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Nenhures

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Passadas estas horas já fiz a minha pausada reflexão, uma necessária autocrítica face a este descoroçoamento. Refuto que me apontem falta de empenho. Mas é agora óbvio que ontem não estive competente o suficiente, faltou-me discernimento e intensidade, motores da criatividade. E, claro, a equipa muito sofreu, pois menos propulsionada devido ao défice das forças por mim emanadas. Em suma, há que levantar a cabeça e seguir em frente. E, tenho que admitir, no meu caso urge elevar o nível do "treino invisível".
 
Resta-me saudar a colectividade rival e vizinha, ontem digna vencedora, e que assim conseguiu garantir o acesso à eliminatória para acesso à redistributiva "Liga dos Campeões", esta sempre preciosa. E, claro, também saudar o clube invicto, o qual este ano será um justo campeão - e cujo (muito antipático) treinador tem tido o grande mérito de ultrapassar as transferências de alguns dos seus melhores jogadores (!!!) enquanto vem lançando vários jovens provenientes da "escola de artes e ofícios" do F.C. Porto (um clube com aquele culto da rusticidade não quer ter uma finória "academia", como é óbvio).
 
Entretanto, a todos prometo que estarei em melhor forma na final no Jamor! #OndeVaiUmVãoTodos!!!

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Um almoço com dois amigos de infância, 3 tipos da safra de 64 face a um choco frito diante do Sado, a fruir a frescura daquela aragem tão contrastante com a malvada estiagem que me assola nas colinas circundantes. Segue-se uma chinchada aos citrinos - "bio", dizem-nos os burguesotes -, uma sacada deles conquistada. Depois avanço, cruzo o Tejo na ânsia do Trancão, e culmino com uma imperial na tasca operária que bordeja o Fernando Pessoa. 

E por isto tudo só ao um quarto para as oito chego a casa, já ladeado por um outro velho amigo, este lampião - ácido, agreste, malvado, "espero que vocês percam"... "ainda que o Porto..." - e jovem "sobrinho", lagarto, algo nervoso. Ali tristonhos, pois condenados a ouvir o relato, e nesta horrorosa versão televisiva de agora. "Que se lixe", resmungo eu, de súbito em modo estroina, "um dia não são dias" e tiro quinze euros ao rancho, mais do que gasto eu em carne por semana, mais do que duas garrafas do elixir Queen Margot, cinco dias de assinatura dos canais da bola, "isch, é dia de festa!", saúda o meu amigo enquanto o puto esfrega as mãos...

Abro uma aprazível "Argus" do Lidl (como podereis ver, continuo - "como quem não quer a coisa" - sempre em busca do patrocínio desta cadeia comercial) e começa o jogo. Aos 40 e tal segundos já o árbitro dá um cartão amarelo ao nosso Matheus Reis, apenas por um viril encontrão. Clamo a consabida indecência do comportamento sexual da mãe do apitador e, reconhecido áugure que sou, faço o resumo do que acontecerá: "o gajo já perdeu o controlo do jogo". O adepto de Carnide ri-se e ao miúdo, ainda inexperiente nisto, sai-lhe um "achas?", ao que o lecciono, saber de experiência espectadora feito, "claro, quando começam assim acabam com tudo estragado".

Segue o jogo, o Porto muito melhor, pressionante, ágil, dominante, os nossos algo estuporados, atarantados, atrapalhados, "que é isto!!" vou resmungando em dialecto de caserna, pois "o Porto está como naquele jogo com o Benfica!", "a estrafegar-nos", "vamos levar uma sova". De súbito o nosso 1-0, naquele magnífico movimento - amortecimento no ar, cruzamento imediato sem deixar a bola cair no chão - de Matheus Reis ("não tem capacidade técnica para jogar no Sporting", afiançámos), cabeceamento perfeito de Paulinho ("não joga nada" dizem os intelectuais da bola).

O Porto não treme, continua, justiça lhe seja feita, a jogar mais.  E eu resmungo, constantemente, "onde está o Palhinha, falta o Palhinha, porque não joga o Palhinha, o que é que deu ao Rúben, que tirou o Palhinha, isto com o Palhinha era diferente, estão a dormir sem o Palhinha, não ganham uma bola no meio-campo sem o Palhinha, mete o Palhinha, pá!". Mas vem o nosso 2-0, excelente jogada de futebol - na qual também muito participa o tal Reis (sim, esse que não tem qualidade para jogar no Sporting). Entretanto viera um cartão amarelo mesmo despropositado para Coates. Logo repeti, porque o julguei relevante, o que sei de fonte segura sobre a indecência sexual da progenitora do árbitro bem como aludi à consabida volúpia anal que a este sempre acomete. Antes e depois dos jogos.

