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Nenhures

Nenhures

A esplanada

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Ao Postigo (2):
 
Ainda que algo decadente, devido a recente mudança de proprietários e também dado o acentuado envelhecimento da clientela, esta é a "minha" esplanada lisboeta. Tem uma boa "imperial". E um bom ambiente: gente educada e gentil no serviço (uma tradição de décadas que une as quatro gerências que lhe conheci). E onde encontro amigos e (ex-)vizinhos que vêm da primária, do liceu, da adolescência. E também da juventude adulta. E até, imagine-se, feitos nesta era cinquentenária. Ali se fala de tudo: de trabalho, do ânimo - nosso e dos outros-, de política, de futebol, da saúde própria e alheia, do rame-rame, dos nossos queridos, de gastronomia e culinária, de livros, das memórias e até ainda dos anseios, e (hélas, já não) de mulheres. E durante tudo isso bebe-se...
 
Porque hoje reabriram as esplanadas vejo neste rossio facebook vários desvalorizando o nosso afã convivencial. Aos que aqui assim leio sei-os afectos a esse constante cerzir da pobre manta de retalhos que associa "direita" a "enfado" com o povoléu, o eunuco blaseísmo "lisboeta". Lembro então que George Steiner, que não era "marxista cultural", definiu a "Europa" como um espaço onde há ... cafés.
 
Por isso, porque sou europeu - e, matizadamente, europeísta - hoje ao fim da tarde, cruzado o Tejo irei até ao "Arcadas". Para uma ou outra imperial. E, talvez, uma abaladiça em formato uísque. Espero que estejas lá.

Fim da vaga

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Ao Postigo (1)
 
Finda a quarentena filial e a clausura concelhia deixaremos hoje esta enseada atlântica, norteando-nos rumo às cercanias das águas do Trancão...
 
Desde os tempos universitários que aqui não pernoitava. Velho vou mas então a vilória já não era este pitoresco feito da miséria da faina a remos e da "natureza" amanhada a enxada. Noto agora que se veio a tornar viçoso bairro social, de kebabarias e pizarias, alumínios e marquises. Antes assim!, direi realista. Porquê assim?, respondo crente, neste meu diálogo de hoje, vendo chegar a neblina matinal, enregelando a até entusiástica reabertura da esplanada fronteira ao mar, nisto da bica ainda obtida ao postigo mais o jornal "Record" para me legitimar o assento.
 
Agora? Camioneta rumo à urbe. Pois nova era, fim de vaga. E cinquentão decidido a recomeçar vida, que mo permita o Covid! Que nos permita o Covid!

Apartheid português

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Cruzei o concelho, vim a Lisboa. Cidade Grande, Capital cosmopolita: no domingo agitaram-se os "antifas", clamando contra o verdadeiro apartheid que é Portugal (Vale de Almeida dixit). No sábado haviam sido estes "antimas", clamando contra o verdadeiro apartheid que é Portugal (vox populi dixit): as fotos mostram cartazes carregados de erros ortográficos, um que chama nazis ao PM e ao PR, gente orando de braços cruzados no peito, como se isso seja curativo. Segunda-feira é para cruzar o rio, via down south. Pois não há paciência.

A culpa é de Passos Coelho

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Estes são dados do Observatório da Emigração. Aproveito para recordar um postal - "O Milagre das Rosas" - de 2010, no qual ecoei um artigo do Libération (o qual deixou de estar disponível). Portugal fora na década então finda o 3º país mundial com menor crescimento económico e tinha 350 mil emigrantes naquele quinquénio. E para não deixar resumir isto da estrutural emigração portuguesa a dichotes advindos das querelas partidárias, recomendo este artigo de 2019, "Portuguese emigration today", do sociólogo Rui Pena Pires. O qual será insuspeito de simpatias pela "direita".

Há muito a reflectir e mais ainda a fazer para obstar a este constante (e histórico) drenar. Mas há algo mais imediato que poderia ser feito, para melhorar essa necessária actuação. Há um mês aqui deixei nota sobre a execrável afirmação televisiva de Ana Drago, no afã de salvaguardar o actual governo: a disseminação do Covid-19 após o Natal deveu-se às visitas dos emigrantes em Inglaterra, fluxo acontecido devido ao governo de Passos Coelho. Os números, consabidos, mostram bem a indecência da formulação. Drago nem sequer é (por enquanto) militante do PS, a vil patacoada não foi uma fidelidade conjugal mas apenas um episódio de prostituição política. 

