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Nenhures

Nenhures

A paciência

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Há algum tempo - talvez nas vésperas de um dos meus imensos aniversários - aqui [no FB] clamei contra a irritante mania do "parabenizar", palavra que há alguns anos ninguém com dois dedos de testa se atrevia a usar. Irrita-me porque é feia. E muito mais porque só mostra que as pessoas nem percebem o que quer dizer "parabéns", desejar todo o Bem possível. Já agora, temos uma bela palavra para isso, "abençoar" - e para aqueles que dirão que esse é termo reservado às entidades metafísicas, e aos membros do clero, lembro que era costume os mais-velhos abençoarem (darem os parabéns, na linguagem de hoje) os descendentes, directos e indirectos. E sublinho que quando damos "parabéns" estamos a convocar o Bem alheio, a afirmar a possibilidade própria de influenciarmos o destino, como se micro-entidades divinas fossemos (sim, dar os "parabéns" é, para cristãos, um pecadilho de soberba teológica). Enfim, daqui a cerca de um mês mais uma vez cruzarei um aniversário. Peço um favor aos que me dedicam alguma simpatia: abençoai-me, não me parabenizem...
 
E sobre a questão deixo este delicioso texto de Rita Ferro., até pasmada com o "ofendidismo global" que a invectiva devido ao seu desgosto com essa horrível "parabenizar". Texto esse que tem tem um belo corolário: "Só vos digo isto: viver, hoje, é uma longa história de paciência."

Uma sopa de beringela

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(Sopa de Beringela com iogurte, chef Continente)
 
No FB e restantes redes sociais as pessoas mostram-se como querem ser, (re)constroem-se: analistas das questões do mundo, vorazes bibliófilas, confinadas telespectadoras, extremosas familiares, iradas e impolutas cidadãs (olá jpt), gulosas aka gourmets, convictas fotógrafas, patuscas convivas, poetisas de versalhadas e arreigadas cronistas, descaradas evangelistas, mimosas zoófilas, atentas melómanas, insuportáveis "comerciais" (os Serafins Lampiões andam por ali), sóbrias enófilas, amantes de "arte contemporânea" e mesmo da de antanho, palestrantes algo balbuciantes, militantes ecologistas. E mesmo raríssimas cozinheiras, estas sempre ufanas dos respectivos empratamentos (como agora se diz aquilo de botar a comida no prato).
 
Acontece que neste imenso rosário de boas pessoas com as quais tenho ligação não há uma alma caridosa que partilhe o como cozinha (exceptuando, in-blog, Maria Dulce Fernandes). Todos comem todos os dias, bem ou mal. Mas anunciar como o fazem? Nada, nada mesmo. Que serão boas pessoas, generosos amigos e conscientes cidadãos, mas partilhar cristãmente o que realmente interessa? Nisso seguem basto egoístas. Por isso, e por dever de cidadania, comecerei aqui a partilhar não tanto as minhas certeiras análises sobre o devir mas o rol dos tutoriais de que me socorro.
 
Hoje - e já aberta a garrafa do decentíssimo Queen Margot adquirido na nova loja Lidl dos Olivais, que gratuitamente muito recomendo - irei fazer esta sopa. É certo que sou militante seguidor do SaborIntenso de Neuza Costa, Senhora que já merece ser comendadora. E admirador do grande Necas Valadares, meu ícone. E consulto amiúde, devido à minha "resiliente" costela burguesota, com prazer intelectual o chef(e) Henrique Sá Pessoa. Mas hoje, e porque tenho ali umas beringelas a fenecer vou-me a isto - que tem todo o ar de me vir a sair uma mistela. Pobre Carolina, às mãos de um pai "solteiro"...

