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Nenhures

Nenhures

11
Out21

Pedir desculpas pelo passado nacional

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Há pouco mais de uma década o Presidente Cavaco Silva realizou uma visita de Estado a Moçambique. Como é prática nessas ocasiões fez-se acompanhar por uma alargada comitiva: políticos, empresários, quadros da administração pública, agentes de produção cultural. No vasto programa constava um colóquio na universidade na qual eu trabalhava, dedicado à importância da língua portuguesa, o qual contou com a participação de destacados intelectuais moçambicanos (alguns dos quais foram então condecorados) e portugueses. 

A actividade decorreu na ampla sala do centro cultural universitário, um antigo cine-teatro com largas centenas de lugares. Os professores haviam sido convidados, os alunos mobilizados, a sala estava apinhada. Eu sentei-me bem lá no fundo, para fruir descansadamente o meu uniforme de "jeans" puídos e polo desbotado. Um dos painéis constava de alocuções de escritores consagrados, locais e portugueses - estes ali pois inseridos na comitiva oficial da visita de Estado. E assim, porque isso aceitando e liberdades criativas à parte, surgiam assumindo um difuso papel de representantes da sua área laboral, por episódico que fosse esse seu encargo.

Chegada a sua vez de dissertar, um desses consagrados escritores pátrios anunciou à audiência o seu agrado por estar em África. Pois, detalhou, sendo ele um escritor que no seu labor muito aprecia romper com as regras da língua estava entusiasmado por se encontrar entre africanos, e na terra destes, pois as suas línguas estão desprovidas de regras. Uma condição virtuosa, deixou explícito. E continuou naquilo que tinha para dizer, ao que se lhe sucederam as arengas de outros participantes. Terminado o ror de comunicações abriu-se o consuetudinário "espaço de diálogo", dedicado às perguntas oriundas da plebeia assistência. Instalou-se o tradicional silêncio, dada a provável exaustão dos seniores presentes e a timidez, até receosa, dos juniores diante de tamanhos protocolos ali patenteados.

Por isso, lá bem do fundo da sala e qual navio quebra-gelo, como se costumam auto-justificar os primeiros intervenientes destas ocasiões aquando das suas pálidas perguntas, aproveitei a ocasião. É que na sala estavam vários feixes de jovens que já me haviam sofrido como docente o que me fez sentir, talvez estuporadamente, alguma responsabilidade, uma espécie de fervor deontológico, por assim dizer... E resmunguei qualquer coisa como, caramba, aparecer alguém em XXI a clamar que as línguas africanas não têm regras gramaticais é de bradar aos céus, será um apogeu da incultura em qualquer um mas inadmissível em que tem por trabalho a... escrita e a leitura.

Depois aconteceu um inexistente debate, brevíssimo como é sua natureza quando assim. Ao qual, para gáudio de todos, se sucedeu um aprazível beberete, juntando alunos, professores e convidados. Como sempre mergulhei, com a convicção da militância, no universo dos canapés, de chamuças e adjacentes fornido. Logo um ou dois compatriotas residentes me abordaram num até enfastiado "ó Zé Teixeira, também não precisavas de ter dito aquilo, cai mal numa sessão destas...", respondendo-lhes eu, com a massa crocante escapando-se-me entredentes, já beiços abaixo, "o homem está aqui em representação, nossa mesmo...", "não vou deixar que os alunos acreditem em tal coisa ou, pior, que os portugueses pensam assim...". Deste modo arisco escapado à sanção comunitária avancei em busca de quem me trocasse o vinho branco, acídulo em demasia, por uma singela 2M ou mesmo, utopia, um gin tónico. Para ser interrompido por três ou quatro colegas moçambicanos, cada um deles num "ainda bem que disseste algo, eu não ia dizer nada dado o contexto", do cerimonioso que era o dia. Enfim, escorropichado o tal vinho, talvez até a posterior cerveja se entretanto alcançada, que a tanto não me chega a memória, regressei ao lar ainda conjugal. Para ouvir um sorridente, mas talvez já então desalentado, "já sei que estiveste a desatinar"...

