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Nenhures

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Steiner e a barbárie

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(Ilustração de Pablo Garcia - que retirei do La Opinión de Málaga)

Sobre Steiner um belo texto de Thomas Meaney, nada encomiástico, no Times Literary Supplement. Aqui estão acessíveis vários dos seus livros.

Dele muito se dirá. Agora que morreu decerto que mais elogios. E se exagerarão as leituras próprias (cada um reclamando "o meu Steiner"). Li-o, acima de tudo, quando começou a ser muito publicado em Portugal, no final dos meus vintes. E continuei a lê-lo. Foi-me importante, um sinal de perenidade. Assim como que um elevada barricada. Daqui a umas décadas será lido, apreendido. Muitos outros, agora fervilhantes, não o serão.

Um dia escreveu sobre bárbaros e a barbárie. Li-o, há quase trinta anos. E logo guardei o trecho. Anda sempre comigo, é o tal "meu Steiner", aquele que me cabe:

A própria atitude de auto-acusação e de remorso que caracteriza boa parte da sensibilidade esclarecida do Ocidente actual, se revela, uma vez mais, um fenómeno cultural peculiar. (…) O reflexo de um exame de consciência em nome de absolutos éticos é, de novo, um acto caracteristicamente ocidental e pós-voltairiano” (...) “Vendedores de palavras de ordem e pseudofilósofos familiarizaram o Ocidente com a ideia de que o homem branco foi como uma lepra na pele da terra, de que a sua civilização equivaleu a uma impostura monstruosa ou, no melhor dos casos, a um disfarce cruel e astucioso da exploração militar e económica. Ouvimos dizerem-nos, num tom de histeria punitiva, ora que a nossa cultura está condenada – o que corresponde a um modelo spengleriano de um apocalipse racional -, ora que só poderá ressuscitar através da transfusão violenta das energias, dos estilos de sensibilidade, representativos por excelência dos povos do “terceiro mundo.” (…) Trata-se de um neoprimitivismo (ou masoquismo penitencial) cujas raízes mergulham no coração da crise do Ocidente…”

(George Steiner, No Castelo do Barba Azul: Algumas Notas Para a Definição da Cultura. Relógio d'Água: 73, 70).

George Steiner no "O Belo e a Consolação".

O derrube do Muro de Berlim

 

(After the Berlin Wall, um documentário da DW)

30 anos passaram sobre esta enorme festa, tanto tempo já passado a mostrar como a vida corre. Crescer com "vizinhos" daqueles, aquele horror, foi uma experiência ... A sua queda foi era de Júbilo.

(Ainda há quem tenha a desvergonha, pois já não é a ignorância que então alguns ainda tinham, de negar o tenebroso daquilo. Que gente ...)

Arte e literatura no Moçambique tardo-colonial

Artes, literatura, imprensa, livrarias em Lourenço Marques e na Beira tardo-coloniais. Uma delícia de filme,  não só mas também devido à locução de Gomes Ferreira - grande memória da minha juventude - um mestre de locução, voz, dicção e sotaque que já não existem.voz, dicção e sotaques que já não existem. E pelo plácido texto, tão de época (não o são quase todos os textos?). E porque surgem Macambaco (tão jovem que nem o reconheci) e Knopfli, entre outros.

(E, em registo pessoal, tenho a ideia de que, pelo mero relance, reconheci a casa onde Fausto Rocha surge pintando - será na actual Av. Kim-Il- Sung?)

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