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Nenhures

Nenhures

15
Ago21

A "Cancel Culture" Contra o Xadrez

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Recebo várias mensagens com uma denúncia do Xadrez, devido ao seu conteúdo racista, machista, antropocentrista e capitalista. São dislates de quem nem o joga nem lhe compreende os sentidos implícitos. Pois o Xadrez é o jogo mais consentâneo com os bons valores actuais: é a apologia do matriarcado, sendo também memória dessa era histórica, pois nele domina a Mulher-rainha, que tudo e todos come, protegendo o frágil Homem-rei, eunuco passivo, encastrado num quase imobilismo. É, e muito, a expressão da verdade decolonial, pois todos os jogos demonstram a agressão dos brancos face a bem ordenadas e pacíficas sociedades dos negros, condenados à resiliência em esmeradas estratégias defensivas. É também expressão do sentir ecológico, na afirmação da irredutível riqueza da Natureza, demonstrada na criatividade única dos rebeldes movimentos do Animal-cavalo. E, finalmente, afixa os direitos de género, não só ao consagrar a elegância arguta do cruising gay, nesses "Bispos" em lestas diagonais debicando meros peões, marujos e magalas das forças adversas. Mas mais ainda na sua proposta filosófica até radical, anunciando o transgenderismo como óptimo existencial, pois tudo estrategizando para promover a cinzenta peonagem em exultantes e ariscas Rainhas.
 
Parai pois com essas afrontas ao iluminado Xadrez. Jogai-o. Apreendei-o.

13
Jun21

A paciência

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Há algum tempo - talvez nas vésperas de um dos meus imensos aniversários - aqui [no FB] clamei contra a irritante mania do "parabenizar", palavra que há alguns anos ninguém com dois dedos de testa se atrevia a usar. Irrita-me porque é feia. E muito mais porque só mostra que as pessoas nem percebem o que quer dizer "parabéns", desejar todo o Bem possível. Já agora, temos uma bela palavra para isso, "abençoar" - e para aqueles que dirão que esse é termo reservado às entidades metafísicas, e aos membros do clero, lembro que era costume os mais-velhos abençoarem (darem os parabéns, na linguagem de hoje) os descendentes, directos e indirectos. E sublinho que quando damos "parabéns" estamos a convocar o Bem alheio, a afirmar a possibilidade própria de influenciarmos o destino, como se micro-entidades divinas fossemos (sim, dar os "parabéns" é, para cristãos, um pecadilho de soberba teológica). Enfim, daqui a cerca de um mês mais uma vez cruzarei um aniversário. Peço um favor aos que me dedicam alguma simpatia: abençoai-me, não me parabenizem...
 
E sobre a questão deixo este delicioso texto de Rita Ferro., até pasmada com o "ofendidismo global" que a invectiva devido ao seu desgosto com essa horrível "parabenizar". Texto esse que tem tem um belo corolário: "Só vos digo isto: viver, hoje, é uma longa história de paciência."

17
Mai21

Monumento a Portugal

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Os romanos criaram a Europa e a Cristandade e nisso o primado do livre-arbítrio ("É de sua livre e espontânea vontade que contrai matrimónio?"). Por isso a nossa civilização. Fizeram-no devido à sua superioridade cultural e ao primado da lei. E também porque as suas legiões eram fortificadas contra as desinterias - assim podendo-se deslocar em combate sem desfalecimentos - bebendo posca, vinho avinagrado misturado com água.

Por isso aqui em Azeitão este cacho de uvas regado a repuxo é o grande monumento nacional dedicado à nossa identidade, portuguesa e europeia. Urge cultuá-lo, em romarias e oferendas. E protegê-lo das hordas de bárbaros pós-modernos.

16
Mai21

Na morte do Fittipaldi dos Chaimites

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(12 de Março de 1975, assassinato de António Ramalho Fialho) 

Morreu Dinis de Almeida, peculiar "militar de Abril". O breve e horrível filme mostra o estado em que estavam as suas tropas em Março de 1975, no período áureo da sua carreira profissional. Dele lembro algumas peculiaridades nesse meu tempo de menino. Entre outras a de ser conhecido como o (Emerson) "Fittipaldi dos Chaimites".
 

Ocorre-me agora, a latere, que esta necessidade de "descolonizar" a história nacional e de reinventar os portugueses, expurgando-nos de memórias e símbolos, deve de imediato denunciar esses "Chaimites", ícones desta II República e do memorialismo abrilista. Pois viciosos elogios ao colonialismo.

