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Nenhures

Nenhures

Reservado o Direito de Admissão

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Quem me conhece (ou tem paciência para as minhas bloguices) sabe que não sou o que vem sendo dito, estuporadamente, um "negacionista". Nem no que peroro nem na minha vida pessoal. Mas isto é totalmente inaceitável! O Estado perdeu a cabeça, as pessoas perderam os critérios.

Insisto, repito-me: vivemos um caos intelectual no poder (histriónico no PR e no Presidente da AR, mais soturno no esquivo PM, patético nos menores). Uma população angustiada e - de facto - alienada. Há cerca de um mês o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros (o ministro dos negócios estrangeiros, friso!!!!) ameaçava o governo do Reino Unido com retaliações, insultava-o de incompetente seguimento a "irrelevâncias estatísticas", desde então um número de prostitutos das letras a louvarem o extraordinário trabalho do PS/governo (o deputado Pinotes no seu part-time de comentadeiro da bola a clamar há quinze dias "está tudo a correr bem" é um exemplo inqualificável...), o país convocando os turistas da bola e das praias. E agora isto?! À revelia de lei e de ética e de bom-senso? Como é que é possível que se aceite isto? Isto não é loucura, é estupor.

Para Salvar o António Cabrita

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O António Cabrita - poeta, prosador, guionista, crítico, conferencista na boa versão palestrante, professor, e sei lá mais que talentos vem distribuindo, para além de homem encantador, e esta até é a sua melhor faceta, "não desfazendo" nenhuma outra, raisparta - emigrou há anos para Maputo.
 
Foi lá agora re-hospitalizado, a enfrentar o maldito Covid-19. Mas o seguro de saúde acabou. E a sua condição exigirá mais quinze dias nos cuidados intensivos. A 1000 euros diários.
 
O Cabrita é um tipo porreiro (um homem magnífico, se mantendo o tom) e tem imensos objectivos e talentos. Mas nenhum deles o conduziu a acumular "redes" e dinheiro. Assim a questão é simples: ou o ajudamos ou o homem morre.
 
Eu vou dar o que não tenho. Peço-vos, conheçam-lhe a obra ou não, por favor botem algo para o safar. E de modo urgente. Senão o homem morre-se(-me).
 
 
ADENDA: a Teresa Noronha, mulher do António Cabrita, acaba de avisar que as contribuições obtidas na sequência de vários apelos no último dia e meio já somam a quantia necessária. E agradece a todos a solidariedade.
 
[Por isso apagarei deste postal os números das contas bancárias].

A normalidade de sempre

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Este cartoon - identificado como "Volta ao Normal" de Gerhard Haderer - é o que mais relevante vi/li nos últimos longos tempos. Bateu-me, bem! Encontrei-o no mural de Alberto Ribeiro Lyra, um brasileiro com o qual tenho ligação desde os primórdios do FB por razões que já não lembro (conexão moçambicana?, bloguismo?), e que tem um mural magnífico, com constantes pérolas iconográficas, uma inteligência visual rejubilante. (Daqueles casos que me levam a praguejar quando ouço os patetas encartados a resmungarem contra as "redes sociais". Pois nestas, e assumo a arrogância, cada um vê/lê/encontra o que é. E quem só encontra mediocridades é porque é um medíocre, passivo).

Avante, este cartoon bateu-me bem! Porque diz o necessário nesta fase da maldita era covidocena. E, muito mais, nesta minha fase pessoal, aguentem lá este meu quase-porno intimista. O almoço foi singelo e saboroso, endógenos alguns dos comestíveis, verde o vinho, à mesa queridos familiares consanguíneos e espirituais, o dia está soalheiro. Agora vou dar um mergulho. Depois, secar-me-ei e afixarei este arame. A enfrentar o que aí vem. Tenham cuidado comigo! (cuspo, a la Clint).

Obrigado, Lyra. Deste vida ao zombie.

Os atrasos na vacinação

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"Selfie" (6.7.21, alvorada). Já nem velho vou, mas mesmo ancião. E como todos nós, que a este assim chegámos, convoco o "no meu tempo" nele encontrando uma robustez moral bem superior à dissoluta anomia deste mísero hoje em dia.
 
E nisso recordo que nesse "no meu tempo", no dia em que tratei de me candidatar à universidade fui jantar com magote de amigos. E depois arrancámos - com um saco de cervejas e uns bolsos com outros consumíveis - para perto da 5 de Outubro lisboeta. Por lá aportámos cerca da meia-noite, fazendo fila já em lugares bastante recuados para a inscrição... matinal. E lembro o dia gasto, em transportes e longas esperas, na inspecção militar em Setúbal. Ou, já agora, chegar mancebo quase de madrugada aos claustros do Calhau de Mafra para ali entrar, assim tornado instruendo, ao fim da tarde. Ou as horas passadas, jovenzinho, nas inscrições escolares. Ou, já mais crescido, em filas administrativas, para impostos, certificados, e tralhas similares. E, mais do que tudo, as horas passadas esperando consultas, desde a pediatria à geriatria actual, tanto na medicina pública, como na corporativa e privada, folheando aquelas resmas de revistas usadas que tão típicas eram antes deste telefonismo de agora. Nesse "meu tempo" acontecia isso, sabíamos esperar. Um pouco demais, até.
 
