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Nenhures

Nenhures

21
Jan21

Biden

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Tomou posse, com um bom discurso. Tem a minha simpatia. Aprecio-o muito por critérios agora ditos imperiais: é homem, heterossexual e velho como eu. Católico, como a minha mãe. Apesar de ser branco e eu não, é quase da minha espécie ...

10
Jan21

Trump e Hitler?

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Há um mês, durante a campanha publicitária do seu novo livro, o jornalista e escritor José Rodrigues dos Santos falou com leviandade sobre a "Solução Final" nazi, o extermínio dos judeus (e ciganos, etc.). Gerou-se um coro indignado - ver por exemplo o artigo de Irene Flunser Pimentel; e as respostas de JRS às críticas recebidas (também eu botei sobre o assunto) - com aquela leveza, a medíocre incapacidade de perceber a especificidade de Hitler e seus milhões de sequazes, a sua "normalização" que JRS assim promovia. 

Leio agora, pois basto partilhado nas redes sociais, um texto do renomado sociólogo Boaventura Sousa Santos, "maître à penser" de vastos feixes da intelectualidade portuguesa: "Trump não tomará cianeto". Que surge imensamente mais leviano, indo muitíssimo mais longe nessa "normalização" do nazismo, na sua "banalização". No artigo vem o habitual (no autor) ditirambo contra os EUA, e para isso ali se compara - em retórica de "analogia" - Hitler e Trump, Himmler e Pence, os passos ocorridos no final do regime nazi com este final da presidência americana.

Nem vale a pena comentar o conteúdo. Mas é interessante, pois relevante, notar o silêncio crítico que uma "coisa" destas colhe. Tantos contestaram José Rodrigues dos Santos e todos se calam diante de algo muitíssimo mais intenso nesta "naturalização" do nazismo. Um silêncio que é muito significativo deste "pensamento crítico" em voga: há quem não possa espirrar que logo é apupado. E há quem diga as atoardas que quer, que logo é louvado (e "partilhado"). Chama-se a este seguidismo apatetado "epistemicídio". Pois trata-se do genocídio da análise crítica.

Adenda: A ligação entre EUA e a Alemanha nazi é um tópico nos escritos de Sousa Santos. Veja-se este texto de 2019: "Os EUA flertam com o direito názi" (sic).

Já agora, e porque este vem a talho de foice, não deixa de ser notável que o consagrado académico escreve sobre este "flertar" (de novo, sic) entre EUA e o nazismo a propósito das invenções de "inimigos internos" e não surja agora no mesmo molde a associar António Costa ao nazismo - pois também este cultor da imagem do "inimigo interno", assim tratando os sociais-democratas que lhe são críticos. É notável mas não surpreendente ...

09
Jan21

Dia de Reis, 2021, fim de década

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Dia de Reis, 2021: Washington, parlamento.

Estes anos 10 de XXI foram, de facto, a "década chinesa" - e isso notou-se bem quando em final de 2020 se assinou o tratado de comércio livre dos 15 da Ásia-Pacífico, enquanto a semi-intelligentsia cristo-"ocidental" discutia com minúcia erotizada o iminente Brexit e as eleições americanas. Julgo que daqui a largos anos sobre esta era os vindouros afirmar-lhe-ão ainda outros dois traços centrais: a continuidade do até surpreendente solavanco indiano (pois o choque dos gigantes asiáticos será estruturante desse futuro); e - num nível que lhes será bem mais fundamental do que tanto tonto ainda grasna - a incapacidade dos países ricos em enfrentarem a reconversão industrial ecologicamente imposta.

Mas neste nosso reduto, o tal "Ocidente" - esgarçando-se como o centro do mundo, que o foi nos últimos 250 anos -, a "década" teve outros traços fundamentais muito, demasiado, marcados pelos abalos internos nos EUA, provocados pela decadência da pax americana, promovida por forças bem mais relevantes do que a óbvia incompetência externa das suas últimas presidências. Por um lado, o crisma das eunucas "agendas identitárias" - total reprise do que a lenda narra como ambiente ideológico aquando da queda de Constantinopla diante do imperialismo islâmico, aquilo da querela sobre o "sexo dos anjos" - submergiu o velho pensamento progressista, metastizado após a queda do comunismo.

E por outro lado, o recrudescer das "agendas soberanistas" - mero invés das outras, pois de facto também elas apenas "identitárias" -, de cariz ferozmente reacccionário, mesclando laivos de liberalismo económico, demagogicamente apropriados, com um conservadorismo radical. Foi esta a "década" encetada pelo movimento Tea Party, de facto um proto-fascismo teocrático. E mais perto de nós, entre outros epifenómenos na Mitteleuropa, os manobrismos de Farage, acoitados pelo paupérrimo Cameron. E tudo isto exponenciado nesta ascensão de Charles Foster Kane à presidência do país mais poderoso do mundo. 

