Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nenhures

Nenhures

03
Mar24

Fake News Tugas

jpt

tolentino.jpg

É consabido que desde há alguns anos os movimentos de extrema-direita - soberanistas, discriminatórios, genderófobos, fascizantes ou até mesmo fascistas, e também neoliberais (o que é mau é neoliberal, como também é bem sabido) - usam as possibilidades digitais para espalharem "inverdades", as antigas falsidades (ditas "fake news").
 
Em especial durante os períodos eleitorais somos inundados com estas aldrabices. E logo, de modo muito convicto, dignissímas mães de família, laboriosos pais de família, fidelíssimos filhos de família e recatadas filhas de família, acorrem aos seus múltiplos teclados aplaudindo as atoardas, apupando os visados, repassando tais dizeres aos seus vizinhos. Fazem-no com o mesmo afã que os neoliberais destroem os serviços nacionais de saúde, com o fito de matar os velhinhos e os adoentados. E se algum freguês da mesma freguesia os avisa, pacientemente, que estão enganados respondem, ríspidos e ufanos, se non è vero, è bene trovato... E nisso convocam os patifes que têm a mania dos factos para que metam a viola (esquerdista) no saco...!
 
Nos últimos dias essa fascista extrema-direita tem pululado na internet portuguesa. Em frenesim redistribuindo esta vilania cometida sobre o professor Ventura. Como é óbvio - ou deveria ser - para qualquer letrado, o ilustre prelado Tolentino (do qual tenho em casa alguns livros de auto-ajuda) nunca proferiu estes dizeres sobre o antigo comentador futebolístico, autarca de Loures e actual candidato à Assembleia da República.
 
E urge denunciar esta aleivosia da extrema-direita. Eu, por mim, não só o faço aqui, em defesa da democracia. E também, a bem da higiene digital, venho cortando as ligações (no FB) com os ordinários que partilham estas coisas.

28
Nov23

Enquanto leio "O Lírio Branco"

jpt

lirio.jpg

Como me é costume aquando nas cercanias do Sado acordo ainda no breu. Depois, já na alvorada, interrompo a inutilidade para um café - gemo, pois já se me acabaram os pacotes de "Gorongosa" e "Vumba" que mãos amigas me haviam ofertado. Estou assim condenado a frascos de "grande superfície", e como é diferente um bom café destas quase chicórias dos pobres... (ainda se fosse Ricoffy, bem batido...). Fumo dois finos "Amber Leaf" e percorro o meu FB, o que cada vez faço menos e por menos tempo, e nesse gradual desprendimento é notório que não vou sozinho. Estou bem-disposto e partilho a minha simpatia através de um punhado de "gostos", face às aprazíveis colocações de alguns amigos.

Noto também várias publicações de há alguns dias - os "laiques" alheios vão-nas mantendo à tona, visíveis neste rosário múltiplo -, resmungando contra o 25 de Novembro. Sorrio, percebo o contexto social e etário dos indignados contra este "fascismo" novembrista, que tem o atrevimento de se celebrar. Na maioria são os "cidadãos com ADSE", esse peculiar universo ideológico. É gente já com implantes dentários, artroses, varizes, alguns artilhados com próteses coronárias, lambuzando-se com pílulas crónicas. Enfim, velhadas como eu, que se rejuvenescem no "ai, no meu tempo é que (quase) era...". E por isso encaro com quase ternura os dislates, tão convictos. E imagino-lhes as "comunas" de Terceira Idade, os comités revolucionários de Seniores, os piquetes d'Idosos, as brigadas Octogenárias ombreando com as Nonagenárias, tudo culminando com o Termidor do binómio cremação-cendrário. Pois todos somos cinza e à cinza voltaremos, anunciou um antigo, e isso independentemente dos disparates que para aqui dizemos...