Mulheres no Facebook

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(Mulher de Willendorf)

 
Desde há anos que quase todos os dias recebo propostas de ligação-FB ("pedidos de amizade") de minhas desconhecidas oriundas de dois agregados. Muitas provêm da uma globalizada (e assim anglófona) "spam red light", de perfis obviamente falsos. Mas o outro agregado constitui-se de perfis na sua maioria visivelmente reais. São oriundas da "pérola do Índico", mulheres muito jovens em poses simpáticas, sempre dotadas de formas muito generosas. Amplas.
 
Deste segundo universo retiro duas superficiais conclusões: 1) como os padrões estéticos são culturalmente tão diferentes, o primado do roliço a Sul contrastando com o consabido (e até doentio) primado do esguio a Norte. Sobre isso, e sem grande deambulações dietéticas, logo concluo um "Ainda bem!"; 2) que na minha sociedade estas púberes publicitações pessoais, femininas e provavelmente também masculinas, estarão alojadas no Instagram, o que demonstra diferentes manuseios nacionais destas redes sociais. Ancoro-me nisto: nestes largos últimos anos de FB não me lembro de ter recebido quaisquer propostas de ligações reais enviadas por jovens portuguesas, surgindo com estas poses (não "porno", friso, apenas "simpáticas", quais sedutoras). E ao que consta os nossos jovens estão inscritos no Instagram e outras redes.
 
Mas sigo com terceira conclusão, mais especulativa (e talvez preconceituosa mas juro que não malévola): é que este fluir constante de raparigas (muito)jovens propondo ligações a homens tão velhos como eu deixa entender uma propensão socialmente aceite para o "sugar daddysmo". Acredito no "vive e deixa viver" dentro do espectro do real livre-arbítrio. Mas, e sem exageros moralistas - que não me venho anunciar como santo -, ver isto, este constante fluxo, custa um bocado. É mesmo pungente.
 
Em suma, e pela parte que me toca: não tenho disponibilidades económicas nem disposições éticas para exercer o papel de "sugar daddy". Ou seja, meninas não peçam "amizade" a este velhote.

EuroBichas e censura no Facebook

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No zapping do jantar de sábado passei no Eurovisão. A minha filha propôs que víssemos um bocado. Anuí, por amor paternal e porque caíramos naquilo aquando da francesa: uma boa cantora, uma "chanson" competente, coisa deveras surpreendente no meio daquela sempre anunciada mediocridade. Depois seguiu-se o que se espera daquilo: um grupo pop-simpático islandês (de que vi mais no telefone filial), uma bojuda maltesa, umas desgraciosas dançarinas de cabaret cazaque meneando-se a la Bollywood. Pior do que tudo uns italianos pantominaram o heavy - "o heavy não é isto!", clamei irado e ali pedagogo, ainda que os meus Zeppelin fossem hard e não heavy... E a paciência esgotou-se-me com um pós-viking invertido, guinchando-se "anjo caído", algo ainda mais bimbo para quem tenha crescido com o belo e magnífico Sweet Transvestite Tim Curry e então, ali mesmo, apaixonando-se para todo sempre pela Sarandon.

Enfim, nada de novo, mesmo que desse historial festivaleiro só recorde os Abba. E uma Abanibi com que a Europa de então celebrou a "diversidade", para glosar os ditos dos activistas de hoje. E, nossos, a Balão Sobe mais as Doce. Deste XXI? Aquele travesti de barba, artista de feira miseranda. O nosso campeão Sobral, que ressuscitou a Eurovisão para os bem-pensantes. E, claro, o patusco olivalense dito Conan Osíris (que será feito do vizinho?).
 
Nada mais, pois nem vejo, apenas ouço falar, consabida que é a desinteressante mediocridade musical daquilo. E que se tornou, se é que não o era antes, uma "gay parade" festivaleira anual. E as pessoas sabem-nos, dizem-no, vêem ou não consoante os seus gostos e paciências. Isto nada tem de homofóbico. Diz-se que disse Horowitz, ainda que talvez seja apócrifo, que há 3 espécies de pianistas: os judeus, os homossexuais e os maus. Alguma coisa contra Horowitz? Mas esta pantomina anual, de lantejoulas rascas, é apenas isso. A que propósito é que o serviço público entra naquilo é coisa que não percebo.
 
