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Nenhures

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30
Jun21

Segurança Rodoviária

jpt

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A gentrificação da esquerda portuguesa, com a "colarinhização" do operariado remanescente e o avençamento dos antigos "intelectuais orgânicos", nunca se terá visto tanto como agora: o Ministro da Administração Interna, detentor da tutela sobre a segurança rodoviária, transitando em excesso de velocidade numa zona sinalizada atropela mortalmente um operário não-especializado, ali a trabalhar. O governante alija-se de quaisquer responsabilidades. A família enlutada cai na ruína.
 
E a "esquerda" - sindicatos, partidos, associações, publicistas - cala-se. O ministro? Duas semanas passadas continua em funções.
 
(Já agora, e porque é a única moeda de que estes trastes percebem: sabem para onde depois vão os votos?)
 
Adenda: A tentativa de ministro e governo se eximirem à responsabilidade relativamente a "contrapartidas" financeiras (com as aspas necessárias diante do termo utilizado para um seguro devido à família amputada do seu pai) é uma coisa inenarrável. Mas a isso soma-se a atitude, que me narram, do ministro Eduardo Cabrita nem sequer ter tido a humanidade de se inteirar no local - por frémito solidário que fosse - do acontecido com o sinistrado, mantendo-se com o seu ministro encerrado na viatura. Algo que mostra, grita, o tipo de homem que ali está, evidentemente depois tentando-se escapulir à assumpção de responsabilidades, políticas, morais, financeiras.
 
Neste caso não há muito a escalpelizar: um carro de ministro em excesso de velocidade atropela um trabalhador em área laboral sinalizada. Grande borregada do condutor, total responsabilidade política do ministro. Um infelicidade absoluta para o falecido, um drama para a sua família. E um infelicidade muito relativa, ainda assim, tanto para o motorista como para o seu mandante. Que deverão arcar com as suas pesadas responsabilidades e, apesar de tudo, seguir com as suas vidas. Mas como esperar isso quando o PM Costa, interrogado sobre hipotéticas responsabilidades num incêndio que causou 60 e tal (65?) mortos, tantos deles numa estrada, teve o desplante de responder "Não me faça rir". "Não me faça rir"!!!..-
 
E tudo se torna ainda mais pérfido se pensarmos não só que Cabrita é o responsável pela Segurança Rodoviária. Mas também no facto de que - na sequência das críticas à "endogamia" do governo passado, pejado de relações conjugais e filiais - a sua mulher deixara de ser ministra. Para agora, dois anos depois, ser "repescada" para um posto muitíssimo bem remunerado (16000 euros mensais, mais ou menos). E que é o de Autoridade de Mobilidade e Transportes, o que imediatamente - mesmo se for algo incorrecto - faz remeter para este acontecimento infausto. Ou seja, o governo (mesmo que Cabrita seja, como é, um péssimo ministro) tem que tentar calar isto. E os avençados, jornalistas, universitários, colunistas, velhos bloguistas do "Jugular" e Câmara Corporativa e actuais Adões e Silvas, têm de redobrar o afã na constante felação ao poder, socorrendo o governo nesta abjecta vergonha.

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