Vem-me esta recordação agora quando, uma década escorrida, vejo um tipo que aquando quarentão pensava com tamanho défice sobre o real circundante, e África em particular,  a surgir na capa das revistas generalistas entoando o trinado da moda, o pimba do "Desculpa África" em ritmo extended version, meneando-se ao que julga ser o agrado da plateia. Deixemo-nos de coisas, pode ser que seja um bom ficcionista, não sei, nunca o li. Mas se assim for este é mesmo um caso de "quem te manda a ti, rabequista, remendar sapatos". Ou não o é (repito, não sei, nunca o li). E então será caso de usar o dito original... Enfim, o homem que conte as histórias que tem para contar, que é tarefa mais do que digna. E deixe-se de querer ser intelectual maître à penser, que não tem arcaboiço para tal.

Não me alongarei - mais uma vez - sobre esta gemebunda "desculpabilização" tão em moda entre tantos. Apenas repito o que ciclicamente vou metendo sobre estas pobres mentes de atrevidas gentes: 

"... a disposição mental que leva ao conto de fadas é a da moral ingénua, isto é, a moral que se exerce sobre os acontecimentos e não sobre os comportamentos, a moral que sofre e rejeita a injustiça dos factos, a tragicidade da vida, e constrói um universo em que a cada injustiça corresponde uma reparação." (Italo Calvino, Sobre o Conto de Fadas, Teorema, p. 100).

 

12
Set21

O meu 11 de Setembro

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Passam vinte anos sobre o atentado que começou o século. Muitos recuam e narram como viveram o dia. O mal disto de um tipo blogar há já 18 anos é que já vasculhou todas as memórias. E assim há já muito tempo que botei como em Maputo vivi o meu 11 de Setembro de 2001: está aqui, no velho blog ma-schamba. Deixo a ligação para se algum dos parcos visitantes deste Nenhures ainda tenha curiosidade sobre isso.

11
Set21

Jorge Sampaio em Maputo

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(Hilário, Chissano, Sampaio, ColunaAcúrsio, Eusébio, Vicente, Maputo, Abril 1997, fotografia de Jorge Brilhante)

[Postal para o És a Nossa Fé:]

Em 1997 o Presidente Jorge Sampaio visitou Moçambique, fazendo-se acompanhar de uma grande comitiva. A viagem foi uma assinalável sucesso, muito potenciando as relações entre os dois países, então ainda algo maceradas pelo processo de descolonização e pelos constrangimentos do subsequente processo político moçambicano. Nessa comitiva presidencial iam 4 futebolistas nascidos em Moçambique - também servindo de representantes simbólicos dos "4 grandes" clubes: Hilário, Acúrsio, Eusébio, Vicente. E, claro, logo se lhes juntou Mário Coluna, o "Monstro Sagrado" - então presidente da Federação Moçambicana de Futebol. 

Nesse momento tive o privilégio de acompanhar esse magnífico Quinteto. E desde então não só reencontrei algumas vezes o nosso Hilário e o "King", Eusébio, como tive o privilégio de criar amizade, não íntima mas bastante convivencial, com o "Monstro", Coluna. Conheci-os num almoço na popular cervejaria Piripiri, prévia a uma passeata pela Baixa da cidade na qual acompanharam o presidente Sampaio. Pude então perceber algumas das características do político: eu já vira Soares em Luanda, num notável desempenho patenteando uma extroversão verdadeiramente carismática. E viria a ver Cavaco Silva em Moçambique, num perfil público muito mais rígido, o qual sempre me pareceu muito mais o de um homem em luta com a sua timidez do que efeitos de uma concepção hierática da sua função. Sampaio era diferente, não exactamente um homem de rua ou de palco, pois não um carismático. Mas apresentando uma bonomia tão explícita que era recebida pela população como uma simpatia natural, à flor da pele. Assim encarnando a confiança.

