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Nenhures

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Antropólogos russos contra a guerra (texto de petição)

Um amigo em Maputo - pouco prolixo no Facebook, e bem menos sobre temáticas com incidência política - escreve no seu mural, desencantado: "A quantidade de amigos moçambicanos a favor da invasão da Ucrânia envergonha-me." Cá de longe vejo o mesmo, não me envergonhando mas ficando com pele de galinha.
 
E também com alguma surpresa. Não pela existência dessa corrente de opinião, pois conhecendo o país será de a esperar. Mas pela sua dimensão, a sucessão de postais e comentários no Facebook que surgem nesse sentido - vários explícitos ("a Rússia tem razão", "é legítima a sua acção"), imensos implícitos ("a Rússia tem razões"). E alguns verdadeiramente patéticos ("o "Norte" quer impor um barómetro moral mundial e depois não liga aos conflitos em África" - dos quais é, evidentemente, responsável tanto quanto às causas como às formas como são dirimidos, é a perene tese). Não vou elaborar muito sobre este ambiente intelectual - mas recomendo a leitura de um texto sobre o assunto que o sociólogo Elísio Macamo acaba de colocar no seu mural e com o qual, grosso modo, concordo.
 
Mas há um ponto que sublinho, a abrangência do negacionismo que ali se encontra. Por um lado, a irrelevância atribuída a este "pequeno" detalhe: no fim-de-semana a Bielorússia fez um referendo - antes planeado, e com resultados prenunciados pelo seu presidente ainda em 2021 -, assim disponibilizando-se para ter (mais) tropas russas e arsenal nuclear encostados à União Europeia e à NATO. O que diriam estes opinadores moçambicanos (e as suas fontes brasileiras) se na sequência disso os EUA/NATO tivessem invadido a Bielorússia?
 
Mas o negacionismo vais mais longe, refutando a relevância deste processo. Telefonei a um querido amigo, pois fiquei verdadeiramente estupefacto com proclamações descalibradas que fez a este respeito. Ali ao Whatsapp disse-lhe "isto é a maior guerra europeia desde 1945!", enfatizando o meu estupor diante das suas opiniões, ao que levei o atestado de menoridade intelectual: "qual maior guerra!!! estás a ir na propaganda dos americanos". Apenas quatro dias depois presume-se haver já 7 milhões de deslocados e estão mesmo quantificados 400 mil refugiados em países vizinhos. Números que seriam de esperar, e que previsivelmente crescerão. Mas nada disto, este cansativo real, importa pois é apenas propaganda americana... Dado que o fundamental é criticar o "Ocidente" e, em cabendo, Portugal.
 
Isto não seria relevante se fosse apenas o ruído do magma das redes sociais. Mas não é, pois encontro alguma gente do escol nacional botando neste sentido. E, isso sim é-me doloroso, encontro antropólogos neste "adeptismo" mais ou menos explícito à ofensiva russa.
 
Por isso partilho aqui este documento, produzido por um conjunto alargado de antropólogos russos, opondo-se a esta guerra sem rodeios nem derivas "contextualizadoras" (dessas que surgem como se legitimadoras). E lembro que a Rússia é uma "democracia musculada", e que mais ríspido está agora o regime. E que sendo assim produzir e subscrever um texto destes é muito mais difícil do que promover os inúmeros abaixo-assinados contestatários no nosso pérfido "Ocidente".
 
Partilho o texto na esperança de que alguns antropólogos entre o Rovuma e o Maputo, do Zumbo às águas do Índico - e se possível também alguns primos das outras disciplinas, que de facto nos são siamesas -, possam ler o que os colegas russos dizem. Talvez ajude.

(Insólito em Quelimane Galinha misteriosa agita a cidade de Quelimane no bairro Chuambo Dembe)

De Maputo recebo esta curta reportagem - afinal já de 2020 -, embrulhada num sorriso. E diante desta galinha mágica, encontrada adornada com uma nota de 50 meticais e que então alvoroçou a população do bairro Chuambo Dembe em Quelimane, tanto que até convocou a televisão local, logo me lembro das quantas vezes que (enquanto exerci) me perguntaram "o que é isso de ser antropólogo?". E sabei então - ainda para mais porque ledes este tipo que passou bons anos a tentar ensinar Antropologia da Economia - que é apenas o ter "engenho e arte" para demonstrar, sem qualquer sorriso envolvente, que isto que aqui se vê é tal e qual João Rendeiro. Mas com um bom bocado a menos de crendice.

