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Nenhures

Nenhures

Dia da Argentina

Verano Porteno -9- ASTOR PIAZZOLLA y su Quinteto Tango Nuevo -live in Utrecht (1984)

Hoje, 25 de Maio, é o dia da Argentina. E o de África (aquela que não é um país). E é também o aniversário da minha filha, que chega agora mesmo à maioridade. Que a banda sonora da vida lhe seja bela.

Dois meses confinados: rescaldo

(Lou Reed Live, "Vicious")

Daqui a pouco, a 13.5, cumprirei dois meses confinado aquém-Tejo, em magnífica companhia anfitriã. Quero partilhar alguns momentos cruciais deste excêntrico período:

1. Tenho 55 anos e está a tocar, bem alto, o cd "Lou Reed Live".

2. Estreei-me no focinho do porco e nas caras de bacalhau. A minha ética e o meu palato aprovaram.

3. Passei imenso tempo com a minha filha. Julguei que ser pai é a melhor coisa do mundo. Mas agora mesmo, a propósito de um desgraçado filicídio, aprendi na facebookpedia, com doutos lentes, que a família é um mero e vil mito afectivo que, sob tutela do Estado capitalista, reproduz as (exploratórias) diferenças sociais. Voltei a 1983, àquele inicial ISCTE. E duvido se não há gente confinada desde então ...

4. Perdi o meu nome: (ex?)amigos, da geração dos assistentes dos reedfeet dos 80s, desnomearam-me quando me irritei com a ignomínia de me dizerem culpado pela disseminação do Covid-19 em Moçambique. E que pagasse por isso. Falando sem rebuço? Brancos a comprarem o espaço que ninguém lhes vende. Eu estou numa quinta, cuspo para o chão ... (é para ti, Isabel, que eu não desnomeio as pessoas).

5. O vil dr Vitor Gaspar passou 850 milhões de euros ao banco do amigo do prof. Cavaco Silva e o dr. Passos Coelho fingiu que nada sabia disso. Nós, na esquerda, manifestámo-nos contra este neoliberalismo.

6. Os liberais (que significa "fascistas" no linguajar actual dos académicos da esquerda) suecos, bielorussos, nicaraguenses e brasileiros, não confinaram a população.

7. A economia portuguesa desde os 1960s que não estava tão bem, segundo um mandarim (és tu, João, e eu estou numa quinta, escarro para o chão).

8. O Queen Margot não aumentou de preço e a cerveja do Lidl é bebível se bem gelada.

9. A "Vicious" ainda mexe comigo ...

10. Um dia destes desconfinar-me-ei. A ver se chegado além-Tejo não me deparo logo com um mandarim.

...Stones, bater no ar

Os Stones por Zoom (a empresa que mais terá beneficiado com esta pandemia), cada um em sua casa, ontem no festival Together At Home, tocando o ícone You Can't Always Get What You Want, uma das (a?) canções da minha vida. E que magnífico Charlie Watts ...

Vendo estes mais-velhos (Watts já com 78) e sabendo do gigantesco "Live Aid" que isto foi ilumina um pouco a dimensão deste confinamento generalizado, melhor até do que as notícias o fazem.

E, entre outras coisas, lembrei-me de alguns liberais lusos (uns até ex ou ainda bloguistas) que desde há um mês andam frenéticos a bradarem que tudo isto, a suspensão dos contactos, o interrupção do trabalho, é fruto da imaginação, uma loucura, etc. (e até um bocadinho daquilo do "marxismo cultural"). Conheço alguns, são boas pessoas. Mas portam-se exactamente como os maluquinhos do BE há 15 anos ou mais. E são agora muito mais velhos, é um bocado pungente vê-los assim histriónicos. E acho que ninguém tem a piedade de lhes dizer isso.

Então digo eu, a ver se eles percebem que só o Charlie Watts pode bater no ar e soar.

Apoio estatal à música

(António Chainho, "Escadinhas do Duque")

As políticas de preservação face à pandemia gripal levaram à suspensão da actividade económica. Face aos problemas levantados a empresas e trabalhadores pediram-se apoios públicos, estatais (da República) e multilaterais (à UE agora, depois talvez a outras instituições). E vários estarão, presumo, a ser dados ou planeados e operacionalizados. Para as várias áreas de actividade económica, para os vários estratos sociais.

Foi entretanto anunciado um programa de apoio aos músicos portugueses. Suspensos os espectáculos (e sabendo nós que discos não vendem e que as remunerações do digital são marginais) é forma fundamental e urgente de apoio aos agentes dessa actividade profissional.

