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Nenhures

Nenhures

16
Nov22

"Activistas" Climáticos?

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(Panfleto, presumo que dos estudantes da faculdade de Letras de Lisboa, encontrado no mural de Facebook de um co-bloguista)

Grupos de jovens ocuparam escolas secundárias e universidades, tendo sido anunciados na imprensa como "activistas" ecológicos (aquilo a que antes se chamava "militantes"). Os mais soturnos adversários de tais acções contestam(os) os ares e dizeres dos intervenientes. E nisso não deixam(os) de ter alguma razão pois alguns deles surgem em modos que julgam e querem muito significantes. Mas como nos aportam de São Domingos de Rana ou Telheiras não têm o kitsch do David Cassidy na "Família Partridge" nem o glamour ainda mais andrógino do Tim Curry ou o Bowie ou os enleios encantatórios das ariscas divas austrais desses outros tempos... Entenda-se, nem é o histriónico impúbere que incomoda, é mesmo a pungente piroseira de que se ufanam - da qual, daqui a uns anos quando virem as fotografias "de(sta) época", algo se envergonharão, meio atrapalhados. E, entretanto, alguns deles - os mais capazes - terão aprendido algo de fundamental: a forma é conteúdo.

Já quanto aos dizeres que vão exarando sobre as tais questões climáticas também não surgem muito sedimentados. Ainda que neste vector deverão (deveremos) os seus críticos ser menos radicais. Pois se em alguns há uma relativa aparente heterodoxia visual - ainda que, de facto, já muito estafada -, já nos discursos verbais a sua vacuidade, ainda que exaltada, não varia dos quotidianos dislates que se vão ouvindo dos habituais convidados da Júlia Pinheira, do Jorge Gabriel e de outros "generalistas", bem como - até - de alguns painelistas do "cabo", e já nem falo dos da galeria de locutores na imprensa e redes sociais, diariamente vasculhada pela letal humorista Joana Marques. E nisto têm os nossos "activistas" a legítima desculpa de serem putos, e nisso um superior direito à parvoíce.

Entretanto esta vaga de ocupações acabou mas os agrupamentos deixaram a promessa que voltariam à carga lá para a Primavera. Algumas notas sobre isto:

1) Como se vê pelo patético conteúdo deste panfleto distribuído por um grupo de "activistas" universitários este movimento não é "ecológico". De facto, a importante questão das "alterações climáticas" é apropriada para alimentar uma agenda contestatária abrangente, a que alguns querem chamar "ideológica" mas que não o é, senda apenas uma atrapalhada e atrevida mescla de itens de "agit-prop" da agenda esquerdalha (agora dita "woke" à falta de termo português para tal mosto), sob a evidente "mão visível" do BE. Isso poderia nada mais ser do que um pouco irritante, ou mesmo só risível, se a questão climática não fosse verdadeiramente relevante. E em assim sendo esta cacofonia, este "radicalismo pequeno-burguês de fachada ecológica" - como diria Álvaro Cunhal - aliena as necessárias reflexões e verdadeiras acções face ao processo climático. Digo-o diante das patéticas acções de pirataria artística, agora encetadas (1, 2), como deste "confusionismo": apenas obstam às coalizões sociais nos esforços ecológicos. E se os putos não o percebem com toda a certeza que os seus mais-velhos o compreendem.

2) No meio da trapalhada que vêm clamando os "activistas"  exigiram a demissão de Costa Silva, ministro da Economia e Mar. Acontece que nisso têm toda a razão! Costa Silva pode ser muito competente, sério e até votado ao bem público. Mas é de política que se trata, não dele como pessoa. O problema não é ter ele um percurso profissional ligado à indústria petrolífera - em última análise percebe de produção energética, será um saber fundamental para eventuais alterações. Mas, já como ministro, Silva continua a explicitar o seu apreço pelo desenvolvimento da exploração dos combustíveis fósseis. E em 2022 é mais do que tempo de enviar um tonitruante sinal político contra isto - dizer não. Dizer até chega! (passe a expressão, hoje muito poluída). E é muito criticável - e até inconsciente - que um homem com esta mundividência esteja à frente do ministério da Economia. E do Mar, imagine-se! Ou seja, talvez estas nossas pós-crianças digam muitas asneiras. E algumas delas, para incómodo de adultos eleitores, surgem muito andróginas - mas não há maior androginia do que um actual ministro da Economia e do Mar andar a salivar por explorações de gás natural. Demita-se o homem. Já! (como se dizia no PREC, como os miúdos recuperam agora...).