(Sobre o 11 de Março de 1975)

30
Abr21

Reescrever a História de Portugal

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Uns atrevidos, potenciados pelas tácticas do PS, obscurantistas ditos "interseccionistas", entoam que Portugal não se expurgou - "não se descolonizou" ou "decolonizou" (nesta matéria a doutrina divide-se). Escrevem imensos dislates no jornal "Público" e afins, e querem "intervencionar" a História do país, reescrevendo-a e nisso depurando-a de atrevimentos e recobrindo-a de incúrias e malvadezas. À mercê do autoclismo interseccionista estão os resquícios das navegações (pós-)medievais, ditas causas imediatas das desgraças actuais e das deficiências da FCT.
Nessa senda decerto que se os deixassem exigiriam "intervir" sobre esta garrafa que mãos amigas me entregaram há pouco. Um Royal Brandy Macieira engarrafado em data incerta, dotado de calibre digno de galeão espanhol afundando piratas da Ivy League. Mais exactamente um exemplar pertencente à "Colecção Descobrimentos Portugueses", da espécie "Nau Santa Catarina do Monte Sinai", embarcação do século XVI.
Quem dedicar a atenção devida reparará que o meu trémulo desfraldar promoveu o naufrágio da velha rolha. Não será isso que eliminará as veteranas artes de mareação e impedirá que se cumpra a rota prevista. E se alguma embarcação interseccionista for avistada a sua tripulação seguirá borda-fora, sem quartel, como manda o direito marítimo.

09
Abr21

O sexo e a EMEL

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Descubro este "Inquérito aos Hábitos de Mobilidade em Lisboa". Presumo que tenha algo a ver com isto das bicicletas, e é feito pela EMEL, aquela empresa predatória dos rendimentos dos cidadãos. Leio esta pergunta sobre se "o sexo [dos hipotéticos ciclistas lisboetas] atribuído à nascença coincide ou não com a identidade de género" e, para além de outras questões menores, surge-me uma memória recente.
 
Na quinta onde estava, há algumas semanas acolhi uma jovem gatinha, algo desamparada, miando naqueles hectares pejados de simpáticos mastins. Acolhi-a, resguardei-a. E dada a sua atitude lânguida e mimosa, nomeei-a - inscrevendo-a sob os meus ancestrais - com a graça de Flávia. No que foi um evidente reflexo de "machismo estrutural", como fui recentemente denunciado por uma bloguista sportinguista. E logo a anunciei aos vizinhos - e, depois, nas "redes sociais", o que foi modo de lhe arranjar lar apropriado (aqui narrei o caso). Lá na quinta a primeira pergunta que os vizinhos me fizeram foi "é gato ou gata?". Ao que eu respondi "sei lá!". Então o dono da quinta, meu amigo, que é professor (e nisso excelente) foi até ela, pegou-lhe, virou-a e disse "é gata". E explicou-me que há diferenças entre gatos e gatas, e quais são elas e como se detectam. E eu aprendi. As tais diferenças de sexo.
 
Agora o meu problema é ideológico. Pois há uma empresa municipal (o Estado) que nos pergunta "se o sexo que foi atribuído à nascença corresponde...". Ora, que pergunta é esta? O sexo foi "atribuído" por quem? Que entidade atribui sexo? Entenda-se bem, Portugal é um Estado laico. Não é um Estado secular, nem confessional, é laico. E como tal não é legítimo que uma empresa pública (sob Medina ou qualquer outro) ande, de modo vicioso, a aludir a entidades metafísicas. A liberdade de culto é um bem fundamental, um direito inalienável. Mas o proselitismo metafísico, uni ou multilateral, está vedado aos órgãos estatais.
 
Ou seja, isto tem que ser já retirado. E algum responsável, seja lá de que género for, tem que ser demitido.

19
Mar21

A linguagem inclusiva no CES

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mw-860.jpg"O Conselho Económico e Social, num país que sofre a maior queda do PIB de que há memória e regista a quarta maior contracção económica entre os 27 Estados da União Europeia, anda agora preocupado com a "linguagem inclusiva", visando a "neutralidade de género". Como se não lhe faltassem prioridades para emitir sinal de vida." (Pedro Correia, no Delito de Opinião).

Ao que noticia o Expresso os membros do Conselho adiaram a proposta, devido ao momento pandémico - "parece mal" avançar agora, percebe-se-lhes a preocupação. Apesar da insistência do seu nº 1 (Francisco Assis, que alguns insistem em ver como "o PS bom" - tal como também o dizem de Sousa Pinto, o então jovenzinho inventor dos "temas fracturantes" - como isso não seja um oxímoro: o PS é um curral de bodes, cabras e cabritos, não há ali qualquer virtude).

Esta campanha da "purificação" da língua é tão intelectualmente indigente que é abjecta. Moralmente abjecta, pois é imoral as pessoas serem tão militantemente estúpidas. E nisso seguindo convictas. E tem requebros pungentes. Esta tralha que o Conselho Económico e Social apresenta é apenas chicoteável. Em nome de uma "linguagem inclusiva" que apague as discriminações de género, a qual dizem necessária para combater desigualdades e essencialismos desvalorizadores, estes cabritistas propõem-se substituir termos no masculino genérico (ex: os sportinguistas) por termos compostos no feminino genérico (ex: a população sportinguista ou as pessoas sportinguistas).

Estes cabritos são remunerados pelo Estado. E influenciam a sociedade. E é isto que produzem, pois é isto que pensam. E é isto que desconhecem. 

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