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Nenhures

Nenhures

O "Babygro" político: Marcelo Rebelo de Sousa

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Artur Portela (durante décadas conhecido como Portela Filho) morreu há pouco. Das minhas estantes paternas recuperei-lhe alguns livros, em particular estas colectâneas "A Funda", belo mostruário da década de 1970. Deste quarto volume (Editora Arcádia, 1974) retiro este texto, de Janeiro de 1974, um elogio a Marcelo Rebelo de Sousa. Será interessante 47 anos depois não só ler a memória daquele final do Estado Novo, mas também observar o actual presidente a partir deste texto :

O "babygro" político

Era o filho pródigo do Regime. / Fizera, no Direito, a ideologia, a família moral, o destino histórico. / Estava talhado, calibrado, destinado. / Não era um acidente - era uma raça. / Tinha, sobre a cabeça, a estrela. Na fronte, o halo. No olhar, a certeza. No sorriso, a sorte.

E quando passava, nos corredores pombalinos do poder, soltando a sua risada aguda, o seu gesto largo, todos os barões, acercando, cochichadamente, as cabeças, o seguiam com um olhar terno. / Era Marcello. / Era Rebello. / Era De Souza. / E, excessivamente, Nuno.

Foi o escândalo. / Foi o escândalo quando ele, recusando sob Martinez, a reprise, rechaçando, sob Dias Rosas, a tarimba, apareceu por sobre o ombro Pestana & Brito de Francismo Balsemão, a espreitar. / Era a fronda do Expresso. / Não quiseram crer. 

E, no entanto, era bem ele, a vivacidade Tim-Tim, a barba Trotsky, o olhar Harold Loyd. / E o riso fácil, a voz estaladamente metálica, a inteligência extravasante, o brilho incontrolado. / O próprio excesso. / O Regime empalideceu. / A Esquerda riu. E a 3ª Força, ela mesmo, sentiu, naquele Gotha revoltado, naquela lei de  Mendel às avessas, naquela Divisão Azul, um compromisso, uma má consciência, um lastro, uma trela. / Um chumaço. / Uma bala de madeira. / Uma injustiça.

Esperava-se uma imoderação. / Foi uma táctica. / O Regime habituou-se àquela perda. A Esquerda, um momento desperta, mergulhou na sonolência da sua dor. / E os próprios Liberais, por instantes irritados com o metal daquela voz, com a velocidade daquela análise, com a fome daquela super-alimentação política, soltaram, de alívio, um suspiro quando ele se sentou, Z. Zagallo, atrás de Francisco Balsemão.

De resto, que podia Marcello Nuno perante as figuras colossais dos campeões liberais? / Do Norte, chegava, moralmente gigantesco, Sá Carneiro. Do Sul, assomava, consciência viva da Universidade, Miller Guerra. João Salgueiro lançava, para a mesa, na sua luva, o peso inteiro da Sedes, Magalhães Motta movia todo um Congresso. Xavier Pintado desembaciava, do bafo do poder, as suas lentes poderosas. E Francisco Balsemão, de uma rotativa renitentemente Lopes do Souto, arrancava esse "tour de force" que eram 70 000 cópias do "Expresso".

E quando, de trás, da sombra, Marcello Nuno, lápis trémulo, soerguia uma qualquer sugestão, corria, em redor da mesa, um sorriso paternal. / Parecia ser o fim das mais belas esperanças. / O Regime enxugou, por ele, a sua última lágrima. / Fora o príncipe - era o pobre.

Como foi que aconteceu - sabem-no poucos. / Os Liberais, por instantes sob o fogo dos projectores, apagam-se. Um a um. Como lâmpadas de uma peça proibida. / Sá Carneiro é já um bronze a si próprio. A Sedes converte-se num Rotary de quadros. Magalhães Motta está pulindo, inutilmente, a tabuleta de advogado. Xavier Pintado perde o fôlego. E Francisco Balsemão faz Porsche.

Vai-se a ver - e quem está? / Está - quem o diria? - Marcello Nuno. / Só ele se move. Só ele existe. Só ele manobra. / Ele é, nas eleições, a única carta nova dos liberais. O seu único talento. A sua única voz forte e original. A sua única manobra. 

A 2ª página do "Expresso" é ele. A 3ª página do "Expresso" é ele. É ele que flirta com  a Oposição. É ele que desmantela aquele barão A. N. P. / Os títulos são ele. / Os itálicos são ele. / A manobra é ele. / Sá Carneiro faz grandeza. Miller Guerra faz pitoresco. Francisco Balsemão faz charme. / Marcello Nuno faz política.

