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Nenhures

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(Postal para o És a Nossa Fé!)

Em tempos já recuados - desportivamente desengraçados mas colectivamente mais felizes, de ligeiros que seguiam - os bloguistas do nosso És a Nossa Fé! conviviam, e de modo não virtual. Periodicamente agregavam-se à mesa, usualmente a do consagrado e histórico Café Império, na qual se comia com o denodo que a cada um compete e se bebia com a moderação exigível numa amálgama de gente heterogénea com a qual não se tem qualquer intimidade. Falava-se bastante do Sporting, e ainda mais de futebol. Do actual e, alguns sábios, do passado (lembro-me de encontrar um co-bloguista que, tal como eu por vezes faço, perorava sobre o Zandonaide, um verdadeiro mito fonético no panteão da bola). Havia connoisseurs que versavam sobre temas algo druídicos como, por exemplo, a "formação" ou as "finanças", do clube claro. Outros assuntos iam sendo integrados ao longo dos repastos, em molde avulso mas apenas episódico, como a malvadez de Vieira e a de Costa - o Pinto, que não o António, pois sempre predominava o ecumenismo político -, os tiques e maneirismos blogais de alguns alguéns. E até mesmo se abordavam temas prementes da actualidade - ainda que estes dirimidos em pequenos comités algo desgarrados -, como a existência de excelentes restaurantes no âmbito do Universo Sporting, a produção vinícola e os recentes conhecimentos da vinicultura, a deriva cinematográfica ou a actualidade dos ritmos musicais. E, com especial ênfase, eram vasculhados programas televisivos e seus apresentadores e painelistas, os sempre criticáveis comentadeiros da bola. Eram momentos animados, dos quais se deixava breve (e meramente alusiva) memória em postais do blog, quais actas do seminário. Um dia, decerto que invejoso do fraterno e gentil associativismo que ali grassava, um actual comparsa da afamada e bem apessoada apresentadora Cristina Ferreira, bramou em comício contra estes repastos, inventando-os de "conspiratórios", invectivando-nos como o "grupo do Império" ao serviço de esconsas e decerto que benfiquistas agendas.

O último destes encontros ocorreu no passado 6 de Março de 2020. Debateu-se o então concluído consulado de Jorge Silas, invectivou-se a demencial (de dispendiosa) contratação do jovem Amorim, resmungaram-se apelos a um "idos de Março" dada a deriva da república clubística. Mas já nos cumprimentámos com essas cotoveladas que então tinham chegado para ficarem, pois a "gripe da China" já foi mais falada do que a infecção financeira do Sporting. E desde desde esse dia, no dealbar do maldito Covidoceno que nos submergiu, nunca mais houve convívios do famigerado "grupo conspirador". Várias vezes lamentei esse rumo blogal, incompreendendo a ausência de fervor clubístico e convivencial, que nem a apaixonante conquista do tão desejado título nacional reacendeu. Nem mesmo o propalado final da pandemia, quando o governo anunciou a libertação total do país (momento entretanto esquecido pelos acima referidos comentadeiros da bola e quejandos assuntos), ressuscitou o afã comensal dos ínclitos bloguistas. Enfim, nada mais me ocorreu do que me apartar dessas memórias, ainda que humanamente preocupado com o aparente esmagamento moral dos meus parceiros, encerrados nos seus confinamentos espirituais, como é notoriamente vigente entre vastos nichos dos compatriotas.

Ontem, a convite de casal amigo, regressei ao Café Império, dois anos depois. Ali se congregou um simpático grupo comensal, amigos que residiram em Maputo já neste XXI. Todos partilhando saudades da "terra" e dos "tempos", todos também partilhando saudades do entre-nós. Mas isso é matéria, até íntima, alheia a este blog... Pois o que quero significar é que ao entrar logo deparei com a transmissão do embate atlântico, o Santa Clara-Sporting. O qual acabou com a inédita derrota do nosso clube neste campeonato, um desaire já tão raro que tanto nos espanta - ao invés do que acontecia em temporadas provectas, onde nos eram costume tais desenlaces tristonhos.

Mas, no estertor da derrota, enquanto bebericava a imperial e encetava o (belo) bife da vazia, percebi a causa do evitamento que o grupo blogal do És a Nossa Fé! tem dedicado ao "Café Império" e aos nossos repastos. Não há dúvida, dois anos de sucessos continuados sem lá ter ido. E agora, indo lá eu ao bife o Sporting perde. Houve, evidentemente uma premonição colectiva à qual eu não acedera, ateu incompetente face aos omnipresentes sortilégios: aquilo dá azar. Dieta, é o que nos cumpre...

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