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Nenhures

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29
Jan21

Ontem (1)

jpt

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Estreei-me na Netflix, com este "Irlandês" de Scorsese. Muitíssimo gostei. Senti-me como se estivesse, agora, a assistir a um concerto dos Rolling Stones. Pior dia blogal de sempre: avisam-me que ataquei alguém que já não está bem. Logo emendo mas não se apaga a maldade, mesmo que involuntária. Muito tenho pensado nisso, como a exposição das redes sociais - e mais o FB, que é de nós-velhos - acolhe(rá) as nossas demências progressivas. Há muito que me cuidei, todas as senhas das minhas contas digitais estão com querida amiga, mana mesmo, co-bloguista: se me der o badagaio apagará tudo em todas. E se eu for perdendo (ainda mais) o tino, idem. Aqui na zona tem faltado a lenha - cá em casa há com fartura. Mas chegou agora o zimbro. O velho fornecedor é uma simpatia, ama e sabe de madeira como nunca vi. Meia hora de conversa sobre o assunto, pois ele está atarefado. Lá para a primavera falaremos mais repousadamente. O Presidente anunciou o óbvio, que o confinamento está para meses, a pandemia para o ano. E exigiu melhorias nas práticas do povo. E dos poderes. Tarde piou - mas ainda assim muitos dos seus recentes eleitores deverão estar amofinados. Principalmente os prostitutos que clamam "Super Marta" à Temido em plena semana em que Portugal é - e de longe - o pior país do mundo nisto do Covid. Escumalha de gente - são, bloguista sabe, a mesma imunda cáfila que apoiou Sócrates até mesmo ao fim da sua "narrativa". Execráveis: "Super Marta"? Energúmenos. Nem suicidários, meros criminosos de delito cívico ... Leio uma pérola, "Culatra: Uma Ilha Com Gente Dentro", de Ana Cristina Leonardo, por 3 euros um livrinho de bolso com a história da ilhota - por coincidência um povoamento começado por um confinamento sanitário, uma fuga a peste magrebina em início de XVI. Quem vá ao Pingo Doce que o compre. A ideia de meses confinado deprime. Em Março era novidade e foi peito feito, com filha ao lado. E pus-me a ler e a escrever sobre o Covid: poucos leram mas aliviou-me. Agora? Reescrevo sobre Niassa, inutilidade pura. Ânimo quebrado: mortes súbitas e precoces de queridos amigos, infecções em vários outros. Como aguentar isso e ombrear nas perdas? O celibato de cinquentão torna-se hábito, um tipo vira urso - mas não "bear", atenção, que isso é coisa lá daqueles. Mas é défice, um tipo sozinho com quem embirra? Pois não se pode embirrar com os amigos, não é másculo. Com eles um tipo zanga-se. E depois partilha vinho ou uísques para amainar a coisa. Mas assim embirrar com quem? Deveria meter um anúncio na gazeta local, "cavalheiro, recentemente regressado ao país, procura senhora economicamente independente para relação séria". Mas já não há gazetas! As vísceras andam mal, achaques de homem, acho que terei que me desconfinar até ao Centro de Saúde, cem kms disso. Releio mais algumas crónicas de Artur Portela (Filho, como o foi até ser avô), no "A Funda 3", textos de 1972-3. Até arrepia a sua actualidade. O meu pai morreu asfixiado. Velho mas asfixiado. O meu avô paterno morreu asfixiado. Velho mas asfixiado. It runs in the family? O Liverpool de Klopp joga muito mais do que o Tottenham de Mourinho. Mas aquele Ndombèlé, em quem nunca reparara, é um belíssimo jogador.

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