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Nenhures

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("Goo Goo Gai Pan", 12º episódio, 16º ano de "Simpsons" - censurado na China.)

Há 33 anos o massacre em Pequim... No dia seguinte ao início da mortandade este episódio:

É sabido o "cancelamento" deste episódio. Não só a ditadura chinesa o apaga da história - chegando a censurar o episódio dos "Simpsons" que a ele alude. Mas também a ele pouco ou nada se alude no imensa produção cultural internacional "empenhada", anti-capitalista, alter-globalista. De facto, no seio da "esquerda" "cosmopolita" este "Homem do Tanque" não ascendeu a ícone, não foi aposto à fileira desde o "No pasáran!" e por aí afora, não desce a Avenida em Abril, nenhum dos que se tatuam com o guerreiro Guevara lhe associam este incógnito no outro peito ou braço, barriga da perna que seja, não há t-shirts nem grafitis emporcalhando paredes, não abundam trinados da "música popular brasileira" em sua memória ou qualquer poemaço exaltado, até transposto a faduncho. Todos os anos alguns "reaccionários", gente da "direita" malvada, o lembram por este Junho, e nisso colhem, quanto muito, uns "decoloniais" comentários, quais "o cabrão do chinoca tinha tomates, lá isso é verdade". E lá seguem os "democratas" no seu rosário de "boas causas", ufanos... 
 
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Nisso, bem especioso veio o PCP, que em 2011 achou necessário avisar os militantes que isso de Tiananmen "foi uma farsa" - os detalhes pouco importam que, como bem é sabido pelo povo camarada, com a verdade me enganas. Seguindo o tal partido sempre ciente de que urge lembrar as massas de estar a vil imprensa ocidental (pior ainda a que se diz de "esquerda") em permanente campanha de difamação das democracias socialistas... Nesse inabalável rumo mostrando bem que o PCP não muda. Nós é que, às vezes e por mera preguiçosa distracção, nos surpreendemos.

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A escandalosa violência armada nos Estados Unidos é algo com que convivemos, recebendo-a amansada pela indústria de entretenimento cinematográfico e televisivo. Ainda assim custa a perceber a placidez daquele país com os constantes massacres civis, em particular nas escolas. Agora aconteceu mais um. Tétrico. E mais uma vez as notícias falam da problemática liberalidade na aquisição de armas nos EUA, rigidamente defendida por sectores políticos predominantemente do partido Republicano. Não vou repegar na questão, que é ciclicamente abordada. Apenas frisar o meu espanto face a esta desregulação, lá naquele país, que provoca tamanhas desgraças.

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Cartão de Boas Festas, Natal de 2021, do congressista republicano Thomas Massie (Kentucky).

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Cartão de Boas Festas, Natal de 2021, da congressista republicana Lauren Boebert (Colorado).

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Cartão de Boas Festas, Natal de 2021, do senador republicano  Rick Brattin (Missouri).

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Cartão de Boas Festas, Natal de 2015, da deputada estadual republicana Michele Fiore (Nevada).

Felizmente estas temáticas são-nos estranhas, pois seguimos país com baixo nível de criminalidade e sendo esta também pouco violenta. Mas há uma ponte para o ambiente daqui. Pois desde a década inicial de XXI, com o advento do bloguismo e depois das redes sociais, que pude constatar o assumir em Portugal da dicotomia "direita"/"esquerda" como mimetizando o embate "republicanos"/"democratas" nos EUA. E nisso havia um frenesim de uma certa direita (e muito de uma "jovem direita", quais jovens turcos) - que então até se apresentava como "liberal" (que eu conheci nos blogs Blasfémias e Portugal Contemporâneo, para falar apenas naqueles que ainda seguem) - em se assumir como "republicana". Isso via-se com a adesão acrítica a Bush filho, à raiva contra Obama (que aparecia como um perigoso esquerdista....). E depois com um progressivo encanto, implícito ou explícito, com a "alt-right" e com o Tea Party. Daí ao apreço ao boçal Trump - cujo mercantilismo era surpreendentemente amado pelos tais "liberais" -, ainda que este tenha um conteúdo político algo diferente, foi um pequeno passo nas teclas.

É certo que isso mostra um enviesar destro na política europeia, a desagregação das "esquerdas" (tantas delas verdadeiramente sinistras) nestas duas últimas décadas. O qual abre espaço para que europeus (e do Sul, ainda para mais) possam pensar como "esquerda" o anafado Partido Democrata norte-americano, e usem o espectro político dos EUA como analogia para debater o processo político nacional (ou europeu). Mas muito mais do que isso permite perceber que estes (portugueses) adeptos "republicanos" não percebem - nem querem perceber - quem apoiam ou, pelo menos, em quem se revêem. Há década e meia poderiam rir-se um pouco dos dislates da candidata Sarah Palin, mas pouco mais criticariam. 

