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Nenhures

Nenhures

29
Set21

Diante do Borussia

jpt

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[Postal para o És a Nossa Fé]

Para a segunda jornada desta edição da Liga dos Campeões (a "Xampions" como alguns dizem, sabe-se lá porquê...) reuniu-se o painel comentadeiro do És a Nossa Fé - reanimando o convívio orgânico, algo não só urgente como convocado pelo recente alijar dos cuidados sanitários, consagrado pela extinção do Grupo de Trabalho (a "Task Force" como diz o Estado, saberá o Demónio Inculto porquê...) para a Vacinação contra o Covid-19.

Em assim sendo, nas cercanias das instalações da RTP congregou-se o trio composto pelo camarada-coordenador Pedro Correia, o consagrado José Navarro de Andrade e o júnior jpt, ausente da fotografia pois então ao telefone. O encontro foi antecedido por um frugal repasto, o qual cruzou o hino da competição (momento sempre a respeitar...) e se alongou pelos primeiros 45 minutos da compita. Sobre um pano em tons ocres - típicos da velha simbologia "Africana" -, adquirido cerca da Ilha de Moçambique, e ali aposto em explícita homenagem aos nossos apoiantes do Sporting Clube de Moçambique, comeu-se (o que agora se diz "degustar", sabe-se lá porquê...) frango oriundo da prestigiada Casa de Frangos de Moscavide, precedido e sucedido por camarões moçambicanos adquiridos na empresa Lidl, tudo orlado com uma saudável salada rica de manufactura caseira e polvilhado por um sortido de amêndoas, amendoins e castanhas de caju, proveniente do estabelecimento Pingo Doce. Para conclusão, ou sobremesa, surgiram uns aprazíveis biscoitos da Padaria da Arrifana. Nesse entretanto foram bebidas cervejas: como sempre a nossa querida Super Bock, claro, mas também acompanhada por algumas Argus, em homenagem aos nossos Adan, Porro e Saravia.

Sobre o jogo de futebol muito haverá a dizer. No entanto presumo que serei algo redundante se me explanar sobre a matéria. Pois um dos membros do trio foi recebendo largas dezenas de mensagens de um grupo de convívio telefónico, composto por bloguistas de tendência sportinguista, e assim decerto que a blogosfera leonina estará já repleta de textos congregando e sintetizando tamanho manancial opinativo discorrido por conhecedores ("connoisseurs", dizia-se antes e sei bem porquê...) do desporto-rei mais exímios do que eu. Ainda assim deixo alguns tópicos:

1. O que fundamental se retira deste Borussia-Sporting é o primado do mandamento "jogo a jogo". Ontem, em termos colectivos a equipa esteve bem, apesar da derrota. Jogo muito difícil, contra uma equipa fortíssima. Não sigo muito a crença no primado da experiência europeia (vejam-se os simpáticos neófitos moldavos que ontem gelaram os merengues) mas haverá um ritmo de jogo - o que não é sinónimo de intensidade de preparação física e táctica - algo diferente, que é preciso ir absorvendo. Um processo de maturação, em curso - o tal mandamento "jogo a jogo"-, e que creio será muito rápido, até pelo excelente comandante desta equipa e pela sageza ponderada que a presidência apresenta, que assim se apresta a deixar medrar tão bela matéria-prima. Este desafio mostrou que o descalabro diante do Ajax foi o de um dia aziago. E que "acontece aos melhores", como alguns dos nossos rivais poderão hoje concordar.

Por tudo isto não posso deixar de sorrir com a memória de todos aqueles "stôres" que há quinze dias foram para as reuniões de notas clamando que o aluno Amorim (aquele  miúdo, o Rúben) "não tinha estudado bem" para o teste Ajax. Que nota lhe darão hoje? Pelo menos um 10 (ou 3), espero.

2. Por falar no tal estudante Rúben Amorim: que belo exame oral ele fez, já nas declarações pós-jogo. É um orador muito atilado, o rapaz, dominando a matéria e apresentando-a com o tom certo. E isto nele é uma constante. Só por isso justifica passar de ano. E para mim julgo que deverá ser o delegado de turma.

3. "A doutrina divide-se" sobre o efeito Matheus Nunes no meio-campo leonino. Gabo-lhe a codícia e o arrojo ofensivo, a maestria no drible, a visão ("lateral" compõe-se agora) de jogo, e exulto com as suas arrancadas desequilibradoras, tão ao gosto das molduras humanas. Mas noto-lhe alguma apatia defensiva, descompensadora do necessário rigor colectivo. Estou certo que rapidamente, sob a tutela de Mestre Amorim e no contexto de tão difíceis contendas internacionais, o jogador amadurecerá essa dimensão tão necessária à "alta competição". Mas até lá abrem-se, por vezes, algumas auto-estradas ali no miolo.