Estou eu neste registo bíblico e lembro-me do meu pai, o Camarada Pimentel, ateu convicto, que me ensinou vastas coisas. Uma das quais foi o tão rico e apropriado termo "esquerdalho" - esse mesmo que tanto fere alguns dos meus amigos, que nele detectam, sei lá porquê, alguma vilania "(neo)liberal". Nada gostava ele desses "esquerdalhos", os dos "grupelhos", essa malta maoísta/polpotista, a infecunda tralha enverhoxista, nem mesmo dos suspeitosos mas cá escassos titistas, para além dos patuscos trotskistas (que só depois se vieram a transformar em fridakahlistas). Isto para nem falar dos abjectos baadermeinofistas, grapistas e etarras, brigadistas (esses tão avessos ao "compromisso histórico"). E mesmo aquela gente do IRA não lhe caía no regaço. E num dia adolescente estava eu veemente a contestar-lhe o seu arreigado sovietismo e disparei-lhe, impante, "se vivesses na URSS tinhas sido fuzilado" ao que ele ripostou, de imediato, "com toda a certeza!". Como é óbvio o Camarada Pimentel nunca teve conta de Facebook...

Entretanto - e porque estou em registo de crónica do quotidiano - este fim-de-semana acompanhei um querido amigo numa incursão a uma Bertand. Eu nunca entro em livrarias, pois tenho estantes demasiado carregadas e bolsa demasiado vazia. Mas o homem fartou-se de comprar livros e eu, para não parecer mal, qual "intellectualité oblige", escolhi um, este. No final, já na caixa, o tipo foi generoso e ofereceu-mo.

E depois fiquei a ler, tal e qual como se estivesse diante dos "O Escudo de Arverne", "O Combate dos Chefes", "La Zizanie", tantos outros, tão antes do 25 de Novembro ou de Abril, ou mesmo de saber ler. Pois que se lixe o cendrário, que não tenho pressa.

02
Out23

Dos blogs às redes sociais

jpt

Bugio-1.jpg

Por cá há vinte anos muitos da minha geração mergulharam no bloguismo, tanto que até se falou do meio ecológico "blogosfera". O primeiro blog de alguém conhecido terá sido o Ponto Media de António Granado. Mas o que disseminou a mania foi o impacto num pequeno meio urbano do Coluna Infame, de um trio de desconhecidos que se vieram a tornar reconhecíveis. Tudo muito alargado quando apareceram o Aviz e o Abrupto, como se o prestígio dos seus autores legitimasse a volúpia palradora que se gerou. Nada disso chocava - nem articulava, parece-me - com as redes sociais de então, o HI5, o Orkut, os grupos de "conversa" (chat), seriam espaços diferentes, gentes e objectivos diferentes.

Passados poucos anos apareceram as redes sociais ainda vigentes. E os bloguistas logo acorreram, nisso dissolvendo a tal "blogosfera". Muitos deles, os mais politizados, avançaram para o Twitter, impávidos diante da evidente contradição: E no frenesim do "microbloguismo político" incompreenderam a contradição - a política não se analisa com frases curtas, as impostas pelos apertados limites daquela rede. Alguns, talvez muitos, ainda por lá continuam, assim guturais clamando contra a... superficialidade dos políticos actuais e a análise política da imprensa.  Enfim, cada um como cada qual. Mas há alguns (e os tuiteristas com toda a certeza) que até metem dó.

Mas outras redes e modos se instituíram. Entre os da tal minha geração alguns, menos viraram-se para o Youtube, de início normalmente de modo mais passivo (mas benéfico) pois restrigindo-s a partilhar obras alheias  e - depois - atrevendo-se a assomarem, tal como alguns outros vieram a fazê-lo neste modo radiotelevisivo de agora, dito "podcast". Mas a maioria transitou primeiro para o albergue espanhol temático do Facebook e/ou, anos depois, para o Instagram, esta rede catapultada pelo miríade de Cristianos Ronaldos, Kardashians e demais "influenciadores" ali vigentes.

