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Nenhures

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Desde ontem o 4 de Outubro passará a ser o Dia Mundial Sem Redes Sociais, leio num risonho postal de facebook. O apagão universal durante horas da teia do Facebook (FB, Instagram, Messenger, Whatsapp) - causando seis mil milhões de dólares de prejuízo, (quase) lamenta a imprensa - foi tonitruante. Claro que outras redes sociais continuaram, desde logo o gutural Twitter ou a "alt-network" Telegram, ou as laborais LinkedinAcademia.edu e ResearchGate, pelas quais passei brevemente. E visitei as minhas contas na Goodreads e na Babelio, e enquanto fumava perdi mais 2 ou 3 jogos na Chess.com (estou com o pior ranking de sempre, num ciclo catastrófico que insisti em pensar momentâneo mas que deverá ser já a degenerescência intelectual). Como neste nenhures não tenho televisão nenhum filme vi nem qualquer opção fílmica se me impôs e assim não visitei a IMDB. E como não tenho tido grande actividade nas minhas contas do DailyMotion e do Youtube também por lá não passei, tendo apenas deixado a tocar a Spotify. Nesse quase remanso também não fui à adorável Pinterest, pois é sítio mesmo de passatempo relaxado, nem à Geni, pois nesta precisarei de muito trabalho dedicado, e não é o momento de a isso me abalançar.

Enfim, mesmo se embrenhado neste redemoinho segui como tantos outros, algo desamparado com a inacessibilidade da minha conta do Facebook e com o silêncio do WhatsApp. É certo que uso estas macro-redes fundamentalmente para divulgar os postais de blog (tal como o Twitter, no qual não tujo nem mujo para além das ligações aos postais). Mas, ainda assim, e apesar desta profusão de outras contas noutras redes, fiquei-me algo combalido. 

Valeu-me, vá lá, uma outra rede social, a blogal. Tal como quase todos os dias entrei na minha conta do Feedly, um excelente agregador de blogs. Onde, desde há muito, sigo um largo punhado de blogs - muitos dos quais entretanto encerraram enquanto outros seguem veteranos já algo relapsos, apenas balbuciando em raros postais. Mas há os que continuam viçosos, constituindo uma verdadeira rede social de gente que tem algo a dizer. E que para isso usa palavras, associando-as em formatos sintácticos aceitáveis. Algo óptimo, refrescante, neste mundo das redes sociais. E como tal, no meu caso, digo que o 4 de Outubro é o Dia Mundial das Redes Sociais.

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Há algum tempo - talvez nas vésperas de um dos meus imensos aniversários - aqui [no FB] clamei contra a irritante mania do "parabenizar", palavra que há alguns anos ninguém com dois dedos de testa se atrevia a usar. Irrita-me porque é feia. E muito mais porque só mostra que as pessoas nem percebem o que quer dizer "parabéns", desejar todo o Bem possível. Já agora, temos uma bela palavra para isso, "abençoar" - e para aqueles que dirão que esse é termo reservado às entidades metafísicas, e aos membros do clero, lembro que era costume os mais-velhos abençoarem (darem os parabéns, na linguagem de hoje) os descendentes, directos e indirectos. E sublinho que quando damos "parabéns" estamos a convocar o Bem alheio, a afirmar a possibilidade própria de influenciarmos o destino, como se micro-entidades divinas fossemos (sim, dar os "parabéns" é, para cristãos, um pecadilho de soberba teológica). Enfim, daqui a cerca de um mês mais uma vez cruzarei um aniversário. Peço um favor aos que me dedicam alguma simpatia: abençoai-me, não me parabenizem...
 
E sobre a questão deixo este delicioso texto de Rita Ferro., até pasmada com o "ofendidismo global" que a invectiva devido ao seu desgosto com essa horrível "parabenizar". Texto esse que tem tem um belo corolário: "Só vos digo isto: viver, hoje, é uma longa história de paciência."