A questão é a da expressão pública televisiva e sua influência. Já nem falo desta pantomina de haver políticos no activo a fazerem de comentadores, em contextos que lhes encenam poses algo "neutrais", como se autónomos dos seus partidos - o caso mais risível é o da secretária-geral adjunta Mendes, ali ombreando com os aparentes "senadores flanantes" Pacheco Pereira e Lobo Xavier. Ou este Medina, que nos cabe como presidente de Lisboa, também "comentador" a tempo parcial, como se não estivesse a "full-time" em campanha. Mas a questão é para além disso, que pelo menos esses os espectadores reconhecem de imediato como "a voz do partido". A questão é a da pertinência das televisões se encherem destes Drago, simulando "olhares distanciados", analíticos e mesmo críticos. E que nada mais são do que "vozes de dono", cartilheiros.

E este caso, constante, da utilização da emigração portuguesa como invectiva a um governo - que geriu, mal ou bem, uma situação herdada - é um exemplo típico do aldrabismo de gente que é paga para nos "fazer a cabeça". Para baixar a emigração será melhor começar por melhorar a locução. Expugar-nos de cartilheiros, venham de onde vierem. E depois fazer o resto...

Rachmaninoff e o Covid-19

(Rachmaninoff: Piano Concerto no.2 op.18, Anna Vinnitskaya e a Orquestra Sinfónica de Colónia)

Temos que ser uns para os outros. E muito mais nesta era covidocena. Falo, coração nas mãos, da saúde mental de nós-todos, gente confinada, do apoio, avisos e conselhos que podemos trocar, mesmo deste modo virtual. Aqui segue o meu: a Music3 (estação belga) está a transmitir este célebre Rachmaminoff sob esta pianista. Não sou melómano para discutir da competência de Vinnitskaya nem para elaborar sobre o compositor, sua pertinência coeva e etc. Nem sobre este concerto 2, que se tornou padrão. Mas posso afiançar aos confinados doridos: talvez seja melhor não se ouvir isto nestes momentos. Não sei porquê, nem explicar. Apenas resmungo que é melhor ir buscar outra coisa. Que fira menos

A "colaboração" alemã vs o Covid-19

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O governo estará exaurido. E é óbvio que perdeu o tino, neste escandaloso descalabro face à pandemia - mesmo que se deva reconhecer o evidente, que a disseminação viral muito independe de medidas executivas. Vive, como sempre, da propaganda - dominante na imprensa, via jornalistas e académicos, economicamente dependentes e sociologicamente próximos deste PS. E reproduzida nestas redes sociais, muito pelo universo clientelar da função pública (como abaixo referi, académicos do Estado a promoverem em Janeiro de 2021 a ministra da Saúde como "Super-Marta" é do mais sabujo que se pode ver na história pós-25 de Abril).
 
O governo sobrevive, mascara a sua tibieza incompetente, no pulsar propagandístico, no controlo da informação, no moldar das sensibilidades. Este caso da forma como é noticiada a ajuda alemã ao combate ao Covid-19 - morto que está o mito do "milagre que é Portugal", da quase-imunidade por via da vacina da BCG, de Champions League, Formula 1 e múltiplos jantares de Natal feito - é típico. E gritante.
 
O que o governo anuncia? Não que solicitou ajuda a um país aliado para debelar um momento extremamente gravoso. O que é perfeitamente curial, até obrigatório. Mas que aceitou a colaboração de um outro país, deixando entender que a iniciativa é até mesmo alheia.
 
Isto é execrável. É a gente que governa.
 

A culpa é do Passos Coelho

Ana Drago teve alguma celebridade no advento do BE parlamentar. Alguma verve, cara jovem e laroca. Saiu do Parlamento há oito anos, ingressou no LIVRE, passo que foi insuficiente para que os quadros desse neo-MES ascendessem na orgânica estatal. E algo desapareceu da vida política. Mas mantém, sabe-se lá devido a que critérios, estatuto de comentadora política no serviço público televisivo. Representatividade política? Não pode ser, dada a contínua exiguidade de comentadores associáveis a partidos com assento parlamentar como PCP e PAN, e mesmo o IL e o CHEGA. Estatuto intelectual, advindo de obra publicada? Não me parece, pelo que o google anuncia. A cara laroca? Não é argumento aceitável nestes tempos. Ter sido deputada? Não o foram, nas últimas décadas, algumas centenas de portugueses?

