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Nenhures

Nenhures

EuroBichas e censura no Facebook

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No zapping do jantar de sábado passei no Eurovisão. A minha filha propôs que víssemos um bocado. Anuí, por amor paternal e porque caíramos naquilo aquando da francesa: uma boa cantora, uma "chanson" competente, coisa deveras surpreendente no meio daquela sempre anunciada mediocridade. Depois seguiu-se o que se espera daquilo: um grupo pop-simpático islandês (de que vi mais no telefone filial), uma bojuda maltesa, umas desgraciosas dançarinas de cabaret cazaque meneando-se a la Bollywood. Pior do que tudo uns italianos pantominaram o heavy - "o heavy não é isto!", clamei irado e ali pedagogo, ainda que os meus Zeppelin fossem hard e não heavy... E a paciência esgotou-se-me com um pós-viking invertido, guinchando-se "anjo caído", algo ainda mais bimbo para quem tenha crescido com o belo e magnífico Sweet Transvestite Tim Curry e então, ali mesmo, apaixonando-se para todo sempre pela Sarandon.

Enfim, nada de novo, mesmo que desse historial festivaleiro só recorde os Abba. E uma Abanibi com que a Europa de então celebrou a "diversidade", para glosar os ditos dos activistas de hoje. E, nossos, a Balão Sobe mais as Doce. Deste XXI? Aquele travesti de barba, artista de feira miseranda. O nosso campeão Sobral, que ressuscitou a Eurovisão para os bem-pensantes. E, claro, o patusco olivalense dito Conan Osíris (que será feito do vizinho?).
 
Nada mais, pois nem vejo, apenas ouço falar, consabida que é a desinteressante mediocridade musical daquilo. E que se tornou, se é que não o era antes, uma "gay parade" festivaleira anual. E as pessoas sabem-nos, dizem-no, vêem ou não consoante os seus gostos e paciências. Isto nada tem de homofóbico. Diz-se que disse Horowitz, ainda que talvez seja apócrifo, que há 3 espécies de pianistas: os judeus, os homossexuais e os maus. Alguma coisa contra Horowitz? Mas esta pantomina anual, de lantejoulas rascas, é apenas isso. A que propósito é que o serviço público entra naquilo é coisa que não percebo.
 
Enfim, Eduardo Cintra Torres escreveu um artigo de opinião (acesso restrito, deixo notícia com citações) e tratou, bem, aquilo como EuroBichas. Ofendeu, ao que parece. João Gonçalves ecoou o texto no seu mural. O postal foi apagado pelo sistema-FB e ele suspenso desta plataforma. Não se trata de uma censura "sistémica", robótica. O que decerto aconteceu foi ter havido uma série de "denúncias" e até "bloqueios", gente que se julga activista e para aqui vem peneirar o que é "aceitável" e "inaceitável". Não são os coronéis da censura a la Estado Novo. São meros cabos arvorados, das brigadas dos "movimentos sociais". E que entenda bem quem não o conheça: João Gonçalves, veterano (ex-)bloguista, não tem pingo de homofobia. Mas é de "direita", essa direita que é preciso atacar... Assim. Como sempre, na história recente e na recuada destes "movimentos sociais" e seus avatares.
 
Já agora, e lateralmente: para quem gosta de gastar o seu tempo a opinar em público, este vil pequeno episódio mostra bem uma coisa. A superioridade dos blogs. Onde a censurazinha desta gentinha não funciona. Pode-se levar algumas porradas, mesmo duras e fundas, até bem piores (e eu sei-o bem). Mas não estas coisas desprezíveis.
 
Enfim, boto isto para dizer que continuarei a ler Eduardo Cintra Torres e João Gonçalves. E quando não gosto - às vezes acontece - do que botam ou resmungo (quando me irritam) ou vou para outra loja. Pois é assim que deve ser. Longe destes gaj@s activistas. Más reses.

