Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nenhures

Nenhures

03
Jul24

O primeiro dia sexagenário

jpt

tabu.jpeg


Pois lá me tornei sexagenário. Antes de tudo, na possibilidade de a todos agradecer, repito, qual sublinhado, na possibilidade de a todos agradecer - o que eu me rio com os taralhoucos que vão para o Facebook dizer "na impossibilidade de agradecer a todos os parabéns que me endereçaram", como se fossem a Tylor Swift, com milhões de "fans". Um tipo pode não ter vagar ou paciência para responder a toda a gente, mas clamar "impossibilidade" disso é pateticamente ridículo. E o sentido do ridículo não é congénito, é apre(e)ndido. O problema é que ninguém avisa os pobres mortais que estão a ser ridículos, acham antipática essa generosidade até pedagógica ... - Enfim, dizia eu, na possibilidade de a todos agradecer os bons votos que me enviaram (FB ou telefone) assim o fiz - e noto, encantado, que ninguém me "parabenizou", parece-me que essa praga de cretinismo lexical se desvaneceu, qual covid... -, e fi-lo porque muito me acalentaram as mensagens, simpáticas, recebidas. Porventura sinal de degenerescência proto-senil, um tipo a sensibilizar-se em demasia, assim já de pingo no nariz, até lacrimejando, a anca a dar de si, varizes entumescidas, e todos os outros itens do vasto rol que aí virá...

E para quem tenha curiosidade aqui discorro sobre o tal primeiro dia sexagenário. Uma querida amiga mimou-me, nisso providenciando-me o primeiro café. Após o qual assomei a esplanada vizinha onde camarada amigo me proporcionou parelha de "bicas", e partilhámos um queque como matabicho - sim, eu sei que assim dito parece um bocado gay, dois maduros a dividirem o bolito matinal, mas é no bairro, conhecem-nos, só dirão que são aqueles dois simpáticos sexagenários (pois, a partir de agora será assim...), meio desasados... Depois cruzei o dia em casa, fingindo escrever ("acaba lá isso tudo, a ver se se publica um livro", desafiou-me uma bela amiga, intelectual) enquanto ia atendendo o frenético telefone, um rosário de solidários amigos no "vais ver que não custa nada", clamando que se é jovem aos 60 e até aos 70 (é o que eu digo no primeiro parágrafo, as pessoas não têm a a noção do ridículo, e ninguém as ensina...). Consegui escapar-me a vários desafios para almoço, jantar ou convívios - tenho lá eu dinheiro para festas de aniversário ou meras rodadas que sejam...

Ao fim da tarde fui até ao Saldanha, à livraria Almedina, para o lançamento deste livro do amigo Pedro Correia, o comandante do blog Delito de Opinião, o "Tudo é Tabu", editado pela Guerra e Paz, no qual ele vergasta estes esquerdalhos identitários, também ditos "wokistas". O livro é recomendável... Lá assomei, pude conhecer um co-bloguista (emérito) no Delito De Opinião, e reencontrar um antigo co-bloguista do sportinguista És a Nossa Fé. Mas a sala estava composta, e constatei o que esperava, isso de não haver chamuças (ou croquetes, como no Rock in Rio) ou algumas bebidas espirituosas. Mas os comparecidos, de aparência elegante, não estavam com isso nada esmorecidos, e compravam o livro com afinco. Assim, percebendo-me ali inútil e até porque descobrira ter uma notória nódoa nas calças (será do óleo Fula, que agora me substitui o azeite e que tanto espirra?), abraço autoral já recebido, fugi dali, escapando-me às doutas palavras que iriam ser proferidas - privilégio dos sexagenários, isto de fugirem às "doutas palavras", não porque delas desnecessitem mas porque já não as retêm.