Há, em tudo isto, a inteligência descompassad da imaturidade? / Há. / Há, em tudo isto, o intelectualismo, a abstracção, o jogo, o luxo, o revanchismo, o edipismo? / Há. / Há, em tudo isto, Freud e Júlio Verne, Luís XIV quando jovem e Douglas Fairbanks Júnior, José António Primo de Rivera e Mickey Rooney? / Há. 

Mas como é possível que a 3ª Força não tenha envergadura para absorver esta descarga eléctrica, para sublimar este escândalo de qualidade, para disciplinar este brilhantismo avulso e lúdico? / Não tem ela a sua disciplina ideológica, a sua hierarquia moral, a sua separação de poderes, o seu ministério sombra, a sua escrita em dia, a sua poeira assente, o seu espírito de seriedade, a sua mochila, o seu colete, o seu polimento? / O seu primeiro jovem turco vai logo a Ataturk? / Que é isto - uma força ou um terreno vago?

Os Liberais acabaram? / Não necessariamente. Mas já fizeram a sua adolescência histórica. / E ainda não sairam dela. / Isto que prova? / Prova que a 3ª Força é a impaciência da 1ª Força. / Prova que a política não é apenas uma generosidade mas também uma hereditariedade. / Prova que a vida política portuguesa se conta pelos dedos - e que a 3ª Força tem o seu Pulgarzinho. / Acontece com Marcello Nuno esta coisa cara aos monárquicos - a vocação política como bem moral de raiz. 

O pai Miller Guerra ofereceu ao filho Miller Guerra, talvez, um estetoscópio de brinquedo. / O pai Sá Carneiro ofereceu ao filho Sá Carneiro, talvez, uma toga de ganga. / O tio Balsemão ofereceu ao sobrinho Balsemão, talvez, uma rotativa de latão. / A Marcello Nuno deram, talvez, 99 000 quilómetros quadrados de esperança e dez milhões de bonecos de pasta. / É o que se chama - um "Babygro" político. 

Tem ainda outra vantagem. / Decisiva, essa. / O ser meu amigo. / E, claro, meu adversário.

Nota: Troquei os parágrafos utilizados pelo autor pela barra ("/") apenas para tornar o texto menos longo no suporte de blog.

 

Videirinhos & Rousseff, Lda.

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Na passada sexta-feira não ouvi o juiz Rosa. Li breve sinopse do que ele proferiu. Peço que me corrijam se o incompreendi: Rosa constatou que o antigo PM e ex-secretário-geral do PS é culpado de crimes de corrupção já prescritos e enviou-o para tribunal como réu devido a crimes económicos cometidos enquanto Primeiro-Ministro. Isto é uma verdadeira bomba, um escândalo!

Os agentes do socratismo, os videirinhos a la blog Jugular, atrevem-se agora a gargalhar na internet e a clamar que se desmontou uma incompetente cabala. E até as raríssimas vozes socialistas então menos atreitas a Sócrates limitam-se a criticar a Justiça. Elidem, totalmente, este escândalo. E a cumplicidade do seu partido, de militantes e dirigentes, e dos inúmeros opinadores públicos (académicos e jornalistas em especial) com aquele miserável período. Pois em termos estruturais o pior nem foi a corrupção instalada no poder - algo recorrente em qualquer regime. Mas sim a penosa corrupção do espaço público, feita de cumplicidade e de conivência. Instalada, repito, na Academia e na Imprensa. E estas sonsas reacções mostram como isso não mudou, como essa gente, moles de dependentes, está "pronta para outra"...

Tudo isto é doloroso. Mas temos que sofrer estes nossos compatriotas. Têm o direito de assim serem, por miseráveis que sejam. Mas já diferente é aceitar que uma estadista estrangeira, ex-presidente de um país aliado, se venha intrometer na nossa vida nacional apoiando um réu de tamanho calibre. Que escumalha esta Rousseff.

Portugal às Avessas

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(Fotografia de Pedro Sá da Bandeira)

Blogo desde 2003. Até 2014 escrevi principalmente sobre Moçambique, país onde vivia. Dessa verdadeira mania de perorar resultou uma enorme quantidade de textos, irresponsáveis pois sem objectivos, agendas ou causas que não fosse a minha vontade palradora. A alguns desses ainda lhes encontro sentido. Desses fiz já cinco colecções.*

Agora acabei outra, esta "Portugal às Avessas". São 42 postais do blog ma-schamba, escritos entre 2004 e 2014. Neles fui deixando o meu crescente desconforto diante do que desde lá longe ia assistindo em Portugal. Pois emigrado num país com tantas dificuldades, e no qual o debate desenvolvimentista me era constante – pessoal e profissionalmente -, o que reforçava o espanto, que se foi fazendo ira até à desesperança, face ao desvario do rumo português e ao paupérrimo debate nacional durante o pérfido período socratista e a crise financeira subsequente.

