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Nenhures

Nenhures

A Tragédia de Macbeth

Why should you read "Macbeth"? - Brendan Pelsue (TEDEd); Animação de Silvia Petrov.

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Para quê reler Macbeth aos cinquenta e tal anos? Talvez para nunca esquecer a dúvida sobre a virtude do poder, aquilo que diz Malcolm a Macduff, antes de partir à reconquista do reino de que era legítimo herdeiro, e que fora usurpado por Macbeth: 

"... penso que a nossa terra se afunda debaixo do jugo. Chora e sangra e, em cada novo dia que passa, junta-se mais uma ferida às suas chagas. ( ...) Mas, apesar de tudo isso, quando esmagar a cabeça do Tirano, ou a erguer na ponta da espada, terá a minha pobre Pátria ainda mais vícios do que tinha antes, mais sofrimentos e misérias do que nunca sob o reino daquele que lhe suceder. (...) É de mim próprio que falo, de mim em que conheço tantos vícios que, quando libertos, o negro Macbeth parecerá tão puro como a neve, e o pobre Estado o tomará como cordeiro, se o comparar com as minhas infinitas malfeitorias. (...) Sei que ele é sanguinário, libidinoso, avarento, falso, desonesto, violento, mau, pejado de todos os pecados que se podem nomear. Mas não tem fundo a minha libertinagem (...) É melhor Macbeth do que um tal Rei". (Tradução de João Palma-Ferreira, edição Livros do Brasil 171-173).

(Macbeth de Orson Welles) - é ver já, antes que seja bloqueado

 

"William Shakespeare and the Roots of Western Civilization" - Paul Cantor

 

Paul Cantor on Shakespeare and Politics (I, II): Conversations with Bill Kristol

Livro em inglês ( edição colocada no sítio The Complete Works of William Shakespeare);

Livro em edição bilingue inglês-português (do Brasil), com tradução de Rafael Raffaelli.

Pós-Brexit

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Uma belíssima capa do Guardian, algo escatológica, típico lamento dos "remainers". Inclino-me para que daqui a poucos anos nem nos lembremos deste episódio. Ou seja, que a saída da G.-B. da UE não cause o fim do mundo tal como o conhecemos.

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Mas faz-me lembrar um pequeno episódio. No ano passado, nas estantes da casa de Bruxelas onde vivi, reencontrei este livro, institucional, "As Novas Fronteiras da Europa – o Alargamento da União: Desafios e Consequências”. Trata-se das actas de uma conferência organizada pela Gulbenkian, em Outubro de 2004. Dedicada à problemática do alargamento da União Europeia. Várias personalidades reconhecidas foram falar (Daniel Hamilton, Roxane Silberman, Michael Zuckert, Thérèse Delpech, Yegor Gaidar, Antoine Compagnon, Josef Jarab, Michael Emerson, Willem H. Buiter ou Jean-Claude Trichet). E também o presidente da república, Jorge Sampaio (discurso de Jorge Sampaio).

Li o livro na diagonal, mas com a suficiente atenção para ver que quase todos referiam os "problemas" e as "dificuldades" que o recente alargamento da UE impunha. Mas também se anunciava a necessidade de integrar a Turquia na UE. Uma necessidade apresentada como inevitabilidade, qual corolário quase tautológico da integração europeia. E também como evidência ética. Não houve naquela colecção de conferências um texto verdadeiramente crítico do conteúdo e das modalidades da União Europeia, nem das suas instituições. E muito menos uma voz dissonante relativamente à integração turca. Ou seja, na pluralidade de tons e sons normal numa série de potentados retóricos, assistiu-se ali a um pensamento único. E plácido, naquele estilo do reconhecer "problemas" de facto menores mas sem presumir "problemas" de facto maiores. Aqueles que atrapalham o tal pensamento único. Plácido. Assim inútil face à polvorosa que é sempre o mundo. E na história, europeia e não só, repetem-se as ultrapassagens sofridas por quem pensa politicamente assim.

Ok, a conferência foi em 2004. Não se pode exigir aos grandes académicos, aos políticos retirados ou aos políticos no activo (e aos assessores que escrevem os discursos) que sejam áugures. Que imaginem o imediato futuro ou o longínquo. Mas podemos exigir que não tenham um pensamento plácido. Muito feito de "deveres-seres". E muito feito na monotonia do exercício do poder, alimentado da bononia que isso traz.

Convirá lembrar o quanto todos os que se opuseram (opusemos) à entrada da Turquia foram "fascistados", "racistados". Entretanto a Erdoguização turca fez fenecer o projecto. E o mundo, europeu e alhures, tudo mudou. Agora veio o Brexitismo. Também ele "fascistado" (e um pouco "racistado").

Ficaria, num mundo melhor, para este pós-Brexit um desafio: o da exigência aos políticos e aos grandes académicos que saíssem do pensamento plácido, o dos "deveres-seres". Que saíssem do conforto das grandes conferências a repetirem-se, entoando coros. Missas laicas. Que tentassem antever o mundo, não à medida dos seus pontos de tomada de vista (dos seus horizontes), mas o mais panopticamente que pudessem. Ou seja, exercendo a verdadeira utopia intelectual e política, a inteligência abrangente.

Mas isso seria num mundo melhor. Neste mundo? Seria interessante ir perguntar aos turcófilos de então como avaliam o seu desempenho intelectual dessa altura. E sublinhar-lhes a extrema incompetência. Ou seja, apeá-los do estatuto de curandeiros que, injustificadamente, reclamam. O resto, a História. Essa segue, indomável aos fracos esforços destes sossegados intelectuais-políticos.

Paul Veyne e o cristianismo

Ligação para o registo audiovisual da conferência "As origens do cristianismo no Ocidente". (na BNF, Gallica).

O registo audiofónico de uma conversa entre Paul Veyne e Lucien Jerphagnon. (Biblioteque Medicis, "autour du christianisme", 20/04/2007, com apresentação de Jean-Pierre Elkabbach).

Em adenda, um trabalho completamente externo a Veyne, em registo mais leve. O documentário "Comment l'Europe est devenu chrétienne", de Margaret Koval, produzido por Kowall Films em 2002.

 

 

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