4. Uma boa surpresa, vinda de jogador que até agora pouco me convencera, o outro Matheus, Reis.

5. A confirmação de que se há vida para além de Coates ela é bocado mais difícil. Também por isso o bom desempenho defensivo, sublinhado com os múltiplos foras-de-jogo provocados. Alguns a assustarem-nos, mas isso ainda mais demonstra a excelência e o rigor das manobras defensivas que os causaram. Algo indissociável da actuação do patrão.

6. Justiça seja feita a Rúben Amorim: tem dado excelentes guiões a João Palhinha, e ele muito bem os interpreta. Julgo que é já credor de um Globo de Ouro, e antevejo que em breve ganhará um troféu BAFTA.

7. É evidente que Paulinho é um excelente avançado, joga e faz jogar. Encaixado numa defesa fortíssima (onde pontifica o célebre Hummels) e num jogo difícil, em que escassearam as possibilidades de ataque continuado que se tornasse disruptivo, o nosso ponta-de-lança teve ganas de criar algumas dificuldades extremas ao colosso do Ruhr. É um prazer vê-lo actuar. Em particular naquilo que tanto desagrada aos mais enfáticos das bancadas e sofás: é usual vê-lo criar, com arreganho e/ou argúcia, situações perigosas nas áreas adversárias e nos momentos decisivos preferir esperar ou passar a bola a um colega. Pois, inteligente, percebe que um remate não terá sucesso. Crispados pela emoção os sportinguistas não lhe perdoam que lhes negue o "frisson" momentâneo do disparo, destrambelhado ou "enquadrado", que não seja um populista atreito à demagogia do remate "para a bancada (ver)". Preferem, o que é normal porque é de futebol que se trata, a Emoção à Razão. Mas conviria que depois dos jogos, no remanso da ressaca, se tomasse consciência disto: Paulinho tem razão. E é, repito, um excelente avançado.

8. O jovem Jovane está num encruzilhada. Ou segue a Djaló ou continua para Gelson. É voluntarioso e é talentoso. Talvez seja tímido, talvez jogue amargurado. Ontem entrou arredio. Porquê? Espero que a "estruture" o "alavanque" para a boa carreira que lhe é tão possível.

Em suma, espero que os próximos meses, já pós-Covid, me sejam algo soalheiros, após a bruma destes meus últimos anos. Pois se assim acontecer daqui a uns meses, em Maio de 22, poderei compor uma mesa menos frugal e mais refinada. Dado que este trio comentadeiro combinou que será nestas instalações que assistiremos à final da Liga dos Campeões. Soube que há quem prefira para esse jogo ter como adversário o Paris Saint-Germain, essa colecção galáctica. Eu, por razões ideológicas, avesso que sou ao patrão reino teocrático Catar, e por razões estritamente futebolísticas, antes anseio que joguemos essa final contra uma equipa inglesa. O Manchester United, de preferência. Por razões óbvias. 

Ou então, porque não?, iremos os três ver o jogo in loco. E com quem se nos queira juntar, claro. Pois #EsteAnoTambémÉ!

 

16
Set21

Sporting-Ajax

jpt

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[Postal que não é para o És a Nossa Fé]

A vida tem-me dado boas coisas. Algumas desperdicei mas nunca quis ser forreta. Das mais preciosas são os amigos, punhados deles que me acalentam. Tive ontem mais uma prova disso, das inúmeras que já acumulo.

Um casal amigo, benfiquistas meus verdadeiros compadres, sabedores que o Sporting se estreava na Liga dos Campeões decidiu proteger-me, convidando-me para ir a um concerto. Aceitei - desde o advento do Covid que não assistia a música. Ao fim da tarde fui ter com eles. No metro vi a romaria dos adeptos para Alvalade. Entusiasmei-me. E via Whatsapp enviei o "Onde Vai Um Vão Todos!" para uma dessas listas de dezenas de amigos que uso desde a pandemia para reenviar patacoadas que são acenos. 70 ou 80 deles, sportinguistas e dos outros.

Calei o telefone. E depois, já na sala, desliguei-o. E só vi o resultado à saída do concerto. Rosnei um "raisparta". E vi as mensagens recebidas: meia dúzia de resmungos sportinguistas. E dos muitos outros apenas uma Cruela a gozar comigo. Ninguém mais nesse registo. Gente boa, não há dúvida.

E venho então aqui agradecer-lhes. E fingir a dor que deveras sinto...

11
Set21

Jorge Sampaio em Maputo

jpt

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(Hilário, Chissano, Sampaio, ColunaAcúrsio, Eusébio, Vicente, Maputo, Abril 1997, fotografia de Jorge Brilhante)

[Postal para o És a Nossa Fé:]

Em 1997 o Presidente Jorge Sampaio visitou Moçambique, fazendo-se acompanhar de uma grande comitiva. A viagem foi uma assinalável sucesso, muito potenciando as relações entre os dois países, então ainda algo maceradas pelo processo de descolonização e pelos constrangimentos do subsequente processo político moçambicano. Nessa comitiva presidencial iam 4 futebolistas nascidos em Moçambique - também servindo de representantes simbólicos dos "4 grandes" clubes: Hilário, Acúrsio, Eusébio, Vicente. E, claro, logo se lhes juntou Mário Coluna, o "Monstro Sagrado" - então presidente da Federação Moçambicana de Futebol. 