Portugal país racista e colonialista

(Manuel Freire, Pedra Filosofal, RTP 2008)

Alguns renomados trabalhadores intelectuais - bem como oficiais de outros ofícios - vêm actuando sob o intuito de nos expurgar de arte e artesanato, literatura, terminologia, etc., enfim discursos vários que produzem e reproduzem a torpeza colonialista e racista que é o cerne da nossa realidade nacional. E nisso agora até reclamando que se (d)enunciem os autores de tamanhos dislates actuais e passados. Associo-me a esse esforço de cidadania apelando à intervenção punitiva sobre esta canção e seus autores, o cantor Manuel Freire e o falecido ilustre professor Rómulo de Carvalho, aliás poeta António Gedeão. Acção ainda mais urgente dada a sua recorrente utilização por gentes de largo espectro ideológico, assim abarcando massas eleitorais próximas dos poderes vigentes

Rachmaninoff e o Covid-19

(Rachmaninoff: Piano Concerto no.2 op.18, Anna Vinnitskaya e a Orquestra Sinfónica de Colónia)

Temos que ser uns para os outros. E muito mais nesta era covidocena. Falo, coração nas mãos, da saúde mental de nós-todos, gente confinada, do apoio, avisos e conselhos que podemos trocar, mesmo deste modo virtual. Aqui segue o meu: a Music3 (estação belga) está a transmitir este célebre Rachmaminoff sob esta pianista. Não sou melómano para discutir da competência de Vinnitskaya nem para elaborar sobre o compositor, sua pertinência coeva e etc. Nem sobre este concerto 2, que se tornou padrão. Mas posso afiançar aos confinados doridos: talvez seja melhor não se ouvir isto nestes momentos. Não sei porquê, nem explicar. Apenas resmungo que é melhor ir buscar outra coisa. Que fira menos

Hoje (1)

Domingo nebuloso, partes chuvoso, estou com a Margot, ela sempre rainha, sós de mão dada, soa a canção de sempre, a "nossa", em ininterrupto "vira o disco e toca o mesmo". Vou até ao muro, iço-me para espreitar o mundo, estes que ali vão, mais as vacinas e o resto, sinto-me " mr. Jimmy", escorrego no musgo, arroto um "que se fodam", olho para a Margot, que já foi linda, húmida e segue já velha, seca, sem-sentido. E troco-a por uma nova. Pois sei-a(s) barata(s).

Carlos do Carmo

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Para além do calendário a vida não pára. Ou seja, a morte não pára. A assim abrir o ano. No cantor-fadista sempre senti uma sisudez composta que me desencantava. Mas tanto lembro, eu nos 16 ou 17, do espanto de o ver - na "Avante" ao Alto da Ajuda - a cantar esta Valsa assombrosa. Arrebatador!
 
(Carlos do Carmo, La Valse à Mille Temps, 1980)
 
E horas depois, já em casa, "Pai, que achaste daquilo?". E ele, camarada, "Não é o Brel!... Mas foi muito bom, muito bom". E foi.

Rescaldo de 2020

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(Lisboa confinada; Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo)

Entre co-bloguistas, no colectivo Delito De Opinião , estamos a escolher - tal como todos anos o fazemos - o Facto Nacional e o Facto Internacional do Ano, a Figura Nacional e a Internacional do Ano, e a Frase do Ano. Quando (finalmente) entrarmos em 2021 o nosso coordenador blogal, Pedro Correia, publicará os resultados. Deixo aqui a minha votação (até para vos chamar a atenção para o resultado final): 

1. Frase Nacional do Ano: há imensas para escolher (aqui um rol delas, patéticas). Mas escolho uma de Pedro Nuno Santos, o robusto Iznogoud deste governo: "Em 2025, a TAP já estará em condições de devolver algum do dinheiro ao Estado português".