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(Sopa de Beringela com iogurte, chef Continente)
 
No FB e restantes redes sociais as pessoas mostram-se como querem ser, (re)constroem-se: analistas das questões do mundo, vorazes bibliófilas, confinadas telespectadoras, extremosas familiares, iradas e impolutas cidadãs (olá jpt), gulosas aka gourmets, convictas fotógrafas, patuscas convivas, poetisas de versalhadas e arreigadas cronistas, descaradas evangelistas, mimosas zoófilas, atentas melómanas, insuportáveis "comerciais" (os Serafins Lampiões andam por ali), sóbrias enófilas, amantes de "arte contemporânea" e mesmo da de antanho, palestrantes algo balbuciantes, militantes ecologistas. E mesmo raríssimas cozinheiras, estas sempre ufanas dos respectivos empratamentos (como agora se diz aquilo de botar a comida no prato).
 
Acontece que neste imenso rosário de boas pessoas com as quais tenho ligação não há uma alma caridosa que partilhe o como cozinha (exceptuando, in-blog, Maria Dulce Fernandes). Todos comem todos os dias, bem ou mal. Mas anunciar como o fazem? Nada, nada mesmo. Que serão boas pessoas, generosos amigos e conscientes cidadãos, mas partilhar cristãmente o que realmente interessa? Nisso seguem basto egoístas. Por isso, e por dever de cidadania, comecerei aqui a partilhar não tanto as minhas certeiras análises sobre o devir mas o rol dos tutoriais de que me socorro.
 
Hoje - e já aberta a garrafa do decentíssimo Queen Margot adquirido na nova loja Lidl dos Olivais, que gratuitamente muito recomendo - irei fazer esta sopa. É certo que sou militante seguidor do SaborIntenso de Neuza Costa, Senhora que já merece ser comendadora. E admirador do grande Necas Valadares, meu ícone. E consulto amiúde, devido à minha "resiliente" costela burguesota, com prazer intelectual o chef(e) Henrique Sá Pessoa. Mas hoje, e porque tenho ali umas beringelas a fenecer vou-me a isto - que tem todo o ar de me vir a sair uma mistela. Pobre Carolina, às mãos de um pai "solteiro"...

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(Mulher de Willendorf)

 
Desde há anos que quase todos os dias recebo propostas de ligação-FB ("pedidos de amizade") de minhas desconhecidas oriundas de dois agregados. Muitas provêm da uma globalizada (e assim anglófona) "spam red light", de perfis obviamente falsos. Mas o outro agregado constitui-se de perfis na sua maioria visivelmente reais. São oriundas da "pérola do Índico", mulheres muito jovens em poses simpáticas, sempre dotadas de formas muito generosas. Amplas.
 
Deste segundo universo retiro duas superficiais conclusões: 1) como os padrões estéticos são culturalmente tão diferentes, o primado do roliço a Sul contrastando com o consabido (e até doentio) primado do esguio a Norte. Sobre isso, e sem grande deambulações dietéticas, logo concluo um "Ainda bem!"; 2) que na minha sociedade estas púberes publicitações pessoais, femininas e provavelmente também masculinas, estarão alojadas no Instagram, o que demonstra diferentes manuseios nacionais destas redes sociais. Ancoro-me nisto: nestes largos últimos anos de FB não me lembro de ter recebido quaisquer propostas de ligações reais enviadas por jovens portuguesas, surgindo com estas poses (não "porno", friso, apenas "simpáticas", quais sedutoras). E ao que consta os nossos jovens estão inscritos no Instagram e outras redes.
 
Mas sigo com terceira conclusão, mais especulativa (e talvez preconceituosa mas juro que não malévola): é que este fluir constante de raparigas (muito)jovens propondo ligações a homens tão velhos como eu deixa entender uma propensão socialmente aceite para o "sugar daddysmo". Acredito no "vive e deixa viver" dentro do espectro do real livre-arbítrio. Mas, e sem exageros moralistas - que não me venho anunciar como santo -, ver isto, este constante fluxo, custa um bocado. É mesmo pungente.
 