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Leio aqui que hoje mesmo Narana Coissoró completa 90 anos, uma bela idade, e que haverá uma homenagem em molde convivencial (haverá melhor forma?) agregando familiares, amigos, colegas e correligionários.
 
E logo lembro este seu tão interessante trabalho, publicado em 1966, que li e reli ainda em XX e no qual tanto aprendi. E que está escondido, muito pela nossa (não tanto minha) mania de considerar "datado" o que nos é passado, e nisso apoucar aquilo que, como tudo, é fruto dos quadros teóricos do seu tempo. Infelizmente neste momento disto umas dezenas de quilómetros do meu exemplar, bem que gostaria de o folhear, nisso vasculhando os (imensos) sublinhados e gizar uma rápida recensão, em forma de vénia. Pois se escrever de memória (cada vez mais romba, a minha) nada mais conseguirei do botar meras generalidades sobre o livro, e temo que mesmo essas poluíveis por leituras outras, anteriores e posteriores, sobre essas temáticas e contextos - percebi-o ao tentar encetar coisa pouca que fosse.
 
Fica então apenas a tal vénia por quem, em tão peculiar momento e tão específico contexto de dinamização dos estudos portugueses em África, se abalançou a tamanha investigação, isso das questões de sucessão (e descendência), recenseando e tratando tanta informação. Algo precioso para quem estude Moçambique, já agora.
 
Adenda: Para quem não conheça o livro deixo a transcrição de uma breve recensão feita pelo grande Richard P. Werbner:
 
"The Customary Laws of Succession in Central Africa. By NARANA COISSORÓ. [Doctoral thesis, University of London, 1962.] Lisbon: Junta de Investigag6es do Ultramar, 1966. (Estudos de Ciencias Politicas e Sociais, 78.) Pp. li, 412, bibl. 60 escudos.
 
A reference work for jurists, primarily, this is a comprehensive and highly technical handbook of judicial rulings and jural norms of succession, up to 1962, among Plateau Tonga, Bemba, Ngoni, Nyakyusa, Cewa, and Yao. A chapter is devoted to each separately (except for Cewa together with Yao), following roughly the same legal lines: general background, funeral rites, administration of the estate, property left by the deceased, intestate succession, succession to women, testate succession. Standard ethnographies, government or travellers' reports, and also fourteen unpublished cases are the sources. Finally, there is a discussion of the African Wills and Succession Ordinance (Nyasaland) and of conflicts of law. This examines questions of legal pluralism, showing where African personal law and tribal rules of construction take precedence. The author suggests that, in colonial times, an African could draw up a will, a formally valid instrument, which could still be challenged as not being "essentially valid", because it was not in accord with the testator's tribe's customary laws "governing his civil status regarding succession"'. The author adds, however, "Unfortunately, the Africans are not aware of this legal distinction and sometimes they think that the admission to probate makes the dispositions in the will unchallengeable." Readers familiar with the ethnography will also find other unfamiliar distinctions, as in his argument about the necessity for personal law to apply for the validity of a will; "Otherwise a simple written paper - "nuda cogitatio" - in the eye of law - would change the civil status of an African to that of a non-African pro hac vice." The compendium lacks an index, though the table of contents is very full and does allow cross-reference."
 
[Richard P. Werbner, Africa: Journal of the International African Institute Vol. 41, No. 2 (Apr., 1971), p. 176]

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Um curso curto - um mês com três sessões semanais -, organizado por gente que bem conheço e muito reconheço, que vem com um olhar algo peculiar. Se eu ainda tivesse energia intelectual inscrever-me-ia... Por tudo isso aqui o recomendo, para quem se possa interessar. Ou o possa divulgar. Deixo o programa:

*****

Apresentação

O curso inquire sobre as relações entre arte, religião e sociedade a partir de uma perspectiva multidisciplinar. O seu objetivo não é o de estabelecer uma elucidação “analítica” e “teórica” do conteúdo dessas noções ou da natureza da relação entre os “domínios” ou “fenómenos” que circunscrevem. Procura-se antes compreendê-las a partir do modo como a sua articulação define formas históricas e culturais plurais de constituição dos planos de partilha intersubjetiva que estão na base do que chamamos de comunidade, povo, nação ou tradição. Para o fazer organiza-se em três módulos que focam a história da arte do ocidente; as raízes metafísicas e os percursos históricos da reflexão sobre a definição e função religiosa e secular da arte; e, por último, os rumos e cruzamentos das perspectivas da fenomenologia e da interrogação antropológica, histórica e filosófica sobre arte.

