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Nenhures

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Leio o "Público", o que me é raríssimo (por hábito limito-me a ler as colunas semanais de Ana Cristina Leonardo e de António Guerreiro). Mas a edição de hoje dá um enorme destaque a Paulina Chiziane, com entrevista. Por isso acorro ao papel, a ver o que diz a Paulina. E deparo-me com a introdução do jornal, enquadrando-a, nisso dizendo-a falante "do dialecto bantu". Em 2022!!!! E logo no boletim da demagogia "póscolonial"....!!!
 
Diante disto logo clamo, em monólogo altissonante, citando Milhazes!!!
 
E depois atirei o jornal para longe, entre outras imprecações. Lá para domingo ter-me-á passado a irritação e irei ler, curioso do que disse a Paulina. Em dialecto latino, presumo...
 
Adenda: em contributo para a agenda de "reparação da História", tão cara à célula neo-comunista do "Público", deixo a certeira boutade divulgada por Max Weinrich, "A língua é um dialecto com exército e marinha".

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A organização "Repórteres Sem Fronteiras" organiza um anual Relatório de Liberdade de Imprensa Mundial. Este ano coloca Portugal no 7º lugar em termos de liberdade de imprensa, num universo de 180 países. É muito bom (e sobre isto será de ler um texto de António Barreto, num contentamento sem triunfalismos).
 
Não quero deixar de referir o quanto esta avaliação sublinha a hipocrisia e a desonestidade intelectual (ou seja, pessoal) da amálgama de intelectuais (académicos, quadros, jornalistas, colunistas) comunistas ("brejnevistas" e "esquerdistas") que vêm reclamando serem "perseguidos" e "criminalizados" devido à sua adesão ao imperialismo russo. Pois, como isto comprova - se tal fosse necessário - publicam as suas "teses" onde e quando querem. E seguem desprovidos de pingo de vergonha que seja...

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Há algumas semanas Boaventura Sousa Santos - decerto que devido a ter sido bastante criticado pelo director do jornal "Público", no qual é colunista habitual - agregou-se a 19 indivíduos de alguma visibilidade pública. Esse grupo veio a publicar no "Expresso" uma jeremíada, clamando serem eles os indivíduos pensantes, avessos à propaganda que critica a Rússia, e queixando-se de serem perseguidos e até "criminalizados". Houve alguns resmungos diante desse peculiar documento ("carta aberta"), na imprensa e nas "redes sociais" - eu botei um postal "Da empáfia hipócrita". Recordo isto porque Sousa Santos é (ou era, há alguns anos) seguido com interesse em Moçambique, onde há apreço pelos "movimentos sociais", pela retórica "abissal" e por um conceptual "Sul" que é apresentado como virtuoso, temáticas que o mestre de Coimbra vem desenvolvendo.
 
Um dos signatários dessa "carta aberta"-queixume foi o general Cunha. O qual, afinal, não tem sido nem perseguido nem "criminalizado". Pois continua a fazer comentários televisivos sobre esta guerra na estação de serviço público RTP. Neste postal do Delito de Opinião o Pedro Correia recenseou algumas das suas recentes pérolas sobre a matéria. Entre elas escolho uma, a mais denotativa desse "pensamento" que os tais 20 magníficos reclamam: para Cunha a arrasada Mariupol foi "libertada"!
 
É um general de tropa-fandanga, mesmo! Essa, desses 20 "bem-pensantes" e de outros que tais... E seria engraçado, se não fosse pungente e doloroso, ver como a este propósito, nestes dois meses e meio de guerra tanto confluíram os comunistas (e os "alterglobalistas", se se quiser assim chamar aos velhos "esquerdistas") e os fascistas (ou salazarentos, se se preferir). E a direita dandy. Seguem "todos diferentes, todos iguais", numa reles contrafacção de um "pensamento". Publicitários, que nem a propagandistas ascendem os desta ralé.
 

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Dado ter sido alvo de um gentilíssimo convite, cruzei ontem o Tejo rumo a Sul na senda de um magnífico almoço, um delicioso cozido à portuguesa, confeccionado em bela sede familiar. O lauto repasto foi enquadrado por um rico sortido temático conversacional - mais urgente face a estes tão prejudiciais ensimesmamentos covidocénicos, que ainda vão decorrendo... -, e culminado em molde europeísta, por via de uma deliciosa sobremesa de origens humanistas. E tudo se concluiu em torno da fundacional aguardente vinícola, um arreigado bagaço branco daqueles que "novos mundos ao mundo" mostrou...
 
Após todas estas ocorrências, e ao fim da tarde soalheira, regressei à capital, trauteando o muito adequado "e navegando, a idade foi chegando, o cabelo branqueando, mas o Tejo é sempre novo...". Aportado às cercanias do Trancão fui ainda a tempo de esplanar com duas formosas amigas, encetando o convívio com uma sempre bem-vinda Água das Pedras, contributo ao remoer em curso, enquanto nos abalançámos sobre usos e costumes relativos ao bacalhau, entre outros assuntos menos prementes.
 