Agora o Estado vacina-nos. Uma vacinação universal mas não obrigatória. Em emergência, urgente. A campanha começou mal, pejada dos aldrabismos típicos do nepotismo. Mas arrepiou caminho, convocado que foi o saber de gestão logística militar - ainda assim o Almirante-em-chefe já é criticado pelos plumitivos PS por não papaguear o relambório retórico do Público/DN/activistas-académicos, pois é preciso que não fique ele com muitos créditos dado que, afinal de contas, o lema é "o PS é que fez, o PS é que faz", adaptado do slogan do Frelimo.
 
E que leio eu agora? Acelerado que foi o processo de vacinação - pois no afã dos Reis Magos turistas o país reinfectou-se [oops "o PS é que fez, o PS é que faz"] e o governo desaustinado sequestrou a constituição - em alguns locais vão acontecendo algumas demoras. As pessoas são obrigadas a esperar pela vacina. Uma hora, até duas, por vezes mesmo um pouco mais. "O Horror, o Horror"! E vêm clamar para as redes sociais, umas queixando-se do acontecido. Outras anunciando que nunca aceitarão por isso passar. "Jamais!". Preferem até não se vacinar.
 
Ora quem eu vejo botar isto é gente da minha geração. Essa mesmo do "meu tempo". Gente que esperou ao longo da vida, ainda que cada vez esperando menos. Mas que envelheceram assim. Num pateta individualismo que nada tem a ver com a defesa do livre-arbítrio (eu a sair de casa para fumar um cigarro à meia-noite sem ser detido ilegalmente, por exemplo). Mas apenas um "individualismo" do burguesote imbecil que se acha "indivíduo muito importante". Que tem o "direito adquirido" de ser atendido à hora certa, de não esperar um momento que seja. Gente cheia de si-mesma, patetas repletos do vácuo que são.
 
E não se pode exterminá-los(?).

 

Recolher obrigatório

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Devido a louvor alheio acabo de ler um artigo de uma afamada jornalista de investigação - do independente Diário de Notícias - no qual, e a propósito do Ministro da Administração Interna, as críticas aos governantes são resumidas a oportunismos de oposicionistas, afadigados a tentarem fazer cair ministros.
 
Por isso aqui garanto que não tenho a utopia de derrubar o sempiterno ministro Santos Silva, ainda por cima logo após a conclusão da presidência europeia. Apenas recordo que há menos de um mês o ministro (dos negócios estrangeiros) considerava "intempestiva", incompreensível e baseada em "irrelevância estatística" a decisão do parceiro britânico de controlar as deslocações ao nosso país - algo que depois a Alemanha também decidiu -, ameaçando-o mesmo com "retaliações".
 
Agora, e enquanto os avençados d'agora se desdobram em elogios ao governo, à "Super-Marta"e ao "está tudo bem" (como o sportinguista deputado Pinotes quando vai comentar futebol à TV), é declarado o recolher obrigatório em 45 concelhos. Decerto que medida "intempestiva" devido a uma "irrelevância estatística", dirá o auto-proclamado "parolo".
 
Quanto aos críticos? "Oportunistas", clamará a "jornalista de investigação" câncio no seu espaço no independente "Diário de Notícias". E os oficiais de comunicação - no ISCTE e não só - reforçarão os elogios à "Super-Marta".
 
No fundo? "Porreiro, pá!".

Vacinação contra o Covid: boletim clínico (2)

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2ª dose de vacinação Covid-19. Boletim Clínico (2):
 
48 horas decorreram sobre a minha última inoculação (com um soro Pfizer). Continuam os meus padecimentos no braço esquerdo, se este pressionado. A dimensão da sensação dolorosa é directamente proporcional à intensidade da pressão exercida. Mas muito se reduziu o intumescimento em torno da zona da inoculação, o qual ontem identificara. O que demonstra que o soro injectado, e que ali obviamente se retivera promovendo o tal gânglio, se disseminou no corpo, incrementando os seus efeitos.
 
Sinto algum descontrolo motor, tanto que logo na alvorada parti um copo. Falta de apetite notória, tanta que ainda não matabichei, coroando noite algo insone. Alterações psicológicas começam a ser notórias: uma grande irritabilidade, expressa na abrasiva reacção ao ter vertido um pouco de café em pó aquando da sua preparação matinal. Estado acedioso galopante, com uma incapacidade em planificar actividades e hierarquizar as prioridades para a jornada, coroando acentuada descrença na sua efectiva utilidade. Estou, e já desde há cerca de 12 horas, sob uma crescente vaga de angústia culpabilizada. Fui acometido por pensamentos suicidários durante o duche. A tudo junto um silvo nos ouvidos, que julgo ser atribuível às interferências na antena inoculada. Finalmente, pesadelos com Tóquio.

