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Nenhures

Nenhures

A Tragédia de Macbeth

Why should you read "Macbeth"? - Brendan Pelsue (TEDEd); Animação de Silvia Petrov.

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Para quê reler Macbeth aos cinquenta e tal anos? Talvez para nunca esquecer a dúvida sobre a virtude do poder, aquilo que diz Malcolm a Macduff, antes de partir à reconquista do reino de que era legítimo herdeiro, e que fora usurpado por Macbeth: 

"... penso que a nossa terra se afunda debaixo do jugo. Chora e sangra e, em cada novo dia que passa, junta-se mais uma ferida às suas chagas. ( ...) Mas, apesar de tudo isso, quando esmagar a cabeça do Tirano, ou a erguer na ponta da espada, terá a minha pobre Pátria ainda mais vícios do que tinha antes, mais sofrimentos e misérias do que nunca sob o reino daquele que lhe suceder. (...) É de mim próprio que falo, de mim em que conheço tantos vícios que, quando libertos, o negro Macbeth parecerá tão puro como a neve, e o pobre Estado o tomará como cordeiro, se o comparar com as minhas infinitas malfeitorias. (...) Sei que ele é sanguinário, libidinoso, avarento, falso, desonesto, violento, mau, pejado de todos os pecados que se podem nomear. Mas não tem fundo a minha libertinagem (...) É melhor Macbeth do que um tal Rei". (Tradução de João Palma-Ferreira, edição Livros do Brasil 171-173).

(Macbeth de Orson Welles) - é ver já, antes que seja bloqueado

 

"William Shakespeare and the Roots of Western Civilization" - Paul Cantor

 

Paul Cantor on Shakespeare and Politics (I, II): Conversations with Bill Kristol

Livro em inglês ( edição colocada no sítio The Complete Works of William Shakespeare);

Livro em edição bilingue inglês-português (do Brasil), com tradução de Rafael Raffaelli.

Manu Dimango, "personagem totémica"

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Manu Dibango: artigo na Rolling Stone (anglófona) e outro artigo (francófono), um pouco mais substantivo. 

Entrevista de Manu Dimango à RFI, feita por Claudy Siar, produtor de "Couleurs Tropicales".

Super Koumba, o que fazia em finais da década de 1980s, durante a qual o vi na Festa do Avante, a última vez ali fui.

Steiner e a barbárie

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(Ilustração de Pablo Garcia - que retirei do La Opinión de Málaga)

Sobre Steiner um belo texto de Thomas Meaney, nada encomiástico, no Times Literary Supplement. Aqui estão acessíveis vários dos seus livros.

Dele muito se dirá. Agora que morreu decerto que mais elogios. E se exagerarão as leituras próprias (cada um reclamando "o meu Steiner"). Li-o, acima de tudo, quando começou a ser muito publicado em Portugal, no final dos meus vintes. E continuei a lê-lo. Foi-me importante, um sinal de perenidade. Assim como que um elevada barricada. Daqui a umas décadas será lido, apreendido. Muitos outros, agora fervilhantes, não o serão.

Um dia escreveu sobre bárbaros e a barbárie. Li-o, há quase trinta anos. E logo guardei o trecho. Anda sempre comigo, é o tal "meu Steiner", aquele que me cabe:

A própria atitude de auto-acusação e de remorso que caracteriza boa parte da sensibilidade esclarecida do Ocidente actual, se revela, uma vez mais, um fenómeno cultural peculiar. (…) O reflexo de um exame de consciência em nome de absolutos éticos é, de novo, um acto caracteristicamente ocidental e pós-voltairiano” (...) “Vendedores de palavras de ordem e pseudofilósofos familiarizaram o Ocidente com a ideia de que o homem branco foi como uma lepra na pele da terra, de que a sua civilização equivaleu a uma impostura monstruosa ou, no melhor dos casos, a um disfarce cruel e astucioso da exploração militar e económica. Ouvimos dizerem-nos, num tom de histeria punitiva, ora que a nossa cultura está condenada – o que corresponde a um modelo spengleriano de um apocalipse racional -, ora que só poderá ressuscitar através da transfusão violenta das energias, dos estilos de sensibilidade, representativos por excelência dos povos do “terceiro mundo.” (…) Trata-se de um neoprimitivismo (ou masoquismo penitencial) cujas raízes mergulham no coração da crise do Ocidente…”

(George Steiner, No Castelo do Barba Azul: Algumas Notas Para a Definição da Cultura. Relógio d'Água: 73, 70).

George Steiner no "O Belo e a Consolação".

João Paulo Borges Coelho

Quem me conhece - e aqueles que têm paciência para o que boto em blog, pois há quinze anos que repito isto - sabe o quanto gosto da ficção de João Paulo Borges Coelho. O seu "As Duas Sombras do Rio" é um dos livros da minha vida - e o único entre esses que li com 40 anos (de facto, com 39). Tem um punhado de livros excelentes. E é, para além de ficcionista, um intelectual extraordinário. E sem ademanes ou superficialidades.

Finalmente a sua obra é publicada no Brasil. Começa pelo seu segundo livro "As Visitas do Dr. Valdez", um texto riquíssimo. Estranho é que no Brasil tão tardia seja a atenção sobre este escritor. Como sintomática é a relativa desatenção portuguesa sobre este universo ficcional ancorado em Moçambique.

A propósito dessa edição brasileira foi agora divulgada esta entrevista a JPBC, 32 minutos com alguém que se justifica, sempre, ouvir. Que isto a alguns convença a comprar os livros e a lê-los. Dizem-me os interessados que é difícil encontrar-lhe os livros, a gente sabe que a editora Caminho nada ajuda. Insisti. Pois muito se justifica.

Fabrice Luchini

chegar a esta idade sem conhecer este tipo. (Fabrice Luchini, no programa de Bernard Pivot, com Jacqueline de Romilly, dizendo Rimbaud).

(Fabrice Luchini entrevistado por Léa Salamé no programa "Stupéfiant!".)

(Fabrice Luchini entrevistado no programa On n'est pas couché, 15.10.2016)

 

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