Consta que o financiamento estatal a essa área de actividade será de cerca de um milhão de euros. (Já agora, como imagem, é algo como 20% da licença desportiva do lateral-direito suplente do meu Sporting, clube que, como todos os outros, deve centenas de milhões à banca - tão sustentada esta pelo Estado - e colheu (e colherá) imensos apoios estatais - directos e indirectos - ao longo de décadas.).

E há por aqui pessoas, inúmeras, boçais, energúmenas, javardas, imundas, que se congregam em gritaria, dichotes, abaixo-assinados, contra isto. Assim, sem mais.

Espero mesmo que este Covid as leve desta para pior. Que nojo de imbecis que para aqui andam.

José Mucavele

José Mucavele, Mufana wa Livala

O sistema-FB avisa que hoje o magnífico José Mucavele se torna septuagenário. Confinado aqui aquém-Tejo estou longe dos meus discos, por isso cruzo a alvorada ouvindo as escassas (e roufenhas) reproduções existentes no youtube.

E com elas ascendem-me algumas memórias. Entre elas a de um espectáculo dele, noite longa até à madrugada no Xiphefo de Inhambane, em Janeiro de 1998, cidade na qual ele não tocava desde 1979, coisas também dos efeitos da guerra civil. Um momento verdadeiramente único. E polissémico, no meu sentir.

Mas mais ainda lembro um episódio nem musical: uma noite, talvez ainda em XX, fomos em trio até uma discoteca, aquela que ladeia (ladeava?) a Assembleia da República - foi mudando de nome, esqueci-o, só recordo que tinha uma pista de dança com soalho em madeira, que até a mim fazia dançar [Adenda: é óbvio, como pude esquecer o nome?, que se trata do Matchedje, como me lembra um comentador]. A casa estava bastante cheia, gente muito jovem. E o que me tocou, e muito, a reacção à sua chegada, ele informal como sempre, e o enorme, profundo respeito, que de imediato o rodeou. Não a excitação, o êxtase, com que habitualmente os jovens recebem os ídolos da música e da tv. Mas algo diferente, denso de tão pausado. E nós sentados, ele com a sua água, nós com as nossas cervejas, e os mais-novos, paulatinamente, vindo saudá-lo. Ao Mestre? Mais até como se ele Herói (no sentido grego, semi-divino).

Nós não entendemos as líricas, sempre alguém tem que as traduzir. E as gravações escasseiam. Mas crede, o (agora mesmo) mais-velho é Grande.

Saudações e Parabéns. Ou seja, muita Saúde e todo o Bem.

Crónica dos dias do COVID (24): pensar

Coronavirus, il "Va pensiero" è virtuale: il coro dedicato ai medici (publicado no sítio do La Repubblica)

Que voe bem alto a Razão, que nos ampare neste exílio, que nos inspire e harmonize diante de tamanho sofrimento

(não sou muito de Verdi. Mas ao ver um punhado de músicos cantarem o que tanto nos é preciso e com toda esta atitude ... Caramba. Isto é resistência, pundonor)

 

Manu Dimango, "personagem totémica"

manu-dibango.jpg

Manu Dibango: artigo na Rolling Stone (anglófona) e outro artigo (francófono), um pouco mais substantivo. 

Entrevista de Manu Dimango à RFI, feita por Claudy Siar, produtor de "Couleurs Tropicales".

Super Koumba, o que fazia em finais da década de 1980s, durante a qual o vi na Festa do Avante, a última vez ali fui.

Contrata-se "colaborador" (breve ensaio sobre a esquerda lisboeta)

(The Clash, Revolution Rock)

Postal, também autobiográfico, muitíssimo antipático, sobre o linguajar. E sobre a "direita"/"esquerda". E as auto-representações corporativas. Um postal "punk", se o quiserem assim chamar ...

1. Há dias uma queridíssima amiga, que também colega, dizia-me ao jantar, que eu, para além de "direita" por vezes escrevo coisas de "extrema-direita". Pedi-lhe exemplos, não lhe ocorreram ali de imediato, o jantar estava muito agradável e a conversa derivou para outros assuntos.

2. Há anos voltei de Moçambique. No primeiro seminário profissional a que fui uma colega, nitidamente viçosa lisboeta revolucionária, utilizou o termo "empoderamento". Sorri e indaguei sobre a necessidade de usar o termo: é um anglicismo, e feio que se farta. Respondeu irritada, fulminando-me qual patrioteiro hiper-reaccionário, dizendo-me, com notório desprezo, “purista”. Não pode ocorrer a um espécime daquela pobre raça que temos "potenciação". E que, muito mais importante, os termos assentam em diferentes concepções do social e do político, e exsudam-nas: “empoderar” implicita a noção de que se está a dotar algo de “poder” (como se este fosse algo, e como se haja núcleos societais que o distribuam) e “potenciar” deixa entender que se estão as criar condições para a sua produção e/ou aquisição, nos processos conflituais que são a sociedade. Repito, são bem duas concepções de processo político que ali estavam: a da (ignara) revolucionária e a do vetusto (patrioteiro), não haja dúvida. Para além de outra coisa, também cómica: a quase-certa bloquista meneando o jargão do Banco Mundial e do FMI, o “quase-fascista” torcendo o nariz a esse linguajar. Enfim, aprendi-o logo ali, naquele meu período de recente “torna-viagem”, o que nesta terra e meio o que importa são as auto-representações, o quão belo o revolucionário se vê no espelho …