Em suma, e pela parte que me toca: não tenho disponibilidades económicas nem disposições éticas para exercer o papel de "sugar daddy". Ou seja, meninas não peçam "amizade" a este velhote.

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No zapping do jantar de sábado passei no Eurovisão. A minha filha propôs que víssemos um bocado. Anuí, por amor paternal e porque caíramos naquilo aquando da francesa: uma boa cantora, uma "chanson" competente, coisa deveras surpreendente no meio daquela sempre anunciada mediocridade. Depois seguiu-se o que se espera daquilo: um grupo pop-simpático islandês (de que vi mais no telefone filial), uma bojuda maltesa, umas desgraciosas dançarinas de cabaret cazaque meneando-se a la Bollywood. Pior do que tudo uns italianos pantominaram o heavy - "o heavy não é isto!", clamei irado e ali pedagogo, ainda que os meus Zeppelin fossem hard e não heavy... E a paciência esgotou-se-me com um pós-viking invertido, guinchando-se "anjo caído", algo ainda mais bimbo para quem tenha crescido com o belo e magnífico Sweet Transvestite Tim Curry e então, ali mesmo, apaixonando-se para todo sempre pela Sarandon.

Enfim, nada de novo, mesmo que desse historial festivaleiro só recorde os Abba. E uma Abanibi com que a Europa de então celebrou a "diversidade", para glosar os ditos dos activistas de hoje. E, nossos, a Balão Sobe mais as Doce. Deste XXI? Aquele travesti de barba, artista de feira miseranda. O nosso campeão Sobral, que ressuscitou a Eurovisão para os bem-pensantes. E, claro, o patusco olivalense dito Conan Osíris (que será feito do vizinho?).
 
Nada mais, pois nem vejo, apenas ouço falar, consabida que é a desinteressante mediocridade musical daquilo. E que se tornou, se é que não o era antes, uma "gay parade" festivaleira anual. E as pessoas sabem-nos, dizem-no, vêem ou não consoante os seus gostos e paciências. Isto nada tem de homofóbico. Diz-se que disse Horowitz, ainda que talvez seja apócrifo, que há 3 espécies de pianistas: os judeus, os homossexuais e os maus. Alguma coisa contra Horowitz? Mas esta pantomina anual, de lantejoulas rascas, é apenas isso. A que propósito é que o serviço público entra naquilo é coisa que não percebo.
 
Enfim, Eduardo Cintra Torres escreveu um artigo de opinião (acesso restrito, deixo notícia com citações) e tratou, bem, aquilo como EuroBichas. Ofendeu, ao que parece. João Gonçalves ecoou o texto no seu mural. O postal foi apagado pelo sistema-FB e ele suspenso desta plataforma. Não se trata de uma censura "sistémica", robótica. O que decerto aconteceu foi ter havido uma série de "denúncias" e até "bloqueios", gente que se julga activista e para aqui vem peneirar o que é "aceitável" e "inaceitável". Não são os coronéis da censura a la Estado Novo. São meros cabos arvorados, das brigadas dos "movimentos sociais". E que entenda bem quem não o conheça: João Gonçalves, veterano (ex-)bloguista, não tem pingo de homofobia. Mas é de "direita", essa direita que é preciso atacar... Assim. Como sempre, na história recente e na recuada destes "movimentos sociais" e seus avatares.
 
Já agora, e lateralmente: para quem gosta de gastar o seu tempo a opinar em público, este vil pequeno episódio mostra bem uma coisa. A superioridade dos blogs. Onde a censurazinha desta gentinha não funciona. Pode-se levar algumas porradas, mesmo duras e fundas, até bem piores (e eu sei-o bem). Mas não estas coisas desprezíveis.
 
Enfim, boto isto para dizer que continuarei a ler Eduardo Cintra Torres e João Gonçalves. E quando não gosto - às vezes acontece - do que botam ou resmungo (quando me irritam) ou vou para outra loja. Pois é assim que deve ser. Longe destes gaj@s activistas. Más reses.

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