Erasmo Carlos

Morreu Erasmo Carlos, o siamês do Rei. Sei que o que comporia a minha imagem seria proclamar o apreço pela atonal ou uma qualquer do Miles free, uma vintage Coltrane, Monteverdi, Casals, Dilon Djindji, uma roufenha gravação operática, sempre Lou Reed, uma "etno" qualquer ou velharia blues, esse que nunca dito étnico.
Mas sempre lembro este "O Portão", uma canção de vida... Nos meus já 30, apartado em Pemba, matabichos de Castle, ovos com polony, de suor em bica da ressaca e clima, a conhecer isto, aprendê-la em trauteio, e logo a pedir ao nórdico ali patrão para que ma gravasse em K7, depois seguir na íngreme escadaria até à Baixa na baîa, aos correios para enviar isto, declaração de amor quando, cândido, ainda nele acreditava...
Anos depois vim a saber que a receptora olhara a encomenda dadivosa de sobrolho torcido, num desconfiado "este anda bêbedo"... In vino veritas, diziam os antigos.
Obrigado pela ilusão do "Portão", Erasmo Carlos.