Nesse momento tive o privilégio de acompanhar esse magnífico Quinteto. E desde então não só reencontrei algumas vezes o nosso Hilário e o "King", Eusébio, como tive o privilégio de criar amizade, não íntima mas bastante convivencial, com o "Monstro", Coluna. Conheci-os num almoço na popular cervejaria Piripiri, prévia a uma passeata pela Baixa da cidade na qual acompanharam o presidente Sampaio. Pude então perceber algumas das características do político: eu já vira Soares em Luanda, num notável desempenho patenteando uma extroversão verdadeiramente carismática. E viria a ver Cavaco Silva em Moçambique, num perfil público muito mais rígido, o qual sempre me pareceu muito mais o de um homem em luta com a sua timidez do que efeitos de uma concepção hierática da sua função. Sampaio era diferente, não exactamente um homem de rua ou de palco, pois não um carismático. Mas apresentando uma bonomia tão explícita que era recebida pela população como uma simpatia natural, à flor da pele. Assim encarnando a confiança.

Voltou a Maputo em 2001 para uma das cimeiras da CPLP, numa era em que estas congregavam mesmo os chefes de Estado. No nosso caso numa chefia bicéfala, pois para o efeito agregávamos o PR e o PM, naquele tempo Guterres. (Re)Vi Sampaio numa recepção à comunidade portuguesa, à qual acorreram cerca de 3000 pessoas. Enquanto ele circulava entre nós fui rodeado por vários compatriotas. Ocorrera-lhes que seria aquele o bom momento para fazer chegar ao presidente um ror de preocupações que tinham - impostos aos emigrantes, taxas de importação de veículos, apoios à comunidade, etc. E passara-lhes pela cabeça que seria eu um bom porta-voz para as colocar, dado que conhecia algumas das pessoas que ali o circundavam. Resisti, num "era só o que me faltava...", insistindo que "isso são coisas para colocar aos deputados, ao secretário de estado, ao cônsul..." mas não os consegui desiludir, insistentes num "vá lá, Zé Teixeira" e sem de mim se apartarem.

Passado algum tempo, mantendo-me eu de copo de vinho na mão e tasquinhando o queijo da serra e o presunto gentilmente disponibilizados, o Presidente Sampaio foi-se aproximando da nossa zona. Recrudesceram os patrícios nos seus incentivos à minha capacidade reivindicativa. Assim sendo, e ao estar aquele Grande Sportinguista já à distância de apenas duas braçadas roguei-lhe "dá-me licença?, Senhor Presidente, posso-lhe fazer um pedido?", ao que ele, arvorado com um sorriso aberto, logo ripostou "claro, em que lhe posso ser útil?".

"- Ó Senhor Presidente, por favor, use a sua influência para fazer as pazes entre o dr. Roquette e o dr. Luís Duque" (então desavindos na nossa Direcção). Riu-se, abertamente, elevando as mãos em sinal de impotência e ripostou "Ó Homem, isso está bem acima dos meus poderes...". E deixou-nos uma dúzia de palavras de circunstância, logo seguindo na sua ronda entre nós, aqueles milhares de convivas.

Os meus vizinhos, enfim, resmungaram um bocado comigo...

03
Set21

Obrigado Benfica

jpt

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[Postal para o És a Nossa Fé]

Este Portugal-Irlanda ficará na história. Pelo histórico record de golos em selecções, mais uma marca fenomenal de Cristiano Ronaldo, esta particularmente significante. Mas também porque foi o início da nossa caminhada para o título mundial de 2022. É certo que não foi o primeiro jogo do apuramento para o Catar mas foi o primeiro após a  promessa de título feita pelo seleccionador, logo após o final da insuficiente campanha no último Europeu. E sendo Fernando Santos sempre parco em promessas destemperadas foi evidente que essas afirmações significaram que o título mundial é o objectivo, e que há a consciência, tanto no seleccionador como na FPF, da sua possibilidade muito efectiva. Assim sendo, tudo o que seja menos do que a final no Catar será um insucesso.

Este acentuado "levantar da fasquia" por parte de Fernando Santos deve ter sido pensado após a análise do quadro alargado de presumíveis seleccionados para o próximo ano. Em termos de jogadores já amadurecidos - grosso modo, de Cristiano e Pepe a Ruben Dias ou Palhinha, dos quase quarentões aos que têm cerca dos 25 anos. E também dos mais jovens já algo consagrados, e que já estavam na equipa do último "Euro" ou haviam estado nas cogitações do seleccionador - como são exemplos os jovens laterais Dalot e Nuno Mendes. 

Mas decerto que essa crença de Santos na obtenção do título mundial assenta em algo mais, num conhecimento exaustivo de jogadores que irão surgir aos olhos do grande público, "explodir" por assim dizer, e que nos próximos 15 meses virão a ser lançados na selecção, porventura até substituindo alguns dos nomes agora habituais.