 

Vacinação contra o Covid: boletim clínico (1)

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2ª dose de vacinação Covid-19. Boletim Clínico (1):

Aquando da minha primeira inoculação fui amplamente avisado dos perigos em que incorria. Tanto dos padecimentos imediatos como, e acima de tudo, dos efeitos de longo prazo que a vacina traria, degenerescência do organismo e mesmo sua transmutação. Ainda assim, e muito por dever cívico, decidi-me por completar o ciclo vacinal.

Decorridas já 24 horas sobre esta segunda dose aqui deixo o meu boletim clínico, para vossa consideração dos passos que cada um deve assumir nesta questão:

Tal como aquando da primeira vez, em palpando o braço esquerdo na zona da inoculação (com um soro marca Pfizer) sinto um desconforto, verdadeira dor que é directamente proporcional à intensidade da pressão que ali coloco. Julgo haver um pequeno intumescimento circundante. Por enquanto o fenómeno é suportável, e estou provido de analgésicos químicos que espero virem a ser suficientes para as próximas horas.

 

A minha segunda dose de vacina (Pfizer)

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(Comunicado emitido ontem, 25.6.2021, cerca das 1o horas matinais)

Acaba de ser concluído o meu processo de vacinação. Quero, penhorado, agradecer ao Partido Socialista esta sua iniciativa de a todos nós vacinar contra a gripe Covid-19, e muito em particular à Sra. Dra, Rute Lima, presidente da Junta de Freguesia dos Olivais, que tudo tão bem organizou de modo a que quase todos nós, seus fregueses, tem vacinado.

Mais informo que fui inoculado com um soro da marca Pfizer, a segunda dose já, e que estou algo combalido, ainda no recobro. Mais tarde, logo que me sentir em condições para tal, emitirei boletins clínicos regulares.

Eduardo Ferro Rodrigues

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Percebo que - com excepção de alguns queridos familiares -, tanto no meu blog como neste mural inexistem visitantes situacionistas. Trata-se assim aqui de uma interacção, loquaz ou silenciosa, entre nós, os das diferentes vias do reviralho. Como tal resmungar aqui sobre Portugal é uma espécie de ladainha entre convertidos, mera catarse. Uma inutilidade comunicacional. Ineficaz. Ainda assim...
 
Há quem conteste o perigo real desta nova vaga de infecções com o Covid-19, pois vamos vacinando-nos e os grupos de risco estão já salvaguardados. Talvez já sob essa visão, e ainda que face a novas variantes e às crescentes infecções, o governo tem, como sempre o tem tido nesta pandemia, uma via errática: as permissões dadas a encontros públicos, o acolhimento da final da Liga dos Campeões (ainda que este ano o não tenha dito "prenda" aos profissionais de saúde), o afã em recuperar o turismo. Logo acompanhando essa via com críticas à superficialidade analítica do governo britânico quando este sancionou as visitas ao país. E até ameaçando-o com retaliações, em patéticas declarações do nosso MNE, o auto-definido como "parolo" Santos Silva. Para logo depois, e já enquanto Merkel nos critica o afã turístico, mudar de rumo, em plena cabotagem incompetente, semi-cerrando a Grande Lisboa e propalando que pior poderá vir.
 
Tudo bem, pois os rumos da pandemia são inescrutáveis, dirão os tais situacionistas, desde os louvaminheiros da "Super-Marta" até aos meros fatalistas. Mas, caramba!, mesmo estes terão que conceder que após 17 meses de pandemia não é aceitável que o nº 2 do Estado, Ferro Rodrigues, nos venha agora convocar para irmos em massa para Sevilha ver futebol. É de uma incompetência, inconsciência, irracionalidade total. Uma total contradição com o rumo da actual política sanitária, mesmo que este ziguezagueante. Um obus em cima da já de si atrapalhada estratégia comunicacional do governo.
 
É o corolário desta estuporização que estes políticos desejam com o futebolismo que promovem. Mas Ferro Rodrigues é um caso extremo, até indigno, de mediocridade. Se tivessem um pingo de vergonha os situacionistas exigiriam a substituição deste homem. Mas não o têm, ao tal pingo de vergonha. O que bem explica o seu apoio a este "estado da arte".

 

O fedor

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"Então nós íamos mascarados para os oitavos-de-final?!", terá ainda dito Ferro Rodrigues, o inadjectivável presidente da AR  - pois se eu usar um adjectivo que lhe seja adequado ainda me cairá em cima um processo no tribunal, "difamação" ou "injúria" gemerá este tão medíocre político.
 
Já agora, o jogo é no domingo. Nós, os da zona metropolitana de Lisboa, poderemos ir a Sevilha? Esta enésima vaga de Covid terminará até ao fim-de-semana? A decrepitude desta tralha de gente já fede. E há quem a apoie.

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