Muito se diz que a democracia ("sempre frágil, sempre vulnerável, corruptível e muitas vezes corrupta", disse-a Bobbio, quando dela fez a apologia) é frágil. Sim, é-o, tem esse enorme vigor. O da fragilidade. No Dia de Reis de 2021 a "década" acabou - esta, que tanto demonstrou essa fragilidade. Findou de modo algo sanguinolento. Mas como farsa. Resta-nos, acima de tudo, olhar os farsantes e seus adeptos, seja lá qual for a sua "identidade", como o que são: farsantes. Alguns malévolos. A maioria apenas imbecis. E combatê-los. Com denodo, aos primeiros. E com infinita ferocidade aos outros, pois muito mais perigosos. E numerosos. Vera pandemia que são.

11
Nov20

Americanices

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Nas últimas horas vários amigos (e amigas ...) têm-me enviado notícias com este teor - que anunciam o iminente divórcio do presidente americano -, decerto que impulsionados por um postal em que elogiei a Senhora de Donald Trump [já agora, a latere, e principalmente para @s mais feminist@s, não notais o imundo machismo d@s lus@s muito americanizad@s que falam da Melania e da Kamala mas de Trump e de Biden?]. Nessas risonhas (ou não ...) mensagens surgem mesmo implícitos (e até explícitos) incentivos a que aproveite eu a situação e tome alguma iniciativa de cariz romântico ...

Longe de mim tal ideia, e não apenas pela modesta vetustez em que atasco. Mas porque, ainda que não sacralize o vínculo conjugal, não considero cavalheiresco promover, e muito menos aproveitar, a ruptura dos elos afectivos alheios. Sempre a lamento. E espero, sinceramente, que estes hipotéticos desaguisados matrimoniais - porventura potenciados pela pressão das funções presidenciais -, sejam ultrapassados pelo casal.

Entretanto, aqui e no blog várias pessoas (em especial senhoras) me criticaram o texto elogioso da Sra. Trump, pois considerando aquele casal assente numa relação económica, segundo o consabido padrão do homem idoso abonado e da mulher jovem materialista. Modelo que consideram imoral. E até gente das ciências sociais me veio com essa ladainha (murmuro aqui, mesmo envergonhado, até antropólog@s ecoaram essa invectiva apatetada, imagine-se o desgraçado estado em que isto segue ....).

Ou seja, esta gente pensa que o casamento como vínculo deve assentar apenas num tipo de relação moral, nem tanto a da paixão assolapada do dramalhão (proto)romântico Paul et Virginie mas muito mais a da sequela Lagoa Azul, da qual agora decalcam os seus paupérrimos ideais e ainda piores concepções da existência. E vêm-me chatear com isto, sem qualquer vergonha pela ignara visão que têm da vida.

Já agora, e a modos que adenda: apesar de no bucólico sossego de Nenhures, não deixo de me irritar com a parvoíce d@s luso-entusiasmad@s com a eleição de uma mulher para a honorífica vice-presidência americana (e tant@s del@s no restos dos dias tão sensíveis ao anti-americanismo "abissal"). É que, apesar de tudo, a gente é europeia ("nordestina", no tal linguajar "abissal"). Na história, nos valores e até no chamado "modelo social europeu". Contexto no qual temos a presidente von der Leyden (não "a" Ursula, claro). E no qual desde há muito que a estadista mais importante é a chanceler Merkel (não "a" Angela, claro). E no qual é relevante o esquivo Boris Johnson, epígono de Thatcher (que nunca "a" Margaret, claro). Esta americanização dest@s ufan@s, esta afinal sua tesão pelo "noroeste", é mesmo muito parola.

03
Out20

Joseph Bottum

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Entrevista a Joseph Bottum por Mark Tooley no canal Providence Magazine. Aborda a influência das visões auto-punitivas e escatológicas na política nos EUA, devido ao que considera ser o colapso das igrejas protestantes no país. Vinte e cinco minutos muito interessantes ...

Para quem quiser deixo ligação a um breve artigo, 6 páginas: Disenchantment and Its Discontents. Demonstra a sua visão e é, provocatoriamente, muito actual para o "debate" português - se é que há tal coisa. (Quase) Termina assim:  "Earlier this year, Richard Dawkins reiterated his insistence that bringing up children religiously is a kind of “child abuse.” But I worry more about the rest of us in our modern culture—we children of science, brought up by anti-religious dogmatists in narrow, cramped little doctrines. No art, no richness, no sense of living symbols, nothing poetic, nothing sacramental: That is a truer kind of child abuse—a thinning of the experienced world, a willed privation."

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