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Nenhures

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05
Jun21

As amplas liberdades

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(AS CAUSAS MÍTICAS DA DIVERGÊNCIA ECONÓMICA PORTUGUESA - MEL, Movimento Europa e Liberdade)

Não sou economista nem historiador. E fui lendo ao longo da vida mais ou menos o típico (a moda, no duplo sentido: referente à quantidade; aludindo ao que esteve em voga) de um tipo que estudou ciências sociais. (Ainda assim li o suficiente para não ter paciência para os brutos que põem aspas sarcásticas neste "ciências sociais"). Assim apresentado avanço.
 
Nuno Palma (de quem nunca ouvira falar) é professor universitário na Grã-Bretanha. Falou numa convenção - é o primeiro interveniente do filme, durante 20 minutos - sobre, grosso modo, o regime político português ancorando a sua reflexão na história económica portuguesa. Defende, é explícito, uma postura de direita e uma posição liberal. E analisa a produção do discurso oficial sobre o passado recente, a "narrativa" histórica promovida pelas instâncias estatais, dizendo coisas consabidas (ou que o deviam ser). O que ali avança - em particular sobre a economia e educação no Estado Novo, referindo-se ao "atraso económico e político do país", que apresenta como estrutural - não é particularmente inovador (nem ele o terá procurado).
 
Eu, que li alguma coisa sobre a história do sistema colonial português, volta e meia vou ao blog resmungar contra este actual (e serôdio) discurso anti-colonial que demoniza o Estado Novo enquanto higieniza a I República, que foi veementemente colonialista. E sei, por leituras abrangentes, que se o Estado Novo não foi "desenvolvimentista", no sentido que lhe damos agora, não é nele que radica o atraso económico do país, e isso nota-se bem no delinear das políticas coloniais de XIX e XX. De facto, e fazendo-o de forma vulgar, é mais ou menos o que Palma diz, ele com mais sageza e reflexão, e com um âmbito mais alargado: temos uma "narrativa" (na Escola, na Universidade, no jornalismo de "referência") que amputa a história portuguesa de algumas das suas características estruturantes e inventa outras, para com isso moldar a la carte as sensibilidades da acção política actual - também por isso se quer agora, no seio de demagógicos "movimentos sociais", pontapear António Vieira e não Afonso Costa, ou denunciar Afonso de Albuquerque enquanto se louva Humberto Delgado, por exemplos.
 
Enfim, o relevante - para quem não saiba deste caso - é que o académico Nuno Palma nada disse que seja errado. É um intelectual e teve um contributo intelectual condigno, na sua subjectividade, numa convenção política. Logo um ex-ministro e actual nº1 dos eurodeputados socialistas veio deturpar a argumentação, tanto o explicitado como o que lhe está subjacente, acusando-o de fazer a apologia do Estado Novo, o que é uma vilania intelectual. E, bem pior, surge um outro académico, Francisco Santos Silva, do Centro de História de Além-Mar da Universidade Nova, que o denunciou à Universidade de Manchester, empregadora de Palma. A miséria moral e a incompetência deontológica deste tipo de intelectuais activistas chega a este ponto. E hoje no "Público" José Pacheco Pereira, que foi meu professor (e que professor!) segue nesse mesmo ímpio caminho. E são estes "camaradas e amigos" (para citar Pacheco Pereira quando foi à Aula Magna fundar a futura geringonça) que se reclamam paladinos das "liberdades". Pouco amplas, constata-se todos os dias...

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