Enfim, Eduardo Cintra Torres escreveu um artigo de opinião (acesso restrito, deixo notícia com citações) e tratou, bem, aquilo como EuroBichas. Ofendeu, ao que parece. João Gonçalves ecoou o texto no seu mural. O postal foi apagado pelo sistema-FB e ele suspenso desta plataforma. Não se trata de uma censura "sistémica", robótica. O que decerto aconteceu foi ter havido uma série de "denúncias" e até "bloqueios", gente que se julga activista e para aqui vem peneirar o que é "aceitável" e "inaceitável". Não são os coronéis da censura a la Estado Novo. São meros cabos arvorados, das brigadas dos "movimentos sociais". E que entenda bem quem não o conheça: João Gonçalves, veterano (ex-)bloguista, não tem pingo de homofobia. Mas é de "direita", essa direita que é preciso atacar... Assim. Como sempre, na história recente e na recuada destes "movimentos sociais" e seus avatares.
 
Já agora, e lateralmente: para quem gosta de gastar o seu tempo a opinar em público, este vil pequeno episódio mostra bem uma coisa. A superioridade dos blogs. Onde a censurazinha desta gentinha não funciona. Pode-se levar algumas porradas, mesmo duras e fundas, até bem piores (e eu sei-o bem). Mas não estas coisas desprezíveis.
 
Enfim, boto isto para dizer que continuarei a ler Eduardo Cintra Torres e João Gonçalves. E quando não gosto - às vezes acontece - do que botam ou resmungo (quando me irritam) ou vou para outra loja. Pois é assim que deve ser. Longe destes gaj@s activistas. Más reses.

Uma poção: Moedas, Bellucci, o machismo e o Facebook

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"É preciso aparecer!" é um mau mandamento para os políticos. Devido ao qual Moedas foi ao mau programa de Araújo Pereira, a entrar naquele humor mole que tanto agrada aos espectadores. "Se vão todos!..." terá pensado, e lá foi afivelando o que todos afivelam, o registo "lite", qual humorístico, em busca de empatia com as audiências como se estas fossem o eleitorado (não são, é outra coisa... ).
 
Na chachada que lhe é habitual Araújo Pereira falou das "estrelas" que vieram para Lisboa: Madonna, Bellucci, Fassbender, Vikander. Moedas disse que elas são antigas, dos "anos 80" - um erro cronológico, pois apenas Madonna o é. Logo o piadismo de RAP aludiu ao "caixote do lixo" do candidato, devido a este ter chamado "antiga" à belíssima Bellucci, e ele responde-lhe que a senhora tem "alguma idade". Frisando o irrelevante de ter celebridades em alojamento local, mais ou menos perene, na cidade. E que o necessário é usar a cidade para potenciar novas "estrelas", portuguesas, referindo uma empresária que vem com grande sucesso nos EUA (recuperar "cérebros", captar investimento, criar trabalho, enfim...).
 
Na manhã seguinte fui ao Facebook e encontrei duas reacções: um dos melhores (ex)bloguistas portugueses desvaloriza Moedas por confundir Fassbender com Fassbinder. Talvez tenha sido pronúncia, talvez não. Eu tive "o meu Fassbinder" - já o Fassbender só identifiquei há meses quando Cristina Torrão o colocou na lista de homens belos no Delito De Opinião. Talvez Moedas não tenha seguido a carreira do cineasta morto quando ele tinha 12 anos, e que teve relevância de público em Portugal em finais de 1970s e 1980s, marcando a minha geração. Ou seja, talvez não seja cinéfilo. Mas estas críticas a défices culturais alheios implicam sempre uma hierarquização do que é requerido que os homens públicos saibam, uma hierarquização do que é "cultura" que não passa de uma pobre versão do "humanismo" (algo que não é "humanitarismo", como tantos confundem). Um dia, quando Cavaco se recandidatou a PR lá regressaram as críticas e os dichotes pois ele havia confundido More com Mann. Eu nunca nele votara, nunca nele votei: mas bloguei o resmungo, se um tipo confunde a escala de Richter com a de Mercalli ninguém apupa, mas se confunde More com Mann não serve... Um pouco como os detractores de Costa que se lhe atiraram quando ele algo confundiu bactérias com vírus, coisa en passant perfeitamente normal de acontecer para um homem de letras. E bem menos relevante é esta de dizer Fassbinder em vez de Fassbender. Mas, enfim, "bocas" são "bocas".
 