Enfim, sábado decorrido, recolhi ao reduto próprio e, sendo Dia do Livro, terminei aquele breve que me acompanhara a jornada, um esquecível e desnecessário roteiro de recente viagem ao Japão. Avancei depois, curioso que estava, para o episódio inicial da segunda temporada do folhetim português "3 Mulheres", adequadamente dedicado ao dia 25 de Abril, produto muito bem conseguido. Após o qual me dediquei a um sonolento zapping, escapando-me, por exaustão comensal, à fila de westerns clássicos que gravara durante a semana. Dei de caras com este "Contra Poder", mais um dos programas radiofónicos de comentário político, que nunca vira com este triunvirato. Servi-me do aprazível Queen Margot e assisti, algo curioso sobre os dizeres do comentador Sousa Pinto, esse recente ícone do centro português, desses que vêm neste inventor das "causas fracturantes" o actual totem do "socialismo de rosto humano", perdão, "pensante". Justiça seja feita ao ilustre deputado, tem verve e, melhor qualidade ainda, é cáustico.
 
E nisso ontem ocasionou um belo momento de radiotelevisão. Pois, estando ele lançado num enfático ditirambo, típico de vero iluminado, investiu contra a colega de painel em registo desabrido. E esta, Maria João Avillez, dedicou-lhe um - até maternalmente carinhoso - "você hoje não está muito bom da cabeça" (aos 45' do filme). Excelente!!! O tipo aguentou-se, que é sabido, mas, de facto, regressou a rapazote naqueles minutos seguintes, de posto no lugar que foi. Eu ri-me, sozinho, belo corolário de belo dia.
 
Depois peguei num molho de livros (era o Dia deles), empilhei-os na mesa de cabeceira, em requebro intelectual. E dormi a sono solto.

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Boaventura Sousa Santos publicou no "Público" (pelo menos) dois textos de opinião dedicados à invasão russa da Ucrânia. Nada do que neles escreveu diverge das concepções que nas últimas décadas vem pronunciando sobre as diversas matérias do mundo, e que tão queridas e aclamadas vêm sendo em nichos da intelectualidade portuguesa: uma filosofia da história de teor conspiratório, crente na "mão invisível" que tudo causa e comanda, a omnipotência dos omnimalevolentes Estados Unidos da América; um método particular, o manuseio por cardápio das realidades históricas (ditas como apenas "construídas" pelos observadores) para sustentar um discurso apresentado como progressista e que se embrulha como democrático - ainda que refute a "democracia formal"...

Nestes dois últimos textos essas condições estruturais lá estão patentes, mais uma vez. A sua paupérrima deriva pela monocausalidade, intelectualmente indigna - convém notar que até chega a dizer que a dissolução guerreira da Jugoslávia em 1991 se deveu a que os EUA não queriam que subsistisse um país europeu do Movimento dos Não-Alinhados (em 1991!!!), um perfeito dislate. Disparatada mundividência que o leva agora à simples responsabilização dos Estados Unidos da América, da NATO e das democracias liberais europeias pelo advento da guerra russo-ucraniana. E uma verdadeira hipocrisia, ao anunciar que desde há muito existia a necessidade de extinguir a NATO para fazer uma força militar europeia conjunta - sendo óbvio, sem ser necessária grande especulação, que se isso tivesse acontecido nas últimas três décadas, decerto que sob influência maior do par franco-alemão e implicando grande aumento de despesas na Defesa, Boaventura Sousa Santos e todos os seguidores viriam constantemente criticar esse esforço armamentista capitalista, imperialista e anti-democrático.

Enfim, e por mais que se possa discordar destas opiniões, nada do que ali surge é surpreendente para quem costume ler o autor. Aparentemente é mais do mesmo... Ainda assim esta abordagem, verdadeiramente descabida, à invasão russa abanou o "Público". Daí o violentíssimo editorial de anteontem, escrito pelo seu director Manuel Carvalho, ripostando explicitamente ao mestre conimbricense, coisa rara pois afrontando quem há tanto tempo segue do jornal colunista. E o título diz quase tudo, naquilo da "miséria moral"..., que abarca, é certo, outros componentes do eixo russófilo mas que, é evidente, se centra naquele autor.

Será de esperar que esta auto-crítica do jornal se possa alargar, afrontando outras derivas internas de extremo racialismo, também elas surgidas em roupagens "pós-modernas" e, ainda, "pós-coloniais". Que em nada perdem face ao seu velho mestre no que respeita à superficialidade demagógica e ao constante demonizar das sociedades democráticas. A ver vamos...

Para quem não conseguir ler a imagem aqui deixo a transcrição da inusitada crítica ao colunista do jornal: 

“A miséria moral da esquerda iliberal”

Manuel Carvalho 11.3.22, Público


 

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