Quem tiver interesse e paciência só precisa de "clicar" no título das colecções, colocadas na minha conta da rede Academia.edu, e gravar os documentos pdf.

* 1) Ao Balcão da Cantina (crónicas sobre vivências e viagens em Moçambique);

2) A Oeste do Canal (textos sobre temas culturais moçambicanos);

3) Torna-Viagem (memórias);

4) Um Imigrante Português em Moçambique (sobre as experiências daquele quotidiano);

5) Leituras Sem Consequências (sobre livros e artistas, na sua maioria moçambicanos).

6) Portugal às Avessas.

O sexo e a EMEL

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Descubro este "Inquérito aos Hábitos de Mobilidade em Lisboa". Presumo que tenha algo a ver com isto das bicicletas, e é feito pela EMEL, aquela empresa predatória dos rendimentos dos cidadãos. Leio esta pergunta sobre se "o sexo [dos hipotéticos ciclistas lisboetas] atribuído à nascença coincide ou não com a identidade de género" e, para além de outras questões menores, surge-me uma memória recente.
 
Na quinta onde estava, há algumas semanas acolhi uma jovem gatinha, algo desamparada, miando naqueles hectares pejados de simpáticos mastins. Acolhi-a, resguardei-a. E dada a sua atitude lânguida e mimosa, nomeei-a - inscrevendo-a sob os meus ancestrais - com a graça de Flávia. No que foi um evidente reflexo de "machismo estrutural", como fui recentemente denunciado por uma bloguista sportinguista. E logo a anunciei aos vizinhos - e, depois, nas "redes sociais", o que foi modo de lhe arranjar lar apropriado (aqui narrei o caso). Lá na quinta a primeira pergunta que os vizinhos me fizeram foi "é gato ou gata?". Ao que eu respondi "sei lá!". Então o dono da quinta, meu amigo, que é professor (e nisso excelente) foi até ela, pegou-lhe, virou-a e disse "é gata". E explicou-me que há diferenças entre gatos e gatas, e quais são elas e como se detectam. E eu aprendi. As tais diferenças de sexo.
 
Agora o meu problema é ideológico. Pois há uma empresa municipal (o Estado) que nos pergunta "se o sexo que foi atribuído à nascença corresponde...". Ora, que pergunta é esta? O sexo foi "atribuído" por quem? Que entidade atribui sexo? Entenda-se bem, Portugal é um Estado laico. Não é um Estado secular, nem confessional, é laico. E como tal não é legítimo que uma empresa pública (sob Medina ou qualquer outro) ande, de modo vicioso, a aludir a entidades metafísicas. A liberdade de culto é um bem fundamental, um direito inalienável. Mas o proselitismo metafísico, uni ou multilateral, está vedado aos órgãos estatais.
 
Ou seja, isto tem que ser já retirado. E algum responsável, seja lá de que género for, tem que ser demitido.

Uma poção: Moedas, Belluci, Araújo Pereira, o machismo e o Facebook

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"É preciso aparecer!" é um mau mandamento para os políticos. Devido ao qual Moedas foi ao mau programa de Araújo Pereira, a entrar naquele humor mole que tanto agrada aos espectadores. "Se vão todos!..." terá pensado, e lá foi afivelando o que todos afivelam, o registo "lite", qual humorístico, em busca de empatia com as audiências como se estas fossem o eleitorado (não são, é outra coisa... ).
 
Na chachada que lhe é habitual Araújo Pereira falou das "estrelas" que vieram para Lisboa: Madonna, Belluci, Fassbender, Vikander. Moedas disse que elas são antigas, dos "anos 80" - um erro cronológico, pois apenas Madonna o é. Logo o piadismo de RAP aludiu ao "caixote do lixo" do candidato, devido a este ter chamado "antiga" à belíssima Belluci, e ele responde-lhe que a senhora tem "alguma idade". Frisando o irrelevante de ter celebridades em alojamento local, mais ou menos perene, na cidade. E que o necessário é usar a cidade para potenciar novas "estrelas", portuguesas, referindo uma empresária que vem com grande sucesso nos EUA (recuperar "cérebros", captar investimento, criar trabalho, enfim...).
 