Bem pior é uma bloguista e jornalista que lança o libelo - logo secundado por enérgico laiquismo dos seus "amigos-FB" - de que Moedas é machista estrutural porque aventou ser a Bellucci alguém de "alguma idade". Clamando ela, e tantos com ela, que a sexualidade das mulheres não depende da idade. Coisa que o candidato metido em tarefas televisivas não terá negado. E algo com o qual concordo, ainda para mais vetusto cinquentão ainda apaixonado pela Sarandon e, infidelidades, pela Bassett.
 
Ali reagi (comentei), até por conhecer pessoalmente a facebuquista ofendida. Afirmando que se dizer que a Bellucci tem "alguma idade" significa que o homem é machista estrutural, negacionista da perenidade da sexualidade feminina, que fazer quando ele diz "antigo" um Fassbender, aos 44 anos? Ou quando diz que Vikander é "antiga": tem 32 anos. Que é um libertino imoral, ou pior, neste último caso? Lembrei que quem ele referiu como exemplo a captar para a cidade não foi uma qualquer estrela h/bollyowoodesca mas sim uma empresária portuguesa. É isso machismo? E, já agora, para que não pensassem que surgia eu ali flanante, botei que votarei Moedas.
 
Resposta da senhora, que sempre se apresenta como de "direita" ainda que "moderna": "Blablablabla. Você é um machista estrutural. Acho que tenho que lhe pedir licença para criticar Moedas?". Minha resposta? "Blablabla? Não tem que me pedir licença para nada, nem mesmo para me mandar à merda como acabou de o fazer. Assim seja!". E saí dali, desagradado e por isso logo cortei a ligação-FB (aquele curioso termo "desamigar").
 
"Desamigar" é um mero corte de ligação. Mas bloquear alguém no FB, como sabem todos os profissionais de comunicação e os amadores (bloguistas), é avisar o sistema de que alguém tem más práticas. É contribuir por acumulação para uma penalização: suspensão, encerramento de conta. Até mesmo para um processo, em casos extremos. É macular o cadastro, informático, de alguém. Nunca eu tive quaisquer más práticas com esta Senhora, não assediei, não insultei, não ameacei, não caluniei, nem fui desabrido com ela ou seus convivas informáticos. Apenas discordei, talvez errado, com a sua visão de feminista de direita "moderna", sobre a entrevista do candidato Moedas. Julgo exagerado o seu argumento. E considero que dizer-me que boto "blablabla" (o que muito me acontece) antes de me dizer "V. é um machista estrutural" é uma forma de me "mandar à merda" (atroz termo que até a Senhora minha mãe usava, ainda que com enorme parcimónia).
 
Isto foi suficiente para que a jornalista, bloguista, comentadora televisiva da "direita" "moderna" me denunciasse ao sistema-FB como homem que tem más práticas. Ou seja, que me bloqueasse. Este é um exemplo do que é a "direita" "moderna" e mais justificada porque "feminista". Enfim, esta deriva já vai longa, e serve para pedir que se alguém encontrar a jornalista Helena Ferro de Gouveia diga-lhe, sff, que o Zé Teixeira lhe deseja muitas realizações. E, acima de tudo, muita saúde para ela e para os seus. E aduza que o sacana do jpt é tão machista que, mesmo sabendo-a delatora falsária, não a manda à merda.

