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Nenhures

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O último número da Anthropology Southern Africa -  46 (2) (2023) - vem dedicado a Moçambique, sob o tópico "Resilience and Methodological Resistance: ethnographies of Mozambique during pandemic times". Nele surgem textos de cinco antropólogos: José Adalima, Xénia de Carvalho, Fernando Florêncio, Elísio Jossias, Maria Paula Meneses.

A (bela) fotografia da capa é da autoria do também antropólogo Anésio Manhiça.

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Há pouco aqui o referi (e expliquei o processo). E agora repito (mas não a explicação): há alguns anos dediquei-me a escrever uma espécie de livro sobre a minha experiência profissional austral. Seria o "Basta Viver: Um Olhar Embaciado Sob Moçambique", uma introdução e 12 capítulos, uns textos mais longos, escritos em tom académico. Depois, por razões várias, interrompi a (demorada) tarefa.

Há pouco regressei àquilo, burilando alguns textos, completando outros. Escolhi divulgá-los - pois deram-me demasiado trabalho para que os deixe eu nas catacumbas dos meus arquivos. E estou (re)publicá-los na minha conta da rede Academia.edu. Em fascículos. Talvez algum visitante se possa interessar neles, ou conheça alguém que se interesse  e assim faça uma chamada de atenção, até mesmo um reenvio. Não serei pago por os ter escrito, mas a remuneração em leituras alheias ser-me-á, garanto, suficiente...

Entretanto há duas semanas o já centenário sábio Edgar Morin veio proferir uma conferência a Lisboa. E teve a devida cobertura noticiosa. Na qual abundaram as referências à "lusofonia" - talvez porque uma das instituições co-organizadoras da sessão carrega esse termo/sonho no seu nome. Sorri. E dei um retoque nos rodapés de um texto meu sobre a tal lusofonia - esse que já me custou um bom emprego, como aqui narrei, pois um mandarim académico se ofendeu por eu ali ter escrito o óbvio, isso de se filiar ele na tralha utópica que dá subsídios a quem a profere. E também tirei as teias de aranha aos textos que o antecediam nesse meu projecto. 

E então aqui deixo as ligações para os cinco primeiros textos ("artigos", "capítulos", como se quiser) desse meu vetusto projecto. Ficam, repito-me, para quem se interesse pelo que passou na cabeça de um antropólogo português em Moçambique:

5. Olhar Português em África: ensaio sobre a lusofonia. - uma visão crítica sobre as crenças na "lusofonia" e sua ambivalente articulação com as visões sobre o(s) império(s) português(eses).

4. A Apneia Desengajada: a antropologia e o desenvolvimento. - uma reflexão autobiográfica sobre a utilização da Antropologia nos projectos de Desenvolvimento.

3. Antropologia: a ciência do colono? - sobre as invectivas à Antropologia, reduzindo-a a "ciência colonial" ou "pós-colonial".

2. "As Botas do Antropólogo: sobre os métodos de trabalho em Antropologia". - uma memória sobre as várias técnicas de pesquisa que utilizei em trabalhos realizados em Moçambique.

1. (Introdução) "Do Maputo ao Rovuma, do Zumbo às Águas do Índico"; - a apresentação do projecto que conduziu a realização deste trabalho.

Em breve colocarei mais ligações aos textos que for definitivamente terminando.

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Há alguns anos dediquei-me a escrever uma espécie de livro sobre a minha experiência profissional austral. Seria o "Basta Viver: Um Olhar Embaciado Sob Moçambique", uma introdução e 12 capítulos, uns textos mais longos. Foi tarefa em que afrontei a minha faceta "transgender", pois tecia-os dolorosamente durante longas jornadas. Para, nas noites esconsas, encarnar Penélope, destecendo-os furiosamente. Ainda assim estava eu - finalmente - prestes a terminar aquela minha mortalha intelectual quando veio o Covid. Confinei-me. E assim continuei - apesar das vacinas que tomei (do lote Pfizzer, caso o detalhe ainda vos seja relevante) -, confinado, findado, pois imóvel, desistindo daquele trapo, já imundo. De vez em quando sacudia-lhe as traças, nada mais.

Há pouco regressei àquilo. Leio os textos com indulgência - sofrem de uma estéril pompa, típica de um homem de meia-idade traumatizado, a sofrer de um complexo escolástico. Mas não tenho energia para reescrever aquelas 400 páginas num registo solto, o apropriado ao júbilo da reflexão autónoma, a desnecessitar de se justificar. Restam-me 2 opções: o panache de delir os arquivos; a humildade de os divulgar.

Escolhi divulgá-los. Refiz (mantendo o tal registo pomposo) alguns, completei outros. E vou (re)publicá-los na minha conta da rede Academia.edu. Em fascículos, semanais, assim fazendo o tal livro. Não sei se interessam aos aqui visitantes, se estes terão paciência para longos textos com meneios intelectuais. Mas pode ser que algum deles se possa interessar. Ou conheça outrem que possa ter interesse, e assim faça uma chamada de atenção, até mesmo um envio. Enfim, pelo menos estas (re)publicações poderão servir para minha "prova de vida". E, quem sabe, até poderão colher alguns leitores que se tornem dialogantes, debatendo o que eu escrevi.

Então aqui seguem as ligações aos dois primeiros fascículos desse meu "Basta Viver!":

1. (Introdução) "Do Maputo ao Rovuma, do Zumbo às Águas do Índico"

2. "As Botas do Antropólogo: sobre os métodos de trabalho em Antropologia".

Para a semana haverá outro fascículo.

 
[Marc Augé] L'anthropologie aujourd'hui
 
Por vezes resmungo com a imprensa "de referência" portuguesa, cheia de aparências "cultas", e nisso de obituários do showbizz ou de cortesãos, "aparatchicos" tantos deles. Alguns dirão "lá está o reaccionário". Seja!
 
Pois é no Facebook - essa malvada "rede social", tão invectivada por ser território de falsidades e futilidades - que vejo a notícia da morte do grande Marc Augé! Há já quatro dias! Googlo e notícias lusas inexistem - e o que o Google não mostra é porque não existe. Incrível, não só pela notoriedade de Augé como pelo facto dele ter sido dos poucos antropólogos publicados em Portugal - já naquela velha colecção de "livros pretos" das Edições 70 (não os tenho aqui mas pelos menos foram editados o "Domínios do Parentesco" e "A Construção do Mundo" - este último por ele organizado). E depois, mais recentemente, foram sendo publicados vários dos seus livros, isto sob o lema que lhe deram, o de "antropólogo do mundo contemporâneo".
 
Enfim, não me vou por a fazer aqui um "obituário" e muito menos uma eulogia - para o fazer a um homem destes faltar-me-ia o "engenho e a arte". Que algum mais graduado o faça, se alguém o entender. Mas já que os "de referência" nada disseram partilho aqui uma sua palestra, "A Antropologia Hoje" - ele começa a falar aos 13'40''. Lamentavelmente o filme não tem legendas e isto fica para francófonos - atenção, Augé tinha uma bela dicção, quem percebe um pouco de francês poderá acompanhar sem problemas o seu pausado e claro falar.

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