Lá regressei na "linha vermelha", bebi uma imperial em esplanada olivalense, no remanso da companhia de um livro do Javier Marias. E depois fui até à Casa de Frangos de Moscavide, ali ao Largo do Ferrador. E seguiu-se jantar com a minha filha e seu gentleman, o dito frango, batatas fritas, um naco de azeitonas temperadas, um vinho tinto barato e uma cerveja de litro. Eles seguiram e eu voltei à minha rotina, em espiral repetitiva disto: 

A vida continua, more news from ... Nenhures.

01
Jul24

Neste meu último dia de cinquentão

jpt

tv60.jpg

Neste meu último dia de cinquentão permito-me um rescaldo público - que o pessoal é mesmo privado, "nem às paredes o confesso". Para um tipo como eu, que tem a mania (vício?) de perorar em blog, algo que já percebi ser-me "prova de vida", é relevante sopesar o que os meus correspondentes apreendem do que deixo. Não refiro as coisas da política sobre as quais em tempos tanto botei. Pois já me são distantes, mesmo indiferentes ("que me interessa isso, este futuro já não é o meu", respondia eu durante o fim-de-semana às minhas mais próximas que me interrogavam sobre que raio penso eu sobre o pai do mariola de Campo de Ourique no Conselho da Europa). Pois o país do socratismo, dos seus cúmplices e da imensa mole conivente, já não mudará na minha vida, não porque a minha geração tenha falhado mas sim porque a minha geração é aquilo: "não o convides para o jantar, ele agora é de direita", confidenciava-me um meu conhecimento bíblico ter-lhe sido dito. Não foi Sócrates que fez isto ao povo burguês, foram estes burguesotes que fizeram "sócrates". Esta modorra atrapalhada. Depressiva de lamacenta. "O que sou eu?", disse no dia festivo (g'anda festa!!!) de apresentação do meu livreco "Torna-Viagem". "Acima de tudo, sou um patriota", coisa que tanto arrepia os portugueses democratas, sempre aflitos com o que "parece"... E isso basta, encerra, a "coisa pública" que me coube.
 
Enfim, voltar à "primeira forma". Sopesar o que os outros apreendem do que digo, assim aquilatar a competência (não o talento, que seria pimpão dizê-lo, mas sim a competência, a adequação) dos escritos. Nisso encontro-me deficitário, muito. Problemas devidos à minha "escrita rebuscada", disseram-me. Ou aos "textos longos", repetem-me. Mas talvez não seja isso, será mais o ínvio pensar, pouco esclarecido, assim pouco se esclarecendo. Comprovei essa minha falta de clareza há dias, ao despedir-me dos 50s com o texto mais esperançoso que me lembro de ter botado, amparando-me na magnífica "Simple Twist of Fate" do Dylan - haverá canção mais esperançosa do que aquela? e que melhor me retrate, algo trôpego, com um papagaio palrador no ombro, na senda da felicidade, fugaz que seja? Pois logo me contactaram amigos manos, antigas namoradas, colegas e gente mais distante, pois esta minha esperança soou-lhes a des-esperança...
 
 
Incompetência textual minha, está provada. Neste meu final cinquentão ela está patente na minha conta da rede Academia. Estão lá os meus textos mais sisudos, na maioria sobre Moçambique. Entre o longo rol de coisas inacabadas ainda lá deixarei - neste Julho que hoje começa, pois quis fazê-lo antes dos 60 mas não consegui - três artigos, um sobre o Niassa, outro sobre Cabo Delgado, e um outro sobre Gaza. Depois desses três encerrarei esta linha de escrita, a inutilidade antropológica ficar-me-á para trás.
 
E está também patente neste meu "Torna-Viagem" (o qual só se compra por encomenda através do endereço acessível  neste título "Torna-Viagem"). O tal da escrita "rebuscada", que agregou textos em demasia ("há uns que não estão lá a fazer nada", dizem-me amiúde). Que ainda assim tem sido um verdadeiro sucesso, vendeu até agora 148 exemplares e eu tinha apontado como objectivo utópico a venda de 150, estou quase a chegar à terra utópica, privilégio de poucos. Para chegar a este número tive a ajuda propagandística de amigos e também de alguns, raros, confrades bloguistas - o Joaquim Paulo Nogueira (que acumula as condições), o Luis Novaes Tito, o Henrique Pereira Dos Santos, que me recorde. Mas está cumprido o objectivo, outro livro não farei, não vou repetir o atrevimento de chatear todos os amigos e conhecidos para vender cem livros, e nisso ainda perder dinheiro, gasto, noblesse oblige diz o burguês, em "despesas de representação"...
 