Vejo isto ontem. No momento da maior crise social, sanitária e económica que o país conhece desde o final do Estado Novo, com hospitais cheios, incremento da mortalidade, o que se requer a quem comenta no serviço público? Alguma densidade interpretativa, claro que sempre subjectiva. E alguma seriedade. O que vem esta velha cara laroca dizer? Explica o incremento exponencial das infecções pela disseminação da "variante inglesa" - conhecida bem antes do Natal, ao invés do que o nosso primeiro-ministro mentiu. E que esta disseminação se deve à "emigração no tempo da troika" e de Passos Coelho. O atrevimento é tão grande que a comentadora não se contém e ri-se ao proferir a mariolagem. Friso neste momento gravíssimo é este tipo de gente, este tipo de argumentação chocarreira, que a RTP, serviço público, convoca para "informar" o país. Sob que critérios, a que propósitos? Para que "serviço público"? O de elidir quaisquer responsabilidades do actual poder político, é óbvio.

E de seguida, se formos afectados pela "variante brasileira", que virá a ex-laroca Drago dizer? Apontar a culpa de algum rei constitucional, incapaz de afrontar o tráfico de "escravatura branca",  a assim dita emigração portuguesa em XIX, ou a recente "abrilada" que a alguns fez partir para o Brasil? Se nos chegar a "variante sul-africana" (que me parece estar a devastar Maputo) virá ela clamar que a responsabilidade é dos colonialistas Afonso Costa ou Salazar - ou mesmo de Rosa Coutinho e de Almeida Santos, como apontariam logo tantos dos ex-colonos?

Enfim, a questão é esta: a que propósito é que o serviço público convoca esta miséria moral e intelectual para comentar tamanha crise? De viçoso nada tem. Segue apenas sabujo. No afã de encapuçar este miserável estado das coisas.

As vacinas

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As gentes do "aparelho de Estado" andam a safar-se, e aos seus, vacinando os parentes, amantes e até o pessoal das pastelarias às quais vão tomar os abatanados. O tipo que chefia a vacinação - que é "do Bloco" e ainda se julgará nos palanques da campanha presidencial, e talvez por isso se tenha esquecido de regulamentar sobre as doses sobrantes - diz que os que se zangam com isto são os do CHEGA (apesar de até o antigo governante Seixas da Costa, nunca avesso ao PS, ter protestado...). 
 
No meio disto há (pelo menos) dois presidentes de câmara a mafiarem a vacinação. O gajo de Reguengos de Monsaraz - esse que preside àquele lar onde imensos velhos morreram não exactamente por causa dos "médicos cobardes" (Costa dixit) mas por cúmulo de desidratação. Ou seja, por não terem sido alimentados convenientemente, o que em bom português se diz morreram de fome. E a gaja de Portimão, que diz que é gorda.
 
Ora ambos são do PS, partido do governo. Dada a bronca geral esperar-se-ia uma reacção partidária, célere, a dessolidarizar-se com tais militantes e tais práticas. Talvez não do seu secretário-geral, pois Primeiro-Ministro, muito atarefado em era pandémica e presidência europeia. Com toda a certeza que não do seu presidente, o açoriano Carlos César, pois deficiente ético profundo, assim incapaz de actuar neste caso. Mas porventura por parte desta senhora, comentadora televisiva, parceira ("amiga e camarada") de Pacheco Pereira. E secretária-geral adjunta do partido desses autarcas. Mas não tuge. Nem muge. 

A Super-Marta (feat. Artur Portela)

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Os obituários de 2020 não deverão ter sido mais ricos e variados do que os dos anos anteriores. Mas talvez o ambiente pandémico me tenha feito mais atentar naqueles que findaram. Ou será da idade, isto de me ir vendo cada vez mais desprovido daqueles que me animam ou nos alumiam.

Um dos que morreram foi Artur Portela (Filho, como foi conhecido até ser avô e se ter insurgido contra a manutenção pública desse estatuto júnior). Oposicionista ao Estado Novo e depois julgo que próximo da área do PS. Nas estantes do meu pai estão alguns dos seus livros, dos quais trouxe 3 para este retiro confinado. Dois são volumes de “A Funda”, o 3º e o 4º (Arcádia, 1973 e 1974, respectivamente), recolhas de textos de opinião escritos entre 1972-4. São muito interessantes. É certo que são propositadamente textos de ocasião. Mas em muitos casos é espantosa a sua actualidade, e por mais do que por mera analogia (aliás, no 4º volume está o conhecido “O babygro político”, elogio a Marcelo Rebelo de Sousa – que aqui transcreverei se algum leitor o solicitar, pois não está disponível na internet). Mas também muito pelo que dá a conhecer, a nós mais-novos, do ambiente da “primavera marcelista” e das diferentes figuras que então assomavam.