Vai para a tua terra!

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(Fotografia de Miguel Valle de Figueiredo, "Ljubomir Stanisic", manifestação na Baixa de Lisboa, 14.11.2020)

O meu amigo Miguel Valle de Figueiredo continua, paulatinamente, a fotografar esta época do Covidoceno lisboeta - e lembro que já publicou o livro "Cidade Suspensa: Lisboa em Estado de Emergência". Anteontem foi à Baixa fotografar a manifestação de trabalhadores do sector da restauração que ali decorreu. Não conheço o pormenor das reclamações apresentadas nem sei quais os "orgânicos" organizadores. Enviaram-me um filme telefónico com um discurso, algo tétrico, um orador numa torrente de imprecações e insultos a tudo e todos. Boçal. Mas uma boçalidade tão desesperada que pungente, até cativando piedade - talvez o menos solidário dos sentimentos ...

Uma das imagens que o mvf trouxe foi esta, um (ao que me dizem) conhecido cozinheiro e dono de restaurante, Ljubomir Stanisic, que é figura relevante deste movimento profissional, e que tem tido discursos críticos ao poder político - nunca o ouvi, dizem-me que assim é. Trata-se de um cidadão português, antigo imigrante proveniente da Bósnia-Herzegovina.

Entretanto o que leio nas redes sociais?, para o que me chamam a atenção? Um deputado socialista alude ao financiamento bancário que o homem tem, como se isso possa minorar os seus direitos de cidadania - numa óbvia, ainda que subjacente, ameaçadora alusão ao seu estatuto de ex-imigrante, qual cidadão deficitário [e não substituirão o deputado, ainda por cima conhecido por se furtar a uma pena devido a condução inebriada, através de influências políticas, algo vergonhoso ... Pois pecar todos pecamos mas se assim é penar também é para todos]. E leio inúmeras pessoas invectivando que o homem volte para a terra dele. Assim mesmo, sem mais. Que isto de um "estrangeiro" criticar o governo é inaceitável. Esteja ou não naturalizado, pouco importa ... Esta mole humana socialista pensa - e alguns deles falam e escrevem - exactamente como a rapaziada do Chega. Já se vira aquando da eleição do Bolsonaro, quando no Expresso, no DN, na junta de Arroios e por tantas socialistas casas e teclados, se escreveu (e "laicou") que fossem os imigrantes brasileiros expulsos pois maioritariamente eleitores do novo presidente (esse uma peça irrecomendável, mas isso é assunto deles).

Amigo cruel chama-me a atenção para que um deputado (e plumitivo) socratista aproveita a onda e alude pejorativamente à "macholice" deste homem. Uns gritam a este português que vá para a terra dele porque criticou este governo (e mesmo que fosse imigrante isso seria curial, mas a tanto já não se pode imaginar que esta gente chegue ...). E este socratista chama-lhe "machola", como se diminuindo-o.

Fosse este homem oriundo de outro qualquer recanto onde tivesse havido guerra fraticida, tivesse este homem outra cor de pele, e estes pantomineiros gritariam pelo seu direito à livre expressão - para dizer as patacoadas que entender, o que muito provavelmente é o caso. E se fosse um invertido histriónico, uma "bicha louca", também o defenderiam com dentadas e unhadas, ao seu direito para que se exprimisse em liberdade consoante a sua "natureza". Mas não neste caso. Pois, pior do que tudo, crítico do PS. Por isso estrangeiro, devedor, atrevido, até ingrato. "Machola".

Esta gente - locutora, laicadora, e os tantos habituais das "boas causas" agora tão inertes nos clics (des)laicadores e nos irados "indignismos" - é o "Chega". Imunda.