Enfim, começa-me amanhã uma nova década. A ver se será melhor do que a anterior, assim o espero, talvez até com uma "simple twist of fate". E decerto que será - e é o sentido deste postal - muito menos palavrosa.
 
Como mensagem final destes meus 50s? Deixo, em citação, esta versão do grande, Enorme, Robert Plant, a voz da minha adolescência, quando ele ali com o Page, o Bonham e o JP Jones E com isto, por favor, não me telefonem/escrevam a animar-me, a dizerem-me "estás deprimido?!". Isso sou, é condição, não estou, situação. Estar estou porreiro. Liso, como Job, mas porreiro.
 
Parabéns a todos. Ou seja, tende todo o Bem que possais abarcar.
 

29
Jun24

2 de Julho de 2024

jpt

MacClure.jpg

2 de Julho de 2024, farei, faço, sessenta anos, torno-me sexagenário, velhote definitivo. Momentos há que me custa a crer, num "já?!", "como é possível?", pois tantos anseios ainda, outros há em que me espanto num "só agora?", pois Matusalém também me revejo, no alquebrado que deveras sigo.

Pouco acontecerá daqui em diante. Do que antes foi, e que (me) valeu, deixei memória no meu Torna-Viagem. E pouco ou  nada acrescentarei desde então. Ou talvez exagere nisso. Pois tenho algumas novidades: sim, tenho ouvido mais Dylan, trouxe-o para esta etapa, quiçá no sonho, esperançoso, de um "simple twist of fate", até porque já sabedor que não é pecado "to know and feel too much within". E nisto sigo ombreando com o meu inseparável companheiro papagaio palrador, este "parrot that talks". O resto...? Virá.

(Para quem não conheça a canção - e por isso incompreenda o postal - deixei versão com legendas.)

28
Jun24

Vale de lágrimas

jpt

Os últimos meses têm(-me) sido arrasadores, um infausto ciclo de perdas e más notícias, a morte de amigos queridos, de outros algo mais afastados, de conhecidos, também de alguns dos pais ainda remanescentes, uma azáfama fúnebre. E constantes, dolorosamente constantes, notícias das doenças sérias entre os meus chegados. "O problema é que conheces muita gente", dizia-me há dias uma "mana", também ela a viver agruras, mas não é isso, só isso... 

Nisso telefono a um amigo, até já nestes cuidados de não descurar de quem gosto, um mais-velho também ele em longo calvário, resmungamos, ele os tropeções do seu destino, eu a minha amargura, já mais que consistente, até feita âmago. "Não te assustes!", quer-me ele sossegar, "aguenta-te...". Digo-lhe que não é isso, não temo por mim - que se estoirar eu não se perderá grande coisa, aliás isto já está feito, o que havia para fazer foi-o o resto já são só resmungos e anseios, e não vou para aqui andar a arrastar-me aguardando hipotéticos futuros netos -, angustia-me sim isto de ter agora, neste 24, só neste 24, percebido o verdadeiro sentido do bíblico "vale de lágrimas". E de me encontrar, surpreendido, afinal desavisado, a calcorreá-lo. Ele concede, que "também tenho perdido muita gente", e sei-o bem, que alguma até nos era comum. E combino que apanharei um flixbus para o ir visitar, para partilharmos umas refeições, maledicências e esconjuros... Antes que rebentemos nós, não lhe disse mas sei que também o pensou. 