Mas muito mais do que isso o que convoca é a verve, sarcástica, ferina de cruel. Sem quartel na sua elegância. Para usar este irritante termo que agora acampou na imprensa portuguesa, Portela (então Filho) “arrasava” ambientes e protagonistas – por exemplo José Hermano Saraiva, de tal forma que até me condoí do simpático celebrizado na tv.

Li os volumes neste final de Janeiro de 2021 – e, como sempre acontece quando lhe peço emprestados livros, em diálogo com o meu pai. É o período em que nos tornámos o país mais fustigado pelo Covid-19. Desapareceu o “milagre que é Portugal”. Expirou a imunidade promovida pela vacina da BCG. Descobriu-se que o governo não lê nem ouve as notícias internacionais, sobre “variantes inglesas” e outras … Explodiu uma corrida à célebre “atençãozinha”, umas vacinas para os amigos, tão mostrando o estado do nosso Estado … Ultrapassámos o Brasil de Bolsonaro mas a (tão competente) Mortágua não se indigna. Pior vamos que o reino da Suécia mas os próceres do PS calam a sua voz. Enchem-se os hospitais mas se em algum falta o oxigénio a culpa é do alarmismo da imprensa. Em suma, estamos confinados. E atrapalhados. E, tantos de nós, chorosos. Mas, dizem-nos, não nos cumpre criticar. Pois é hora de “unidade nacional”. E as críticas são “antipatrióticas”.

Pois durante este desatino, desnecessário, acima de tudo desnecessário…, tão fruto de incúria e incompetência, e tanto de inconsciência, fui dar uma volta ao rossio d’agora, o Facebook, a ver as modas. Ali encontro um enorme elogio – exactamente agora, quando isto está como está, depois de um ano disto – à nossa ministra da Saúde. “Super-Marta”, chamam-lhe! Chamou-lhe um, veterano bloguista. E logo a chamam milhares, todos os milhares, e muito são, que partilham o elogio, aplaudindo-o, aplaudindo-a.

Nem estupefacto fico. Pois logo me lembro de Portela – o tal que julgo ter sido próximo do PS, friso. O tal que sinto tão actual. Em Outubro de 1972 escreveu “O Príncipe da Rua do Século” (A Funda 3, Arcádia, pp. 161-163). O mote era um elogio publicado no “A Capital” ao Secretário de Estado da Informação e Turismo, a propósito do 4º aniversário da instauração dessa secretaria de Estado e da nomeação do seu responsável político. Deste, César Moreira Baptista, dizia o jornal tratar-se de príncipe que lá pontifica” e que “conquistou honras de generalato”, entre outras pérolas similares. Portela Filho – com uma nele inusitada placidez e até alguma simpatia (porventura irónica, seria necessário conhecer os meandros daquele tempo para descodificar por completo) pelo membro governamental – investiu impiedoso sobre o articulista:

O dr. César Moreira Baptista não é responsável pelo fundo de “A Capital”. É uma justiça que lhe devemos. Ponho até sérias dúvidas a que se sinta confortavelmente na moldura surrealista que “A Capital” lhe propõe – um Príncipe doublé de general que está servindo uma República.

E eu (…) que sou, definitivamente, contra toda e qualquer espécie de censura – imagino com alguma benevolência o esforço do Secretário de Estado em ultrapassar a tentação de fazer suprimir aquele editorial.

Esforço que resultava de duas contingências: o facto do Secretaria de Estado ser o homem que está levando por diante, no seu campo da Informação, a chamada política liberalizadora, e o facto de o editorial não ser contra mas, embaraçadoramente, dramaticamente, a favor.

É que o Secretário de Estado, seguramente homem de espírito, sabe que há uma coisa mais comprometedora do que um ataque bem feito – é um elogio grotesco.

E isto porque o ataque bem feito enobrece – o elogio grotesco diminui. O ataque bem feito produz o diálogo – o elogio grotesco produz o rubor. O ataque bem feito suscita a atenção – o elogio grotesco suscita a gargalhada. O ataque bem feito merece-nos. O elogio grotesco – compromete-nos.