3. Quando voltei integrei uma instituição de pesquisa, agregadora de pólos articulados com várias universidades públicas e de centenas de investigadores, grande parte deles sem vínculos laborais com essas universidades e/ou com o Estado. O ambiente cultural (a “episteme”, se lhe quiserem chamar assim) é algo enviesado, o que é normal entre as ciências sociais (desde que não sejam os engravatados – e endinheirados - Direito ou a Economia), assim um pouco “gauchiste” ainda que heterogéneo. Nesse âmbito e nesta época muitos, ainda que não todos, pavoneiam muito atenção à forma de falar (e escrever). Assim recebia ou lia mensagens destinadas aos “Car@s”/”Prezad@s”, “etc@”. Na época eu tentava fazer um doutoramento e constatei até a existência de um grupo de “doutorand@s”. Ou seja, há uma atenção máxima aos mecanismos de poder que estão implícitos (e até explícitos) na fala, e a aversão ao masculino genérico (o universal masculino) é particularmente vigente, pois entendido como denotando e reproduzindo as relações de espoliação e opressão das mulheres.

“Em Roma sê romano”, dizia-se antes da era multiculturalista, e por isso lá fui sendo @. Mas entretanto recebi várias “convocatórias” para actividades de uma das universidades públicas para as actividades que nela decorriam. Um dia, dado o ambiente de atenção às formas de falar e às relações de poder que transpiram e reproduzem, e dado o meu pendor pouco estatista (aquilo da “extrema-direita”) resmunguei que os funcionários públicos académicos, que haviam sido eleitos entre os seus pares para um breve período de gestão da sua universidade pública, não tinham qualquer prerrogativa para me “convocarem” – termo cuja semântica, explícita e implicitamente, demonstra uma relação hierárquica e uma obrigatoriedade. Nem a mim nem a qualquer dos meus colegas, alguns dos quais também colegas (“pares”) desses funcionários públicos académicos. Fui mal acolhido na minha oposição, porventura considerado indivídu@ descabid@ devido à minha atenção às coisas da cidadania, e da república. E à minha aversão aos mecanismos de “empoderamento”, da aquisição e apropriação de poderes. Ou, de forma chã, que um tipo lá porque foi eleito para um conselho de reitoria de uma universidade pública não tem qualquer poder sobre os seus colegas e, muito menos, sobre investigadores de outras universidades ou de nenhuma universidade.

Assim, e como sou de “(extrema-)direita”, e mesmo alérgico a essas mentalidadezinhas estatistas, abandonei a instituição que me transmitia as convocatórias dos funcionários públicos eleitos.

4. Os anos passam, a luta contra o masculino genérico e outras formas de exploração da mulher e d@ transsexual pelo homem (tóxico, pois pérfido heterossexual aprisionado - como diziam mas deixaram de dizer - pela "sexualidade reprodutiva"), e d@ negr@ pelo branco, reproduzidas no linguajar continua, e tem tido vários sucessos e etapas discursivas. A esquerda intelectual, orgânica, um dia vilmente insultada pelo reaccionário Bourdieu, ideólogo da direita francesa, como “radicais de campus”, tem sido fundamental neste campo de batalha.

Vejo agora mesmo, aqui no FB, um anúncio de emprego para funções de secretariado, no qual se explicita que se esperam candidatos ou candidatas (contra o tal “universal masculino” "marchar, marchar ..."). Colocado por uma associação profissional (uma "ordem", se assim tivesse sido instituída), dessas que congrega muitos desses praticantes desta luta de libertação vocabular. Que nisso se revêm como de “esquerda”, mais ou menos libertária, mais ou menos “socialista”, depende dos casos. Ainda que sempre, ou quase, com um sorriso de mesura face aos poderes fácticos, se estes do PS.

Tenho uma particular apreço pelos trabalhos de secretariado (hoje em dia muito ditos de “assistência de direcção”). A minha mãe foi secretária, professora e coordenadora de pioneiros cursos de secretariado durante décadas. Por isso digo “àquel@s e àquel@s” que se candidatem a esse posto de trabalho: tenham cuidado com os esquerdistas, tão puristas da língua opressora, mas que chamam “colaboradores” aos trabalhadores. Ou seja, cuidem-se com os esquerdistas que papagueiam jargões. Pois esses, sempre, tendem a tiranetes. Ou, de outro modo, caros candidatos, boa sorte. E potenciem-se, nunca esperem que vos “empoderem”

Diz-vos este gajo da “(extrema-)direita”.