3) Com estas acções houve várias reacções adversas, habituais, nas redes sociais - e algumas na imprensa. Por um lado, há os radicais que negam a simples hipótese de aquecimento global, dita, até 2021 (pois entretanto o termo passou de moda) "marxismo cultural". Não me parece necessário voltar a discutir esse integrismo, de facto um mero grunhismo - muito presente nas habituais franjas de intervenção anónima na internet -, até porque o debate com integristas é inútil, a fé, especialmente esta tresloucada, não é matéria aberta à troca de argumentos. 

Mas há outra corrente crítica que surge com maior "estatuto". Não só os argumentos surgem assinados - o que é um valor-em-si - como muitas vezes são apresentados ou ecoados por gente de prestígio: professores, técnicos de renome, autores basto publicados, "intelectuais públicos", etc. O mote crítico é-lhes comum: critica-se a esta rapaziada meio esparvoada a urgência que clamam na transição energética, o tal "já" de facto irrealizável. E nisto se vai propagando a ideia da desnecessidade da redução de agressão ecológica, o cariz meramente utópico destas preocupações. E também vão estes locutores - grosso modo oriundos de um conservadorismo mais ou menos liberal, de um "centro" ou "centro-direita" - reduzindo esta preocupação ecológica a uma esquerda, marxista ou marxizante, acoitada na agenda ecológica para combater a economia de mercado.  Em suma, apupam não só o clamor pela urgência de medidas como a própria "agenda ecológica" - e basta ver como enxovalham António Guterres, quase como os benfiquistas sempre trataram Cristiano Ronaldo...

Ora neste caso a resposta é muito simples: bastará esfregar nas ilustres e sonoras fauces destes doutores um breve historial desta "agenda climática": há 30 anos, na Conferência do Rio, o então presidente Bush (pai) curto-circuitou os passos iniciais de redução de gases clamando "the American way of life is not up for negotiations. Period.". Há 21 anos, logo após a sua eleição, o presidente Bush (filho), - a ligação é para o discurso dele, aposto no arquivo da Casa Branca, não para qualquer órgão do "marxismo cultural" - mesmo tendo reconhecido o processo de aquecimento global, recusou os pressupostos do protocolo de Kyoto devido a questões geoestratégicas, o que conduziu à ineficiência deste - e ao posterior abandono de alguns dos signatários. Depois chegou-se ao Acordo de Paris, manifestamente insuficiente e ineficaz.  

Enfim, pode haver muita argumentação sobre este processo de política ecológica internacional. Mas há algo que é impossível negar. É que há, pelo menos, três décadas que se discute entre as maiores potências mundiais, e em vários cenários multilaterais, um necessário "Que Fazer?" diante da incomensurável depredação ecológica. Sem que se activem conclusões que desde há muito são urgentes. Agora estes nossos apatetados petizes aparecem a disparatar aos gritos "Já!". E os nossos doutores e engenheiros, professores, técnicos, assessores da função pública, "anunciados na tv" e colunistas da imprensa de referência, surgem enfastiados e sobranceiros, dizendo-os patetas (que o são) pois apressados... São estes tipos avalizados dotados de sageza "conservadora"? Não, são meros cagões.

Ou seja, antes um charro com estes putos insuportáveis do que um uísque japonês com estes doutores.

10
Nov22

A Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP 27)

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mapaavisão.jpg

Visito o meu espectro de Facebook durante um Amber Leaf. E leio várias pessoas partilharem esta pirraça: que centenas de aviões (privados, ainda por cima) vão ao Egipto por causa da conferência sobre mudanças climáticas (COP27), "onde dizem para irmos para o trabalho de bicicleta por causa do planeta...".
 
Sorrio, pois rejuvenesço. Lembro-me de quando menino se falava dos "malandros comunistas" "que querem a revolução mas têm frigorífico em casa" e do "pessoal das barracas" que tinha "carros à porta e televisão, que bem se vêm as antenas" (então necessárias). Sorrio rejuvenescido, repito. Pois se os grunhos estão iguais não estarei eu também na mesma? Ou serei mais perecível do que eles?
 