É nestas duas macro-redes - ainda que me pareça que o Facebook está em declínio, envelhecida e cansada a mole residente - que tenho conta. E anteontem notei bem a diferença mental que comanda os seus utilizadores, isso através de algo que me aconteceu. Em dia soalheiro, neste Verão insistente que persiste, cruzei o Tejo num até simbólico cacilheiro, algo que não fazia há pelo menos um ano. No cais esperei um pouco pela partida, e depois fui-me até à Margem Sul naquele até lânguido trote do cavalo-de-rio. Fi-lo de telefone na mão, blogando na plataforma do Facebook - que é mais manuseável em telefone do que a do blog -, naquela meia-hora escrevendo um postal. O qual encimei com um fotografia "picada" numa qualquer página digital. Nisso não olhei nem a montante nem a jusante. Publiquei o texto, aportei, e calcorreei o pequeno trajecto até a casa amiga para almoçar umas deliciosas favas com entrecosto.

É isso o comportamento típico do bloguista, encapuçado de facebookista. Pois fosse eu um instagramista militante ter-me-ia agarrado ao mesmo telefone, captando imagens a norte e sul, a oeste e leste, e até lhes chamaria "fotografias", por pobre de pindéricas que fossem... E publicá-las-ia na minha conta. Tal como fiz ao meu textito, por pindérico que seja.

São mesmo dois modos diferentes de estar. E neste Tejo com o Bugio lá ao fundo impõe-se-me a pergunta: são estes modos, o do garimpo das imagens ou o das palavras, o rumo do faroleiro, iluminador, no Bugio. Ou são apenas os modos da macacada, sita nas ilhas do bugio? Parece-me, e cada vez mais, que são estes últimos. Enfim, a ver se na próxima travessia me deixo a apanhar a brisa. E a ver a paisagem. Pois Lisboa, apesar dela-própria e algumas das suas gentes, é lindíssima.

 

09
Set23

O desvanecer do Facebook

jpt

facebook prison_1.jpg

Pelo que me parece a frequência no FB vem decrescendo, e muito. É o destino das "redes sociais" - mostrou-o o historial do HI5, na qual nunca tive conta; e também, à sua maneira, o dissolver da rede bloguística.
 
Nem julgo que tal se deva ao apelo de outras redes (como a filial Instagram ou a juvenil Tiktok). Terá muito mais a ver com o envelhecimento da rede, após 15 anos há muito que o FB já não tem o viço da novidade, esse que o globalizou. E também o do seus utilizadores, que trará o desligar advindo da monotonia do que aqui cada um de nós vai partilhando do seu quotidiano - que reflexões, ideias ou "eventos" ainda teremos para informar outrem? Que interesses ainda vemos nos outros? Ainda para mais sendo o FB a "rede social" dos mais-velhos, que se vão amodorrando e também muito fenecendo - e sem querer ser mórbido é óbvio que o FB é já um enorme cemitério.
 
Para além disso há causas outras: a crescente profusão dos canais televisivos ou a divulgação pirata de quase toda a imprensa nacional e internacional, convocarão as atenções dos (ex)facebuquistas. E, claro, a sucursal Whatsapp, a facilitar as comunicações multimédia gratuitas.
 
Nada li sobre isto, assim não tenho dados estatísticos, apenas elaboro a partir da minha experiência. Cheguei a ter duas contas (a do "José" e a do "Zé"), para cruzar o limite dos 5000 "amigos", e nisso compondo cerca do dobro das ligações que hoje tenho - e decerto que tantas delas com contas agora (semi)abandonadas. E durante anos a fio era constante a chegada de pedidos de ligação, coisa hoje em dia raríssima.
 
Alguns dirão "ah, já não há paciência para este tipo, cada vez mais chato e desinteressante, e agora está à procura de causas externas para que não o aturem...". Também concordo. Apenas aduzo razões complementares para o decréscimo das minhas interacções, que independam da minha soturnidade.
 
