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Nenhures

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L'enquête sur le business chinois des vidéos d’enfants africains choque le Malawi (1'16'')

Racism for Sale - BBC Africa Eye documentary (49'05'')

O racismo presente nestas produções "amadoras" chinesas feitas no Malawi - um negócio tornado bastante popular na China que agora é descrito por uma reportagem da BBC - é até patético de básico que é. Mas é bem denotativo da mentalidade vigente no relacionamento colonial que vem animando o ressurgimento chinês no continente durante este último quarto de século. Seja nesta versão "popular", abjecta de pacóvia. Seja na "superestrutural", estatal, nesta vigente "descondicionalidade política", uma efectiva rapina que tão apetecível é às elites "compradoras" no continente.

(E depois, algo bem secundário, há esta pobreza lusa, os "militantismos" que proclamam o monopólio racista dos "brancos", papagueado pelas e pelos "militantes" da "causa", como se diz no "Público" - uma patacoada "professoral" botada amiúde, como aqui. Mas, de facto, que importam esses diante do mundo que assim vai?...)

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A propósito da guerra na Ucrânia soam as vozes dos travestis do relativismo, vindas a invectivar aqueles que se preocupam com a situação, dizem-nos - aos daqui e arrabaldes - hipócritas ou (pelo menos) alienados, e mesmo racistas, pois não atentamos noutras violências, passadas ou contemporâneas, mais longínquas. O sociólogo Sousa Santos dá as estatísticas dos conflitos actuais, como forma de desvalorizar esta guerra e de afirmar as reacções como mera histeria promovida pelos poderes capitalistas. O historiador Pacheco Pereira prossegue a sua decadência intelectual e reduz-nos a racistas (nazificados) pois preocupamo-nos mais com os refugiados ucranianos do que com os sudaneses, dado que estes não são "louros e de olhos azuis".
 
Pouco ou nada lhes importa a especificidade do caso, nada conta seu o impacto nas expectativas sociais, o que convoca sobre as representações existentes. Apenas lhes importa vituperar as sociedades europeias e, também, afixarem a "atitude" "intelectual", de aparente densidade. Os renomados seguem nisto e os crentes nesta espécie de "relativismo" aplaudem, replicam, partilham, "gostam"...
 
Nada disto é novo. Lembro-me que há 7 anos na sequência do atentado à "Charlie Hebdo" se seguiu exactamente o mesmo tipo de discursos. Por um lado a abjecta "compreensão", de facto algo contemporizadora, com os "humilhados e ofendidos" com as blasfémias - via na qual a política mais loquaz foi a inadmissível Ana Gomes, que apesar desse total despautério ainda veio a ser candidata a presidente da República e obtido o segundo lugar nas eleições, o que bem mostra a catalepsia intelectual reinante.
 
Mas por outro lado, logo foi vingando o mesmo tipo de dislates, injustificando a comoção e o repúdio dos portugueses (e europeus) diante do acontecido, com base no argumento que por todo o mundo havia (há) inúmeros atentados, até mais letais, que não nos convocam nem ferem da mesma forma. Foram meses desse tipo de menorização do acontecido.
 
Acontece que esse argumento, aparentemente "relativista", e até cosmopolita, é, de facto, verdadeiramente racista. Foi-o então, é-o agora. Foi isso que, já farto de meses desses dislates dos "graduados" e dos seus "followers", botei neste postal. Serve para sublinhar o meu desprezo por estes racistas, morenos e de olhos castanhos: 
 
 

 

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Leio que o novo deputado Pacheco de Amorim foi à tv reafirmar a pertinência da categoria "raça" (vá lá, ao menos não lhe chamou "etnia" como tantos dos bem-pensantes de hoje em dia). E proclamar, como se salvaguardando-a, a originária "branquitude" lusitana, à qual atribui significado politicamente relevante. Consta que o seu líder, o prof. Ventura, já saiu a terreiro atribuindo-lhe boa nota no exame oral.
 
Sei, por experiência própria, que é algo espúrio tentar convencer adultos racialistas (crentes nas "raças") da inadequação de tal crença. Pois as pessoas mais limitadas (o que é muito diferente de "incultas") vêm, à vista desarmada, que as populações têm cores de pele diferente e disso sentem como necessário corolário a existência de diferenças, em termos de lhes graduar habilidades físicas e/ou intelectuais. E mesmo morais (ou contextuais, no caso dos actuais missionários esquerdistas), do "malandros" ao "coitadinhos". Já para não falar de que julgam que tais cores, "rácicas", lhes atribui habitats apropriados, qual "cada macaco no seu galho". Ou seja, a operação intelectual - aparentemente simples - de retirar qualquer importância - biológica, cultural, política, intelectual - à cor da pele dos indivíduos é, afinal, coisa demasiada para as capacidades dos morcões.
 
Quanto à nossa - abençoada, é sempre bom lembrá-lo - branquitude lembro este episódio (memória que vai dedicada aos morcões racialistas a la CHEGA e aos outros morcões que não são CHEGA).
 