 

23
Out22

Activistas e Monet

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Monet_grainstacks_W1273.jpg

Há poucos dias "activistas" haviam feito show-off com um quadro de Van Gogh, e aqui resmunguei. Agora surge o esperado, outros "activistas" destroem mesmo um quadro de Monet - da série "Les Meules". Como se estas acções - típicas do "agit-prop" identitarista - tenham algum efeito positivo na luta contra a devastação ecológica.

E continuo a insistir, o efectivo colaboracionismo com estas versões de "insurreição mansa" é algo corrente - e patente no jornal do grupo SONAE, no qual académicos se agregam a defender a legitimidade do terrorismo patrimonial. Referi o asssunto aqui, estupefacto diante do total silêncio da sociedade portuguesa, da corporação dos jornalistas, do meio intelectual. E até dos empresários do comércio, que aceitam que um dos seus financie estas aleivosias. Já para não falar da própria academia, mas aí, enfim, pouco haverá a esperar. A não ser os rabiosques abanando-se, até sôfregos, ao som das "causas".

14
Out22

Activistas e "Girassóis"

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protesto-londres.jpg

"Activistas" ambientais atiraram hoje mesmo uma sopa de tomate para o célebre "Girassóis" de Van Gogh e, depois, espalmaram as mãos no quadro. Com isso querem agir contra os combustíveis fósseis. De facto, isto nada mais é do que o primado do "intervencionismo" sobre o património monumental, esse que os académicos burguesotes defendem nas páginas do jornal da SONAE, diante do sossego dos "bem-pensantes" esquerdalhos. E é também a melhor forma de alienar o apoio popular às necessárias transformações produtivas.
 
Mais do que irritação este episódio provoca-me dor. Percebo-me, mais uma vez, ancião, já não ser deste mundo. Pois "no meu tempo" havia militantes - gente com quem se ombreava ou lutava, se necessário até de armas na mão. Se admirava ou odiava. E agora, nesta era em que cheguei a antiguidade, já não os há, aos militantes. Há sim "activistas", histéricos do agit-prop, prenhes de "vitimizações" aburguesadas e de meneios "genderísticos". Gente sobre a qual se escarra. Apenas.

28
Dez21

Edward O. Wilson

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(Edward O. Wilson na Gorongosa, fotografia de Piotr Naskrecki)

Morreu agora nos seus 92 anos o grande Edward. O. Wilson, biólogo que foi um autor crucial nas últimas décadas. O qual - desde a sua primeira visita a África decorrida há cerca de uma década, já ele octogenário - se tornou paladino da preservação do Parque da Gorongosa, que tomou como causa pois considerando-o exemplo máximo de biodiversidade. E sobre o qual publicou o  "Uma Janela Para a Eternidade".

umajanelaparaaeternidade.jpg

Dessa investigação, e seus efeitos, a National Geographic publicou uma reportagem, com uma esplêndida recolha fotográfica (de Joel Sartore), que aqui exemplifico, para atrair atenções de hipotéticos interessados:

sartore.jpg

Deixo um pequeno filme sobre Wilson naquele terreno.

(The Guide: a bioblitz in Gorongosa, no sítio do Howard Hughes Medical Institute)

Como é óbvio a importância do trabalho do biólogo e do seu impacto em várias outras disciplinas muito ultrapassa a sua recente atenção sobre a ecologia em Moçambique. De um autor com tamanha e tão influente obra, mais do que botar algumas impressões pessoais sobre o seu impacto importa escutar e ler as suas palavras ou quem as conheça com intensidade, é essa a forma adequada de homenagem. Por isso deixo ligação para página com vários filmes de intervenções - todas de enorme interesse - de Edward O. Wilson. E ao seu obituário, escrito por Carl Zimmer, ontem publicado pelo New York Times.

21
Jun21

30 000 árvores plantadas nos Olivais, em Lisboa

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arvores olivais.jpg

De árvores percebo pouco, mal distingo um pinheiro de uma macieira, à maioria delas nem sei dar nome e, de facto, só sei mesmo que chaparro quer dizer "árvore isolada". Ou seja, nestas coisas silvícolas vou como aqueles cientistas sociais, colunistas de Expresso e Público, académicos-activistas que confundem "raça" e "etnia", usando-as como equivalentes. Ou seja, eu não percebo nada de silvicultura, que não estudei mas já devia ter aprendido algo. Eles não percebem nada de ciências sociais, que estudaram. E já deviam ter aprendido algo.
 