Docentes: Filipe Verde (CRIA-ISCTE), João Borges, Ricardo Santos Alexandre (CRIA-ISCTE), Guilherme Figueiredo (CRIA-ISCTE)

Público-alvo: Estudantes de ciências sociais, arquitetura e arte, público em geral

Local: Segundas, Terças e Quintas | 18h - 20h | NOVA FCSH - Campus de Campolide

Valor do curso: 140€ | 80€ (membros do CRIA e estudantes, mediante comprovativo)

Nota: Os cancelamentos de inscrição ou pedidos de devolução só poderão ser feitos até ao dia 13 de outubro. O CRIA retém uma taxa de 10% nas devoluções de inscrições.

 

PROGRAMA

 

Módulo 1 - História da Arte Ocidental

  • As primeiras ‘grandes’ civilizações: Egipto, Grécia, Roma - sistemas religiosos e arte
  • A emergência da arte Paleocristã, Bizâncio e o Renascimento Carolíngio
  • A consolidação do sistema feudal e a arte da Alta Idade Média (Românico, Gótico, Mudéjar)
  • Renascimento e Maneirismo, do humanismo à reforma protestante
  • A arte Barroca entre a Contra-Reforma e o ‘petit-genre’ popular
  • O Rococó e o colapso da sociedade aristocrática
  • Voltaire e Jacques-Louis David, as primeiras revoluções burguesas
  • Romantismo - Inglaterra, Alemanha e França
  • O drama doméstico: o caso de Ibsen
  • Decadência e revivalismo: a arte ultra-romântica da era Vitoriana
  • Realismo e expressão: o surgimento da fotografia, a obra de J.W. Turner
  • As primeiras correntes modernistas (fauvismo, cubismo, expressionismo, surrealismo)
  • O cinema como nova forma de arte (e de propaganda)
  • O papel da cultura ‘pop’ no pós-2ª Guerra Mundial
  • Os novos meios e a arte conceptual
  • O papel da cultura ‘pop’ na atualidade

Módulo 2 - Arte e Filosofia

  • Concepções de arte na Antiguidade Egípcia e Grega - techne e poiesis
  • A “Ideia” e o “Belo” em Platão, Aristóteles, Estóicos e Neoplatonistas
  • Concepções de arte na Idade Média
  • Teoria da arte no Renascimento - a naturalização do pensamento sobre arte
  • Teoria da arte no Iluminismo e no Romantismo - aparecimento da estética - Burke, Kant, Schiller
  • Teoria da arte no séc. XX - Crítica da estética - Heidegger e Dewey
  • Religião, arte e as formas do divino
  • O símbolo para além da representação: presença e participação
  • Mircea Eliade - entre a religião e a arte
  • Teofania e Hierofania - a tangibilidade do divino
  • Espaço sagrado e o centro do mundo

Módulo 3 - Arte/Imagem, Religião e Sociedade

  • A tradição das tradições: Atenas e Jerusalém em A Escola de Atenas e A Disputa do Sacramento - Rafael
  • Modernidade e desencantamento - Moby Dick, de Herman Melville
  • A arte tem, ou teve?, uma história. De Hegel a Nietzsche, Heidegger e Gadamer: a crítica da estética e a promessa da superação da metafísica da subjetividade
  • Arte/Imagem e Religião - entre Iconoclastia e Consagração
  • Arte e Ontologia - o Templo Grego, todos os Templos, o que é um Templo
  • Arte, Ritual e Sociedade - lugar, temporalidade e a formação do “nós”
  • Religiões seculares, arte e propaganda - O Triunfo da Vontade, de Leni Riefenstahl; O Couraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein

FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO: (Pressionar em "Arte e Religião, Arte e Sociedade"

 

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(Texto para o grupo de Facebook Nenhures - no qual divulgo as publicações deste blog):
 
Algumas impressões ainda a propósito do filme moçambicano "Sonhámos Um País" do Camilo de Sousa e da Isabel Noronha, que foi transmitido na passada semana pela RTP2 :
 
1 - Não vou aqui debater o filme. Pois - e apesar de eu, ao longo dos anos, ter depurado blog(s) e o meu FB dos dichotes alheios mais abrasivos - sobre a temática dos processos independentistas há sempre o risco de se cair num exasperado ambiente de "prós" vs "contras", de invectivas aos "tugas" (neo)colonos e aos "turras" comunistas. E não tenho paciência para isso, o que é razão mais do que suficiente para este meu evitamento.
 
