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Nenhures

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28
Nov20

Maradona

jpt

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Há alguns séculos no leste do Mediterrâneo contavam-se inúmeras histórias populares. Para fixar e preservar essa oratura, ou folclore como também foi chamado, foi constituído o primeiro Centro de Estudos Etnográficos e Filológicos da história. Ficou conhecido como HOMERO (um acrónimo, ao que julgo saber).
 
Uma das histórias que esses etnógrafos recolheram foi a do herói - ou seja, bastardo de deus - Aquiles. Um tipo fora a casa de outro e fugira com a "mulher do dono". Há quem diga que foi um "rapto de mulher", qual sabina, outros - mais românticos - acreditam que foi coisa d'amor, pouco importa. Os amigos do dono juntaram-se e, em bando, foram recuperá-la. Não foi um coisa tipo KKK, pois apesar do atrevido viver na Ásia não era cigano. Nem preto. Foi muito mais uma cena de "padrinhos", que um chefe não rouba a mulher do outro, é isso a honra ...
 
Quando lá chegaram houve zanga, e grave: Aquiles era o nº 1 do ranking, o MVP da equipa, e por isso carregava a nº 10. Mas ainda assim o treinador, pois o "capo del tutti capi", Agamemnon de seu nome, roubou-lhe a escrava que ele usava sexualmente (nem o dr. Ba nem a Comissão da Condição Feminina têm abordado a situação com a atenção devida ...). Indignado, Aquiles amuou e recusou-se a ir a jogo. Cumpriram-se várias jornadas da competição e o torneio estava a correr mal aos forasteiros, desprovidos do seu astro. Então promoveram um sub-23, prometedor, deram-lhe a tal camisola 10 e a titularidade. Correu mal. Ao saber daquilo, do junior desgraçado, Aquiles caiu em fúria excessiva - logo tablóides aventaram, e ainda aventam pois sempre em busca de escândalos, que ambos eram LGBT, e isso apesar de toda a bronca devida à escrava sexual. Mas tablóide é tablóide.
 
Enfim, tão irado ficou o campeão que saiu à liça, teve uma entrada assassina sobre o capitão adversário, devastando-o de tal modo, completamente "à margem das leis", que o treinador adversário, condoído, entrou em campo a pedir calma.
 
(É certo que depois as coisas não vieram a correr bem a Aquiles. Pois num torneio posterior um tal de Erínea, ou terá sido o Nemésis, não sei bem, fez-lhe uma entrada venenosa ao calcanhar, tão grave que lhe acabou a carreira, de modo precoce).
 
A história ficou. E este é o modelo de herói que seguimos, e tanto amamos, há muito tempo. Nós os pérfidos "ocidentais", netos daquela Grécia. E muitos outros (atrevidos na "apropriação cultural" que desavergonhadamente fazem). Herói pois caprichoso, abusador, furioso, glorioso. Excessivo! E interrompido, breve, pois derrotado após um (in)findável ciclo de vitórias. Nisso tudo Semi-Deus. Frágil nisso, para além da Ética.
 
A ele regresso sempre. Mais agora quando vejo tanto rato de sacristia resmungar contra o nada-exemplar Maradona, pois nada molde de bom pai de família, de honesto pároco ou de recto professor. Pobre gente que nada percebe. Dos homens. E, mais do que tudo, dos deuses e seus bastardos ...
 
Aqui deixo Maradona no Argentina-Bélgica no campeonato do Mundo de 1986. Há quem perceba ... E quem não possa perceber.

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