Facebook Dating / Encontros do Facebook

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(Replico postal que coloquei hoje no meu mural de Facebook)

Leio que a partir de hoje o país tem acesso a este serviço-FB. Saúdo o facto, com um sorriso mas sem qualquer ironia. Duas considerações, uma pessoal, outra mais geral. E um conselho.

1. Se entre as milhares das minhas ligações-FB a alguém lhe passar pela cabeça "cutucar-me" - pois estes serviços são apelativos a quem sofre de solidão, essa que tantas vezes provoca desesperança e, por isso, promove a ausência de critérios qualitativos:

a) homens não, sff. Pois sou "tóxico". Ou seja, sou dado ao assassínio, ao estupro e à escravização do alheio, segundo a filosofia da História do ilustre Prof. Frederico Lourenço - aplaudida, louvada, partilhada, sufragada, por uma grande mole da esquerdalhada identitarista lusa. Essa mesma que, entretanto, nega a existência de uma "ideologia do género".

b) mulheres não, sff. Pois se sou "tóxico" isso é-me mais apenas um dístico, a toxicidade é pouca, quase extinta. Ou seja, falta-me o rancor, não assassino, não estupro nem escravizo (cf. Lourenço, Frederico, 2019).

2. Um dia Miguel Sousa Tavares, em extrema arrogância de classe (o pai dele foi uma personagem única, a mãe e o tio foram escritores extraordinários, é assim normal que ele se sinta algo à l'aise consigo próprio), sarcasmou que "as redes sociais são um sítio para engates". Sim, sê-lo-ão. Também. E agora ainda mais. E qual é o problema disso? Nem todos têm que ser moralistas como MST ou outros parecidos, nem convém sê-lo.

Se as pessoas se sentem sós, episódica ou estruturalmente, e nisso em défice, porque não procurar companhia, catrapiscar? Num bar, no trabalho, no metro. E nas redes sociais também. Ou seja, deixai-vos de sousatavarices, de moralismos de pacotilha. Catrapiscai. Com alguma decência, se puderdes. E enganando pouco, encenando mas não aldrabando, convém ...

3. Um conselho. Até porque pelo facebook andam os mais velhotes (os jovens têm outras redes sociais), já algo distraídos. Cuidai-vos. Nesta era do Covid-19 andamos todos preocupados com as gotículas alheias, mais as máscaras e as desinfecções. Mas se fordes para os encontros-FB não esquecei: o SIDA pode já não ser mortal. Mas é brutal. E as pessoas já nem pensam nisso.

Ou seja, mais vale o latex do que o álcool-gel. Tende bons encontros.

Prémio Nobel

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Alguns amigos muito queridos dizem-me que tenho (que tenho, não que estou com ...) mau feitio. Por exemplo, porque não gosto de tascas excessivamente ordinárias. Ou porque reajo a "bocas" excessivamente imbecis. Eles concordam com estas avaliações, mas consideram que devemos ir calmos, conviver com isso. Enfim,

esta é a semana dos prémios Nobel. Todos os anos esta é a semana dos grunhos, letrados e iletrados, opinarem. Como se o Nobel fosse o verdadeiro Campeonato do Mundo (e assim todos devessemos votar, como nas eleições americanas ...), e tudo começa logo por essa patetice.
 
Sempre que chegada esta época nobelística imensos vêm (mal) opinar nas redes sociais sobre os premiados na Literatura e na Paz. Este ano é vê-los, até amigos, mandar "bocas" aos que dizem conhecer a premiada - não li ninguém a fazê-lo, poetisa não traduzida e nem mesmo os amigos/conhecidos escritores/jornalistas aparentam conhecê-la. Mesmo assim? Tem que haver gente a protestar com os inexistentes que dizem conhecê-la. O que está no fundo desta constante atitude? A raiva morcã contra os comuns que vão lendo algo, e que vão conhecendo, melhor ou pior, alguns escritores. E que disso falam. Há poses literatas? Há, claro. Não é tudo isto uma pose? Mas se um tipo fala de leituras que teve ou tem logo vêm os patetas gritar "falso" ...
 
