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Nenhures

Nenhures

Crónica dos dias do COVID (12): e eu?

(Unforgiven, cena da morte de Little Bill).

Isto não será tão terrível como os relances aos abismos dos nossos medos anunciam. Mas vou, na insónia, sombrio. Sem histeria, sem preces porque ateu. Sombrio. A minha preocupação é a minha filha, felizmente já aqui ao lado. E o rancho de sobrinhos(-netos), os do futuro. Depois, pois não falo de hierarquias de amor, a minha mãe, casais de irmãos, parentela espiritual. Vou, assim, como (quase) todos irão. Num passo à frente, pois coisa diferente, o meu país e a minha paixão Moçambique, este tão mais frágil se isto for tão péssimo como a insónia o teme.

E eu, cinquentão fumador? Um algo venha o que vier. O qual sempre imagino assim, revendo-me, e não só agora: Gene Hackman é um desatinado, truculento. E, acima de tudo, um péssimo carpinteiro que se meteu em patética auto-construção. Clint é o demo justiceiro. E vai matá-lo a sangue-frio. E Hackman diz (-lhe/nos) "eu não mereço isto! Estou a construir uma casa!".

Clint Rules. E o merecimento nada tem a ver com isto. Nem o auto-convencimento ...

A ética

Filming of ‘The African Queen’, 1951 (2).jpg

Ser conservador é isto: perceber que há valores imorredouros, bem para além das notícias (e entrevistas) que fazem a "espuma dos dias" das modas e "boas causas". Há os predestinados, que logo o pressentem. E os outros, nós, o vulgo, que compreendemos isto com a chegada da idade. E depois há os outros, tantos - coitados de nós -, que nunca o entenderão.

(Esta imagem da ética foi realizada em 1951 nas filmagens do "African Queen", de John Huston: galeria de fotografias aqui).

Resolução para o novo ano

julia-roberts-by-michael-tighe-13.jpg

(Julia Roberts, colhida nesta galeria de fotos suas dos anos 80s e 90s)

Durante o nosso telefonema de Boas Festas ("como está tudo?") a minha boa amiga Joana, décadas de caminhos e geografias algo comuns, confirmou o que outros amigos me dizem: "És muito rezingão ...". Não é assim que me vejo. Mas talvez seja defeito meu, uso o blog (e o FB) para libertar a azia provocada pelas más-coisas do meu país. E percebo, aos 55 anos, que isso é um provinciano erro meu, a ideia de que um tipo minimamente informado (um "quase-intelectual", se me permitis a presunção) deve explanar a sua visão dos males do mundo, como se os pudesse influenciar. E guardar para o registo pessoal ("público" vs "privado", dizia-se) os factos da sua privacidade, as boas coisas (e também as más, as maleitas e as infelicidades).

Segui assim um bacoco, a montar uma "persona". E, para este Natal e nova década (sim, aquele meu outro patético "eu" sabe que a década começa em 21), decido mudar de vida internética.

Menos rezingão, mais franco: saudando o magnífico Portugal (que o é), celebrando o excepcional grande punhado de amigos que me fazem o favor de o ser, louvando a Família que me acarinha. Explicitando as belas sessões de convívio, as patuscadas que se vão seguindo apesar das idades dos participantes, as piadas conjugadas e tão gargalhadas. As vitórias e derrotas do meu Sporting, e as risadas e inóquos resmungos que me provocam. Os belos livros, e até imagens (em movimento ou paradas) consumidas. Entre eles, o magnífico legado de textos de antropologia, coisa tão boa de estudar. E, claro, as maravilhosas mulheres que nos rodeiam. Ao vivo. E, já agora, as que nos surgem nos ecrãs, tanto acalentando-nos.

Celebrarei assim este vale de sorrisos. Na realidade, o meu verdadeiro quotidiano, tão diferente do da pantomina daquele "quase-intelectual" que quis afivelar. Começo assim. E não creio que melhor escolha pudesse haver.

Tende um feliz natal. E uma Bela Década de 20.

 

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