Escolho-a porque as outras são sobre isto que agora decorre. E esta é para o futuro, escrutinável daqui a uns anos. É também dedicada aos interseccionalistas, ou lá como agora se chamam os socratistas. Não tiveram eles a desvergonha abjecta de até com o Berardo gozarem no ano passado? Daqui a cinco anos continuarão na cagança aldrabona da sua superioridade moral e intelectual, o "activismo" como peroram. Será então de lhes perguntar, aos funcionários públicos e aos subsidiados/avençados, aos teclados de aluguer e aos imbecis (in)úteis, se se lembrarão disto. Com toda a certeza que não.

2. Facto Nacional do Ano: O assassinato de Ihor Homeniuk no Aeroporto de Lisboa.

Porque demonstra o estado do Estado. Porque o mísero ministro Cabrita ainda o é. Porque demonstra o miserando estado do "activismo". Porque nos demonstra. 

[Sobre o assunto botei em Junho e em Dezembro]

3. Facto Internacional do Ano: COVID-19. Como é óbvio.

Já agora deixo ligação a um texto mais longo que escrevi sobre isto. Não colheu grande interesse (leitores). Mas foi a única coisa que escrevi neste ano, por isso aqui venho agitar a tralha: “P’ra melhor está bem, está bem, p’ra pior já basta assim”: o capitão MacWhirr e o Covid-19.

4. Figura Internacional do Ano: Li Wenliang
 
Como vénia ao seu percurso, tão breve. De coragem.

Mas também para lembrar os comunistas (aka interseccionalistas do "sul"), que nos odeiam tanto, a nós porque europeus, portugueses, brancos, e democratas - ainda que tantos deles também europeus, também portugueses (aquilo da "dupla"), também brancos, mas nunca democratas, e ainda que também aqui aboletados - que sufragavam a ideia da total irresponsabilidade da "Comunista" China nisto tudo. E que nós - brancos, europeus, portugueses, seus anfitritões/compatriotas e, pior do que tudo, democratas - deveríamos pagar os custos do Covid-19 em África porque nossa culpa.

Acho que nunca desprezei ninguém como esta execrável malta, naquele Março-Abril de 2020.
 

5. Figura Nacional do Ano: Frederico Varandas.

Porque apesar de todas as contingências, mostrou o valor do trabalho, do esforço e da planificação num país dominado pelos lobbies políticos e empresariais, numa área de actividade económica particularmente vilipendiada pelo recurso a actos ilegais por parte dos poderes vigentes.

***

Junto quatro outras escolhas, que me marcaram o 2020. 

 

6. Música (Banda Sonora) do Ano: porque este concerto de Lou Reed [Capitol Theatre, 25 de Setembro de 1984] e alguns outros dele tocaram incessantemente durante as noites de Março, Abril e Maio, lá no bucólico Nenhures.

7. Livro do Ano (ensaio)Les Nouvelles Routes de la Soie, de Peter Frankopan. Enfim, foi releitura (para tirar notas, essa inutilidade viciante) e não foi o melhor. Mas completamente o mais útil. Enquanto os basbaques discutiam Trump e Brexit, já agora:

8. Livro do Ano (ficção): Ilações Sobre um Sabre, de Claudio Magris. Um pequeno-Enorme livro, até já antigo. Daqueles que um tipo ao acabar logo insulta o autor - tanta a raiva invejosa diante de tamanho talento. E, ao mesmo tempo, regurgita de júbilo pela sorte de ter lido.

9. Canção do Ano: "Waves of Fear", de Lou Reed.

O Sequestro da Minha Mãe

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(A Mãe de Franz Marc, 1902)

A minha mãe Marília tem 94 anos. Há pouco mais de uma década que vive numa "residência". Foi ela e o meu pai António que nos anunciaram a sua opção de assim continuarem, suprema forma de consciência e, mais do que tudo, coragem. Alguns anos depois o meu pai morreu. Ela seguiu, continua. Cada vez mais só, desaparecida a sua geração, familiares, amigos, colegas, até alunas. Valem-lhe os bons cuidados "residenciais". E a estremosa filha, genro e noras. E tanto também o meu mano-velho, que o Atlântico apenas fisicamente aparta. Não tanto o meu angustiado descuido. E alguns lampejos de netos e bisnetos, em família carregada de emigrantes.