Neste Portugal-Irlanda tivemos o primeiro exemplo dessa renovação da selecção, que tanto a reforçará. Foi uma vitória difícil, conseguida in extremis devido à já lendária codícia de Cristiano Ronaldo. Mas muito se deveu ao contributo de um outro jogador: João Mário - capaz do passe para o golo decisivo, tão cheio de classe e calma apesar do momento tardio (51º minuto da segunda parte), quando tantas vezes já predomina o "querer" e escasseia a calma para as melhores opções.

Excelente prenúncio. Nunca vira jogar este jovem, apenas lera sobre ele. De facto, foi algo falado durante a época transacta, tendo sido titular, como uma espécie de "maestro", da equipa do Benfica sub-23, a qual tão bons resultados obteve. Se isso não foi do conhecimento do "grande público" não terá escapado à observação da equipa técnica da selecção. Pelo que anunciava então e pelo que demonstra  agora presumo que João Mário não tenha então integrado a equipa do Europeu - apesar de ser a mais extensa das convocatórias, alargada a 26 jogadores devido às temidas implicações do Covid-19 - apenas devido à sua imaturidade. Mas bem esteve o Benfica ao fazê-lo agora ascender ao plantel sénior - não o emprestando para "rodar", o que nem sempre tem bons resultados principalmente em jogadores de fino recorte técnico como este é. E assim João Mário, tendo já cumprido uma pré-época com Jorge Jesus, treinador conhecido por tanto moldar os seus jogadores, potenciando-lhes as capacidades técnicas e a argúcia táctica, demonstra estar já "mais jogador", capaz de outros voos. Porventura até já apresentando outros indíces físicos, frutos de um trabalho atlético mais exigente do que aquele a que estava sujeito na época transacta.

Nesse sentido, e por apreço à selecção, a sempre "equipa de todos nós", e sem clubismos exarcebados, cumpre-me agradecer ao Benfica este contributo da sua formação. E ao seleccionador agradeço a sua compenetrada atenção aos jogadores seleccionáveis. Sem ficar preso a estatutos ou idades. Nem aos clubes de pertença.

09
Ago21

A SuperLiga Europeia está a chegar

jpt

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Isto das regras financeiras da Liga espanhola terem impedido o clube de associados Barcelona de manter Messi, e de este transitar para o clube das relações públicas da ditadura catari terá um efeito a curto prazo: vai mesmo começar a tal SuperLiga Europeia, juntando os clubes de milionários de 5 países.

28
Jun21

Portugal-Bélgica (crónica)

jpt

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Na véspera dos oitavos-de-final deste Euro 2020/1 fui infiltrado, o que me criou más expectativas para o encontro pois temi alterações nas condições físicas apropriadas. Mais ainda, no próprio dia recebi a novidade, esperada é certo, de que nas relativas cercanias do estádio de Wembley a minha filha, também ela, assinara pelo clube Pfizer. Algo que me causou uma enorme desconcentração, prejudicial ao embate face aos belgas.

Pois assim me mergulhei em memórias inúteis: de quando na época passada a aguardei, ela com traumatismo asmático, agravado no pesado calendário inglês, para logo nos confinarmos num Nenhures campestre, eu em pânico, inseguro sobre os efeitos que uma hipotética fractura covidesca poderia ter na carreira dela. E isso quando o Presidente da Federação, Sousa, e o director das Relações com as Filiais, Silva, nos garantiam da impossibilidade de fechar fronteiras, sendo que Sousa prosseguia entre festejos em estádios teatrais no reduto de Pinto da Costa. E Freitas, a responsável pelo departamento médico, nos pedia para visitarmos os núcleos de veteranos - onde a minha mãe, antiga campeã de paciência, viria a definhar e morrer enclausurada - e nos alertava para não usarmos máscaras nos treinos nem aceitarmos que nos fizessem testes anti-doping. Já para não falar de Antunes, responsável dos relvados de Alvalade e Alcochete, que se debruçava sobre possíveis transferências de jogadores para o campeonato chinês. Lembrei ainda os meus frémitos quando a minha filha, já nesta época regressada à Premier League, contraiu uma lesão no tendão covidiano, ainda por cima sem que eu tivesse total confiança nos fisioterapeutas do seu clube. Enfim, tamanho foi o meu alívio, até eufórico, com a sua transferência para o Pfizer, que no domingo me alheei dos cuidados tácticos face ao nº 1 do ranking mundial e à ponderação dos titulares necessários para cumprir as matizes estratégicas que se poderiam impor durante o tempo regulamentar e, mesmo, no sempre temível prolongamento.

Tão abstraído estava que nem verdadeiramente notei que a equipa nacional, após entoar o hino, se ajoelhou como se fosse uma qualquer equipa de futebol americano, nisso decerto que arrebitando os ademanes dos holigões socratistas do Sport Campo Grande, do Atlético de Campolide e do Académico de Coimbra, já para não falar do entusiasmo que decerto sentiram os literais "Black Panthers", recém-contratados pelo Desportivo da República, ao verem o enérgico Sanches de "Poder Negro" em riste.