Desligo o telefone, no acabrunhado do quotidiano. E segundos depois dele recebo uma mensagem, sob legenda "anima-te": um excerto de entrevista brasileira com uma piada pícara. Daquelas mesmo pícaras - até demasiado para que eu a partilhe, mesmo se apenas no privado do entre-íntimos. E sai-me uma gargalhada, sonora, daquelas que vêm do fundo.... Entretanto tocava esta dos Tedeschi Trucks Band, soberba. 

E é isso, uma boa piada, ríspida. E uma belíssima colecção de "riffs". E com isso um gajo faz por aguentar. Disfarça. Mascara-se. E por enquanto vai chegando.

23
Jun24

(Após) Portugal-Turquia

jpt

cr7.jpeg

menina.jpg

 
Repito a ligação para esta minha historieta, com mais de uma década (gosto tanto dela que a agreguei ao meu "Torna-Viagem", o livrinho que impingi aos amigos e conhecidos), uma conversa com uma polícia de trânsito sul-africano sobre Cristiano Ronaldo.
 
Passou a tal década (ou mais). Cristiano Ronaldo é o maior atleta da história portuguesa. Um símbolo, admirado por muitos de nós. E também mundo afora, polícias do Mpumalanga e outros - como a menina que ontem se perfilava diante dele durante os hinos, com as mãos na cara tamanha a emoção espantada, tocando-lhe para ver se ele era real, ou o petiz (malandrete), que aos 10 anos se escapou campo adentro para tirar uma fotografia com ele.
 
Mas CR7 é também um barómetro, mede o cretinismo nacional. Pois desde há décadas que é perene a raiva contra ele, as críticas constantes, a vir ao de cima a maldita inveja lusa contra o sucesso (se obtido "lá fora" então é pior). O que vem muito do mais rasteiro do clubismo, alguns, apesar de tudo, ainda o apupam pelas origens sportinguistas - e outros, ainda mais abjectos, pelas origens humildes. (E não esqueço o povo de Guimarães, num particular de 2013, a gritar vivas a Messi apenas para o macerar, a mostrar como é escumalha o "berço da Nação").
 
É já um veterano - a sua idade acerca-se da que tinha Lopes quando foi campeão olímpico, Livramento campeão europeu de clubes, Agostinho no cume do Alpe d'Huez, Pepe na sua lenda de central insigne. É um veterano goleador... Os cretinos, que são minoria mas vasta, continuam a bolçar que "está velho", que "joga à mama", que "é egoísta", que "não joga nada".
 
Ontem, por parvas razões, vi parte do jogo da selecção num café lisboeta. A clientela, uma mole sorvedora de caracóis, passou a tarde clamando esses impropérios, enquanto perdigotava a repugnante molhanga. Retirei-me para casa, vi um John Ford que nunca vira ("Os Cavaleiros", com o Duke e o grande William Holden). Depois passei pelo FB, onde - apesar do "banho turco" - ainda havia básicos a repetirem impropérios contra o CR7.
 
Deitei-me, a ler o Dalton Trevisan que trouxera da Feira do Livro. Não haja dúvida, aquela desgraçada Curitiba de Trevisan é aqui mesmo.

13
Jun24

Na Feira do Livro

jpt

terra firme.jpg

A culpa foi do José Navarro de Andrade. O outro dia fui a uma cena dessas literárias, o que me é raríssimo. O tipo também comparecera, coisas de amizades lá dele. Enfim, fiz o que me cabia, sem murmúrios ouvi algumas palavras (auto)laudatórias e depois uns mui sentidos versos bem mortais. No final daquilo, e também para evitar uns apparatchikos PS (daqueles mesmo..) que por lá constavam, roliços ronronantes, vim para a rua fumar, e o Navarro também avançou. A gente vê-se (via-se, melhor dizendo) era na bola, ele levava-me a ver o Sporting, e também nos jantares de sportinguistas no Império. Mas ali não falámos de futebol, descaímos para livros. E não é que o Navarro me diz - ao fim destes anos todos - que tem este "Terra Firme", pequeno livro sobre a formação dos preços dos víveres, isso que nos esmaga. Narrou o ciclo, dos produtores até aos Pingos Doces da vida...