Desde Março que dela nos apartámos, em precauções até anteriores às normas estatais. Pois família informada e racional, e também de médicos, de gente nada negacionista dos cuidados face à gravidade disto que passamos. Depois, meses passados, já na alvorada do Verão, passámos a ter direito a visitá-la. Um visitante por semana, meia hora apenas, no exterior das instalações, no aprazível jardim. E em grupos íamos vê-la, alguns apenas à "paliçada" do jardim, saudávamos, a mostrarmo-nos, e falávamos breves minutos. Depois um de nós entrava para o breve período, conversando sob as árvores e junto ao lago onde tartarugas fazem as vezes da fauna bravia.

Há mais de dois meses surgiu um surto de Covid-19 na residência. Infecções em vários funcionários e em metade dos residentes, estes octogenários e nonagenários. Mas não na minha mãe. As visitas foram canceladas, mesmo aos residentes que não haviam sido infectados. Como é óbvio sem qualquer razão sanitária para a estes se lhes vedar as visitas, nos moldes sanitários vigentes. Mas compreendemos a angústia da instituição e a escassez de recursos humanos que adveio - e mesmo sabendo nós, até profissionalmente, que este isolamento nos idosos acelera, e muito, os síndromes demenciais.

Os residentes foram recolocados, apartando os infectados dos outros. E confinados aos aposentos. A minha mãe - pela primeira vez desde os seus tempos de estudante - passou a partilhar um quarto com uma "vizinha". Lamentou-se-me um pouco, dessa partilha de espaço e de ao quarto estar confinada. Bisneta de militar, neta e sobrinha-neta de militares, filha e sobrinha de militares - de oficiais da Flandres a cadetes do 28 de Maio, tantos depois coronéis que in illo tempore o meu pai, algo civilista, dizia que aqueles almoços de família lhe faziam pensar que estava na Grécia -, irmã de militar, mãe de militar, mãe, sogra, tia de vários mobilizados para as "guerras d'África", diante desse seu lamento, eu, o benjamim estapafúrdio apesar de já neste estado, mobilizei-a para a guerra: "Mãe, a senhora ao seu lado não é sua colega ou vizinha, é uma camarada, isso não é um quarto é uma camarata! Esta é a sua campanha, a guerra contra os Covid-19!". Numa réstia de força riu-se, de lá, num "é isso, filho, esta é a minha guerra!". Mas à minha irmã confessou-lhe, em visceral ironia, "aqui fechada no quarto estou a cumprir uma pena?".

Entretanto passaram meses, nenhum dos residentes infectados adoeceu. E cumpridas foram as sucessivas rondas de testes requeridas. E há já três semanas que não há qualquer razão para que se impeçam as visitas. A não ser as delongas burocráticas - dizem-me que as autorizações da Administração da Saúde, uma qualquer absurda "desinfecção do edifício", sei lá o que mais.  Entenda-se bem, a única razão para que não possamos visitar a minha mãe é o pânico institucional, a histeria. E a modorra burocrática. Uma mescla que é apenas crueldade. Inconsciente crueldade. E assim está a minha mãe sequestrada! Apenas isso, tudo isso. E, tão audivelmente, a definhar. Tão dolorosamente a definhar.

"Escreve", dizem-me, autorizam-me ... "escreves sobre tudo, escreve sobre isto", sobre o sequestro da minha mãe. E, decerto, o das mães e pais de tantos outros. Há semanas que o ensaio. Mas que dizer?, pois quando o começo só ouço Brel, o Brel do meu pai que me faz falta, o Brel do meu pai com a minha mãe. Porque ele cantou tudo isto, nisso dizendo o que era necessário. E cantou que fossemos homens. Sede-o, sejamo-lo. Conscientes mas sem esta absurda, disparatada, crueldade.