2 - Mas alerto quem não o viu para que se trata de um belíssimo filme. Uma querida amiga - que investigou sobre a história cultural do país mas não é moçambicana e nunca ali viveu -, por mim alertada para a transmissão, escreveu-me "obrigada, chorei ao ver". 
 
Também eu me comovi e não tanto por conhecer o protagonista-realizador. Mas por no filme reencontrar - mesmo num objecto destes, um sofrido memorialismo analítico - os constrangimentos intelectuais impostos pela socialização no nacionalismo e, ainda mais, pelo impacto omnipresente do carisma da I República, em particular de Machel (Samora, como se o nomeia em Moçambique, forma óbvia de exaltante aproximação afectiva). Ilustro isso com a forma como a este se refere um dos três protagonistas do filme, um dos seviciados: repetidamente alude ao "saudoso marechal". Ou como quando Camilo de Sousa refere as instruções recebidas para documentar a situação dos campos de reeducação sendo que depois estes recrudesceram. Isto denota as contradições no poder de então mas também a ambivalência (quase sempre apagada) do próprio Machel. Mas mais interessante ainda, em particular para quem não esteja preso à "avaliação" retrospectiva do processo político - num verdadeiro "ajuste de contas", por vezes apenas revanchista mas na sua maioria devotado a reclamar legitimidade no presente - é reconhecer através do filme a força imensa que teve o moralismo, puritano mas também profundamente racista (e "tribalista", para usar o termo de então), naquela fase política mas também como molde de interiorização de uma forma particular de nacionalismo. Os quais, moralismo e racismo, se mantêm como adubo dos valores que são consagrados, no espaço político e privado.
 
E também por isso, por no filme se encontrarem estes nós górdios ideológicos que demarcam a análise do processo - mesmo num magnífico trabalho como este - que volto a recomendar a entrevista de Camilo de Sousa ao José Navarro de Andrade (a partir dos 30'30'' nesta ligação ao programa "Muito Barulho Para Nada", edição de 22 de Julho de 2020). Ambos sábios, sem oposição nem afronta por parte do entrevistador (como é tão costume na tv) mas uma verdadeira conversa, de facto sobre mundivisões. Desiludidas.
 
3. Nos comentários, no grupo "Nenhures" e em outros murais de FB, percebi que o filme nunca foi projectado ou transmitido em Moçambique. Estreado em 2020 em parte isso dever-se-á à contracção que o Covid-19 provocou. Mas talvez não só, pois presumo que haja algum evitamento local dado que é um objecto de difícil digestão interna: trata-se de uma dolorosa análise crítica "por dentro". Pois o Camilo é um "antigo combatente" e nunca "dissidiu" (para usar a velha terminologia). É então necessário procurar evitar o relativo silenciamento que este tipo de obras sempre promovem - naquele país e em tantos outros. E assim que pelo menos a RTP-África o transmita, o que seria um verdadeiro acto de "serviço público". Mas também que instituições culturais em Moçambique, nacionais ou estrangeiras, organizem a sua projecção pública, nas quais muito mais se induzem debates e memorialismos.
 
4. Sobre o período dos campos não inexistem textos. João Paulo Borges Coelho publicou "Campos de Trânsito" (em 2007) e Ungulani Ba Ka Khosa o "Entre Memórias Silenciadas" (em 2013). Seria interessante saber o impacto que estas obras realmente tiveram no contexto letrado do país. No qual este assunto dos "Campos de Reeducação", e da "Operação Produção", continua a ser mais aludida do que dissecada. E seria ainda mais interessante voltar-se a esses livros, debatê-los, o que é forma de os fazer ler, convocar a curiosidade sobre eles. E também Licínio de Azevedo fez dois filmes incidindo nesse período e na ideologia de moral pública então dominante, "A Última Prostituta" (1999) e "Virgem Margarida" (2012).
 
5. Finalmente quero chamar a atenção para uma excelente tese de doutoramento sobre esta matéria, realizada pelo investigador moçambicano Benedito Machava, "The Morality of Revolution: Urban Cleanup Campaigns, Reeducation Camps, and Citizenship in Socialist Mozambique (1974-1988)" [basta carregar no título que se pode gravar o documento completo]. É tempo desta tese sair do remanso dos esconsos acervos universitários e ser traduzida, publicada e lida. E, acima de tudo, debatida. O mesmo se aplica à tese de doutoramento de Isabel Noronha, co-autora deste filme, intitulada "Tacteando o Indizível", a qual ainda não li mas que decerto será contributo para um debate alargado (e ponderado, se possível) sobre este processo histórico, suas práticas e dimensões ideológicas.

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