Dia dos Mortos

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Muitos se indignam com o Dia das Bruxas de ontem, invectivando que não é tradição daqui. Mas hoje comemoram (nem que seja por fazerem feriado) o dia de Todos os Santos, e a esta tradição não a protestam estrangeira. E amanhã comemora-se o Dia dos Mortos (aliás Finados), e também ninguém critica, julgando-o uma tradição daqui oriunda. Muito cultos vão estes censores.

Enfim, nestes dias dedicados aos feiticeiros, aos mortos ilustres e aos mortos vulgares, aqui deixo a música apropriada à quadra festiva. Em versão madura e excelente. Assim digna. Pois o mal e a morte vêm "sem quartel". Comemore-se isso, sinal da vida.

 

(Page & Plant, 25.3.1998, concerto em Londres)

60 anos de Pedro Ayres de Magalhães

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Anteontem, quarta-feira 31 de Julho, Pedro Ayres de Magalhães fez sessenta anos. Um mero aniversário, uma alheia idade redonda, poder-se-ia dizer. Mas este tem um significado especial, anuncia que a minha geração passou assim, oficialmente, a sexagenária. Pois se Pedro Ayres nunca foi um "homem da frente" - o "front man" da mística rockeira - foi, de facto, o "homem do leme" da geração subsequente ao 25 de Abril. Não me vou por aqui a botar sobre ele: nem o conheço pessoalmente nem sou especialista em música. Mais vale escutá-lo (entrevista radiofónica) ou lê-lo (entrevista à revista Sábado; entrevista ao jornal i). Dizem-me que Edgar Pêra sobre ele fez um filme, mas ainda não vi.

Fico-me pelo registo: um tipo que andou na linha da frente do punk em Portugal (aqui deixo ligação para "Bastardos", um documentário sobre o punk português), desde os seus Faíscas, e seguindo para o grupo iconoclasta Corpo Diplomático. Eram tempos bem diversos (e aconselho mesmo as suas entrevistas, para se entender em particular o universo rural com que estes urbanos se deparavam, o tão diferente país de então, ainda espartilhado e sofrendo as mágoas das guerras coloniais recém-findas). Depois foi a alma-mãe dos Heróis do Mar, que tantos disseram (e continuariam a dizer, se se lembrassem de efemérides ou similares) como fascistas: quando de facto os Heróis anteciparam os anos 90s, esses que só terminaram em 2004, o reencontro do país Portugal consigo próprio, a celebração passada que fora a era do país pária. Uma nação, história e identidade, que comemoravam - mesmo que hoje o seu som surja imensamente datado, como "pop" que era -, enquanto também cantavam "este país é uma prisão", no afã de pontapear o provincianismo então hiper-dominante, sufocante mesmo. A polémica que surgiu há algum tempo, quando Manel Reis morreu, mostra bem o quão provinciano ainda vai o meio - mas também que os locutores actuais, que então se dividiram numa "esquerda" celebrando-o e numa "direita" invectivando-o, em termos até paradoxais, não percebem nada daquela era, esses anos 1980s em que os Heróis foram marcantes. É certo que os hinos que ficaram foram os dos Xutos mas a atitude que frutificou foi, em parte (bom seria que mais tivesse sido) foi a dos Heróis. Entenda-se, a de Pedro Ayres. 

Muito se celebra agora António Variações, feito ícone. Convirá então lembrar que foi Ayres (e o seu quase constante parceiro Carlos Maria Trindade) que lhe produziu o disco final. Como também foi ele que, através do Resistência, congregou repertórios e músicos - não só de diferentes estilos mas, algo tão difícil naquele tempo de cesuras constantes, também de diferentes aparências políticas. Assim concertando Portugal. Depois foi ele o verdadeiro Pigmalião do Madredeus, esculpindo não só a cantora mas também repertório e trajecto. E com este internacionalizando a música popular portuguesa, reabrindo caminhos (que décadas antes Amália havia percorrido sem deixar sucessores), os quais vieram depois a ser seguidos, ainda que sem o seu brilho, por artistas como Mariza ou Dulce Pontes. 

É um trajecto musical fantástico, feito sem cedências ao meios dominantes, muito radicado num individualismo - meritocrático, parece-me. É diante disto que continuo a repetir, Ayres de Magalhães é o homem da nossa geração que maior impacto cultural teve no país. Tem tido. A alumiar. Obrigado. Parabéns. Que venham mais anos, com saúde e sucessos.

 

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