Na manhã seguinte fui ao Facebook e encontrei duas reacções: um dos melhores (ex)bloguistas portugueses desvaloriza Moedas por confundir Fassbender com Fassbinder. Talvez tenha sido pronúncia, talvez não. Eu tive "o meu Fassbinder" - já o Fassbender só identifiquei há meses quando Cristina Torrão o colocou na lista de homens belos no Delito De Opinião. Talvez Moedas não tenha seguido a carreira do cineasta morto quando ele tinha 12 anos, e que teve relevância de público em Portugal em finais de 1970s e 1980s, marcando a minha geração. Ou seja, talvez não seja cinéfilo. Mas estas críticas a défices culturais alheios implicam sempre uma hierarquização do que é requerido que os homens públicos saibam, uma hierarquização do que é "cultura" que não passa de uma pobre versão do "humanismo" (algo que não é "humanitarismo", como tantos confundem). Um dia, quando Cavaco se recandidatou a PR lá regressaram as críticas e os dichotes pois ele havia confundido More com Mann. Eu nunca nele votara, nunca nele votei: mas bloguei o resmungo, se um tipo confunde a escala de Richter com a de Mercalli ninguém apupa, mas se confunde More com Mann não serve... Um pouco como os detractores de Costa que se lhe atiraram quando ele algo confundiu bactérias com vírus, coisa en passant perfeitamente normal de acontecer para um homem de letras. E bem menos relevante é esta de dizer Fassbinder em vez de Fassbender. Mas, enfim, "bocas" são "bocas".
 
Bem pior é uma bloguista e jornalista que lança o libelo - logo secundado por enérgico laiquismo dos seus "amigos-FB" - de que Moedas é machista estrutural porque aventou ser a Belluci alguém de "alguma idade". Clamando ela, e tantos com ela, que a sexualidade das mulheres não depende da idade. Coisa que o candidato metido em tarefas televisivas não terá negado. E algo com o qual concordo, ainda para mais vetusto cinquentão ainda apaixonado pela Sarandon e, infidelidades, pela Bassett.
 
Ali reagi (comentei), até por conhecer pessoalmente a facebuquista ofendida. Afirmando que se dizer que a Belluci tem "alguma idade" significa que o homem é machista estrutural, negacionista da perenidade da sexualidade feminina, que fazer quando ele diz "antigo" um Fassbender, aos 44 anos? Ou quando diz que Vikander é "antiga": tem 32 anos. Que é um libertino imoral, ou pior, neste último caso? Lembrei que quem ele referiu como exemplo a captar para a cidade não foi uma qualquer estrela h/bollyowoodesca mas sim uma empresária portuguesa. É isso machismo? E, já agora, para que não pensassem que surgia eu ali flanante, botei que votarei Moedas.
 
Resposta da senhora, que sempre se apresenta como de "direita" ainda que "moderna": "Blablablabla. Você um machista estrutural. Acho que tenho que lhe pedir licença para criticar Moedas?". Minha resposta? "Blablabla? Não tem que me pedir licença para nada, nem mesmo para me mandar à merda como acabou de o fazer. Assim seja!". E saí dali, desagradado e por isso logo cortei a ligação-FB (aquele curioso termo "desamigar").
 
"Desamigar" é um mero corte de ligação. Mas bloquear alguém no FB, como sabem todos os profissionais de comunicação e os amadores (bloguistas), é avisar o sistema de que alguém tem más práticas. É contribuir por acumulação para uma penalização: suspensão, encerramento de conta. Até mesmo para um processo, em casos extremos. É macular o cadastro, informático, de alguém. Nunca eu tive quaisquer más práticas com esta Senhora, não assediei, não insultei, não ameacei, não caluniei, nem fui desabrido com ela ou seus convivas informáticos. Apenas discordei, talvez errado, com a sua visão de feminista de direita "moderna", sobre a entrevista do candidato Moedas. Julgo exagerado o seu argumento. E considero que dizer-me que boto "blablabla" (o que muito me acontece) antes de me dizer "V. é um machista estrutural" é uma forma de me "mandar à merda" (atroz termo que até a Senhora minha mãe usava, ainda que com enorme parcimónia).
 
Isto foi suficiente para que a jornalista, bloguista, comentadora televisiva da "direita" "moderna" me denunciasse ao sistema-FB como homem que tem más práticas. Ou seja, que me bloqueasse. Este é um exemplo do que é a "direita" "moderna" e mais justificada porque "feminista". Enfim, esta deriva já vai longa, e serve para pedir que se alguém encontrar a jornalista Helena Ferro de Gouveia diga-lhe, sff, que o Zé Teixeira lhe deseja muitas realizações. E, acima de tudo, muita saúde para ela e para os seus. E aduza que o sacana do jpt é tão machista que, mesmo sabendo-a delatora falsária, não a manda à merda.