E um dos meios para perceber a impaciência alheia para comigo é ver a reacção aos postais de blog que deixo na minha conta de Facebook. Mas isso também me serve para entender o que os utilizadores vão ainda aceitando. Pois se meto alguma coisa sobre "comes e bebes" ou outras actividades prazerosas ainda surge um até vasto ombrear simpático. Mas se venho com "actualidades", coisas da política - ou mesmo do malvado futebol - colho o "scroll down" alheio, algo bem diferente do que acontecia há uns anos. De facto, já não se vai para o FB para aturar politiquices...

09
Fev23

Cristina Ferreira e as redes sociais

jpt

image.jpg

A popular apresentadora de televisão foi acolhida na Assembleia da República, na qual defendeu a regulação dos conteúdos das "redes sociais". Presumo que a verdadeira "namorada de Portugal" esteja ainda desiludida com a revogação dos preceitos mais "controleiros" da lei - dita "Carta Portuguesa dos Direitos Humanos na Era Digital" - que o (ex-)deputado socialista Magalhães havia tentado estipular - e que haviam desagradado aos malvados adoradores do Algoritmo, ao próprio Presidente da República, reconhecido instangrameiro, e, presumia-se, aos tuíteristas do Tribunal Constitucional. Ciosa defensora da pluralidade informativa e da ética republicana na comunicação social, Ferreira, ela própria com responsabilidades directivas televisivas, estará preocupada com os processos monopolistas decorrendo nesses meios, sempre em prol de uma efectiva liberdade de informação promovida por uma comunicação social livre de pressões políticas, ameaçada que tal liberdade está pelo verdadeiro vazio legislativo existente.

Entretanto, Ferreira, que em tempos idos deixara no ar a hipótese de se candidatar a Belém, vai já pavimentando esse caminho. Presumo que para esse desiderato contará com o apoio do ilustre Senador, antigo cabeça de lista nacional escolhido pelo então primeiro-ministro José Sócrates, cônjuge de membro dos governos por aquele capitaneados e actual colega europarlamentar de Silva Pereira - entre outros -, e que do alto da sua (senatorial) experiência política nos alerta para o processo em curso, que será alimentado pelas tais "redes sociais" e pela imprensa "monopolizada". Processo no qual "o Ministério Público, entretido que está na sua guerrilha diária contra o Governo e os políticos, por via do seu órgão oficioso, o Correio da Manhã," minam a democracia, tal como ela deve ser. Esperemos então pelo pacote legislativo que nos defenderá da perfídia ôntica da ralé das "redes" e dos ilegítimos anseios dos capitalistas da comunicação social.

(Postal para o Delito de Opinião)

04
Nov22

Viva o b-ok!

jpt

20221104_203944.jpg

O ataque em curso ao sítio b-ok e seus múltiplos locais é uma pérfida manobra do capital corporativo. O livre acesso impõe-se. E não me venham falar de direitos autorais... Cobrar dezenas de dólares pelo acesso a artigos científicos com décadas, por exemplo? Exigir filiações institucionais para aceder aos corpos bibliográficos? Explorar os financiamentos estatais às universidades? Inaceitável. 

Posto de outra forma: o b-ok é uma preciosa, inestimável, fonte da democratização do saber. Não é "pirata", é corsário!!!!

24
Out22

O Facebook

jpt

Pieter_Bruegel cocanha.jpg

Há um bom par de anos que chamei a este facebook a "likeland", a terra onde partilhamos aprazíveis "gostares", uma verdadeira "utopia" de bem-estar moral. Não é um defeito, é uma saudável panaceia que nos intervala os males do mundo. Cada vez isso mais me é visível, pelo menos no nicho das interacções que o algoritmo anima entre as minhas milhares de ligações - os "amigos-FB" com os quais interajo, neste "comércio" mais ou menos frequente de "sorrisos", "anuências" e "saudações", os "likes" (e "comentários"), que (n)os vão fazendo verdadeiros vizinhos, pois nomes que se me vão tornando conhecidos mesmo que nos desconheçamos na vida real, essa incómoda "real land", tópica.
 
