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Nenhures

Nenhures

Dia de eleições

No governo Sócrates o ministro Costa tomou decisões importantes no seu pelouro. Ele não as iniciou mas concluiu as opções, que influenciaram o combate ao fogo florestal. Quando foi a PM para ali nomeou gente que com trabalhara, em especial uma antiga assessora tornada ministra. Naquele primeiro ano muito se alteraram as várias cadeias de comando, colocando gente de confiança política. Quando aconteceu o primeiro fogo catastrófico logo o aparelho se defendeu: nesse mesmo dia a polícia judiciária apontou o culpado, uma qualquer árvore que cometera "downburst". A imprensa logo afiançou que tudo era natural. No mesmo dia uma conhecida jornalista/bloguista - mulher de particular estatuto pois me apontam ser ela apenas criticável por quem a conheça pessoalmente - publicou no DN o diagnóstico final: tudo se devia ao aquecimento global. Logo a seguir, após cerca de 65 mortos queimados no desnorte institucional (que teve um relatório escondido pelo Estado), alguém perguntou a Costa se o governo tinha responsabilidades. Ele respondeu, seco, sarcástico, "não me faça rir". Repito, "não me faça rir". E foi de férias. Depois houve mais desgraça, como bem se sabe.

A tudo isto disseste nada, pensaste nada. Ecoaste, aplaudiste, quando após mais uma desgraça, 40 mortos noutro fogo descontrolado, alguém do aparelho do PS lançou o chavão de que a culpa era da Lei Cristas. E agora? Falam a Costa no assunto, ele irrita-se, cansado ou stressado, perde um pouco do controlo, algo que nem sequer é muito grave - principalmente para quem diz "não me faça rir" em cima de 65 compatriotas queimados num incêndio descontrolado. E que dizes? Que o mal é um velho resmungão afinal ser do CDS.

Hoje vota-se. O importante, para ti, é que o resultado final não venha a mudar a Lei Orgânica lá do teu sector de actividade. E a "cadeia de comando", chefe de divisão, director de serviços, etc, até ministro. E que saia um pouco mais de OGE ou de subsídios para o teu sector ou departamento. Que não te estraguem o relativo conforto. Nada mais te move. Imaginas-te, até abespinhado, um cidadão. Mas de facto és um cliente, apenas um cliente. E "não me faça(m) rir" diz o beneficiado, nas tuas costas.

Quando a Rodnina e o Zaitsev dançavam no 2º canal, a gente pensava que ia ser diferente. Mas ficámos assim. Eu nesta merda. E tu nessa. Ainda assim eu prefiro a minha putrefacção. "Não me faças rir", prefiro mesmo. Deixo-te o "Kalinka", ainda assim. A ver se te lembras de algo. E se tens alguma amargura, com o que te aconteceu. Será sinal que ainda te resta alguma humanidade. Que "não te faço rir".

***

Deixo ligação a textos de então: "O governo não tem culpa"; "A república dos eucaliptos"; "O ambiente geral"; "Olhar os que morreram".

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