Já é Junho

É sexta-feira, já este longo fim de tarde de Junho, subo do Camões ao Príncipe Real, rumo a casa de amigo. Na aproximação ao célebre "Sinal Vermelho" uma beldade chama-me num "Zé!" sonoro, eu semicerro os olhos e pergunto-lhe - ela entre o seu grupo comensal, ali ainda esperando mesa - "nós conhecemo-nos?", responde-me sorridente "sim, andei ao teu colo!", "e gostaste?" digo-lhe, marialva, "muito", afiança. E beijamo-nos efusivos, nas liberdades que o nosso elo avuncular permite. Diz-me estar eu com bom aspecto, sorrio-lhe anuindo, e dispara, até sondando, "parece que estiveste com o amor da tua vida...!" Rio-me e riposto, "náda!" (isso já não, claro) "estou com amor pela vida", coisa bem diferente, escassa também, pelo menos se tanta que afivelada na carantonha, como ali aparece evidente.
E a ela me explico: chegámos a este Junho, e como sempre começam a aportar a Lisboa os amigos feitos em Moçambique, alguns de lá, outros ainda por lá, outros já alhures. Reencontros calorosos, memórias e novidades saudosas nada saudosistas. E estou ali a concluir um dia peculiar, inesperado reencontro, sequencial, com três queridíssimas amigas, a uma não via há 28 anos (!), a outra há 2, e uma outra que, vá lá, vou reencontrando semestralmente. Com as quais percorri um pouco da Lisboa antiga, turista em casa própria... E estou ali, neste rumo (repito) a um uísquezito em casa de velho amigo, de "alma cheia" como se diz. E se o bornal espiritual está assim atafulhado o outro carrega estas ofertas deliciosas, mel (caseiro) de Trondheim, castanha de cajú de Inhambane...
Dias passados, mais sossegado, rotineiro nesta minha nova faceta de vendilhão, ocorre-me (até porque há já um mês - fui confirmar - que não falo do assunto) que, nesta época, aos amigos que agora visitam o rincão devo insistir em impingir o meu "Torna-Viagem" (o qual se pode encomendar através desta ligação colocada no título), pois por cá poderão recebê-lo com muito menos preocupações e gastos postais.
(Agradeço à equipa da SAPO o destaque dado a este postal, na sua colocação no Delito de Opinião).