Enfim, no meio daquela confusão que vai medrando, tudo cada vez mais arisco e desabrido, Pinheiro, o tal árbitro que alguém bem sabido para ali atirou, faz uma coisa raríssima em Portugal - e também "lá fora" - e muito louvável, "à râguebi". Chama os capitães da equipa e convoca uma responsabilização destes para a acalmia disciplinar. Louvo de imediato, a inusitada mas regulamentar acção. Mas logo me desato a rir. Pois o desgraçado tem aquela boa intenção mas é incapaz de afastar os outros jogadores, como é necessário nestes momentos, que em massa rodeiam aquele colóquio, entre óbvias interjeições verbais e imprecações corporais. E para cúmulo dos cúmulos, para total funeral da personalidade de Pinheiro, os dois capitães - Coates e Pepe - saem dessa conversa com o árbitro em evidente desatino mútuo. Desato-me a rir, "eu não dizia? o gajo não tem qualquer controlo dos jogadores, ninguém o respeita!", "olhem para isto!, chama os capitães e eles saem dali aos gritos e ele dá-lhes as costas".

O Porto faz 2-1, num atrapalhada jogada em que eu desespero "o meu reino por um Palhinha". Esgaio leva um amarelo antes do intervalo. Levanto-me do suplício "temos três defesas com amarelo, pelo menos um deles vai ser expulso, e deve ser o Coates". E avanço "até logo". "Onde vais?", interrogam-me. "Vou ao aeroporto, buscar a miúda, que chega agora, uma semana de férias escolares". "E ela não pode apanhar um táxi?", diz o mais-velho, pai tarimbado. "Mas tu achas que eu não vou esperar a minha princesa?", sorrio pai babado e amoroso. "Então assinaste os canais para ver o jogo e agora não vês a bola?". "Que se foda", concluo, até magnânimo "até porque vamos perder, este filhodaputa está a fazer tudo por isso".

E lá vou até ao aeroporto da Portela ("Generalíssimo Humberto Delgado", chamaram-lhe os mariolas e ignorantes que mandam no país). Há já dois meses que não ia lá. E deparo-me com o átrio das "Chegadas" apinhado e animado, como naqueles "velhos tempos" pré-pandémicos, e nisso me animo num "está visto, acabou o Covid!!", e é isso que é importante. Na desembocadura está uma multidão de negros e nisso tenho esperança que seja um avião de Maputo que esteja a chegar, se calhar até apanho caras conhecidas, quiçá um abraço ou outro, mas não, é de Bissau que aterrou um outro. Desliguei os dados móveis do telefone e folheio, distraidamente, o "de bolso" que levei.

Toca-me o telefone, julgo que é a minha filha a dizer-me "já aterrei", mas não. É o "sobrinho", lá em casa: "tinhas razão, o Coates foi expulso". Repito um palavrão, e digo-lhe "Aprende, que eu não duro para sempre".

A minha filha chegou, bem-disposta, encantando o seu pai. Abraçamo-nos. Que se lixe a taça. E toda aquela pantomina. Esta.

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(Postal para o És a Nossa Fé!)

Em tempos já recuados - desportivamente desengraçados mas colectivamente mais felizes, de ligeiros que seguiam - os bloguistas do nosso És a Nossa Fé! conviviam, e de modo não virtual. Periodicamente agregavam-se à mesa, usualmente a do consagrado e histórico Café Império, na qual se comia com o denodo que a cada um compete e se bebia com a moderação exigível numa amálgama de gente heterogénea com a qual não se tem qualquer intimidade. Falava-se bastante do Sporting, e ainda mais de futebol. Do actual e, alguns sábios, do passado (lembro-me de encontrar um co-bloguista que, tal como eu por vezes faço, perorava sobre o Zandonaide, um verdadeiro mito fonético no panteão da bola). Havia connoisseurs que versavam sobre temas algo druídicos como, por exemplo, a "formação" ou as "finanças", do clube claro. Outros assuntos iam sendo integrados ao longo dos repastos, em molde avulso mas apenas episódico, como a malvadez de Vieira e a de Costa - o Pinto, que não o António, pois sempre predominava o ecumenismo político -, os tiques e maneirismos blogais de alguns alguéns. E até mesmo se abordavam temas prementes da actualidade - ainda que estes dirimidos em pequenos comités algo desgarrados -, como a existência de excelentes restaurantes no âmbito do Universo Sporting, a produção vinícola e os recentes conhecimentos da vinicultura, a deriva cinematográfica ou a actualidade dos ritmos musicais. E, com especial ênfase, eram vasculhados programas televisivos e seus apresentadores e painelistas, os sempre criticáveis comentadeiros da bola. Eram momentos animados, dos quais se deixava breve (e meramente alusiva) memória em postais do blog, quais actas do seminário. Um dia, decerto que invejoso do fraterno e gentil associativismo que ali grassava, um actual comparsa da afamada e bem apessoada apresentadora Cristina Ferreira, bramou em comício contra estes repastos, inventando-os de "conspiratórios", invectivando-nos como o "grupo do Império" ao serviço de esconsas e decerto que benfiquistas agendas.