Voltou a Maputo em 2001 para uma das cimeiras da CPLP, numa era em que estas congregavam mesmo os chefes de Estado. No nosso caso numa chefia bicéfala, pois para o efeito agregávamos o PR e o PM, naquele tempo Guterres. (Re)Vi Sampaio numa recepção à comunidade portuguesa, à qual acorreram cerca de 3000 pessoas. Enquanto ele circulava entre nós fui rodeado por vários compatriotas. Ocorrera-lhes que seria aquele o bom momento para fazer chegar ao presidente um ror de preocupações que tinham - impostos aos emigrantes, taxas de importação de veículos, apoios à comunidade, etc. E passara-lhes pela cabeça que seria eu um bom porta-voz para as colocar, dado que conhecia algumas das pessoas que ali o circundavam. Resisti, num "era só o que me faltava...", insistindo que "isso são coisas para colocar aos deputados, ao secretário de estado, ao cônsul..." mas não os consegui desiludir, insistentes num "vá lá, Zé Teixeira" e sem de mim se apartarem.

Passado algum tempo, mantendo-me eu de copo de vinho na mão e tasquinhando o queijo da serra e o presunto gentilmente disponibilizados, o Presidente Sampaio foi-se aproximando da nossa zona. Recrudesceram os patrícios nos seus incentivos à minha capacidade reivindicativa. Assim sendo, e ao estar aquele Grande Sportinguista já à distância de apenas duas braçadas roguei-lhe "dá-me licença?, Senhor Presidente, posso-lhe fazer um pedido?", ao que ele, arvorado com um sorriso aberto, logo ripostou "claro, em que lhe posso ser útil?".

"- Ó Senhor Presidente, por favor, use a sua influência para fazer as pazes entre o dr. Roquette e o dr. Luís Duque" (então desavindos na nossa Direcção). Riu-se, abertamente, elevando as mãos em sinal de impotência e ripostou "Ó Homem, isso está bem acima dos meus poderes...". E deixou-nos uma dúzia de palavras de circunstância, logo seguindo na sua ronda entre nós, aqueles milhares de convivas.

Os meus vizinhos, enfim, resmungaram um bocado comigo...

30
Ago21

Os Stones, aos 14

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Entre 2007 e 2009 (e algumas escassas entradas nos anos seguintes) participei num blog colectivo dedicado ao bairro onde cresci - e agora voltei a viver -, o Olivesaria. Ali deixei algumas memórias da meninice. A este texto já o republicara, no meu anterior Courelas. Mas como agora morreu o Charlie Watts recupero-o, para recordar como ele e seu grupo tão importantes me foram:

*****

Olivais, 1970s

A Primavera de 78, aos 13 anos? um poço de timidez desajustada, tão fundo poço que até afogou quase tudo da memória desse ano. Muito mais tarde haveria de recuperar algo desse tempo, como se me preenchendo, em incompetente regime de auto-construção própria, entenda-se. Mas isso só uma mão-cheia de anos depois. Nesse então foram aulas de manhã e, ainda, as tarde passadas a jogar futebol.

Foi nessa época que conheci o Mário W. – e ainda me lembro de ter sido o puto Zé que nos apresentou, à frente do supermercado “Canguru” a dizer com um sorriso “temos um novo amigo“, e tivemos que o Mário era uma jóia. Vivia no prédio acima do meu, o do Zé Nuno Martins, esse onde de vez em quando aportava um célebre “Cantor da Rádio”. O Mário chegara da Guiné-Bissau para viver com a tia, a família passara um mau bocado por lá, detalhes que só alguns anos depois pude dele saber e entender, coisas das revoluções e dos horrores nunca-ditos da família Cabral. Ele era um amigo de mão-cheia – do qual perdi o contacto, estupidamente, pela minha inércia após termos crescido para circuitos diferentes e dele ter avançado na biografia mais depressa, casado e trabalhando ainda eu andava numa tardia adolescência, e depois até enviuvando, ao que ouvi. Nessa época passávamos as tardes no quarto dele ouvindo música, uma fantástica iniciação ao “afro” – funky, disco (sim, disco), reggae, mais tarde até ska. Sabia lá eu que estava a ouvir o Off The Wall, os Chic, Diana Ross, todo o Motown, tanta coisa que era aquilo tudo. Pois para mim que apenas conhecia, através dos mais velhos e da rádio, o rock inglês e o rock progressivo, de todas aquelas novidades só o Marley me já era ícone, o resto apenas fabulosa música. Era um mundo novo que se abria, uma fabulosa discografia baseada num gosto tão diferente, tão mais burilado, tão mais rico, e um ritmo quente, diferente, como se outras coisas houvessem por aí afora. Quase tudo daquilo era pertença do primo dele, um tipo mais velho, já nos vintes e tais, e que veio a morrer novo, só depois percebi que da doença que entretanto chegou, coisas do como ele era e vivia. Música a deixar-nos sentir diferente também pela dança que ali aprendíamos, ainda que desajeitados de envergonhados, pois tanto o Mário nos dava “aulas” como a prima Zinha, um bom par de anos mais velha, nos ensinava, com uma simpatia radiosa a fazer crescer os miúdos.