Enfim, fui agora à Feira do Livro, tendo jurado nada comprar, dadas as estantes atafulhadas e, acima de tudo, devido à... formação dos preços dos víveres, cruéis. Mas lembrei-me do livro do Navarro, e fui comprá-lo, até por ser bem barato. Mas foi o desastre, foi o ceder do dique moral. Malditas pechinchas!, as que logo se seguiram, que do Benoliel aos monos (e que belos monos) da Relógio D'Água já disparatei. E a culpa, repito, é do Navarro.

05
Jun24

Já é Junho

jpt

bra.jpg

É sexta-feira, já este longo fim de tarde de Junho, subo do Camões ao Príncipe Real, rumo a casa de amigo. Na aproximação ao célebre "Sinal Vermelho" uma beldade chama-me num "Zé!" sonoro, eu semicerro os olhos e pergunto-lhe - ela entre o seu grupo comensal, ali ainda esperando mesa - "nós conhecemo-nos?", responde-me sorridente "sim, andei ao teu colo!", "e gostaste?" digo-lhe, marialva, "muito", afiança. E beijamo-nos efusivos, nas liberdades que o nosso elo avuncular permite. Diz-me estar eu com bom aspecto, sorrio-lhe anuindo, e dispara, até sondando, "parece que estiveste com o amor da tua vida...!" Rio-me e riposto, "náda!" (isso já não, claro) "estou com amor pela vida", coisa bem diferente, escassa também, pelo menos se tanta que afivelada na carantonha, como ali aparece evidente.

E a ela me explico: chegámos a este Junho, e como sempre começam a aportar a Lisboa os amigos feitos em Moçambique, alguns de lá, outros ainda por lá, outros já alhures. Reencontros calorosos, memórias e novidades saudosas nada saudosistas. E estou ali a concluir um dia peculiar, inesperado reencontro, sequencial, com três queridíssimas amigas, a uma não via há 28 anos (!), a outra há 2, e uma outra que, vá lá, vou reencontrando semestralmente. Com as quais percorri um pouco da Lisboa antiga, turista em casa própria... E estou ali, neste rumo (repito) a um uísquezito em casa de velho amigo, de "alma cheia" como se diz. E se o bornal espiritual está assim atafulhado o outro carrega estas ofertas deliciosas, mel (caseiro) de Trondheim, castanha de cajú de Inhambane...

Dias passados, mais sossegado, rotineiro nesta minha nova faceta de vendilhão, ocorre-me (até porque há já um mês - fui confirmar - que não falo do assunto) que, nesta época, aos amigos que agora visitam o rincão devo insistir em impingir o meu "Torna-Viagem" (o qual se pode encomendar através desta ligação colocada no título), pois por cá poderão recebê-lo com muito menos preocupações e gastos postais.

 

(Agradeço à equipa da SAPO o destaque dado a este postal, na sua colocação no Delito de Opinião).

03
Jun24

Saber popular

jpt

20240603_084740.jpg

A rápida bica matinal, em esplanada no bairro, uma outra única cliente em mesa próxima, ao telefone, depreendo com o filho que está longe, talvez em França. Fala alto, a velha, naquele sotaque tão acídulo que azeda, o típico olivalense... Com carinho maternal aconselha, em formato de constatação: "pois é, há quem muito trabalhe mas não passe da sopa torta!"...

Maravilho-me. Com esta magnífica evolução do saber popular. E peço um segundo café, enquanto enrolo um Amber Leaf...

30
Mai24

Um novo Zippo

jpt

zippo.jpg

Há umas décadas a minha namorada deu-me um Zippo, que me era então preguiçosa ambição. Uns bons anos depois, já casados, perdi-o, deixado na mesa de cabeceira de um hotel em Providence, coisas de partida estremunhada e atrasada. Lamentei-o, muito mais a perda do que o mero Zippo. Nunca comprei outro, primeiro naquilo daquele ser assim insubstituível, e era-o. Depois devido àquela utopia do deixar de fumar... E fiquei indígena do mundo dos "bics" e similares.