Assim sendo só após soar o apito inicial pude constatar algumas evoluções na filosofia do Engenheiro Santos: poventura para mitigar o número de punhos racistas erguidos no início do jogo cuidou de enviar William Carvalho, sua excentricidade, para a bancada, e Danilo, seu óbvio talismã, para o banco de suplentes. Um pouco mais à frente tudo na mesma como a lesma - como diz o povo, na sua infinita sageza - com os alas da direita e da esquerda (se é que este o era) impassíveis, pobres avatares dos excelentes Bernardo Silva e Diogo Jota que ali estavam encarregados de representar. 

As equipas entraram em cuidadosa fase de estudo, a qual teve direito a 2ª chamada e se prolongou até à 2ª época, o que comprovou o acerto da escolha do Prof. (Jubilado) João Moutinho como titular. Nesse entretanto, e apesar de algumas irreverências do aluno Sanches, decerto que devidas a ser oriundo do ensino técnico-profissional, posso afiançar que foi o período em que mais estive em jogo. Pois decorreu um futebol mastigado, condizente com a nossa claque aqui presente, entregue ao manuseio de uns belos ovos com farinheira (cuja origem não averiguei), uns rojões com molho amostardado do mais fino recorte técnico, uns decentes camarões austrais cozidos debruados com a maionese caseira, tudo circundado com tremoços temperados bem frescos e o pequeno luxo de tijelas de castanha de caju, estas ali em homenagem aos sempre indefectíveis apoiantes africanos da selecção nacional, como bem o comprovou o hino da selecção, o "Vamos Com Tudo" de autoria e trinados do artista David Carreira. Mas nestas manobras reconheci o meu estado de abatimento, o qual nada de bom augurava para o desiderato final, pois acompanhei-as com apenas uma cerveja, a condignamente titular "Super Bock".

Enfim, cerca do final da primeira parte aconteceu o rude golpe belga, selecção que - reconheço-o - muita simpatia me convoca e não só devido a Moulinsart. Ao intervalo o nosso estado era de algum torpor, em murmurados lamentos face à opção de retirar o play-maker Ferro Rodrigues da equipa, substituindo-o por um apático e inexperiente Brandão Rodrigues. Pois não basta ser (quase) homónimo para se poder levar a equipa ao triunfo. Confesso que a segunda parte por cá encontrou uma moldura humana já mais rarefeita e ainda menos confiante. Foi reconhecida, com justiça, a (tardia) afoiteza do Engenheiro, o qual com sucessivas substituições tratou de "meter a carne toda no assador", tentando inverter o agora regressado triste fado luso. Ficará para sempre a dúvida sobre porque não o fez antes, pois foi óbvio - como o demonstrou a inútil arrochada do Tio Pepe, que lhe provocou a reprimenda arbitral - que a carne assada em tão pouco tempo se torna demasiado nervosa, dando-se pouco macia às gengivas adeptas. Ainda assim o Engenheiro não mereceu a traição cometida por Raphael Guerreiro, que decidiu atirar ao poste quando as instruções recebidas eram para repetir exactamente a manobra de Budapeste.

Terminado o confronto de Sevilha, constatado o atentado blasfemo à religião oficial de Estado, retirámo-nos acabrunhados sem mesmo escutar os sacristões congregados nos painéis televisivos. Já no leito algo me reanimei ao ler as doutas declarações do presidente da Federação, Sousa, afiançando-nos que tínhamos sido os melhores e que, mais importante, somos como os melhores. Nisso convocando o nosso fervor para 2022, ano no qual, prometeu o Engenheiro, seremos campeões do mundo. Adormeci, mais pacificado. E sonhei com múltiplas medalhas em Tóquio. E com Eduardo Ferro Rodrigues.

24
Jun21

O fedor

jpt

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"Então nós íamos mascarados para os oitavos-de-final?!", terá ainda dito Ferro Rodrigues, o inadjectivável presidente da AR  - pois se eu usar um adjectivo que lhe seja adequado ainda me cairá em cima um processo no tribunal, "difamação" ou "injúria" gemerá este tão medíocre político.
 
Já agora, o jogo é no domingo. Nós, os da zona metropolitana de Lisboa, poderemos ir a Sevilha? Esta enésima vaga de Covid terminará até ao fim-de-semana? A decrepitude desta tralha de gente já fede. E há quem a apoie.

22
Jun21

Alemanha-Hungria "lgbt"

jpt

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Sei que alguns dirão deste postal que é botado por um vil homofóbico. Outros avançarão mesmo que "o velho é mas é um recalcado". Enfim - e sem mais delongas sobre as minhas hipotéticas pulsões -, vejo que a Alemanha receberá a Hungria nesta jornada do Europeu. Os húngaros acabam de aprovar uma lei avessa à sinalização da normalidade da homossexualidade junto de menores, entre outras moralices. E a federação alemã de futebol pondera (ou já decidiu) afrontar isso, decorando o estádio desse jogo iluminando-o com as cores simbólicas do movimento internacional homossexual. Um ministro de Orbán já protestou contra a mistura do futebol e política (como se estivessem apartados). E os paladinos do identitarismo em voga apupam-no enquanto louvam a Alemanha por esta atitude (nesta semana os tipos do BE não dirão que a Merkel é nazi e que o seu país gosta desta crise do Covid-19 porque com ela lucra). 