Nesses meses dos 13 anos foi o começo do crescimento, uma coisa feita neste encerramento que aqui resmungo, porque ainda dolorosa memória, entre os livros paternos, a colecção de bolso da RTP que até já ia comprando, e a música a fazer-me assim. O primeiro single “Money”, comprado no “Pão de Açúcar” e depois o primeiro LP, “Animals” dos Floyd, 240 escudos comprados com 12 notas de 20, que me era a semanada. A seguir o primeiro Dylan, “Desire” que tinha uma canção quase pop que falava de namoro nas praias tropicais chamada “Mozambique”, sabia lá eu o que me viria depois. E o primeiro Genesis, “Wind and Wuthering”. Em Julho, já aulas terminadas, tomei uma decisão que depois percebi como estruturante da minha vida: no dia seguinte ao meu aniversário, chegado aos 14 anos, contado o dinheiro das prendas oscilei entre comprar um skate – como alguns queques tinham – ou o duplo ao vivo “Love You Live” dos Stones.

Hesitei, hesitei… E na tarde de 3 de Julho fui ao Apolo 70 comprar o disco. Foi só pôr a tocar a introdução – o excerto da “fanfarra para o homem comum” de Copland – para perceber que se fodesse o skate . Dois meses antes, numa tarde sozinho em casa, roubara o primeiro SG Filtro da secretária do meu pai. Fumei-o à janela das traseiras, a olhar um Tejo muito longínquo. A deixar-me um sabor que muito de vez em quando ainda me aparece – para aí há um ou dois anos regressou inopinadamente. Pode-me matar esta porra de vício. Mas então construiu-me.

17
Ago21

Sobre o Afeganistão

jpt

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Sobre esta coisa do Afeganistão deparo-me com vários conhecedores da situação. Desde um ex-deputado e agora candidato em Loures pelo BE que surge no reflexo típico de culpabilizar o Ocidente, cujos governos "bombardeiam (...) governos progressistas". Para outros - decerto que "progressistas" - aquilo é ab ovo culpa dos EUA, pois descobrem que estes apoiaram a guerrilha anti-soviética [note-se que há um já velho filme sobre isso, "Charlie Wilson's War" (Jogos do Poder) com o actual Jimmy Stewart, o grande Philip Seymour Hoffman e a divindade Julia Roberts, não estando assim estes investigadores a dar-nos grandes novidades]. Mas nenhum desses aborda os motivos da invasão soviética, decerto que por os considerarem irrelevantes.
 
Muitos, até não interseccionalistas, lamentam o destino das mulheres afegãs - mas poucos (não leio sequer um) se preocupa com a gente afegã qual eu. Outros, mais interseccionalistas e nisso paladinos da etnicização de Portugal e restante pérfido Ocidente, anunciam que o decadente governo afegão pró-ocidental descurou uma etnia (os pastós), deixando assim entender que a etnicidade é algo problemática, mas estarão certos que apenas nos longínquos vitimizados transeuropeus. Outros ainda, que leio há anos defendendo o status quo luso, apontam que a derrocada do poder de Cabul se prendeu a ter sido muito corrupto, assim anunciando que - decerto que apenas fora de Portugal - a corrupção estatal enfraquece as vias democráticas. E outros ainda, de recorte mais intelectual, concluem que os ocidentais nada percebem sobre o Afeganistão.
 