Dias depois saiu o prémio da Paz. Neste ano logo surgiram dois tipos de morcões: o prémio foi para o Programa Alimentar Mundial? Devia era acabar-se com a fome, gritam alguns estupores. E, em particular aqui em Portugal, saem os morcões a gozarem com "a Greta" porque não foi premiada, uma javardeira imunda - ilustres professores universitários, comentadores "anunciados na tv", quadros da função pública, tardo-cinquentenários e sexagenários, a fazerem trocadilhos com "greta"? - malditas disfunções fálicas ... Que não haja qualquer dúvida, os imbecis encartados ao centro e à direita pululam, em frenesim, tanto como lá nos identitaristas "gauchistes".
 
Mas sobre os outros prémios Nobel nada se fala, que ninguém percebe nem quer parecer que percebe. E esses prémos não lhes servem, aos deste comboio descendente, para "rirem à gargalhada" dos dislates que trocam. Convictos que pensam política ...
 
O prémio de Medicina 2020 foi para este trio de investigadores, Harvey J. Alter, Michael Houghton e Charles M. Rice. Por um trabalho fundamental relativo à Hepatite C. Muito o saúdo, mesmo que totalmente ignorante nesta matéria. Também porque essa é doença que a minha geração conhece, e muito pela sua proclamada associação a algumas opções existenciais. Fez-me perder alguns belíssimos amigos. E vários conhecidos. Que me fazem falta.
 
Então é noite de sexta-feira. Bebo um copo de tinto (de Lisboa, decente, baratíssima promoção do Pingo Doce) à saúde destes premiados. Agradecido. E outro à memória dos meus amigos.
 
E isto também porque eu, de facto, tenho um bom feitio. Amigo dos meus amigos (e deles tão saudoso), sem paciência para os imbecis. Há melhor?

Ventura e o Twitter

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O candidato presidencial Prof. Ventura finalmente explicitou ao que vem, assumiu o que tantos lhe atiram. "Sim, sou um faxo do caraças", comentou no twitter. É também um mariola, que julga ter uma pilinha do tamanho da de Xi Jinping, sendo assim capaz de censurar as redes sociais, prometendo-nos que quando for presidente "o Twitter deixará de ser a bandalheira que é, pelo menos em Portugal.". Presumo, e aqui apenas especulo, que também intervirá no Facebook, Instagram, Whatsapp. E, claro, nos múltiplos sistemas dos nossos vetustos blogs.

Ventura é Ventura, e por mais que branda o seu objecto peniano não o engrandecerá. Mas enfatuar-se-á por via do apoio que recebe. Da ralé. E de meia-dúzia de doutores que para aqui andam. Liberais em jejum, venturescos no horário da flatulência.

As estantes dos livros na televisão

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(Postal para o meu mural de facebook)

Meus queridos amigos,

de súbito brotou um "même" nas redes sociais, o gozo aos comentadores televisivos que, pois agora confinados em casa, surgem na tv via seus computadores tendo atrás estantes apinhadas de livros. Ou seja, é ridículo ter livros e fatela mostrá-los.

Eu percebo as irritações por princípio, os "preconceitos" como agora se diz. Ou, melhor, os "ódios de estimação", como o magnífico MEC lhes chamou um dia, aqui há atrasado. Eu, apesar de mim-mesmo, também os pratico. E enuncio-os: detesto o presidente da Assembleia-Geral do Sporting, o dr. Rogério Alves, apenas e exclusivamente porque trata toda a gente por "querido amigo" (ver acima, neste postal). E abomino, até ao desejo de extermínio, todos os patetas que se (auto)representam com a queixada sob a palma da mão, como se sinalizando o peso do intelecto, tamanho que assim necessita de suporte (ver foto avulsa). Por isso percebo, humano que sou, que detestem só por detestar os tipos que têm livros em casa, amontoados num estrado a que chamam estante e guardados (para hipotética consulta, em alguns casos) numa divisão - recordo que os livros acumulam pó, nisso ácaros, e que não convém tê-los nos quartos de dormir. Por questões sanitárias, mais que não seja.