De facto esta "alt-right", boçal, violenta, ignorante, não se reduz a uns "ressentidos" com a "globalização", o velho operariado do "midwest", o sempre referido "lixo branco". Pois é também a expressão política (e cultural, naquele patético "criacionismo", um fundamentalismo cristão que a nossa tradição católica despreza há... séculos) de enormes interesses de elites económicas, amplamente cosmopolitas. Que inclui, mas nele não se esgota, o comércio interno armamentista. E expressa-se através deste tipo de políticos, que se ilustram deste modo. 

Como é que há gente que aqui no rincão sai à rua (às teclas) defendendo este tipo de gente, priorizando-os como aliados, e até condutores, é coisa compreensível. Mas inaceitável.

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Leio agora mais um, apenas mais um, a protestar que a ONU não "serve para nada", velho argumento que por cá nos últimos anos vem associado à pirraça da crítica a Guterres. Desta vez é um deputado, e é usual ler isso de "opinadores", alguns da imprensa mesmo, políticos na prateleira, altos quadros da função pública, médios empresários que andam pela "rede", técnicos com currículo ansiosos da tecnocracia, e todos usualmente nisso bem seguidos pelos latagões das teclas.
 
É certo que a cada um as suas asneiras, é isso um direito inalienável. Mas em relação a esta, pomposa, o da "inutilidade da ONU", é mesmo sinal de ignorância, até abjecta pois em gente que quer opinar, e se apresenta como douta nisso. Gente ignorante e até imbecil, pois crente na panaceia, e irando-se contra o que (afinal, bramem) não o é. Gente paroquiana, mesmo se de passado de turismo sexual ou gastronómico, incapaz de perceber o que tem sido o mundo das últimas décadas com a ONU. Gente bruta, incapaz de analisar para além da raivazita contra o tipo de um partido de que não gostam - sim, o PS do qual Guterres é membro é um inibidor do desenvolvimento de Portugal, mas não é essa a questão.
 
Repito-me, é gente tão ignorante que em 2022 ainda acredita no mito da panaceia. E que contesta a ONU por não o ser. E os brutos que me circundam continuam a votar nesta tralha, a lê-los e escutá-los. Com esta gente isto não passará de uma quermesse.

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A propósito da guerra na Ucrânia soam as vozes dos travestis do relativismo, vindas a invectivar aqueles que se preocupam com a situação, dizem-nos - aos daqui e arrabaldes - hipócritas ou (pelo menos) alienados, e mesmo racistas, pois não atentamos noutras violências, passadas ou contemporâneas, mais longínquas. O sociólogo Sousa Santos dá as estatísticas dos conflitos actuais, como forma de desvalorizar esta guerra e de afirmar as reacções como mera histeria promovida pelos poderes capitalistas. O historiador Pacheco Pereira prossegue a sua decadência intelectual e reduz-nos a racistas (nazificados) pois preocupamo-nos mais com os refugiados ucranianos do que com os sudaneses, dado que estes não são "louros e de olhos azuis".
 
Pouco ou nada lhes importa a especificidade do caso, nada conta seu o impacto nas expectativas sociais, o que convoca sobre as representações existentes. Apenas lhes importa vituperar as sociedades europeias e, também, afixarem a "atitude" "intelectual", de aparente densidade. Os renomados seguem nisto e os crentes nesta espécie de "relativismo" aplaudem, replicam, partilham, "gostam"...
 
Nada disto é novo. Lembro-me que há 7 anos na sequência do atentado à "Charlie Hebdo" se seguiu exactamente o mesmo tipo de discursos. Por um lado a abjecta "compreensão", de facto algo contemporizadora, com os "humilhados e ofendidos" com as blasfémias - via na qual a política mais loquaz foi a inadmissível Ana Gomes, que apesar desse total despautério ainda veio a ser candidata a presidente da República e obtido o segundo lugar nas eleições, o que bem mostra a catalepsia intelectual reinante.
 
Mas por outro lado, logo foi vingando o mesmo tipo de dislates, injustificando a comoção e o repúdio dos portugueses (e europeus) diante do acontecido, com base no argumento que por todo o mundo havia (há) inúmeros atentados, até mais letais, que não nos convocam nem ferem da mesma forma. Foram meses desse tipo de menorização do acontecido.
 
Acontece que esse argumento, aparentemente "relativista", e até cosmopolita, é, de facto, verdadeiramente racista. Foi-o então, é-o agora. Foi isso que, já farto de meses desses dislates dos "graduados" e dos seus "followers", botei neste postal. Serve para sublinhar o meu desprezo por estes racistas, morenos e de olhos castanhos: 
 
 

 

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