(Les Deux Fauteuils, original de 1953)

J'ai retrouvé deux fauteuils verts / Dans mon grenier tout dégoûtant / C'est le fauteuil de mon grand-père / Et le fauteuil de grand-maman // L'un est usé jusqu'à la corde / Souvent l'on dormit dans ses bras / Il est lourd de la sueur qu'il porte / C'est le fauteuil de grand-papa // L'autre presque neuf n'a de-ci de-là / Que quelques tache d'argent / Sur le dossier et sur les bras / Grand-mère y a pleuré dedans // Tout petit home de grande joie / Vous les connûtes encore amants / Se tenant tendrement les doigts / Disant les mots qu'on aime tant // J'ai retrouvé deux fauteuils verts /Dans mon grenier tout dégoûtant / C'est le fauteuil de mon grand-père /Et le fauteuil de grand-maman
 
 
E por isso prossigo: 
 
 
(Les Vieux, original de 1963)
 
Les vieux ne parlent plus ou alors seulement parfois du bout des yeux / Même riches ils sont pauvres, ils n'ont plus d'illusions et n'ont qu'un cœur pour deux / Chez eux, ça sent le thym, le propre, la lavande et le verbe d'antan / Que l'on vive à Paris, on vit tous en province quand on vit trop longtemps / Est-ce d'avoir trop ri, que leur voix se lézarde quand ils parlent d'hier? / Et d'avoir trop pleuré, que des larmes encore leur perlent aux paupières? / Et s'ils tremblent un peu, est-ce de voir vieillir la pendule d'argent / Qui ronronne au salon, qui dit "oui", qui dit "non", qui dit: "Je vous attends"?
 
Les vieux ne rêvent plus, leurs livres s'ensommeillent, leurs pianos sont fermés / Le petit chat est mort, le muscat du dimanche ne les fait plus chanter / Les vieux ne bougent plus, leurs gestes ont trop de rides, leur monde est trop petit / Du lit à la fenêtre, puis du lit au fauteuil et puis du lit au lit / Et s'ils sortent encore, bras dessus, bras dessous, tout habillés de raide / C'est pour suivre au soleil l'enterrement d'un plus vieux, l'enterrement d'une plus laide / Et le temps d'un sanglot, oublier toute une heure la pendule d'argent / Qui ronronne au salon, qui dit "oui", qui dit "non", et puis qui les attend
 
Les vieux ne meurent pas, ils s'endorment un jour et dorment trop longtemps / Ils se tiennent la main, ils ont peur de se perdre et se perdent pourtant / Et l'autre reste là, le meilleur ou le pire, le doux ou le sévère / Cela n'importe pas, celui des deux qui reste se retrouve en enfer / Vous le verrez peut-être, vous la verrez parfois en pluie et en chagrin / Traverser le présent en s'excusant déjà de n'être pas plus loin / Et fuir devant vous une dernière fois la pendule d'argent / Qui ronronne au salon, qui dit "oui", qui dit "non", qui leur dit: "Je t'attends" / Qui ronronne au salon, qui dit "oui", qui dit "non" et puis qui nous attend
 
E termino com o que é necessário:
 
 
 
(Le Bon Dieu, original de 1977)
 
Toi / Toi, si t'étais l'bon Dieu / Tu f'rais valser les vieux / Aux étoiles / Toi, si t'étais l'bon Dieu / Tu allumerais des bals / Pour les gueux // Toi / Toi, si t'étais l'Bon Dieu / Tu n's'rais pas économe / De ciel bleu / Mais / Tu n'es pas le Bon Dieu / Toi, tu es beaucoup mieux / Tu es un homme // Tu es un homme / Tu es un homme

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