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Nenhures

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Os meus amigos (os reais) - e alguns dos que vão tendo paciência para me aturar in-blog - sabem da minha resmunguice de décadas, desgostosa, com o jornal "Público". Em tempos idos devido ao ror de asneiras que nele se botava sobre Moçambique. Depois também devido ao patetismo histriónico da célula bloquista identitarista que lá pulula, feita de académicos e jornalistas necrófagos do já decomposto império, gente demagoga, atrevida e - pior do que tudo - convencida de si-mesma. 

Em suma, não uso ler o periódico. Exceptuava quando o café "Arcadas" dos Olivais vigorava: sendo eu cliente habitual o "sô" João, sportinguista como deve ser, fazia-me acompanhar a bica matinal com o empréstimo do "Record" e por vezes considerava adequado recomendar-me a leitura do Tavares daquele dia, por particularmente acerado face ao estado da nação... Mas agora, falecido o nosso recanto, entretanto comprado por um qualquer "empreendedor" chinês, nem isso. Mas vou ler - masoquista - quando vejo referências a mais uma patacoada "africanista" que por lá tenha florido.

 

Mas esta minha distância ao jornal tem uma excepção: todas as sextas-feiras mão amiga me dá acesso ao suplemento "Y" para que possa eu ler dois colunistas que muito aprecio (é o que leio na imprensa nacional para além das coisas da bola), e com os quais discordo amiúde, o que ainda é o melhor: Ana Cristina Leonardo e António Guerreiro.

E este palavreado todo, meu passatempo teclado numa escala em gélida estação de camionetas, é por isto mesmo: nunca tive paciência para ler biografias. Que me lembre li duas ao longo da vida: em adolescente li a de Hemingway, escrita por C. Baker. Depois a de Mozart, por Norbert Elias (que não é exactamente uma "biografia", como sabe quem a leu). Acontece que estou agora a ler duas, acasos... Pois pus-me a reler o delicioso "Cartas Familiares e Bilhetes de Paris" de Eça de Queirós e tive curiosidade sobre o homem naquela cidade e avancei para a sua biografia feita por Maria Filomena Mónica, que bem vale ler. E a do gigante Max Gluckmann, um antropólogo extraordinário - "africanista", hélas - por Robert Gordon.

Enfim, estando agora, já vetusto, a ler 50% das biografias todas ao longo da vida, deparo-me hoje com o belo artigo de António Guerreiro  no "Y" de ontem, sobre a "ilusão biográfica" - isso a que eu, muito menos lido do que o colunista, chegara há 40 anos através do Bourdieu de então... 

Enfim, tudo isto para partilhar a ideia: ide ler o Guerreiro desta semana. E a Leonardo também, que apareceu em registo solto, rockeiro ter-se-ia dito no meu tempo.

 

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