Maçonaria?

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Em Portugal de vez em quando fala-se de maçonaria. Depois passa. Há uma década houve um alarido. Agora volta o assunto... Devido ao que a gente muito bem sabe. Pois se há mariolas por todo o lado, na maçonaria eles agregam-se com arreganho e mariquices de invisibilidade. 
 
Então botei esta reportagem - aludindo até a uma instituição pública pejadinha de símbolos maçónicos. Local de trabalho de imensos "revolucionários", "bem-pensantes" das "boas-causas", que quando falam da "maçonaria" intra-muros baixam, subrepticiamente, a voz (como recordei, bem mais recentemente). Não vá o "Grande Arquitecto tecê-las"...
 

Apartheid português

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Cruzei o concelho, vim a Lisboa. Cidade Grande, Capital cosmopolita: no domingo agitaram-se os "antifas", clamando contra o verdadeiro apartheid que é Portugal (Vale de Almeida dixit). No sábado haviam sido estes "antimas", clamando contra o verdadeiro apartheid que é Portugal (vox populi dixit): as fotos mostram cartazes carregados de erros ortográficos, um que chama nazis ao PM e ao PR, gente orando de braços cruzados no peito, como se isso seja curativo. Segunda-feira é para cruzar o rio, via down south. Pois não há paciência.

A linguagem inclusiva no CES

mw-860.jpg"O Conselho Económico e Social, num país que sofre a maior queda do PIB de que há memória e regista a quarta maior contracção económica entre os 27 Estados da União Europeia, anda agora preocupado com a "linguagem inclusiva", visando a "neutralidade de género". Como se não lhe faltassem prioridades para emitir sinal de vida." (Pedro Correia, no Delito de Opinião).

Ao que noticia o Expresso os membros do Conselho adiaram a proposta, devido ao momento pandémico - "parece mal" avançar agora, percebe-se-lhes a preocupação. Apesar da insistência do seu nº 1 (Francisco Assis, que alguns insistem em ver como "o PS bom" - tal como também o dizem de Sousa Pinto, o então jovenzinho inventor dos "temas fracturantes" - como isso não seja um oxímoro: o PS é um curral de bodes, cabras e cabritos, não há ali qualquer virtude).

Esta campanha da "purificação" da língua é tão intelectualmente indigente que é abjecta. Moralmente abjecta, pois é imoral as pessoas serem tão militantemente estúpidas. E nisso seguindo convictas. E tem requebros pungentes. Esta tralha que o Conselho Económico e Social apresenta é apenas chicoteável. Em nome de uma "linguagem inclusiva" que apague as discriminações de género, a qual dizem necessária para combater desigualdades e essencialismos desvalorizadores, estes cabritistas propõem-se substituir termos no masculino genérico (ex: os sportinguistas) por termos compostos no feminino genérico (ex: a população sportinguista ou as pessoas sportinguistas).

Estes cabritos são remunerados pelo Estado. E influenciam a sociedade. E é isto que produzem, pois é isto que pensam. E é isto que desconhecem. 

Malvada história de maldita gente

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Amiga envia-me ligação para programa radiofónico: o vice-presidente da Associação de Professores de Português e um antigo secretário de Estado da Cultura, antigo director de jornal e reconhecido romancista dialogam sobre o "racismo no "Os Maias" de Eça de Queirós", contestando as recentes acusações de uma doutoranda estrangeira pertencente à universidade norte-americana classificada em 217º lugar no rol universitário daquele país. Esta gente tem a cabeça onde? 

Amigo-FB envia-me ligação para um artigo de investigadora anglo-portuguesa, denunciando o silêncio português sobre a história nacional e a manutenção daquilo que considera ser a visão imperialista emanada do fascismo - implicitando a inexistência de historiografia posterior e da sua difusão pública e pedagógica durante os últimos 30-40 anos, e denunciando mesmo que há um centro comercial "Vasco da Gama" - e clamando sobre a necessidade de dar visibilidade ao comércio de escravos. O texto é publicado num canal público do Catar. Esta gente não tem pingo de vergonha. 

(Em cima, retrato de D. Afonso Henriques - figura a ser "desconstruída" e "intervencionada" - em quadro de Eduardo Malta - pintor a ser vituperado -, feito para a Exposição de 1940 - acontecimento a ser denunciado)

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