Mais percebo isso pois as nossas características, as desta minha "comunidade" de entreajuda moral, a dos envolvidos neste nosso (quase)diário "estamos juntos", que se quer avessa à solidão - mesmo que enfrente apenas o "sozinhismo" -, implica que me acolhem com ruído prazeroso e solidário, e assim basto "gostável", as novas e notas da minha vida: uns dizeres sobre o meu Sporting, ecos de uma patuscada entre amigos reais, um resmungo com a minha ciática que afinal também é gota mas esta, afinal e vá lá, é apenas um entorse, ainda que bastante incomodativo, um sucesso da minha (magnífica) filha, um livrito para o qual me consegui concentrar, uma memória do "meu" Moçambique, uma nota sobre um bom filme visto na TV ou sobre uma tasca que descobri, uma piada menos brejeira que recebi no Whatsapp. E algum, escasso, etc.
 
Já algo oposta é a reacção se me ponho a opinar, ou a ecoar opiniões alheias, sobre os "males do mundo", os da tal "real land". As quais vou percebendo como uma violação do protocolo que nos une aqui, neste espaço de suspensão das preocupações e querelas, essas que preenchem a vida e, também, os dizeres nas "rádio, tv, disco e cassete pirata" que nos inundam o quotidiano. Que colhem um silêncio que não será exactamente uma discordância comigo ou com a minha forma - pois para isso há o "desamigar", o neologismo daqui - mas muito mais um até mudo "ó amigo/vizinho Teixeira, deixe-se disso, quer falar de coisas sérias, incómodas? Guarde isso para os blogs, homem...". Ou, até, "para si...", num "já viu como está a sua vida? Estivesse estado você calado...!", que é coisa que não é raro dizerem-me os da "vida real".
 
Enfim, resta-me anuir a este nosso protocolo (numa concordância ao velho mandamento "se está mal mude-se"). Aceitar esta nossa prazerosa "likeland" tal qual ela é - ainda que consciente e convicto de que esta terra não é a Cocanha.
 
Mas ainda assim deixo, pois renitente, uma citação que Paulo Sousa colocou agora no Delito De Opinião, sobre esta nossa terra Portugal. Um excerto de um texto que não é de um furioso esquerdista nem de um paladino do professor Ventura, nem de um publicista da sempre pérfida "oposição". É de Ricardo Costa, director do tão institucional de alinhado "Expresso" e também irmão do nosso primeiro-ministro desde 2015. Deixo-a aqui, à transcrição, sabendo que poucos "gostarão" dela. E que, pior ainda, poucos nela atentarão. Pois afronta o sossego identitário de tantos dos "vizinhos":
 

29
Ago22

A Vasculha

jpt

Tapete 2.jpg

Uma familiar muito próxima está a fazer mudanças em casa. Na sua constante azáfama pediu-me ajuda para se libertar de alguns itens através da célebre OLX (mobiliário, roupas, livros e brinquedos em bom estado, pois as crianças vão para adolescentes).
 
Assim estou a fazer. Acabo de colocar anúncios (na conta dela daquela plataforma, note-se) de dois tapetes (belgas, 2,30X170, em excelente estado, para quem se possa interessar), a preços muito decentes.
 
Levanto-me, vou fazer um café, enrolo o primeiro cigarro do dia (duas horas e meia depois de acordar, não está mal...). Regresso ao ecrã e abro o Facebook para enquanto fumo. O meu mural está encimado pelo anúncio de uma "Feira de Tapetes" digital...
 
Não há dúvida, um tipo é vasculhado até ao âmago. Até ir ao tapete, por assim dizer...

