "transformar o mundo", e de criar o "Homem Novo". Nisso derrubar regimes. E também, em capítulo que não era mero rodapé, apear as monarquias restantes, ditas ilegítimas, e não só porque capitalistas, pois coisas do ócio irracional e da injustiça hereditária.
 
E agora?, após trinta anos de internet e vinte da digitalização do quotidiano, o que move os tais "progressistas", "revolucionários"? Tudo se tornou qual uma "sociedade de corte", essa que Norbert Elias dissecou... As nuestras hermanas ganham um torneio de futebolada. E erguem-se as "vítimas da fome...", clamando contra a "falta de (boas) maneiras", isso de um pateta histérico acariciar os genitais diante da rainha e das princesas de Espanha. Por cá tudo mudou, nesta senda do tal "Homem Novo". Há duas décadas Louçã e seus esbirros abandonavam o parlamento quando um Borbón entrava. Agora cultuam o "respeitinho é muito bonito", em especial se diante de Sua(s) Majestade(s). Podem parecer, e são, ridículos. Mas nesta mansidão - e por irritantes que possam aparecer - são melhores vizinhos, alheados das iras anti-regimes. Pois desde que haja "decência" tudo corre pelo melhor.... E as Majestades também concordarão com isto.
 
Deixo pequena nota de rodapé, meu contributo ideológico para que "o Sol amanheça para todos" e as "Luzes" se instalem. Como é sabido os gestos não têm significado universal. E o celebratório coçar da tomatada espanhol tem um correpondente português, este actual semi-manguito, o antebraço de punho fechado impulsionado na semi-horizontal o número de vezes correspondente ao júbilo de quem o brande. Quem veja um jogo de futebol - e outros desportos mais exultantes - vê-lo-á, repetidas vezes. O viril (e heternormativo) significado deste gesto "penetrador" é exactamente o mesmo. Espero assim que os damos, as damas e es dames se aglutinem em arruadas e abaixo-assinados da próxima vez que um qualquer jogador, treinador ou dirigente clame assim o "já lá está todo dentro", "f....-te/vos". Pois ainda que sendo nós uma república também exigimos ter boas maneiras...
 

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23
Ago23

O Beijo Espanhol

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Espanha é campeã do mundo de futebol feminino. Na cerimónia no estádio o presidente da Federação exulta e beija uma jogadora. Logo ministras saem à liça dizendo que se trata de um assalto, os defensores das boas causas manifestam-se irados, a internet está cheia de acusações de "assédio" (assim mesmo). E pululam imagens - nem são fotografias, são fotogramas, que dão a impressão de um beijo sensual, o velho "french  kiss", esse nosso linguado. O homem vê-se obrigado a desculpar-se, sinal dos tempos, mas não chega! Pois agora é o próprio primeiro-ministro Sanchez que vem considerar "inaceitável" o gesto e exigir mais do que desculpas - decerto que a demissão do presidente da federação.

É impossível não reduzir tudo isto a uma patética hipérbole discursiva, colonizadora e deturpadora de problemas sociais efectivos - o tal "assédio sexual", a violência masculina, a violência doméstica. E mais ainda, torna-se óbvio que Sanchez vampiriza o facto para uma posição política, sendo sabido que na campanha para as recentes eleições o partido de extrema-direita Vox assumiu uma excêntrica linha discursiva, avessa às questões da luta contra os efeitos perversos do machismo e da violência doméstica. O mundo, a Europa, a própria Espanha seguem como seguem e aquela gente enrodilha-se nestas questões, e vistas deste paupérrimo e histriónico modo. Se a maluquice grassa nas redes sociais e a demagogia acampa nas tais ministras, esta intromissão de Sanchez é mesmo sinal do traste político que o homem é. 

É que nem se justifica argumentar, basta ver o filme - e não ficar agarrado ao fotograma. Trata-se de um efusivo beijo nos lábios, num ápice, seguido de duas vigorosas pancadas nas costas. É um gesto de celebração que os homens hetereossexuais também fazem entre si - e bem me lembro de que quando o lateral-direito Miguel Garcia aos 119 minutos, na sequência de um canto, marcou o golo que apurou o Sporting para a final da então Taça UEFA, saltei da mesa do "Eagles" em Maputo para o colo do amigo Rui B. e trocámos vários beijos destes, tamanha era a nossa felicidade. E inúmeras pancadas nas costas... Há meses, num almoço de amigos ali perto do rio Sousa, bem nos rimos com esta memória.

Andam os espanhóis, por enquanto entregues a este Sanchez bem mariola, e tantos outros a discutir o sexo dos anjos. E o "beijo espanhol". Algo está podre no reino da... Europa. Daí o mau hálito que grassa...