Há dias, aqui na esplanada olivalense, um dos convivas usou o seu habitual isqueiro, coisa que lhe será até demasiado constante, diga-se... Não sei porquê, talvez o estalido, ou o cheiro da gasolina, ou talvez mesmo o número das "imperiais" havidas, a incendiarem a mecha da nostalgia, não sei porquê, dizia, atentei nisso, sorri-me num "Um Zippo!" e narrei-me, saudoso do tal estalido, do odor a combustível, e mais ainda, decerto, de ser aquele jovem ofertado.

E ontem o homem, verdadeira metade de um casal divertido, simpaticíssimo e elegante - e o bem que me faz assistir à elegância sem ademanes -, que conheci há bem pouco tempo, aparece-me café adentro com uma oferta: um novo Zippo e seus artefactos adjacentes. Fiquei desvanecido. Ou seja, este morcão comoveu-se...

E agora mesmo enrolei um Amber Leaf e estreei-o, ao novo Zippo. Uma cigarrada que me está a saber imensamente bem... Até a sentir-me rejuvenescido.

25
Mai24

25 de Maio, o aniversário

jpt

ferias#10ab.jpg

Hoje, 25 de Maio, é o dia da Argentina - para mim sempre a terra de Jorge Luís Borges, que me desculpem todos os outros argentinos este aparente, mas de facto inexistente, desprimor para com todos os compatriotas. E também o dia de África. Saudações àqueles que queiram celebrar.
 
E é também o aniversário da minha filha Carolina. Há 21 anos celebrámos o seu primeiro num almoço (num restaurante italiano na Engels, já desaparecido e do qual esqueci o nome), entre os argentinos de Maputo, por convite dos tão queridos Miguel e Susana. Nos anos subsequentes houve umas festas divertidíssimas, sempre por iniciativa da extremosa mãe. Lembro-me de num ano estar no célebre Kampumo com alguns pais, já acelerados na noite longa, eles lamentando-se de que no dia seguinte teriam uma festa matinal - era a nossa!, ri-me... Pois a mãe da Carolina introduzira nesse ano o "brunch" infantil, que depois tantos de nós, e eles também (afinal!?!..), acabámos em jantar, bem festivo, diga-se... Ou, entre outras, numa para mim comovente festa (o 9º aniversário) na belíssima Casa Macamo, na qual o grupo do excepcional Mário Mabjaia representou uma versão infantil do "O Círculo de Giz Causasiano" de Brecht. Ia eu chorando, e não por causa de ter bebido em demasia. E as crianças absolutamente encantadas. Uma cena absolutamente extraordinária.... E depois a sucessão das festas em nossa casa: "pai, podes não convidar todos os teus amigos?", "podes não convidar todos os pais dos meus amigos?", dizia-me ela, já entrada no secundário, querendo preservar o seu espaço e nós todos, velhos pois adultos, sequiosos de celebrar as vidas, prolongando-nos tardes e noites afora...
 
Hoje, segue já nos 22 anos, não mais a "minha princesa" (carinho que as megeras de agora tanto criticam), mas sim a "rainha" dela própria, lá longe na pérfida Albion. Mas para mim sempre, claro, esta menina fotografada pelo meu companheiro Pedro Sá da Bandeira. Com uma mãe (muito) competente, um pai que é o que se arranja. E que, querida, às três horas desta tão longa noite ouve o "Mon Couer est Rouge" do Keith Jarrett. E é festa suficiente.
 
Avante.

Bloguista

Livro Torna-Viagem

O meu livro Torna-Viagem - uma colecção de uma centena de crónicas escritas nas últimas duas décadas - é uma publicação na plataforma editorial bookmundo, sendo vendido por encomenda. Para o comprar basta aceder por via desta ligação: Torna-viagem

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2016
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2015
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Contador

Em destaque no SAPO Blogs
pub