27
Ago22

O Hino do Facebook: "Act Nice and Gentle"

jpt

kinks

30
Jul22

A censura no Facebook

jpt

F-fb.jpg

 
Leio o João Gonçalves (agora também João S. Gonçalves) desde os tempos do seu blog Portugal dos Pequeninos. Verve cáustica, mente inquieta e, acima de tudo, imensa verrina. Concordando ou não - até porque ele estará duas ou três braçadas à minha direita -, gostando ou desatinando, o certo é que nestas quase duas décadas o homem tornou-se item da minha paisagem.
 
Após a "intervenção militar" russa na Ucrânia o João Gonçalves embicou, e com afã, contra as posições europeias e um (aparente, digo eu) unanimismo ucranófilo. No início, uma ou duas vezes lá terei resmungado em comentários - julgo que aquela posição é um erro de compreensão - mas depois desisti. Pois às minhas atoardas guardo-as para o meu mural (e blogs), para quê chatear os outros em sua "casa"? Ora, e até porque o seu mural é muito activo (imensos "gostadores", múltiplos comentários), o "Algoritmo" mostrava-me os seus vários postais diários e a azáfama dialogante que lá sempre acontece. Também por isso um dia irritei-me com aquilo e cortei a ligação, num "quando acabar a guerra pedir-lhe-ei "amizade" outra vez"..." em busca das (outras) caneladas que ele vai distribuindo a eito. Passados uns tempos ele criou um outro perfil (João S. Gonçalves) e reestabeleceu a ligação e eu, que estaria em dia menos zelenskiano, acolhi-a sem mais.
 
Percebi agora que as suas duas contas foram "canceladas" durante um mês. Não sei exactamente porquê. Talvez por motivos lexicais, não me surpreenderá - um amigo co-bloguista acaba de me avisar que ele próprio está suspenso do Facebook porque utilizou um substantivo abstracto derivado da célebre "Mariquinhas" (!!), e eu já fui informado que, e apenas por ter comentado alhures interrogando se tal substantivo era "ilegal", seria suspenso se repetisse tamanha agressão a uns inditos "valores comunitários". Ou então foi barrado devido às suas posições políticas.
 
Independentemente da razão isto é inaceitável. Há no Facebook um controlo global (robótico, dizia-se) iconográfico, algo atrapalhado - o episódio da censura ao "A Origem do Mundo" de Courbet foi um risonho exemplo, tornado ainda mais anacrónico face à recente pornografia via vídeos "reels" divulgados nesta rede - mas que se poderá justificar, pois avesso à transformação da plataforma num avatar dos porn hubs. Mas o controlo lexical é patético, não só por questões de princípios mas também pela polissemia dos termos que se querem barrar - as "mensagens odiosas" de que a empresa Meta se quer expurgar dependem da sintaxe e não do léxico.
 
E há, acima de tudo - e este caso deve depender disso -, o controlo censório avulso. Executado pelos pobres avençados da empresa e, muito, pelos inúmeros utilizadores "denunciantes". Que "denunciam" através do "barrar" de outrem, dando sinal ao sistema que essoutro tem más práticas, algo cujo somatório provoca sanções - já me aconteceu um punhado de vezes, até com gente que conheço, antigas visitas de casa, recentemente um antigo aluno a quem cortei a ligação devido ao seu desbragado putinismo e que assim se "vingou", colegas antropólogos por razões que desconheço -, ou mesmo "denunciam" postais com os quais não concordam.
 
Ou seja, a coberto de uma aparente "cidadania", de uma defesa dos tais "valores comunitários" (quais?, qual "comunidade"?), o que grassa é a vil bufaria, a da maledicência frustrada, ciosa da sua mediocridade. No fundo, bem no fundo, apenas gente dessas "coitadinhas", furiosas diante da "Pretendida, desejada / Altiva como as rainhas / Ri das muitas, coitadinhas / Que a censuram rudemente / Por verem cheia de gente / A casa da Mariquinhas".
 

Alfredo Marceneiro - Casa da Mariquinhas

Quem somos

Livro Torna-Viagem

Torna-viagem

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2016
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2015
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Contador

Em destaque no SAPO Blogs
pub