Há pessoas que têm livros. Eu próprio os tenho. Aqui me selfizei (como vós, "meus queridos amigos", agora falam) na sala da pequena casa aquém-Tejo na qual me aboletei. Um T1, rústico e maravilhoso, no qual está a estante. Duas prateleiras (correspondentes a uma mala de viagem e uns sacos) de livros meus, vindos para este pré-apocalipse, três outras com livros residentes. Faz parte ... Desde há uns tempos, séculos até (consta que pelo menos desde D. Quixote), os remediados têm prazer em comprar livros e vêem utilidade em lê-los. E nas casas (térreas ou apartamentos) congregam-nos numa divisão na qual alguns, segundo a profissão, até trabalham. Ou estudam. Chamam-lhes escritórios, por vezes. Os meus avós tinham-no (magnífico o do meu avô materno, até com mesa de fumo, belíssima, oferta de um regimento que comandou. Vem essa passando de mão em mão, por linha masculina [mas não varonil]. Chegou-me e depois de a viver dei-a, há uns dois anos, a um sobrinho que um dia a virá a passar a seu filho, presumo). Os meus pais também tinham escritórios, carregados de livros. E era o meu pai pessoa bem-educada, tal como o é a minha mãe. Mesmo assim tinham escritórios. Eu tenho-o - ainda que os livros estejam também noutras divisões da casa (no corredor, na sala de refeições, burguesmente dita "de jantar" - a gente já não pode almoçar em casa -, nos quartos e até, para minha vergonha, na cave).

Ou seja, é normal que um tipo que tem que aparecer na tv emitindo a partir de casa o faça desde o seu local doméstico de trabalho. No qual tem livros, já que é um burguês e - sendo opinador - presumivelmente trabalhador intelectual. Sei que muitos de vós usam os telefones na sanita [já agora é "sanita" que se diz e não "retraite", ó seus bimbos armados em finórios]. Mas, de facto, o mais normal é que quem tem que falar em público desde casa não o faça sentado na sanita. Nem em locais com usos estritamente domésticos (ex. o tanque de lavar roupa). Ainda para mais quando, muito provavelmente, lá estão os outros membros da família.

É óbvio que há excepções. Temáticas. Ontem passei pelo canal 11, da bola. E nele estava um friso de 6 comentadores em simultâneo, a falarem (sei-lá-do-quê). Todos tinham as traseiras lisas, nem um livro à mostra. Acredito que os tenham em casa, a alguns exemplares. Mas para aquele público - os compatriotas mais morcões que assistem a painéis futeboleiros - parece mal mostrar livros, descredibiliza os locutores. Não sei se os "meus queridos amigos" me estão a seguir no silogismo ... são os que comungam sensibilidade e gosto com estes espectadores da bola, os tais compatriotas mais morcões, que agora andam a gozar com os literatos que falam na tv.

Enfim: não há qualquer razão para gozar com os tipos que têm livros e que falam desde casa para a tv com as estantes atrás. Repito, é normal tê-los (até eu os tenho), e é normal que se fale para fora numa pequena sala com as paredes algo cobertas de livros.

O que os meus queridos amigos poderiam analisar, e até gozar, é o que esses comentadeiros dizem. E, se tiverem paciência para tal, especularem sobre as agendas, pessoais e colectivas, que transportam no perorar. Muito mais à frente, talvez apenas em era pós-covidiana, poderiam até questionar este tipo de fazer informação televisiva, sem reportagens substantivas e com uma série infinda de charlas inócuas e/ou interesseiras.

Entretanto, e porque confinado, eu vou gozando com os tais morcões. Os que julgam que têm piadola.

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