Vem esta minha confissão de ignorância a propósito desta foto da campanha do PS dos Olivais. Antes esse partido informara-nos ser ele que nos tem vacinado. E agora avisa que plantou 30 000 árvores na freguesia (uma por eleitor, grosso modo). Óptimo. Mas peço a quem perceba da poda que me explique: 30 000 plantadas árvores nos Olivais? Pelo PS? Onde, como e o quê? E sob que critérios, e com que avaliações dos processos?

12
Dez19

Greta

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greta.jpeg

Greta Thunberg visitou Portugal. Estava eu ausente do país, de longe apenas notei o coro dos incomodados. E logo depois é escolhida como "Personalidade do Ano" pela Time (ainda por cima com foto de capa feita em Lisboa) - e é audível como recrudesce o silvo dos dichotes. Broncos e incultos - p. ex. a quantidade de imbecis que leio considerando, até explicitamente, essa escolha como um "Prémio" mostra o quão grave é a pandemia de morcanzite no país.

Quem me conhece sabe do quão autofágico sigo, mesmo que o tom assertivo, até exarcebado, de alguns postais possa aparentar o inverso aos desconhecidos "amigos-FB" e/ou visitas-de-blog. Razões minhas (que seria demasiado intimista explanar). Mas ainda que sob essa condição gosto deste meu texto Greta D'Arc, que aqui botei há meses. Pois nele inventei o cognome à rapariga (não vira antes atribuirem-lho). E porque lá está tudo, até de forma concisa, que é necessário para demonstrar o quão visceral é a estupidez reinante, nesse apatetado e cada vez mais "venturoso" nicho de atrasados intelectuais que se dizem "direita". De alguns, poucos, até sou amigo.

E um tipo envelhece, cada vez mais entalado entre esta vizinhança energúmena feita de joacin@s, (afinal) rangéis e piores-que-isso, para além da asquerosa ladroagem socratista, esta que chamávamos "ciganada" quando éramos putos.

O que vale é que há a esplanada do bairro. E o futebol para se conversar, cruzando imperiais. E é neste refúgio que releio este meu "Greta d'Arc". E digo, humilde, "na mouche, jpt".

10
Nov19

O novo hotel brasileiro da Vila Galé

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vila gale.png

 

Quando surgiu esta "onda Bolsonaro" gerou-se, por influência dos discursos brasileiros de então, uma onda contrária, invectivando-o fundamentalmente por ser anti-negros e anti-mulheres. Logo me pareceu uma abordagem descabida: o homem não iria legislar contra "negros" (o espectro "pardos/negros") nem contra mulheres. O que era (e é) de esperar é que rompa com políticas de "discriminação positiva", o que é debatível.

Mas o que logo pareceu óbvio é que a grande questão, e a mais importante sob o ponto de vista internacional, seria a sua política amazónica, tanto por declarações explícitas sobre a matéria como pela sua adesão ao totem "mercado". E, acima de tudo, pela importância nos seus apoiantes dos sectores "ruralistas". Entenda-se bem, a depredação ecológica e a refutação dos direitos fundiários das populações ameríndias, na Amazónia e não só, não é uma consequência desta abordagem política, é um projecto político por si só. Claro que então, e depois, isso foi muito (muitíssimo) menos abordado, tanto pela inexistência de movimentos amerindófilos como pelo estado sub-intelectual dos movimentos ecologistas portugueses mais mediatizados, os inscritos no espectro partidário.

Temos agora esta notícia sobre um projecto de explícita rapina dos direitos fundiários de uma população ameríndia. É algo mais do que esperado. A particularidade é que é levada a cabo por uma empresa portuguesa, o segundo maior grupo hoteleiro nacional, Vila Galé Hotéis. A reacção da sua administração à denúncia desta inaceitável acção (que foi descrita pela antropóloga portuguesa Susana Matos Viegas, profunda conhecedora daquela área), não é boçal. É sim um negacionismo estratégico, indigno de tão imoral. A única dúvida que este projecto levanta é a do estatuto da Vila Galé: será pirata, actuando por conta própria? Ou será corsária, devastando com o apoio do Estado português? Assim de longe julgo que será mesmo uma empresa bucaneira. Mas a ver vamos, se haverá reacção governamental que nos demonstre não só a inexistência de "carta de corsário" emanada como também a oposição efectiva (ou seja, com punições legalmente aceitáveis e economicamente penosas) do governo português a práticas destas.

