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Nenhures

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Enquanto a tropa russa alastra na Ucrânia as nossas reacções avulsas de populares opinativos serão pouco relevantes. Mas ainda assim elaboro sobre parte do que ontem vi nas  minhas contas nas redes sociais (FB, twitter):
 
1 - vigora o argumento de que a responsabilidade (dolosa) é dos norte-americanos, dado o seu desígnio de alargar a NATO, com conúbio da União Europeia. Vi isto, viçoso, por cá e entre moçambicanos.
 
Entre estes últimos reconheço os locutores como gente ligada, ideológica e/ou afectivamente, ao Frelimo da I República, associável (na sua complexidade) ao movimento comunista internacional e vinculada ao anti-colonialismo. Entre os portugueses percebo (ainda que tenham ditos mais heterogéneos) simpatizantes dos dois partidos comunistas tradicionais ou do recente dito pós-marxista.
 
Nestes é interessante a noção que aceita como justificável e legitimada uma invasão militar devido às políticas de relacionamento diplomático de um país vizinho. O que é - neste caso totalmente explícito - uma afirmação de uma soberania menorizada, o primado de uma tutela regional internacional, a qual se diria imperial. Isto é particularmente estranho entre moçambicanos, que têm recente experiência própria disso mas que agora surgem defendendo que se faça o mesmo alhures. Mas não têm qualquer rebuço, entenda-se vergonha, em acorrer aos teclados para perorar tal simpatia pelo efectivo colonialismo alhures - o que não é totalmente surpreendente, e recordo que em trinta anos a ler sobre Moçambique nunca vi um intelectual ou político desse país botar sobre a ocupação colonial do Tibete por mais vozeares revolucionários-progressistas anti-coloniais que emitam. Mas, claro, não se pode ter tudo...
 
2 - um outro traço do "opinativismo" pró-russo (de facto, um mero anti-americanismo) é que ninguém alude à participação da Bielorússia, da qual partiram tropas russas nesta invasão. Um país que é um verdadeiro protectorado russo, com um regime imposto por Moscovo, numa verdadeira lógica imperial (ou colonial, para usar uma linguagem mais austral).
 
Ora como nestes núcleos locutores - particularmente os portugueses - há imensa gente muito loquaz sobre a questão dos "refugiados", não deixa de ser interessante este "esquecimento". Pois é bem sabida a desumana política de Minsk para os refugiados. Mas nem isso chama a atenção ou corrói o simpático silêncio destes opinadores. E já nem aludo sobre o que essa efectiva tutela de Moscovo sobre a Bielorrússia (bem como outras regiões) significa sobre o verdadeiro desígnio de Putin...
 
3. Para percebermos o seguidismo, avulso mas também institucional, destes núcleos políticos convirá ler o que disse ontem na Assembleia de República o deputado comunista João Oliveira - esse mesmo, que tantos democratas louvaram lamentando não ter sido reeleito. Seguindo os argumentos do presidente Putin, até mesmo a ladainha dos "nazis ucranianos" - tal como há anos aqui o publicista do activismo anti-discriminações étnicas e raciais, o célebre dr. Ba, clamava "vêm aí os nazis ucranianos" aquando de um jogo da bola. Pois a cartilha comum destes núcleos políticos já tem historial...
 
4. Enfim, para todos estes "camaradas, companheiros, amigos", austrais e setentrionais, mais ou menos vinculados, ideologica ou afectivamente, ao "espectro do comunismo" (Marx, Engels, 1848), deixo aqui ligação ao comunicado oficial do Partido Comunista de Espanha sobre a invasão russa da Ucrânia. E, chamo a atenção dos menos lidos, trata-se de um texto num país com uma relação histórica com a NATO muitíssimo mais problemática do que Portugal. Também por isso é um texto muito relevante. Pela diferença que tem face ao mero bolçar dos pró-putinescos.
 
5. Claro que nada disto reduzirá o desprezo, mesmo ódio, pelo "Ocidente" e pela democracia, que vigora entre estes locutores. Excepto, friso, quando é para nele e sob ela se viver. E para morrer (e esta última meia-palavra é mais do que suficiente para qualquer bom entendedor).

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