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Nenhures

Nenhures

30
Mar24

À mesa a propósito do "Torna-Viagem"

jpt

   ztv.jpeg

 
"Não podes deixar de publicitar o teu Torna-Viagem", escreve-me um amigo, daqueles mesmo..., homem de relevante carreira no comércio cultural, "senão, no frenesim das redes sociais as pessoas esquecem-no. Faz um filme [terá querido dizer um "live", como se diz agora], por exemplo".
 
Hesito, temo cansar os (muito) hipotéticos leitores. Mas acedo à voz sábia. E dou conta dos passos ocorridos. Neste processo editorial constou um almoço com os designers do livro (resmungaram um pouco, não muito, com a falta de total homogeneidade do grafismo nos três exemplares que transporto, atribuível à sua produção avulsa, mas gabaram a impressão).
 

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O repasto foi no excelente Restaurante Zuari, ali a Santos, capitaneado pelo senhor Orlando há mais de 45 anos, desde que partiu de Vilanculos. As chamuças estavam esplêndidas, o meu balchão de camarão supimpa, os convivas deliciados com o que lhes coubera em parte. O achar de limão era de grande efeito. E tudo foi rematado com fatia de bebinca, soberba.
 
Segui até ao fotógrafo que deu a imagem da capa, encontramo-nos na consagrada petiscaria Cockpit Bar, nas cercanias da Av. de Roma, acompanhados de um grupo de beldades ( pois, diga-se o que se disser, até o Fernando é um homem bem apessoado).
 

zuari 1.jpeg

 
Optei pelo gin tónico "à antiga" - ou seja, Gordons, com limão e gelo, sem estas mezinhas de agora, que recorrem à ervanária, e até às essências, assim deixando a empregada entender que não sou eleitor do LIVRE. Entre os "pequenos nadas" que animaram a meia dúzia comensal, foi notado este "camarão à moçambicana", excêntrico àquela tradição nacional, mas bastante saboroso.
 
No final do (longo) repasto todos os convivas haviam veementemente louvado o meu "Torna-Viagem". Certo que ainda não o leram, mas trata-se um claro exemplo de ética da convicção.
 
Neste longo entretanto abordou-se a necessidade de realizar a tradicional cerimónia de "lançamento" do livro. Assim acontecerá, em torno, claro, das sacrossantas chamuças. Será em breve...

 

08
Set23

Meninos?

jpt

esteiros-soeiro-pereira-gomes-avante.jpg

Anteontem jantei no promontório que olha o Sado e avista o Tejo, num pequeno sítio que desconhecia, pois segunda-feira em vilória, mau dia para demandar casas de pasto. Ali uma espécie de absurdo a Sul do Tejo, pois alguém aprontou uma casa de "pastas", uma italianice. Coisa que nunca tem sentido, quanto mais naquele universo rico em saberes de açordas. Refeição partilhada com alguém que mal conheço, estávamos na terceira pessoa e assim ficámos. Fomos frugais: uma entrada de moelas fornecidas de molho com sabor enfarinhado, uma salada de tomate sensaborão com queijo branco, dito fresco. E depois um esparguete partilhado, que o cardápio apresenta em nome estrangeiro. Beberam-se umas imperiais, tudo isso o suficiente para se matar a fome do fim da jorna.
 
Mas o pior de tudo foi o empregado, um rapazola nas cercanias dos trinta anos, com os ademanes concentrados no vozear. Diante de mim e do parceiro de mesa, um quarentão, calva a despontar, passou aquelas duas ou três horas a tratar-nos por "meninos". À segunda imperial estava eu com vontade de lhe dar um par de tabefes, e não estava sozinho nisso. Sou liberal, que cada um faça com os genitais e os anais o que lhe apetece. Mas que vá ele trinar de "meninos" quem o sodomiza, "a falta que a tropa faz a estas gerações" escuto-me, nisso do desagrado com gente pateta que já não aprende a escala etária, aquilo da antiguidade. A mais-velha atrás do balcão estava simpática, como deve ser, presumi que ali algemada ao verme loquaz. Decerto que percebera o desadequado, pela forma como se veio despedir, apaziguadora.
 
Dois dias passaram. Hoje de novo tive a sorte de ser convidado a jantar. Com um amigo, não íntimo mas que se vem tornando próximo, ele recente sexagenário por direito próprio. Agora na capital, no velho CCA, diante do Santo António, uma esplanada de triste nome "Mula" mas com bom serviço e aprazíveis petiscos. Um jovem empregado muitíssimo eficiente e simpático - angolano, por cá há um ano... Perto do final, e depois do meu parceiro ter feito elegante alusão àquilo do meu cinzeiro já estar repleto, eu lançado no "pode-me trazer mais gelo, por favor", surge-nos a chefe de sala, uma simpática e muito bem apessoada brasileira, perguntando-nos "o que desejam os meninos?". Expludo! Para vera surpresa dela... "Não chame "meninos" aos homens", convoco-lhe... E enquanto o mariola do meu parceiro lhe vai dizendo "eu não me importo", defende-se ela argumentando "que aqui todos usam assim". Resmungo-lhe, ainda que procurando ser simpático (ela é, de facto, e repito-me, bem apessoada e estava gentil), que esta é uma moda recente, estúpida, até de desrespeito, isto de chamar "meninos" aos homens. Ri-se, riposta que ao chamar-lhe eu "senhora" a estou a fazer mais velha do que é. Rendo-me, concedo-lhe que "quando cá voltar a Senhora pode chamar-me menino" (ela é, não sei se já o disse, bastante bem apessoada), "mas diga lá aos seus colegas para evitarem isso".
 
Mas de onde virá esta moda, absolutamente patética, de chamar "meninos" aos clientes? Esta gente anda a brincar com quem?

06
Set23

Um almoço em Sines

jpt

jaquins.jpg

A minha querida amiga - ainda que rabugenta e um pouco instável - Vida levou-me hoje até Sines, onde não ia há anos. Acordara eu às 3.30 da manhã, por mandamentos do psicossomático. Umas horas passadas, já sob Sol enublado, bebera a malga de café (Vumba, que moera na véspera) e comera três figos apanhados na hora. E fizera-me à estrada. Bem depois, já cerca das 13 horas, aportei ao A Nau, restaurante sem ademanes na dita Sines, que também resguarda os clientes numa simpática esplanada. E na qual me deparei com um atendimento simpático, até jovial, mas nisso sem exageros. Para a refeição rápida os meus vizinhos de mesa pediram sardinhas assadas - que vieram a louvar. Eu indaguei se os joaquinzinhos o eram ou se seriam Joaquins. Afiançaram-me da justeza do diminutivo. Convoquei a dose. Não que estivesse esfaimado mas em mim grassava já o apetite, dado o historial desta jorna. Trouxeram-me um arroz de tomate solto, que saudei - detesto o habitual arroz de tomate empapado, "malandrinho" dizem-no, pois pesado, sempre gastricamente aziago. E os peixinhos estavam deliciosos. E quando me encontrei saciado o meu prato tinha este aspecto.
 
Após o café chegou a (muito em) conta. E assim aqui deixo a nota, para quem passar pela terra da refinaria - ou do "elefante branco", como há quem a diga. Acomode-se no Restaurante "A Nau". Eu, se voltar à região, repetirei...

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Livro Torna-Viagem

O meu livro Torna-Viagem - uma colecção de uma centena de crónicas escritas nas últimas duas décadas - é uma publicação na plataforma editorial bookmundo, sendo vendido por encomenda. Para o comprar basta aceder por via desta ligação: Torna-viagem

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