A Paz

Bill Evans - Peace Piece
Está bonita a tarde. Fria, bonita. À beira da salamandra sigo, lento, num romano que deveria ter lido há 40 anos. Ao lado toca uma colectânea do homem, que recebo já sem notar. De repente percebo esta clássica, "inunda-me" diria eu se fosse dado a versalhadas... Absorve-me, absorto fico. Mesmo deseducado intuo-lhe os antepassados, as linhagens bilaterais dizemos nós, antropólogos - perigosas, e agora lembro o pavor até masoquista nos meus imensos "loops" de Satie aquando em Bruxelas. "Paz" como diz o título, não etérea pois sempre abissal. Ainda assim, mesmo se precavido, ponho-a em "loop", "atenção" responde-me a garganta, logo gutural. Defendo-me, troco o latino pela recensão da música. É insuficiente: a "paz" é temível, não saudável, nada saudável. Desabafo com quem me ouve. E levanto-me, sigo à vizinhança, ao Croácia-Bélgica, quero o estupor.






