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Nenhures

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01
Out19

Comer é um acto político

jpt

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Eu não gosto do PAN. Nem elaboro sobre isso, para quê perder tempo com tal aglomerado. Mas leio imensa gente aos guinchos porque o seu candidato-mor disse que "comer é um acto político". "Fascista", gritam, em falsete. É evidente que esta gente não sabe o que é o fascismo, o que foi. Irritam-me. Fazem-me mal, por isso. Alguns meses atrás, quando estava a desfazer a casa para regressar de Bruxelas, assim atarefado, li um execrável texto do antropólogo Miguel Vale de Almeida, um abominável trecho demagógico, sob o mote em Portugal vigora um apartheid. Irritei-me, quis blogar a imundície que aquilo era. Saberá o deputado socratista o que é, e foi, o apartheid? Mas preparar o regresso era mais importante do que desabafar o desprezo. É exactamente o mesmo desprezo que sinto por quem chama "fascista" aos mais-ou-menos morcões do PAN.

Comer é um acto político, é evidente. Comemos segundo políticas estatais e internacionais. De fomento produtivo, de indução de gostos e dietas, de taxas, de circulação/transporte. E quando optamos, quando nos mercados ou face aos cardápios, dialogamos com essas políticas. Temos actos políticos. Deixo como ilustração a PAC, porque muito estruturante, mas tantas outras "coisas" (políticas) poderia convocar.

É importante refutar a demagogia dos políticos, desde estes neo-ecologistas bacocos aos deputados socratistas, entre tantos outros. Mas não custa muito pontapear essa demagogia, essa intrínseca desonestidade, sem cair em pantominas, em gritarias histéricas. Em boçalidade militante.

Ou seja, comer é um acto político. E é por isso, por pequeno exemplo, que os pacotes de açúcar que acompanham a "bica" ou "cimbalino" têm vindo a ser reduzidos. Sem que tal signifique que vivamos em abominável "fascismo". Ou num terrível "apartheid".

Não custa nada afastarmo-nos desta gente. Mesmo que fiquemos presos às nossas limitações. Basta não repetirmos as patetices que os vizinhos ululam. Ou, melhor, repeti-las se nos apetecer mas sabendo que são patetices.

Agora vou ali ao Restaurante Cabeça de Touro comer um bitoque de vaca. E a bela da dose de batata frita, esta ali nunca pré-congelada. Porque comer é, também, um acto político.

Alguém se junta? Para o "Famous"?

2 Comentários

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    jpt 01.10.2019

    "Fundamentalista", como também o foi nos últimos anos "neoliberal", depois "lusotropicalista" (a propósito desta coisa das quotas raciais), agora "fascista". E do pior, após a ascensão ao poder desta geringonça, a recuperação do pensamento bolchevique, o mais básico dos psicologismos - quem discorda (quem "disside" da linha "correcta") fá-lo por doença de foro mental, advinda por razões orgânicas (os ressabiados) ou apenas psicótica (os invejosos; os ressentidos).
    O linguajar actual anda nisto.
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