12
Ago23

Este Ano É Que É!

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Há uns (largos) anos - ainda na era dos blogs, eu no ma-schamba em Moçambique - um amigo disse-me, até pesaroso, "tu expões-te demasiado". Expliquei-lhe que não era verdade e ele anuiu: pois ninguém sabia, nem sabe (via blog) o que me vai na "alma", o que se me passa no íntimo. Que era (então) antropólogo, que leccionava, pai de filha (eu fiz um bocado de babyblogging). Que adorava aquele país (sem de lá ser), que compreendia Sócrates, homem como eu, mas abominava (e abomino) os seus apoiantes (vermes imundos), que compreendia o azedume dos "retornados", vítimas da História, mas que não era o meu, nem pouco mais ou menos, que leio um bocado mas não sou "conhecedor" nem me alcandoro a tal. Do resto, de aflições, anseios e amores, ninguém o sabia (via blog). Não estava exposto. Agora passaram os anos, trambolhões nunca ditos (em blog). Neste último ano de pré-sexagenário ainda vou com anseios, nunca expostos - vá lá, em blog deixo entrever o sonho de deter alguma arte ao fogão, ascender a uma caixa de Queen Margot em vez de escorropichar este restinho que me sobra. Mas nada mais, o morcão irredutível sobrepõe-se ao escombro, pois "gajo que é gajo não dá o flanco".
 
Dito isto, venho-me desnudar, strip-tease moral total: saúde e felicidade da filha e da parentela (a consanguínea e a espiritual) à parte, resta isto que hoje (re)começa. Este Ano É Que É!! Pois todas as outras taças que se lixem. Que venha o título, que em Julho chegue eu aos 60 com o sorriso do "somos campeões!". O resto? Isso sim, a tal de vida, é que é o placebo!

02
Ago23

Navegadoras?

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Uma das más cenas actuais é este ambiente em que convém "ter cuidado com o que se diz", não vá "parecer mal" ou "ofender" susceptibilidades... Não há paciência.
 
Enfim, a imprensa (e a FPF) lá tentou induzir um "sobressalto patriótico" com o Mundial de futebol, os governantes lá viajaram aos antípodas para ver as mulheres em acção, e até deu para nisso enfrentarem o Presidente (ele próprio comentador futebolístico). Nisso o comum do mortal murmurou um "grande interesse"...
 
Nunca consegui ver um jogo de futebol feminino, sempre me canso e abandono. É uma questão de comparação com o que conheço do jogo - e assim estes surgem lentos, falhos, até sem arte. Como espectáculo - que não como prática desportiva, que isso é outra coisa - são desinteressantes, uma chatice. Alguns patetas dirão que isto é machismo e eu responderei isso mesmo, que são patetas.
 
Mas a nossa selecção lá foi. A copiar o pior do futebol masculino. Tanto que até se fizeram chamar "Navegadoras". As próximas serão as "Viriatas", as "Conquistadoras" ou outra deambulação histórica pelo patrioteirismo. Espero que os do marketing federativo, sempre atreitos aos cognomes bélicos imperiais, na sua pobre visão da história não venham a chamar "Vivandeiras" a uma das próximas selecções. É que se não se sai daquele tempo...

31
Jul23

Geny Catamo

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Há dois anos que clamo "Hoyo-Hoyo, Geny Catamo", torcendo para o jogador se firme no plantel principal do meu Sporting. Nas últimas décadas têm escasseado os jogadores moçambicanos no nosso clube - nos já longínquos 80s vieram Calton, um grande jogador mas então no ocaso da carreira, e Aly Hassan, um médio elegante que não teve grande sucesso. Pouco depois foi Chiquinho Conde, apenas uma fugaz época de notoriedade. E há 20 anos veio Paíto, um bom lateral-esquerdo mas que não conquistou a titularidade.
 
Agora há Catamo, um jovem no Sporting desde 2019 e que tem vindo a ser emprestado, "para rodar" como se diz na gíria. O menino cresceu e já tem 21 anos. Antes da pré-temporada foi logo anunciado como excedentário. Mas nestes jogos de preparação tem entrado e marcado. E ontem, na apresentação já em Alvalade contra o Villareal (3-0), entrou a meia-hora do fim. Jogou e encantou, atrevido, sem medo a querer mostrar que o lugar dele é ali, dono de drible mágico, lesto a escapar-se aos adversários, rijo a opor-se-lhes, levantando ovação nas bancadas. E dando golo a marcar. 
 
