Depois da Páscoa o Calvário

Desde há muito que aqui venho deixando fascículos do meu ensaio de cariz antropossociológico sobre o devir da (minha) Pátria Amada. Neles venho frisando a importância do europeísmo para a sustentabilidade da nossa democracia liberal - cujo exemplo-maior, bem o sublinho, é o da "responsabilidade social" que a empresa comercial alemã LIDL vem patenteando. Pois se grassou uma forte inflação nesta duríssima conjuntura internacional (questões energéticas, Covid-19, guerra russo-ucraniana), aqui aquecida pelo nosso endógeno estertor do socratismo, a LIDL associou-se à preservação do nosso "contrato social" e às aspirações das massas. Nisso sustentou o preço do seu tão recomendável uísque básico (o verdadeiro whisky dos pobres). Com efeito, a iniciativa militar russa na Ucrânia encontrou o benfazejo Queen Margot a 6,89 euros por garrafa. Dado o aumento dos custos de execução o preço subiu, meses depois, a 6,99, respeitando até o limite simbólico. Depois, há pouco, veio a subir até aos 7,15. A tudo isso as massas corresponderam com compreensão.
Hoje, o dia em que se presume a cristã ressurreição da esperança, encontro o produto a estes já quase incomportáveis 7,79 euros por garrafa, um aumento já de dois dígitos percentuais na "água do povo". Queixem-se depois os abonados e avençados que nós outros, o aludido povo, tendemos, sequiosos, para o radicalismo contestatário