Daqui a pouco, entre 1 e 5 de Setembro decorrerão duas jornadas da qualificação europeia para o próximo Mundial. Será que as federações nacionais de futebol irão ter proclamações políticas sobre questões relevantes, afrontando selecções adversárias devido a problemáticas como a fragmentação petrolífera, as questões palestiniana e cipriota, a exploração de recursos árticos, o estatuto de Gibraltar (que também joga), a guerra na Ucrânia, etc.? Não, então reinará o tal apartar entre "política" e "desporto". O qual, hoje em dia, só se dilui nas questões "identitárias", como se estas éticas. 

Mas se o fundamental actual são estas coisas "identitárias", das "liberdades individuais", pergunto-me uma outra coisa: o Mundial-22 é no Catar. A federação portuguesa, "instituição de utilidade pública", concordou com isso, e até terá votado favoravelmente. Tal como a alemã. País com o qual Portugal jogará um particular no dia 4 de Setembro. Ora no Catar as pessoas com uma peculiar parecença comigo, com a minha "identidade" como se diz agora ainda que eu não a reclame, podem ser condenadas à morte. Entenda-se, não só é proibido sinalizar a nossa normalidade aos menores de 18 anos. Pode-se ser condenado à morte! Como em vários outros países, para além de outros onde gente com essa semelhança sofre pesadas discriminações. E, se o argumento quantitativo é importante, na Europa são bem mais do que os homossexuais. 

Mas agora, ao fim destes anos todos deste convívio e conúbio, de turismo e negócios conjuntos, e até de tantos futebóis com estes Catares, toca de agitar os bracinhos abespinhados no jogo da bola húngaro, colori-lo com as cores correctas, afrontar os malvados? E depois, muito ciosos da cidadania europeia, arrumar os cachecóis da selecção até ao próximo Mundial? No Catar? Deus Nosso Senhor me perdoe, mas que .... gentinha. Que hipocrisia bacoca.

20
Jun21

Alemanha-Portugal (crónica)

jpt

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(Postal para o És a Nossa Fé)

É fácil comentar a posteriori e o teor da análise depende(-me) sempre do resultado final, seja lá qual for a maneira como os nossos lá chegaram. Já sobre o jogo com a Hungria botei na minha taberna: "Como é óbvio contestei com vigor e sageza veterana o pendor conservador do nosso engenheiro seleccionador, antevendo uma deslustrada campanha sob tal "motorista". E elogiei a extrema capacidade do nosso engenheiro seleccionador - sempre avesso à fugaz embriaguês do espectáculo - montando uma equipa tacticamente irrepreensível, delineada para enfrentar os gigantes que se sucederão, e clarividente nas letais e oportunas alterações que decidiu, mostrando que iremos longe sob tal "motorista"."  Aparente oscilação devida, claro, à bem sucedida carambola de Raphael Guerreiro aos 80 e tal minutos.

Para o jogo de ontem as minhas expectativas eram sombrias. Não só devido ao tradicional poderio da Mannschaft, já teorizado por Gary Lineker: "Football is a simple game. Twenty-two men chase a ball for 90 minutes and at the end, the Germans always win". Mas também porque Carlos Manuel, notoriamente fora de forma, não foi convocado por Fernando Santos. Ainda assim, e muito devido à influência do meu personal coach Rebelo de Sousa, concentrei-me com afinco para o embate: do Lidl de Nenhures convoquei 2 caixas camarão a cinco euros cada e uma caixa de mines Argus, que se associaram ao bloco Karlsqueel chegado do rival Aldi vizinho, a um pacote de amendoins com casca e a um balde de tremoços temperados oriundos de agremiação local, seleccionados pela restante equipa técnica. Vigorosa estava a maionese mezinha caseira.

As sensações iniciais do jogo foram contraditórias. O inicial golo alemão logo azedou o ambiente, anunciando o algo já esperado, apenas adiado devido ao fora-de-jogo arrancado à unhaca do teutão marcador. Mas logo de seguida o antológico golo do CR7, com arte e engenho surgido do até então pântano luso, veio reanimar as hostes comensais e o espírito de Sérgio Conceição pairou, em tricórnio, sobre a sala. Depois... enfim, já todos o sabemos, o esquerdismo germânico irrompeu, revolucionário, devastando o nosso aburguesado "centrão": os amendoins foram ditos chochos, os tremoços apimentados em demasia, os camarões nada condignos da saudade moçambicana, as cervejas chilras. A própria mezinha afigurou-se já antiga. Ao intervalo houve inflexão táctica, passando-se a privilegiar o recurso ao muro d'Amber Leaf, antes chegado do Continente da vila, comprovando que em dia de selecção não há clubismo comercial.