Geny Catamo não engana, é daqueles jogadores "alegria do povo". Espero que não o remetam para mais uma época "emprestado", num qualquer clube secundário que não lhe dê espaço para arriscar, brilhar, crescer, como antes aconteceu. Em nome de uma qualquer solidez "táctica". E que assim fique no plantel. Para que nós agora no estádio possamos gritar "Ó Rúben, mete a opção!"...*E o resto, a titularidade, ver-se-á depois...
 
(* Alusão a uma velha expressão dos benfiquistas: nos 1970s - em jogos com mais dificuldade para abrir os "ferrolhos" defensivos adversários - gritavam ao então treinador, o luso-moçambicano Mário Wilson (dito "Buda"), "Ó Buda, mete a opção!", isto para que ele fizesse jogar Jorge Gomes, o ponta-de-lança brasileiro que foi o primeiro estrangeiro a jogar por aquele clube.)

 

24
Jun23

A SuperLiga Europeia de Futebol

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Superliga da Europa

Anda meio mundo a conversar e a ler sobre as desbragadas contratações de futebolistas pelo futebol árabe - desde Cristiano Ronaldo e Benzema até Iuri Medeiros e Rúben Neves tem sido uma azáfama. Contratos supra-milionários, que multimilionários já eram os anteriores. Francamente não compreendo os objectivos dos responsáveis dos países árabes. Posso aventar ("mandar bocas") mas não percebo - com toda a certeza não se trata de "massificar o desporto" naquelas populações "ensofazadas" pelos petrodólares. Nem será um mero objectivo económico, até pelos montantes envolvidos. Mas mesmo politicamente - em termos de "imagem" interna e externa, e de geoestratégia - não consigo entender o que pretendem com isto, que surge na sequência de terem, em particular a Arábia Saudita, assumido relevância na organização (que não na prática) de competições de elite de outros desportos. Enfim, julgo que só alguém minimamente sagaz e que acompanhe as dinâmicas sauditas, cataris e vizinhas, poderá interpretar o que se passa.

Mas um efeito terá esta desmedida investida dos responsáveis árabes sobre a grande "indústria" de entretenimento europeu. Estou certo que muito em breve será recuperado o projecto dos grandes clubes europeus de constituir uma Super Liga Europeia, mais ou menos encerrada, congregando alguns clubes históricos e outros propriedade de macro-capitalistas, "oligarcas", replicando o modelo anti-liberal das "ligas" desportivas norte-americanas, e possibilitador da concentração de gigantescos recursos. Disso afastando um alargado de clubes de países menos centrais, menos lucrativos aos mercados televisivos globais.

Se o popular futebol do Oriental, Carcavelinhos, Barreirense, Lusitano de Évora, etc. é já há muito uma esconsa nota de rodapé, muito em breve poucos atentarão nos Guimarães, Leiria, Boavista ou Chaves. E, no virar da década, nos Sportings e Benficas desta Europa.

11
Jun23

O estado da imprensa portuguesa

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"Como eu já disse, considero o Bernardo Silva o jogador mais inteligente do mundo, seja lá o que isso quer dizer!"  - dito durante o jogo Manchester City-Inter, final da Liga dos Campeões, pelo comentador da TVI (provavelmente Rui Santos, não posso confirmar pois depois de uma atoarda passei para o canal Eleven no qual também se transmitia o jogo).

Não há melhor exemplo do vácuo perorar em que vegeta a imprensa - desportiva e não só - nacional.

11
Jun23

A final da Liga dos Campeões

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Como os meus amigos, familiares e conhecidos saberão (e respeitarão) eu sou ateu, descrente de qualquer entidade metafísica. Disso não faço proselitismo - tal como não tenho paciência para quem me venha impingir o seu pequeno deus. Ou seja, cada um como cada qual, desde que não (me) incomode.

Dito isto, vi a final da Liga dos Campeões (que razão haverá para os imbecis a denominarem em língua estrangeira?). Torcendo, suavemente, pelo Inter de Milão, dado o seu património histórico, bem diverso do grupelho adverso, esse de facto criatura de medieval oligarca árabe, mero instrumento de política internacional. E respeitando o seu extraordinário trajecto até esta final, no qual eliminara os colossos F.C. Porto e S.L. Benfica. E o Inter, ainda que nada favorito, jogou melhor, criou mais hipóteses e mereceu ganhar o caneco.

Durante o jogo, e ainda mais no final, lembrei o recente campeonato do mundo do belga Lukaku. E associei-o ao que hoje foi ele cometendo. E assim sendo não me restam dúvidas, a mim ateu fundamentalista: não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem. E o homem foi "trabalhado", enguiçado... E muito

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