Tinha a minha filha Carolina apenas 7 anos e fotografou-me assim, decerto uma experiência que lhe foi traumática. Dizia-me eu, aquando nestes propósitos capilares (que foram breves), que estava "fazendo jus aos antepassados". Vendo a fotografia poder-se-ão retirar algumas conclusões individuais: um idiota em modo carnavalesco, um idiota tout court, um promíscuo homossexual dos anos 80s, um treinador de futebol das "distritais". Ou em termos colectivos, "raciais", um mero semita, qual "seu Nacib" da TV Globo, ou mesmo até um degenerado half-breed (melhor dizer assim, pois linguajar com pedigree de Ivy League, precioso para os esquerdalhos anti-americanos actuais).
 
Enfim, era eu mais ou menos assim (mas decerto que sem bigode), e um dia fui com dois colegas amigos, mais-novos antropólogos, petiscar almoço à "barraca" da Lenine onde o Eduardo White tinha então poiso certo. Quando entrámos ele ainda não chegara mas quem estava era um outro antropólogo, um ainda jovem norte-americano que fizera doutoramento sobre Moçambique. Juntámo-nos e lá vieram as moelas e as 2M, que se acumularam dada a boa conversa que foi decorrendo.
 
Aquele nosso competente colega é um louro (e talvez bem apessoado, ainda que as mulheres tendam a não concordar com os meus raros juízos nessa matéria). Mas não exactamente WASP, que o apelido lhe anuncia ancestrais mais euro-orientais. Porventura acalentado pelo incessante fluxo das garrafas, deixou-se contar a história da sua formação. Nesse rumo botou uma interessantíssima consideração - que eu logo fixei, pois similar ao que ouvira várias vezes de vários mais-velhos moçambicanos, como ao Monstro Sagrado Mário Coluna, ao Zé Craveirinha ou (talvez, não posso afiançar) ao Kalungano, como exemplos. Haviam-me estes contado do seu espanto quando conheceram Lisboa - ou Luanda, onde o paquete fazia escala - e viram pela primeira vez brancos a fazerem trabalhos braçais, como "almeidas" ou engraxadores...
 
Pois, para meu gáudio, o nosso colega narrou o mesmo. Californiano do sul, licenciara-se numa universidade dali mesmo. Depois, ainda muito jovem, partira para Londres para o seu mestrado. E naquela urbe espantara-se porque.... pela primeira vez via brancos na recolha do lixo e outros trabalhos braçais. E ao tal ouvir espantei-me eu também, num imediato "então? mas na tua terra quem é que faz tudo isso?". Ao que ele me disse "os latinos". E logo o interroguei "bem, então eu não sou branco!". Ao que ele, de súbito num ricto deveras atrapalhado mas... já não tinha volta a dar-lhe, sussurrou "não."
 
E todos nós-outros à mesa, que não ele, pois ali a sentir-se com as mãos pelos pés, nos rimos, eu num até desalentado "porra, que já nem branco sou". E os meus amigos num gargalhado "mais-velho, por esta não estavas tu à espera...".
 
E meter o que isto significa nas cabeças das pessoas é muito difícil. Quando as cabeças são fracas. E as pessoas estúpidas.

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O dr. Ba tem todo o direito de apelar a uma "luta sem quartel", mobilizando os apoiantes para acções extra-parlamentares. E só exagerados podem ver nesta proclamação um incentivo à violência. Pois decerto que o activista se refere a uma luta política. O dr. Ba também tem o direito de considerar os "vinte" eleitos (os da IL e do CHEGA) como "racistas", "fascistas" e "neoliberais", amalgamando-os via hífens. A única coisa que pode surpreender é saber que a Assembleia da República contrata o dr. Ba, o qual tem este entendimento do que é "racismo", como consultor exactamente sobre "racismo". Enfim, ainda agora isto recomeçou...

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[O blog colectivo Delito de Opinião tem uma rubrica que é a do "Pensamento da Semana", a qual roda entre o conjunto dos co-bloguistas. Esta semana coube-me a mim. Como não sou dado (não tenho jeito para) aforismos, botei isto:]

O léxico é importante. Importantíssimo. Desde que na semana passada foi atribuído o Nobel da Literatura a Abdulrazak Gurnah que vai por aqui e acolá uma acesa discussão. Escritores e proto-escritores, literatos e candidatos a tal estrado, e até jornalistas, botam sobre a "condição" "identitária" do premiado, questão que consideram sumamente importante. Nessa já polémica duas características partilham os opinadores: nada leram do autor; confundem "representante" com "representativo". Insisto, o léxico é importante. Importantíssimo. E mais o deveria ser para estes núcleos de "identidade" laboral.

ADENDA: (meu pensamento do ano) Sobre este assunto a Lusa (agência noticiosa estatal) noticiou que Gurnah é o primeiro escritor africano a receber o Nobel nos últimos 30 anos, saudando que ele "quebrou o "jejum", depois do nigeriano Wole Soyinka ter sido laureado em 1986". O facto de que em 2003 o prémio tenha sido atribuído a Coetzee - um daqueles raros casos em que é curial afirmar ter o Nobel sido galardoado com o Prémio Coetzee - é apagado. Não se trata de um erro, até porque o escritor é muito conhecido e bastante traduzido em português. E porque também apagam os anteriores Mafhouz (1988) e Gordimer (1991). É mesmo uma proclamação, a invectiva ao "branco" - a usual e lamurienta auto-invectiva, neste caso da agência estatal portuguesa. E é essa a sede desta pobre polémica de aparência literária: do que toda esta gente anda a falar é de "raça". Cada um com os seus dislates. A quererem-se assertivos. A assertividade da vacuidade.

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