A segunda parte trouxe novidades televisivas. Jogou aquele rapaz que é um bluff, uma artimanha do Jorge Mendes que o impingiu aos bávaros para favorecer o Benfica, mas que a crise nacional recentemente elevou a D. Fuas Roupinho. E que me lembre também entrou João Moutinho, que "bate bem". E, claro, "se perdermos que se foda", o que é bem verdade, pois "seja o que Deus quiser". Houve outros rapazes que entraram mas já não atentei muito, ocupado em limpar cinzeiros, deitar fora as cascas dos amendoins, tremoços e camarões, lavar a loiça e, acima de tudo, em separar o lixo, por deveres impostos pela sensibilidade ecológica. O jogo terminou e sala e cozinha estavam um brinco.

Sentei-me cá fora a bebericar um café e a minha audiência anuiu no que sentenciei: que em Roma devem ter gostado do que viram pois que grande Rui Patrício! Levou 4 e mais poderiam ter sido, não fora ele. Devem estar ansiosos para receber o verdadeiro "Muro de  Marrazes". E - o que só é novidade para deficientes profundos - que extraordinário é o CR7: um golo antológico, "para mais tarde recordar". E nisso não só igualando Klose como melhor marcador de sempre em finais de Mundiais e Europeus, como também igualando o recorde de passes para golo em Europeus, naquilo de reanimar uma bola quase defunta e dá-la ao codicioso Jota.

Depois, e já bebericando o aprazível Queen Margot adquirido em Lidl lisboeta, assisti às declarações de um ror de painelistas críticos. E, já noite longa, decidi-me a deixar curto ensaio sobre a situação nacional, seguindo a metodologia que Silas apresentou nos comentários que fez em directo ao jogo. Ou seja, professando o "como eu digo", assim fiel à omnisciência própria. Como tal começo por considerar que neste Alemanha-Portugal se notou, como eu digo [e já em 3.3.2020], que urge "Rúben Neves (se o Grande Engenheiro abrir os olhos e se deixe de Adamastores ...) nas armadas de João Félix e Diogo Jota, almirantadas pelo Cristão Ronaldo.". E isso era e é óbvio. Rúben Neves é um belo jogador, tem já enorme experiência de futebol intenso, é um excelente trinco que faz jogar e tem uma magnífica meia-distância. Como é que é possível que esteja sentado enquanto joga Danilo? E, pior, quando joga William, esse que já no Sporting me fazia careca devido ao seu constante footing? Quanto mais agora, anos passados e habitante do banco do sofrível Betis? Enfim, são os tais Adamastores a que me referi.

Fernando Santos, na sua crença mariana, não preparou a equipa para este Europeu. Levou a anterior. E isso é notório ao constatar que Palhinha e Neves nunca jogaram juntos, Palhinha, hoje em dia o homem para jogar a 6, é tipo para jogar a trinco-solo. E muito provavelmente desentender-se-á se num duplo trinco com Rúben Neves, que é homem para jogar a 8 [ou 6,5]. E pior ainda se se estreasse essa combinação num jogo decisivo diante do melhor meio-campo do mundo (Kanté é um gigante). Esta dinâmica de meio-campo (a propalada "casa de máquinas") é o crucial e Santos "achou" que não era problema, que estava tudo como em 2016. Vê-se...

Tudo isto assenta num esquecimento construído, o do verdadeiro trajecto desta selecção muito rica em jogadores mas cujos constantes tropeções fizeram que viesse a cair neste "grupo da morte" no sorteio para este Europeu. De facto a vitória de 2016 foi uma sorte espantosa, tipo a da medíocre Grécia em 2004, mas ainda mais, pois com pior futebol. Apenas a inicial euforia e o posterior e constante patrioteirismo nos impediu de sublinhar isso. O troféu seguinte, secundário, mais mascarou isso: foi conquistado com equipas jogando menos empenhadas e com Portugal muito mais solto, dada a menor responsabilidade. E já o Mundial 2020 foi uma campanha desperdiçada, um belo plantel com um futebol pobre, uma equipa equivocada, resultados cinzentos num futebol algemado. Só não viu isso não quis. Ou seja, o que está a acontecer agora não é surpresa. Certo, pode ser que tudo se arranje, uma passagem à fase seguinte, umas vitórias, e pronto de novo o relativo sucesso, e mais agradecimentos e romarias a Fátima.

Mas para que isso seja possível todos querem mudanças na equipa. Sobre as do meio-campo já resmunguei o suficiente. Mas também se clama pela mudança dos laterais. Mandar Nuno Mendes aos 18 anos, e sem experiência de selecção, para travar Mbappé? Este com Pogba nas costas e Pavard a subir que nem um louco? O miúdo é muito bom, e se calhar até arrancaria um grande jogo, mas colocá-lo agora seria um "fezada". Monta-se uma selecção nacional com "fezadas"? Também se pede Dalot - que é mais experiente mas é ainda mais excêntrico à selecção. Estrear o homem num jogo contra a França, decisivo? Mas o problema não são os laterais - por mais que Nelson Semedo não seja o jogador que anunciaram há anos -, são os alas do meio-campo (quais?, existem?). Pois não defendem, não acompanham os laterais. E nisso dá também para perceber um dado: a nossa selecção não tem extremos, não há um tipo a ir à linha. No país de Futre, Figo, Quaresma, CR7, e tantos outros, já  não há extremos. Haverá Neto, mas está lesionado. O resto são "interiores", tácticos. Que porventura fintam em raid se jogando com o Appoel ou o Tondela. Mas não num Europeu.