O último destes encontros ocorreu no passado 6 de Março de 2020. Debateu-se o então concluído consulado de Jorge Silas, invectivou-se a demencial (de dispendiosa) contratação do jovem Amorim, resmungaram-se apelos a um "idos de Março" dada a deriva da república clubística. Mas já nos cumprimentámos com essas cotoveladas que então tinham chegado para ficarem, pois a "gripe da China" já foi mais falada do que a infecção financeira do Sporting. E desde desde esse dia, no dealbar do maldito Covidoceno que nos submergiu, nunca mais houve convívios do famigerado "grupo conspirador". Várias vezes lamentei esse rumo blogal, incompreendendo a ausência de fervor clubístico e convivencial, que nem a apaixonante conquista do tão desejado título nacional reacendeu. Nem mesmo o propalado final da pandemia, quando o governo anunciou a libertação total do país (momento entretanto esquecido pelos acima referidos comentadeiros da bola e quejandos assuntos), ressuscitou o afã comensal dos ínclitos bloguistas. Enfim, nada mais me ocorreu do que me apartar dessas memórias, ainda que humanamente preocupado com o aparente esmagamento moral dos meus parceiros, encerrados nos seus confinamentos espirituais, como é notoriamente vigente entre vastos nichos dos compatriotas.

Ontem, a convite de casal amigo, regressei ao Café Império, dois anos depois. Ali se congregou um simpático grupo comensal, amigos que residiram em Maputo já neste XXI. Todos partilhando saudades da "terra" e dos "tempos", todos também partilhando saudades do entre-nós. Mas isso é matéria, até íntima, alheia a este blog... Pois o que quero significar é que ao entrar logo deparei com a transmissão do embate atlântico, o Santa Clara-Sporting. O qual acabou com a inédita derrota do nosso clube neste campeonato, um desaire já tão raro que tanto nos espanta - ao invés do que acontecia em temporadas provectas, onde nos eram costume tais desenlaces tristonhos.

Mas, no estertor da derrota, enquanto bebericava a imperial e encetava o (belo) bife da vazia, percebi a causa do evitamento que o grupo blogal do És a Nossa Fé! tem dedicado ao "Café Império" e aos nossos repastos. Não há dúvida, dois anos de sucessos continuados sem lá ter ido. E agora, indo lá eu ao bife o Sporting perde. Houve, evidentemente uma premonição colectiva à qual eu não acedera, ateu incompetente face aos omnipresentes sortilégios: aquilo dá azar. Dieta, é o que nos cumpre...

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(Postal para o És a Nossa Fé, invocando o saudoso Raúl Calane da Silva, falecido durante este 2021)

Hoyo-Hoyo Geny Catamo!

O moçambicano Geny Catamo estreou-se ontem pelo Sporting. E brilhou - ao que leio -, tendo sido fundamental no golo decisivo para a vitória - a 11ª consecutiva, e há 30 anos que o clube não tinha tamanha série no campeonato, só suplantada por uma sequência feita nos anos... 1940s.

Catamo tem 20 anos, foi formado no Maxaquene, veio para o Amora em 2018 e joga nos escalões juniores do SCP desde 2019. Ascende agora à primeira equipa, nesta tão bem sucedida era amorinesca, na qual tanto se acarinham e desenvolvem os jovens futebolistas. Melhor ambiente e melhor clube para a sua afirmação não poderia ter pedido. Que tenha muita saúde e muito sucesso é o meu desejo.

Hoyo-Hoyo Geny Catamo!

 

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