Como portugueses pouco temos a dizer sobre as políticas brasileiras. Mas muito podemos dizer à Vila Galé. Evitarmos os 23 hotéis em Portugal e dos 8 que já têm no Brasil. Neles não fazer turismo ou organizar congressos, nem neles nos acolhermos para viagens laborais. Inclusive repudiando reservas que outros (em contextos laborais) nos façam nessas instalações. Explicitando a causa. E, claro, exigirmos ao nosso governo o explicitar do repúdio por tais gentes, bem como que as instituições estatais e municipais nunca sejam clientes nem apoiantes desta empresa.

Contra este projecto, ainda em deliberação pelo governo brasileiro, foi lançada uma petição. Subscrevê-la será bonito, simpático, uma espécie de suave ombrear com os que defendem direitos justos e tão dificilmente adquiridos e de ainda mais difícil manutenção. Mas não suficiente. Pois diante disto urge mesmo, sensibilidades políticas à parte, bradar "Que se lixe* a Vila Galé". E exigir que o nosso poder ouça o urro.

*Texto censurado por instâncias familiares.

30
Set19

Aquecimento global

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greta (1).jpg

Comecei anteontem a reler "A Vida e Opiniões de Tristam Shandy", que li, a correr, há 21 anos (!). Sterne começou a publicar em 1759 (releiam também, em 1759) este livro. A epígrafe é do grego Epicteto: "Não são as próprias coisas, mas as opiniões acerca das coisas o que atormenta os homens".

Neste final de domingo correram as cervejas na esplanada. Entre vizinhos. Na proximidade eleitoral falou-se de política. Um "dos tempos" perorou, diante do fastio amigável, em prol deste execrável costismo kamovista. Aportou um outro, daqueles que se diz da direita, dos que agitam o "marxismo cultural". Encetou o ditirambo contra a miúda Greta, pois terá lido aqui no FB os "mestres do dispensar" nesse rumo.

Resmungo-lhe: voltei de Maputo em 2015. Este vizinho imenso escrevia contra o estado dos espaços verdes dos Olivais. Geridos por uma patética presidente da Junta da Freguesia, mulher atroz agora candidata a deputada pelo PS. Para mim os Olivais pareciam Maputo, pois lixo por todo o lado, relva toda queimada, incompetência e desleixo dos serviços públicos, sobre isso bloguei. Também ele o fez, irado. E um tipo tão sensível que se revolta contra os jardins da vizinhança, que diz face ao descalabro ecológico global? Vem à esplanada gritar contra a miúda Greta ...

Mimetiza estes patetas, bloguistas e facebuquistas, doutores personalidades públicas. Esses que sigo há década ou mais, nos blogs, jornais ou FBs. Esses a quem nunca li nada sobre ecologia, sobre desflorestação, sobre aquecimento ou não, sobre degelo. Nunca botaram sobre isso. Monopolizados pelos requebros, meneios, acenos, a pequenez dos interesses daqui. Mas tanto se desdobram agora sobre a miúda Greta, tão enfadados vão, tão preocupados estão, tão "fascista" é ela. Tão rebolados nestes abespinhamentos, tão mariconços nos arreganhos ...

Um gajo lê um Sterne, de há 250 anos, e um Epictetus de há 2000 anos, já então, cada um a seu tempo, a demonstrarem, anunciando-a, a mediocridade desta gente. E, tal como digo a este vizinho, sentado à minha mesa, entrepagando-nos imperiais e uísques, e apesar da minha filha não gostar que eu escreva assim: estes gajos não valem a ponta de um corno. Flácidos, imbecis, impotentes. Umas bestas. E tão armados em inteligentes. Gente nada, doutores nada. A merda "lisboa". 

Bloguista

Livro Torna-Viagem

O meu livro Torna-Viagem - uma colecção de uma centena de crónicas escritas nas últimas duas décadas - é uma publicação na plataforma editorial bookmundo, sendo vendido por encomenda. Para o comprar basta aceder por via desta ligação: Torna-viagem

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