É que o Secretário de Estado, inevitavelmente homem do mundo, sabe que, se somos um pouco responsáveis pelos nossos adversários, somos muito responsáveis pelos nossos aliados.

O que se torna tremendo quando um dos nossos aliados é o autor do fundo de “A Capital”. Eu serei adversário político do dr. César Moreira Baptista, mas não creio que ele mereça a violência que é este fundo.

Não creio que ele mereça o título de Príncipe. (…)

pela razão, simples e definitiva, de que esse título pertence, inteiramente, ao autor do fundo de “A Capital”. O Príncipe do Jornalismo. O Príncipe da Rua do Século. Manuel José. Homem. De Mello.

Hoje, neste confinamento de facto doloroso, cumpre a cada um encontrar um Manuel José Homem de Mello, reconhecê-lo, reconhecê-los. E, infelizmente, a alguns (muitos, de facto) serem-no.

Ontem (1)

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Estreei-me na Netflix, com este "Irlandês" de Scorsese. Muitíssimo gostei. Senti-me como se estivesse, agora, a assistir a um concerto dos Rolling Stones. Pior dia blogal de sempre: avisam-me que ataquei alguém que já não está bem. Logo emendo mas não se apaga a maldade, mesmo que involuntária. Muito tenho pensado nisso, como a exposição das redes sociais - e mais o FB, que é de nós-velhos - acolhe(rá) as nossas demências progressivas. Há muito que me cuidei, todas as senhas das minhas contas digitais estão com querida amiga, mana mesmo, co-bloguista: se me der o badagaio apagará tudo em todas. E se eu for perdendo (ainda mais) o tino, idem. Aqui na zona tem faltado a lenha - cá em casa há com fartura. Mas chegou agora o zimbro. O velho fornecedor é uma simpatia, ama e sabe de madeira como nunca vi. Meia hora de conversa sobre o assunto, pois ele está atarefado. Lá para a primavera falaremos mais repousadamente. O Presidente anunciou o óbvio, que o confinamento está para meses, a pandemia para o ano. E exigiu melhorias nas práticas do povo. E dos poderes. Tarde piou - mas ainda assim muitos dos seus recentes eleitores deverão estar amofinados. Principalmente os prostitutos que clamam "Super Marta" à Temido em plena semana em que Portugal é - e de longe - o pior país do mundo nisto do Covid. Escumalha de gente - são, bloguista sabe, a mesma imunda cáfila que apoiou Sócrates até mesmo ao fim da sua "narrativa". Execráveis: "Super Marta"? Energúmenos. Nem suicidários, meros criminosos de delito cívico ... Leio uma pérola, "Culatra: Uma Ilha Com Gente Dentro", de Ana Cristina Leonardo, por 3 euros um livrinho de bolso com a história da ilhota - por coincidência um povoamento começado por um confinamento sanitário, uma fuga a peste magrebina em início de XVI. Quem vá ao Pingo Doce que o compre. A ideia de meses confinado deprime. Em Março era novidade e foi peito feito, com filha ao lado. E pus-me a ler e a escrever sobre o Covid: poucos leram mas aliviou-me. Agora? Reescrevo sobre Niassa, inutilidade pura. Ânimo quebrado: mortes súbitas e precoces de queridos amigos, infecções em vários outros. Como aguentar isso e ombrear nas perdas? O celibato de cinquentão torna-se hábito, um tipo vira urso - mas não "bear", atenção, que isso é coisa lá daqueles. Mas é défice, um tipo sozinho com quem embirra? Pois não se pode embirrar com os amigos, não é másculo. Com eles um tipo zanga-se. E depois partilha vinho ou uísques para amainar a coisa. Mas assim embirrar com quem? Deveria meter um anúncio na gazeta local, "cavalheiro, recentemente regressado ao país, procura senhora economicamente independente para relação séria". Mas já não há gazetas! As vísceras andam mal, achaques de homem, acho que terei que me desconfinar até ao Centro de Saúde, cem kms disso. Releio mais algumas crónicas de Artur Portela (Filho, como o foi até ser avô), no "A Funda 3", textos de 1972-3. Até arrepia a sua actualidade. O meu pai morreu asfixiado. Velho mas asfixiado. O meu avô paterno morreu asfixiado. Velho mas asfixiado. It runs in the family? O Liverpool de Klopp joga muito mais do que o Tottenham de Mourinho. Mas aquele Ndombèlé, em quem nunca reparara, é um belíssimo jogador.

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