Enfim, passe-se ou não às fases seguintes isto é um colapso de Fernando Santos, por mais simpático que nos seja o "engenheiro do Euro". Em 2004 Scolari engoliu em seco o seu falhanço, deu a mão à palmatória, escondeu isso no discurso imbecilizador que tinha, e a partir da derrota inicial meteu o Porto de Mourinho a jogar. Só lhe faltou a sensibilidade táctica para ganhar a final aos pobres gregos - algo que Mourinho teria feito num piscar de olhos. Mas Santos não tem um bloco pronto a utilizar, devia tê-lo pensado.

Já perorei a minha irritação. E muita dela é porque temos uma escola extraordinária de treinadores e levamos com isto, esta selecção algo amarfanhada, desde há anos. Ainda assim, e porque consciente da minha sageza futebolística e do como ela pode contribuir para o sucesso in extremis da nossa selecção nesta campanha, boto a minha equipa para sacar o ponto necessário diante do campeão mundial: 1) o Grande Rui Patrício; 2) Nelson Semedo; 3) Pepe, Magno; 4) José Fonte; 5) Nuno Mendes; 6) Palhinha; 7) Bruno Fernandes (feito ala direita); 8) Ruben Neves; 9) Cristiano Ronaldo; 10) Renato Sanches (ao centro, para a frente, pois não defende e não é nestes dois dias que vai aprender); 11) Rafael Guerreiro.

Mas é claro que se Fernando Santos insistir na sua ideia e tiver sucesso aqui escreverei: "como eu digo" é de elogiar a extrema capacidade do nosso engenheiro seleccionador - sempre avesso à fugaz embriaguês do espectáculo - montando uma equipa tacticamente irrepreensível, delineada para enfrentar os gigantes que se sucederão, e clarividente nas letais e oportunas alterações que decidiu, mostrando que iremos longe sob tal "motorista"." 

17
Jun21

O Meu Sporting

jpt

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(Matadouro, Ilha de Moçambique, Maio de 2008)

Blogo desde 2003. Dessa verdadeira mania de perorar resultou uma enorme quantidade de textos, irresponsáveis pois sem objectivos, agendas ou causas que não fosse a minha vontade palradora. A alguns ainda lhes encontro sentido. Desses, juntando-lhes alguns outros publicados em jornais, fiz já seis colecções.

Ao longo dos anos fui colocando alguns textos sobre o Sporting. Há cerca de uma década integrei o blog sportinguista És a Nossa Fé!. O que aumentou a minha atenção sobre o clube e o número de textos que lhe fui dedicando. Para mim o futebol é um placebo, sarando as agruras da vida. Ou seja, quanto mais ando em futebóis pior estou, isso é garantido. E não sigo muito institucional, qual adepto modelo, desses mergulhados na vida associativa e no acompanhamento das actividades desportivas. Mas vou botando sobre o assunto, numa mistura mistura entre o adepto, que finge tão completamente que chega a fingir que é clubismo o clubismo que deveras sente, e o bloguista, que julga ser o Sporting, mais do que qualquer outro clube, um verdadeiro microcosmos do país, dos processos vigentes em Portugal. Também por isso me vou deixando levar pelas várias crises directivas do clube.

Agora fiz uma colecção de 41 textos sobre o Sporting e o futebol. Chamei-lhe “O Meu Sporting”. Quem nela tiver interesse bastar-lhe-á "clicar" no título e gravar o documento pdf.

Tal como todas as outras minhas colecções esta é uma memória, dedicada à minha filha Carolina. Pois pode ser que um dia venha a ter curiosidade sobre o que o pai andou a botar em blogs e jornais, nesta escrita inútil e desinteresseira. E se outros encontrarem motivos de interesse e mesmo prazer no aqui agreguei isso ser-me-á agradável. Bastante, mesmo, digo-o desprovido de qualquer pingo desse blaseísmo que tanto abomino.

*****

As minhas outras colecções de textos (basta "clicar" nos títulos e gravar):

1) Portugal às Avessas  (textos sobre Portugal);

2) Ao Balcão da Cantina  (crónicas sobre vivências e viagens em Moçambique);

3) A Oeste do Canal (textos sobre temas culturais moçambicanos);

4) Torna-Viagem (memórias);

5) Um Imigrante Português em Moçambique (sobre as experiências daquele quotidiano);

6) Leituras Sem Consequências (sobre livros e artistas, na sua maioria moçambicanos).

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