Continuo a crer que está (quase) tudo nos livros, e só lamento não ter a militância, a disciplina e, acima de tudo, a inteligência para ler o que me falta e, acima de tudo, reler o que me fez. Enfim, daquilo que me passou pela frente deixo um aviso e uma memória: o aviso, superficial, é sobre o que virá aí naquelas bandas. Será de ler "As Novas Rotas da Seda" do Frankopan. Quem o ler poderá fazer postais no FB, e nos blogs. E, alguns, até irão à TV botar faladura.
 
A memória, que é a coisa importante: está tudo no "O Americano Tranquilo" (há várias edições portuguesas) de Graham Greene (1955). Li-o aos 16 anos e descobri-me Thomas Fowler. Não como alter ego, como acontece nas leituras juvenis. Mas como reconhecimento, num "eu sou este gajo". Ainda hoje me surpreendo como me conheci tão cedo. Reli-o três vezes até aos 25 anos e não mudei de ideias. Depois aos 40s e sorri, na comprovação desse reconhecimento. Quando for à capital, às estantes do meu pai, relerei de novo, agora quase aos 60, usando este exemplar paterno, aquele com o qual descobri Fowler (jpt). Não me dará para postais de FB ou de blog. Mas, claro, e como sempre, dá-me para encolher os ombros diante dos convictos a la carte.

13
Jul21

Morreu Artur Ferreira

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A Ceifeira é infatigável. Agora morreu o Artur Ferreira. Decano fotojornalista de automobilismo, com centenas de GP's de F1 no arquivo e inúmeras histórias desse meio, vivia como os bólides que fotografava: terá sido o homem mais acelerado que conheci. Um verdadeiro globetrotter, numa personagem peculiar e com uma mundivisão muito própria que não se coíbia de afixar.
 
Conheci-o em 1997 quando foi a Maputo apresentar uma exposição fotográfica, enorme, a "Por esses Oceanos ao Encontro de Culturas". Fez-se na Associação Moçambicana de Fotografia, então apenas a parte africana do acervo. Voltou depois, e no Camões se apresentou a parte asiática. Nos anos subsequentes dirigiu várias revistas em Moçambique, entre as quais a "Índico" da LAM. Tinha uma capacidade industriosa espantosa, pois tudo isso fazia enquanto viajava constantemente, saltando de continentes como nós íamos à vizinhança.
 
Devo-lhe algo: em 1998 fui em casal à Zambézia. O Artur Ferreira estava em Quelimane a fazer uma reportagem. E deu-nos uma boleia aérea no dia em que foi fotografar os montes Namuli e o Delta do Zambeze. Teria dado uma grande crónica esse dia. Mas ficou uma esplendorosa memória.

08
Jul21

A normalidade de sempre

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Este cartoon - identificado como "Volta ao Normal" de Gerhard Haderer - é o que mais relevante vi/li nos últimos longos tempos. Bateu-me, bem! Encontrei-o no mural de Alberto Ribeiro Lyra, um brasileiro com o qual tenho ligação desde os primórdios do FB por razões que já não lembro (conexão moçambicana?, bloguismo?), e que tem um mural magnífico, com constantes pérolas iconográficas, uma inteligência visual rejubilante. (Daqueles casos que me levam a praguejar quando ouço os patetas encartados a resmungarem contra as "redes sociais". Pois nestas, e assumo a arrogância, cada um vê/lê/encontra o que é. E quem só encontra mediocridades é porque é um medíocre, passivo).

Avante, este cartoon bateu-me bem! Porque diz o necessário nesta fase da maldita era covidocena. E, muito mais, nesta minha fase pessoal, aguentem lá este meu quase-porno intimista. O almoço foi singelo e saboroso, endógenos alguns dos comestíveis, verde o vinho, à mesa queridos familiares consanguíneos e espirituais, o dia está soalheiro. Agora vou dar um mergulho. Depois, secar-me-ei e afixarei este arame. A enfrentar o que aí vem. Tenham cuidado comigo! (cuspo, a la Clint).

Obrigado, Lyra. Deste vida ao zombie.

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